A Soberana Vontade de Deus – 13ª Mensagem

Como Viver pelo Nome de Jesus Cristo – Parte V

Vivendo no Temor de Deus

At 5.17-42

[audio:http://ubuntuone.com/3u1pJQ1AAZ0gEub5WfDd4C]

Viver pelo Nome de Jesus Cristo não é coisa para qualquer um. É coisa para quem foi salvo, redimido e transformado pelo Espírito Santo. Os Caps. 4 e 5 de Atos têm como assuntos centrais o medo e a coragem. No mesmo tempo em que mostram o medo das pessoas quando viram a mão de Deus sobre Ananias e Safira, também mostram a coragem com que os apóstolos e demais discípulos tinham para viver pelo Nome de Cristo. Assim, a ideia central desses dois capítulos é mostrar que quem vive por Cristo vive cheio de coragem para enfrentar qualquer oposição e afronta. Em contrapartida, quem não vive por Cristo, vive tomado pelo medo, tanto por Deus, quanto pelos homens (cf. v.26,38,39).

Se você quer viver pelo Nome de Cristo, então precisará de coragem. Mas, o que é coragem? Vem do latim coraticum derivado de cor “coração”.   É uma disposição interior de enfrentar tudo quanto é ameaçador. Para o crente, a coragem é mais do que a ausência do medo. É a confiança total em Deus que se traduz também em forma de temor (respeito) por Ele. O temor a Deus em seu coração o levará a não temer coisa alguma, por mais ameaçadora que possa ser. Por isso, quero meditar com você sobre: Vivendo no temor de Deus.

Vivendo no temor de Deus você encontrará:

1)     Forças para enfrentar as oposições, v.17-20

A vida cristã não é fácil. Enfrentamos oposição dentro e fora do nosso coração. Dentro temos o nosso pecado que tenazmente nos acedia; fora, temos os pecadores que não suportam ouvir a verdade. Mas, em tudo, temos de seguir o exemplo de Cristo que suportou terrível oposição dos pecadores, enquanto contemplava a grande alegria que Lhe estava proposta de ser o Senhor da Igreja, a Cabeça desse Corpo, o Noivo dessa Noiva (Hb 12.1-3).

Exposição v.17,18: “Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja, prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública”. Essa é a segunda vez que os apóstolos foram presos. Ao que nos dá a entender o contexto, todos os apóstolos foram presos. Presumimos que o sumo sacerdote aqui tenha sido Anás e não Caifás, seu genro (cf. At 4.6). O que importa aqui é que tanto os fariseus quanto os saduceus (que aqui são chamados de “seita”, no sentido de “partido”), que eram rivais por questões políticas e religiosas, se juntaram contra os apóstolos. O que os motivou a isso foi a inveja, pois, os apóstolos reuniam em torno de si numerosa multidão de crentes (v.14). Dois inimigos se juntaram para combater um inimigo comum. Lançaram os apóstolos na “prisão pública”, na qual eram lançados assassinos e criminosos que aguardavam o seu julgamento.

Aplicação v.17,18: irmão, inimigos se levantarão contra você quando você se levantar em Nome de Cristo. Você está disposto a passar por isso? Se, sim, não lhe faltarão forças, pois, o Espírito Santo o capacitará a viver de forma honrosa por amor a Cristo.

Exposição v.19-20: “Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, lhes disse: Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida”. Deus tem várias formas de fortalecer-nos. Ora pode enviar-nos um livramento, como o que aconteceu aqui, ora pode permitir-nos passar pela situação sem nos desamparar enchendo-nos de coragem. Um anjo enviado por Deus, não somente “abriu as portas do cárcere” como também trouxe-lhes uma ordem de que se deveriam apresentar no templo e dizer ao povo “todas as palavras desta Vida”. O Evangelho é caracterizado como “a Vida” não somente aqui por Lucas. Pedro já o fizera em sua magnífica declaração a respeito de Jesus em Jo 6.67,68: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que teu és o Santo de Deus”. Deus libertou-os com um propósito muito bem definido. Aliás, permitiu que fossem presos porque tinha um propósito muito bem definido que era o de proporcionar-lhes ocasiões para pregarem o Evangelho.

Aplicação v.19,20: Como você tem encarado as oposições que se levantam contra você por causa de Cristo? Você tem visto nelas uma oportunidade de honrar a Deus diante de seus opositores? Tem entendido o propósito de Deus para sua vida nessas situações?

Vivendo no temor de Deus você encontrará também:

 

2)     Forças para obedecer a Deus, v.21-32

A questão levantada por Pedro no v.29 é o ponto central de todo este trecho do livro. O que é mais importante: obedecer a Deus ou aos homens? As ações dos apóstolos respondem claramente.

Exposição v.21-32: Lemos no v.21a: “Tendo ouvido isto, logo ao romper do dia, entraram no templo e ensinavam”. Eles passaram a noite na prisão. Mas, assim que foram libertos pela manhã cumpriram a ordem de Deus. Isso é obediência imediata. Nos v.21b-23 lemos que: “Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que com ele estavam, convocaram o Sinédrio e todo o senado dos filhos de Israel e mandaram buscá-los no cárcere. Mas os guardas, indo, não os acharam no cárcere; e, tendo voltado, relataram, dizendo: Achamos o cárcere fechado com toda a segurança e as sentinelas nos seus postos junto às portas; mas, abrindo-as, a ninguém encontramos dentro”. Todas as autoridades foram reunidas a fim de proceder ao julgamento daqueles de quem se pensava estarem presos. Mas, os guardas, em lá chegando, constataram que apesar de toda a segurança e das portas devidamente trancadas, os apóstolos não estavam lá. No v.24 lemos: “Quando o capitão do templo e os principais sacerdotes ouviram estas informações, ficaram perplexos a respeito deles e do que viria a ser isto”. É lamentável como homens que estavam acostumados com os relatos bíblicos do Antigo Testamento que narram as operações milagrosas de Deus libertando Seus servos, não perceberam que estavam diante de um típico caso do livramento divino. Essa cegueira dos fariseus e saduceus é resultado da desobediência contínua à vontade de Deus. Os v.25,26 dizem: “Nesse ínterim, alguém chegou e lhes comunicou: Eis que os homens que recolhestes no cárcere, estão no templo ensinando o povo. Nisto, indo o capitão e os guardas, os trouxeram sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo”. Enquanto estavam ali tentando entender como os apóstolos puderam escapar daquela prisão, alguém veio lhes informar que os apóstolos estavam no templo ensinando o povo. Não havia dúvida alguma de que eram os mesmos que foram presos, pois, esse informante deixou bem claro que eram “os homens que recolhestes no cárcere”. Mas, diante dessa notícia, o que importava para as autoridades era calar os apóstolos e tirá-los de circulação o quanto antes, pois, temiam que os apóstolos influenciassem ainda mais o povo e este se voltasse com violência contra eles. É lamentável mais uma vez ver que aqueles que deveriam ensinar o povo a confiar em Deus estavam agora cheios de medo por verem que seus recursos nada podiam para ajuda-los. Nos v.27,28 está escrito: “Trouxeram-nos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote interrogou-os, dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem”. Por ocasião da cura do paralítico em At 3, as autoridades haviam ordenado a Pedro e João que não ensinassem em o Nome de Jesus (At 4.18). Aqui as autoridades lembram aos apóstolos de que eles estavam descumprindo uma ordem dada recentemente. Além disso, acusaram os apóstolos de estarem enchendo Jerusalém com suas doutrinas com acusações contra as autoridades e o povo de terem matado a Jesus. Porém, nada que o sumo sacerdote dissesse poderia contrariar o que de fato que isso mesmo aconteceu. Em Mt 27.25 quando Pilatos declarou-se inocente quanto à crucificação de Cristo, todo o povo gritou: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos”, ou seja, eles estavam se responsabilizando pela morte de Jesus. É difícil ler este texto e não fazer nenhuma relação com o genocídio nazista da 2ª Guerra Mundial em que milhões de judeus foram mortos. Nos v.29-32 lemos: “Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro. Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados. Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem”. As afirmações dos apóstolos às autoridades foram esplendidamente corajosas e dirigidas pelo Espírito Santo. Eles afirmaram: (1) obediência incondicional a Deus. Não se trata de uma prioridade (primeiro Deus, depois, os homens), mas sim, de incondicionalidade (obedecer a Deus, ainda que as autoridades humanas sejam desobedecidas). (2) culpa pela morte de Jesus: ainda que o sumo sacerdote quisesse negar essa culpa, eles próprios assumiram isso em público na ocasião. (3) ressurreição e glorificação de Cristo. Ao ressuscitar e glorificar a Cristo, Deus estava declarando que havia aceitado o sacrifício de Seu Filho, e por isso, a salvação dos pecadores é uma realidade, que só pode ser alcançada pelos méritos de Cristo, mediante (4) arrependimento e perdão: A ação do pecador em se arrepender e a ação de Deus em perdoar trabalham juntas a fim de salvar o pecador. Havia esperança para aqueles que mataram a Jesus, desde que se arrependessem. (5) o testemunho duplamente confirmado. É um erro pensar que aqui Pedro está equiparando a autoridade dos apóstolos com a do Espírito Santo. O que ele está dizendo aqui é que tudo quanto o Espírito Santo lhes revelara eles confirmavam por meio da pregação. E assim, eles demonstravam obediência a Deus.

Aplicação v.21-32: Destaca-se aqui obediência “3i”: a imediata (assim que receberam a ordem de Deus, cumpriram), a inteira (não deixaram de fazer coisa alguma que Deus ordenou), e, a interna (obedeciam a Deus de coração e não só de aparências como as autoridades judaicas). Em sua obediência a Deus constata-se que ela é imediata (não posterga), inteira (não é pelas metades) e interna (não é fingida e hipócrita)? Vivendo no temor de Deus você encontrará tudo o que precisa para obedecê-Lo dessa forma, pois, é somente assim que você honrará a Deus. Você precisa de Deus para obedecer a Deus. Confie somente Nele.

Vivendo no temor de Deus você ainda encontrará:

3)     Forças para continuar obedecendo a Deus, v.33-42

Um dos graves problemas que temos é o de não sermos constantes em fazer a vontade de Deus. Somos muito complacentes e indulgentes conosco pensando que por termos acertado uma vez não importa o quanto errarmos, pois, Deus é paciente conosco. Tal pensamento é demoníaco, é uma mentira diabólica que permitimos crescer em nosso coração. Em lugar algum as Escrituras demonstram essa complacência para conosco. Pelo contrário, a ênfase que elas dão é de que devemos continuar crescendo na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3.18), sermos sempre firmes e abundantes na obra do Senhor (1Co 15.58), e não sermos de ânimo dobre (Tg 4.8).

Exposição v.33-42: Nos v.33-37 está escrito que: “Eles, porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los. Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel, mestre da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os homens, por um pouco, e lhes disse: Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens. Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos”. Diante da verdade há somente duas ações: aceitação ou rejeição. Se partirmos para a segunda opção, então fatalmente apelaremos para artifícios irracionais como, por exemplo: uso da força, da brutalidade, da gritaria. Diante das afirmações dos apóstolos as autoridades apelaram para a ignorância e quiseram mata-los. Gamaliel, um rabino fariseu muito respeitado, pertencente à uma família de fariseus cujo ancestral era outro rabino muito influente chamado Hilel, levantou-se e persuadiu todo o Sinédrio a não tomar nenhuma atitude para matar os apóstolos. Para isso, apelou para dois exemplos: Teudas e Judas, o galileu. Simon Kistemaker lembra que o historiador, Flávio Josefo conta que Teudas se autoproclamou profeta e persuadiu uma multidão a tomarem seus pertences e segui-lo até ao Jordão, prometendo-lhes que os faria atravessar o rio a pé enxuto. Às margens do Jordão, Cúspio Fado, procurador da Judeia (44-46 d.C.), e seus soldados mataram Teudas e vários de seus seguidores. Quanto a Judas, o galileu, por volta do ano 6 d.C., comandou uma revolta que acabou com a sua morte e dispersou todo o grupo que o seguia. Assim, Gamaliel lembrou que o mesmo poderia acontecer aos cristãos, pois, era questão de tempo haja vista Jesus já ter sido morto. Nos v.38,39, a advertência de Gamaliel soou como uma profecia a favor da Igreja: “Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele”. As palavras de Gamaliel surtiram certo efeito, pois, fizeram com que o Sinédrio se acalmasse. Isso mostra a grande influência de Gamaliel, um fariseu sobre o Sinédrio em sua maioria saduceu. Além disso, a Fé Cristã comprovou-se uma obra de Deus com o passar dos séculos. No v.40 vemos que: “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram”. Na primeira vez que foram presos os apóstolos (no caso, Pedro e João) receberam somente ameaças, pois, as autoridades não acharam motivos para castiga-los (At 4.21). Mas, desta vez havia algo para incriminá-los, pois, eles desobedeceram à uma ordem expressa dada anteriormente. Por isso, ordenaram que fossem açoitados e soltos em seguida. Mas, a reação dos apóstolos após terem sido açoitados foi algo completamente inconcebível. Nos v.41,42 lemos que: “E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo”. Seus corações regozijavam-se por terem sido considerados dignos de sofrer por amor ao Nome de Cristo. As marcas dos açoites estigmatizavam os açoitados como criminosos que mereceram punição. Mas, aqui, no caso dos apóstolos, não eram marcas de um crime, mas, do seu amor por seu Senhor e Salvador. Aquelas marcas não impunham desonra, mas, dignidade para eles. Não se deve entender que eles se julgavam “merecedores” de sofrer por causa de Cristo, mas, sim, “dignos” de sofrer pelo Nome de Cristo. O sofrimento por amor a Cristo para o crente é descrito na Bíblia como a maior honra que um pecador pode receber, honra esta que está em pé de igualdade com a fé em Cristo (Fp 1.29). Além desse regozijo, os apóstolos também continuaram firmes na pregação do Evangelho com tanto maior intrepidez. Em vez de se deixarem abater e desanimar ou mesmo se acovardarem diante das ameaças, eles tinham ainda muito maior coragem. O grande desafio da vida cristã é não retroceder e nem mesmo estagnar-se diante das ameaças e adversidades. É como diz Ef 6.13 sobre o uso da armadura de Deus: “…depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”.

Aplicação v.33-42: Você tem tido essa postura diante das adversidades, ameaças e inimigos da fé em Cristo? Você tem sido perseverante após cada ataque inimigo? Você tem posto sua confiança somente em Deus e procurado viver crescendo espiritualmente cada vez mais em sabedoria, graça e obediência a Deus? Deus não quer que você experimente uma ou outra vitória na sua fé, mas, sim, que o tempo todo você viva obedientemente a Ele, pois, somente por meio de uma vida obediente a Deus é que você desfrutará das mais ricas bênçãos que Ele tem reservado para os que O amam.

O que Deus quer que você faça?

Por meio de sua vida que você mostre às pessoas que o seu único temor é deixar de temer a Deus, pois, é vivendo no temor de Deus que você O honrará diante desse mundo que caminha para a destruição.

Conclusão

Viver e sofrer pelo Nome de Cristo é a maior honra que podemos receber nesta vida.

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
This entry was posted in Mensagens Expositivas em Atos dos Apóstolos. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.