A Soberana Vontade de Deus – 10ª Mensagem

Como Viver pelo Nome de Jesus Cristo – Parte II

A vida em comunidade

At 4.23-37

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Uma das verdades mais preciosas sobre a Igreja de Cristo é que ela foi instituída para o bem dos filhos de Deus. Um crente sem igreja é o mesmo que um órfão sem ninguém por ele neste mundo. É na Igreja de Cristo que encontramos proteção, amparo, auxílio e damos tudo isso aos outros também. O nome disso é “comunidade”. Por isso o tema da nossa mensagem é “A vida em comunidade”.

Duas verdades são encontradas aqui sobre uma Igreja que preza pela vida em comunidade:

1)     Suas orações são atendidas, v.23 a 31

Exposição v.23: “Uma vez soltos, procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e anciãos”. Uma vez que os apóstolos Pedro e João foram soltos, foram ao encontro da Igreja. Embora Lucas não tenha nos dito o que a Igreja estava fazendo enquanto Pedro e João estavam na prisão, tudo nos leva a crer que a Igreja estava em oração por eles.

Aplicação v.23: Pedro e João em sua primeira atitude quando libertos foram ao encontro dos irmãos. Eles sabiam que seus irmãos estavam preocupados com eles. Você pensa na Igreja quando passa por uma situação difícil? Você busca a companhia dos irmãos quando passa por lutas e compartilha com eles o que você está passando? É lamentável que os que mais se queixam da Igreja são os que menos se importam com a comunhão!

Exposição v.24-30: “Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram” (v.24a). Nesta oração que a Igreja fez a Deus encontramos os elementos da oração que Deus ouve. Veja bem, não estou dizendo que você deve orar desse jeito para Deus dê tudo aquilo que você quer, mas, sim, que, se você quiser fazer uma oração que agrada a Deus e que será ouvida por Ele, então você precisa mostrar os seguintes elementos em sua oração: 1) Reconhecer a soberania e majestade de Deus: “Tu, soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há” (v.24b). A oração que Deus ouve é a que O reconhece como o Soberano Senhor e nós, como os Seus servos. 2) Crer na inspiração divina da Escritura Sagrada: “que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo” (v.25a). A oração que Deus ouve é aquela em que a pessoa mostra que crê na Palavra de Deus, como Escritura inspirada pelo Espírito Santo e dada aos servos de Deus escolhidos para receberem a revelação. Alguém que não leva a sério a Palavra de Deus não deve esperar que Deus leve a sério as suas palavras em suas orações. 3) Compreender os desígnios de Deus: “Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (v.25b a 28). Os v.25 e 26 são uma citação do Sl 2.1,2. A fúria dos ímpios contra o povo de Deus e as coisas que imaginaram contra o povo de Deus são “coisas vãs”. Tudo quanto fizeram contra o “santo Servo” de Deus, Jesus Cristo, foi em vão. Eles pensaram que matando Jesus tudo acabaria, mas, tudo o que aconteceu a Jesus sob as ordens de Herodes e Pôncio Pilatos com a ajuda dos gentios e dos próprios israelitas, tudo, tudo estava debaixo da mão e propósito de Deus. A oração deve ser um exercício sincero para entender os desígnios de Deus em nossa vida. Um coração que busca compreender a vontade de Deus com certeza será ouvida. 4) Pedir coragem e força para nunca desonrar a Deus: “agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus” (v.29 e 30). O coração deles estava preocupado com uma coisa só: glorificar a Deus. Eles queriam que Deus fosse glorificado na pregação da Palavra, e, por isso mesmo, pediram a Deus que lhes enchesse de intrepidez. Não pediram proteção e nem que os inimigos fossem afastados; em vez disso queriam mais coragem e ousadia para continuarem pregando a Palavra de Deus mesmo quando receberam ordens expressas e cheias de ameaças das autoridades. Eles também queriam que Deus fosse glorificado como a Única fonte de graça, misericórdia e poder, pois, queriam que todos soubessem que enquanto a Palavra estava sendo pregada, o próprio Deus é quem estenderia as Suas mãos para “fazer curas, sinais e prodígios” por intermédio do nome de Jesus.

Aplicação v.24-30: Em suas orações você tem reconhecido a soberania e majestade de Deus? Você tem demonstrado crer que as Escrituras Sagradas são a Palavra inspirada de Deus? Tem procurado compreender a vontade de Deus? Tem pedido coragem e força para enfrentar os inimigos e nunca deixar de pregar o Evangelho? É lamentável como nossas orações são muito mais expressão da nossa vontade egoísta do que da vontade de Deus.

Exposição v.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez anunciavam a palavra de Deus” (v.31).  O que acabaram de pedir receberam: intrepidez para pregarem a Palavra de Deus. Nem toda oração tem resposta imediata como essa, mas, toda oração tem resposta. Deus respondeu-lhes a oração com um sinal externo (o terremoto) que se tornou interno (ficaram cheios do Espírito Santo) e um sinal interno (a intrepidez para pregar a Palavra) que se tornou externo (anunciaram a Palavra de Deus).

Aplicação v.31: Quando a sua oração for para glorificar a Deus, pode ter certeza de que você será atendido por Ele. Ore sempre focado na glória de Deus.

A segunda verdade sobre uma Igreja que preza pela vida em comunidade é que:

2) Sua comunhão é intensa, v.32 a 37

O presente trecho do livro de Atos é mais um daqueles “parênteses” que Lucas abriu no relato do livro para nos mostrar que o avanço da Igreja quer em momentos de paz como At 2.42-47, quer em momentos de perseguição como aqui em At 4.32-35 ou em outros momentos como At 9.31. Não importava a situação, nada detinha o avanço da Igreja porque os propósitos de Deus não podem ser detidos por nada neste mundo.

Nestes versos encontramos as características de uma comunhão intensa.

Exposição v.32-37: “Da multidão dos que creram era um o coração e a alma” (v.32a). 1) União no mesmo amor e na mesma fé. A palavra “alma” aqui quer dizer “mente” o que aponta para a mesma forma de pensar, de crer. É impossível alguém permanecer unido à Igreja de Cristo se não tiver o mesmo amor e a mesma fé. 2) Abnegação e altruísmo. O v.32b diz: “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo porém, lhes era comum. A expressão “exclusivamente sua” é muito importante aqui para entendermos esse comportamento abnegado e altruísta daqueles irmãos. Em momento algum era exigido por quem quer que fosse que alguém devesse desfazer de suas propriedades e depois passar a viver de esmolas. Pelo contrário, a ênfase aqui não é a extinção de bens, mas, o compartilhamento dos bens. Os v.34 e 35 deixam isso bem claro: “Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade”. As palavras “terras ou casas” por estarem no plural indicam que aqueles que tinham mais de uma propriedade. Os irmãos mais abastados ao perceberem a necessidade de outros irmãos, abriam mão de algumas de suas propriedades e deixavam aos cuidados dos apóstolos os rendimentos, para estes repartissem entre os necessitados. Dessa forma “nenhum necessitado havia entre eles” e a pobreza era erradicada. Eles percebiam os necessitados, abriam mão de seus pertences e confiavam nos apóstolos para dar-lhes o fim apropriado. O caso de Barnabé aqui é muito importante. “José, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que quer dizer filho de exortação, levita, natural de Chipre, como tivesse um campo, vendendo-o trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos” (v.36,37). O sobrenome que lhe foi dado pelos apóstolos diz tudo sobre sua personalidade. Em Atos, Barnabé sempre é apresentado como um companheiro, ajudador e encorajador. Ele era levita, e pela Lei Mosaica os filhos de Levi não poderiam ter posses. A expressão “como tivesse um campo” pode ser traduzida também por “possuindo uma herança”, o que mostra que ele não quebrou a Lei Mosaica adquirindo uma propriedade, mas a recebeu por herança de algum familiar. Por algum motivo quis se desfazer dessa propriedade e deu a ela um fim muito adequado. 3) A mensagem do Evangelho: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (v.33). Essa é a terceira característica de uma comunhão intensa: a pregação do Evangelho. E o que é o Evangelho senão a anunciação da vida, morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo? Contudo, a ênfase aqui é posta na ressurreição. Os apóstolos não anunciavam o Evangelho de um morto, mas, sim, Daquele que está vivo! Não só as necessidades materiais, mas, principalmente, as espirituais eram atendidas. Duas expressões são importantes aqui: “Com grande poder” e “abundante graça”. Com grande poder, ou seja, o poder do Espírito Santo, os apóstolos ignoraram as ordens dos sinedristas e davam testemunho da ressurreição de Jesus. A abundante graça era vista em todos os membros da Igreja. Os habitantes de Jerusalém viam com bons olhos e simpatia a vida da Igreja Cristã. O cuidado que tinham para com os necessitados, a união e unidade que demonstravam no seu viver, tudo isso pesava positivamente em favor da Igreja. E isso perdurou até aos dias da perseguição de Estêvão.

Aplicação v.32-37: Quanto você tem se empenhado por preservar uma comunhão intensa em sua Igreja? Você compartilha de fato a mesma fé e o mesmo amor que a sua Igreja tem? Você entende que tudo o que Deus deu a você tanto material quanto espiritualmente é para ser compartilhado com os que necessitam?

O que Deus quer que você faça?

1) Ore sempre buscando a vontade de Deus. Uma vida de oração deve ser exercitada sobre a Palavra de Deus. Lembre-se que aquele que não leva a sério a Palavra de Deus, não deve esperar que Deus também leve a sério suas palavras ditas em oração.

2) Trabalhe pela comunhão intensa da sua Igreja. Aqueles que mais se dedicam à obra do Senhor através da Igreja são os que menos tempo têm para criticarem a Igreja ou para perderem seu tempo com as coisas banais e fúteis dessa vida.

Conclusão

Ore pela sua Igreja. Ore com a sua Igreja. É assim que se intensifica a comunhão na mesma.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 26 de janeiro de 2014.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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