A Soberana Vontade de Deus – 12ª Mensagem

Como Viver pelo Nome de Jesus Cristo – Parte IV
Quando a Igreja Cresce
At 5.12-16

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Qual a melhor maneira de fazer a Igreja crescer? A cada dia novos métodos são apresentados (e em sua maioria estão fora do que a Palavra de Deus determina!). O crescimento da Igreja depende de Deus. Em 1Co 3.7 está escrito: “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”. Porém, longe de isentar-nos, as Escrituras nos mostram nossa responsabilidade, pois, a condição para o crescimento é que a Igreja “plante e regue”, ou seja, a Igreja deve fazer a sua parte relacionada à proclamação do Evangelho. Não haverá crescimento sem que a semente seja plantada e cuidada. E essa é a nossa parte. Logo, se a nossa Igreja não está crescendo numérica e espiritualmente é porque está faltando cumprirmos a parte que nos cabe, e não porque Deus não a está fazendo crescer.
De posse dessa verdade quero chamar a sua atenção para o seguinte tema: Quando a Igreja Cresce, tendo como base At 5.12-16.
Quando a Igreja cresce ela demonstra zelo pela comunhão dos seus membros. Os Puritanos tinham uma definição de Igreja que deve ser resgatada em nossos dias, pois, expressa justamente o conceito bíblico. Em seu livro História da Teologia Cristã, Roger Olson, falando sobre os puritanos e sua definição de Igreja diz:
Para eles, a igreja verdadeira de Jesus Cristo era mais do que uma autarquia do Estado ou um grupo de apoio aos pecadores. Devia ser o Corpo de Cristo na terra, a presença comunitária do reino de Deus na história e uma cidade acima das demais, cuja luz brilhasse para que todos vissem. Por isso, precisava ser composta de verdadeiros santos de Deus, demonstrar crenças corretas, vidas puras e líderes com essas qualidades.

A Igreja de Cristo é a “assembleia dos santos”, “o grupo dos redimidos por Cristo”, “o grupo dos que foram justificados por Cristo” e, por isso, vivem na justiça e retidão.

E olhando para a Igreja de Atos aqui neste texto podemos destacar duas verdades sobre a comunhão da Igreja de Cristo. Essa comunhão deve evocar:

1) Santidade, v.12,13
Exposição v.12,13: “Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão. Mas, dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles; porém o povo lhes tributava grande admiração”. Temos visto que os “sinais e prodígios” realizados pelos servos de Deus tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, sempre estão ligados à autenticação da revelação da Palavra de Deus. A cada época em que Deus estava trazendo uma nova revelação de Si nas Escrituras Sagradas, sempre credenciou Seus servos (no Antigo Testamento, os profetas, e, no Novo Testamento, os apóstolos) dando-lhes poder para realizarem milagres. Nesses períodos específicos a Bíblia registra muitos milagres e prodígios realizados por Deus através de Seus servos. Estes grandes períodos de milagres são: No Antigo Testamento: Moisés e Josué (os primórdios), depois, Elias e Eliseu (Era dos Profetas); No Novo Testamento: Jesus e os apóstolos. É claro que fora desses períodos ocorreram milagres, mas, com muito menor frequência. O mesmo acontece em nossos dias. Deus realiza milagres hoje? Com certeza, sim! Porém, não na mesma intensidade dos tempos proféticos e apostólicos. É importante destacarmos aqui que todos os apóstolos eram os instrumentos de Deus e não somente Pedro. Ainda no v.12b Lucas registra “E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão”. Por “todos” Lucas refere-se à toda Igreja, mostrando assim o zelo que tinham pela comunhão. Escolheram o Pórtico de Salomão que era amplo e espaçoso para estarem juntos. Não somente os apóstolos, mas, toda a Igreja juntamente com os apóstolos permanecia em intensa comunhão, pois, como nos indica a expressão “de comum acordo” que literalmente significa “juntos”. Voltando nossa atenção para o v.13, aqueles a quem Lucas chama de “dos restantes” e “o povo” são os não-crentes, os não-convertidos. Ao verem o que Deus fazia através dos apóstolos e a forma como os crentes viviam em intensa comunhão, e, acima de tudo a santidade de vida que Deus exigia da Sua Igreja como o fatídico caso de Ananias e Safira demonstrara, o povo temia aproximar-se da Igreja, pois, como afirmou I. Howard Marshall “Talvez tivessem medo de que uma lealdade apenas parcial os levaria a julgamento”. Os não crentes ficavam cheios de admiração pela forma como os crentes viviam, mas, sabiam que não eram dignos de estarem ali no meio dos crentes.

Aplicação v.12,13: será que a forma como temos vivido neste mundo tem provocado o mesmo no coração de incrédulos? É impressionante vermos que a postura da Igreja ao mesmo tempo separava os ímpios dos crentes, mas, causava admiração nos ímpios. Se quisermos ver a nossa Igreja crescer para a glória de Deus temos de viver essa santidade que no mesmo tempo em que causa temor no coração dos ímpios também faz com que fiquem admirados em ver as obras de Deus em nossa vida.
A segunda verdade sobre essa comunhão é que ela deve evocar:

2) Fé, v.14-16
Exposição v.14: “E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto de homens como de mulheres agregados ao Senhor”. Este versículo é o ponto central desse trecho. Lucas está mostrando que a Igreja estava crescendo. O tempo todo em sua narrativa do livro de Atos ele interrompe o assunto, e fala do crescimento da Igreja mostrando que apesar das lutas e provações, a Igreja continuava crescendo vigorosamente pelo poder de Deus. É importante destacar aqui que Lucas já não mais se atém aos números com a mesma exatidão de antes (120, 3.000 e 5.000); agora ele fala de “multidão de crentes”. Também Lucas mostra que nessa multidão de crentes estão homens e mulheres (antes, em At 4.4 ele destacara somente os homens). Mas, o que importa aqui é que o que crescia não era meramente um grupo de admiradores, mas, sim, “a multidão de crentes”. A igreja não precisa de admiradores, mas, sim, de crentes. É fato que sempre existiram e sempre existirão admiradores e simpatizantes dentro da Igreja, mas, o que realmente importa e que faz diferença na Igreja são os crentes que existem dentro dela, que têm a convicção de serem “agregados ao Senhor”, ligados e unidos a Cristo.
Aplicação v.14: Como você se classifica? Você é um admirador e simpatizante, ou é de fato e convictamente, um crente unido a Cristo? Se você for um admirador apenas, então saiba que parte da culpa da Igreja não estar crescendo é sua. Se você é um crente convicto e unido a Cristo com certeza Deus usará você para fazer a Igreja Dele crescer.

Exposição v.15: “a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles”. Lucas quer mostrar aqui a reputação que os apóstolos tinham. As pessoas viam-nos como portadores de poderes especiais. Algumas verdades precisam ser esclarecidas aqui. Primeiramente, o texto não diz que a sombra de Pedro curava os enfermos, mas, sim, que eles criam que se ao menos a sombra de Pedro passasse sobre os enfermos, estes seriam curados. Não temos nenhum relato bíblico de alguém que foi curado entrando em contato com a sombra de um servo de Deus. É sabido que naqueles tempos cria-se que as sombras daqueles que eram reputados como portadores de poderes especiais podiam realizar milagres. Contudo, apesar dessa superstição não devemos nos esquecer que o Criador pode usar qualquer instrumento ou não usar nenhum para efetuar um milagre. Pode ser que Ele use o som de uma voz, o toque de uma mão ou uma sombra. Onde as pessoas exercem sua fé em Deus é muito provável que Deus use meios tão simplórios como uma sombra para curar. Se nos parece algo espantoso a possibilidade das pessoas terem sido curadas pelo contato com a sombra de Pedro (o texto bíblico não faz tal afirmação), o que Lucas quer nos mostrar aqui não é que Pedro era tão poderoso assim, mas, sim, que algo tão simples quanto uma sombra pode ser usado por Deus para curar enfermos. Outro fato que nos chama a atenção aqui é a solidariedade das pessoas, pois, levavam os enfermos impossibilitados de irem sozinhos aonde possivelmente estariam os apóstolos para que houvesse alguma possibilidade de serem curados.Aplicação v.15: você tem de ser um crente, mas, não somente um crente contemplativo; deve ser também um crente ativo, que conduz as pessoas até Cristo. Deve auxiliá-las a vencerem suas superstições e crerem somente em Cristo.

Exposição v.16: “Afluía também muita gente das cidades vizinhas a Jerusalém, levando doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados”. Neste verso Lucas mostra que a influência da Igreja Cristã estendia-se para muito além de Jerusalém. Aqueles irmãos viveram de tal forma que a reputação da Igreja de Jerusalém chegou às cidades vizinhas, e eles ficaram sabendo que em Jerusalém existiam homens que andaram com Jesus (os apóstolos) e que estavam dando continuidade à obra de Cristo. Em segundo lugar, temos uma declaração de que eram trazidos “doentes e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados”. Assim, Lucas está mostrando que definitivamente, o império das trevas estava sucumbindo perante a luz do Evangelho de Cristo.
Aplicação v.16: Que reputação da Igreja Cristo você tem levado por onde tem passado? O seu comportamento sintetiza e indica o comportamento da sua Igreja? As pessoas têm querido vir à nossa Igreja ao observarem o seu comportamento lá fora? Satanás tem conseguido implantar uma semente maligna no coração de muitas igrejas fazendo com que elas pensem que se não se contextualizarem, se não adotarem um culto contemporâneo (que na maioria dos casos é um culto carnal), tais igrejas definharão. Mas, por justamente agirem assim é que temos visto tantas igrejas definhando e morrendo. Em Atos, a Igreja cresceu porque ousou ser santa, e mostrou-se convicta de sua fé em Cristo. Ao mesmo tempo em que repeliam os ímpios, atraía os verdadeiros crentes para a comunhão.

O que Deus quer que você faça?
Duas coisas você precisa ser neste mundo:
1) Seja um santo do Senhor. O mundo precisa ver sua santidade, pois, o que mais existe nele é gente perdida. O mundo precisa saber que somente os que estão sendo santificados pelo Espírito Santo é que herdarão a vida eterna.
2) Seja convicto de sua fé. O mundo não precisa de homens com opiniões, mas, sim, de crentes com convicções. O que mais tem faltado aos crentes em nossos dias é convicção de sua fé. Por ouvirmos falar tanto sobre tolerância de ideias diferentes, acabamos por nos calar quando deveríamos estar levantando a nossa voz e mostrando a nossa convicção em Cristo.

Conclusão
A santidade e a fé centradas em Cristo devem ser as marcas da nossa comunhão, pois, são as marcas de uma Igreja que cresce.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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