A Soberana Vontade de Deus – 16ª Mensagem

Assim é o Evangelho

At 8.1b-13

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Nas leis da física temos duas forças inversas que têm os nomes muito parecidos. Temos a força centrífuga e a centrípeta. A centrífuga como o próprio nome já indica parte de um ponto central para as margens (sua lava-roupas faz isso). Já a força centrípeta é aquela que atrai das margens para um ponto central (um funil faz isso).

No Antigo Testamento, todo judeu era atraído para Jerusalém (como uma força centrípeta). Estar em Jerusalém era o maior desejo de um judeu devoto porque ali estava o Templo do Senhor. Agora, no Novo Testamento como podemos ver nessa terceira parte do livro de Atos, a Igreja Cristã expandiu-se por toda a Palestina por causa dessa primeira perseguição (como uma força centrífuga). Até então, a Igreja estava crescendo somente em Jerusalém, e pelo fato de Deus ter permitido que uma perseguição contra ela fosse suscitada somos levados a crer que por algum motivo que desconhecemos aqueles irmãos estavam negligenciando a ordem expressa de Cristo de que eles deveriam ser Suas testemunhas “tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

Deus cumpre os Seus propósitos até mesmo quando nós faltamos com a nossa responsabilidade. Os planos de Deus não podem e jamais serão frustrados pela irresponsabilidade humana.

A mensagem do Evangelho é a mensagem mais poderosa que existe. É a Palavra de Deus sendo anunciada. O Evangelho é a mensagem que diz que Deus não somente reina absoluto e soberano como também está presente em nossa vida. O Evangelho é tão poderoso que qualquer ação nossa tentando contê-lo é perigosa para nós. É como tentar segurar uma dinamite em nossas mãos. O impacto da explosão não poderá ser contido. Assim é o Evangelho. É sobre isso que quero falar com você nesta ocasião.

Aonde ele chega:

1)     Provoca a ira dos inimigos, v.1b-3

             

Exposição v.1b-3:1Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria. 2Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande pranto sobre ele. 3Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere”.

No dia em que Estêvão foi acusado diante de um tribunal iníquo, apedrejado e morto, alguns homens piedosos pondo em risco suas próprias vidas (haja vista terrível perseguição ter-se deflagrado contra a Igreja em Jerusalém), sepultaram-no e prantearam sobre ele. É importante lembrar que segundo a Lei Mosaica alguém que fosse apedrejado era considerado um criminoso, e, por essa mesma razão, não era sepultado, mas, ficava sob o montão de pedras para testemunho do povo. Os homens piedosos que o sepultaram tiveram que retirar pedra sobre pedra que estava sobre o corpo de Estêvão e depois, sepultá-lo. Eles ignoraram aquele tribunal que condenou Estêvão, porque aquele tribunal procedeu fraudulentamente e sem qualquer traço de justiça.

Nesse mesmo dia, terrível perseguição veio sobre a Igreja. Somos informados no v.1b que todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e Samaria. Assim, a segunda fase da expansão da Igreja Cristã estava começando, só que através dos membros da Igreja e não da sua liderança. O testemunho do Evangelho foi dado em Jerusalém, e, agora, avançava para Judeia e Samaria, isto é, a Palestina.

Ao dizer que todos foram dispersos, Lucas quis mostrar que não houve quem não fosse perseguido. Os cristãos saíram de Jerusalém e os que ficaram foram perseguidos pelos inimigos, e dentre eles destacava-se a pessoa de Saulo de Tarso. Este, antes de sua conversão a Cristo, sempre foi descrito não só como um inimigo, mas, como alguém que tinha profundo ódio pelos cristãos (cf. At 9.1). O fato de Saulo ser apresentado como perseguidor e alguém que queria destruir a Igreja de Cristo (cf. At 26.10), coloca também os fariseus contra a Igreja. Antes da morte de Estêvão somente os saduceus se opunham aos cristãos. Mas, agora, todos estavam contra a Igreja.

Assim é o Evangelho, pois, onde quer que ele chegue com certeza os inimigos da cruz de Cristo se levantarão contra os filhos de Deus.

 

Aplicação v.1b-3: Não espere ser bem recebido por este mundo quando você pregar o Evangelho. Não pense que você será benquisto das pessoas. Pelo contrário, muitos que diziam ser seus amigos se afastarão. Outros atacarão você chamando-o dos priores impropérios. Não se esqueça do que diz 1Co 1.18:Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”. Você está preparado para continuar pregando o Evangelho mesmo sob forte perseguição? É possível viver piedosamente mesmo debaixo de perseguição.

Aonde o Evangelho chega:

2)     Traz a verdadeira alegria, v.4-8

Exposição v.4-8: Lemos nos v.4,5 que:4Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra.  5 Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo”.

Há um provérbio cristão que diz: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”. Tal como uma semente que caiu no chão e germinou, assim também foi o sangue de Estêvão e de tantos outros que viriam a ser martirizados depois. Saulo e os demais inimigos queriam extirpar a Igreja, mas, quanto mais matavam os cristãos, tanto mais apareciam outros. Quanto mais tentavam calar a boca dos crentes, tanto mais eles pregavam o Evangelho. Por onde passavam pregavam a Palavra de Deus. A mensagem da Igreja é a Palavra de Deus. No dia em que ela deixar de pregar a Palavra de Deus para pregar ensinamentos humanos, no dia em que pregação for substituída por palestras, teatro, e coisas parecidas, a Igreja estará cedendo ao mundo e demonstrando desobediência a Deus.

Filipe era um dos sete diáconos, e, assim como Estêvão, teve certo destaque entre os demais. Ele é descrito como um evangelista (cf. v.12), isto é, pregador do Evangelho que era, à semelhança de Estêvão, muito poderoso e vigoroso em suas palavras. Também é descrito como alguém que Deus usava na realização de “sinais e grandes milagres” (cf. v.6,7 e 13).

A cidade de Samaria em sua topografia ficava num nível mais baixo que Jerusalém (no topo do Monte Sião), e por isso, Filipe desceu à Samaria. A mensagem de Filipe era o próprio Senhor Jesus Cristo. Essa era a mensagem dos apóstolos. Em 1Co 2.2 Paulo disse: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”.

Nos v.6,7 está escrito: 6 As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava.  7 Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados”. É importante destacarmos aqui que assim como aconteceu com os apóstolos nos dias subsequentes ao Pentecostes, também aconteceu com Filipe: as multidões atendiam à pregação deles. Além disso, ressaltamos que da mesma forma que a pregação dos apóstolos vinha acompanhada de sinais e milagres, o mesmo também aconteceu com Filipe. Assim, por meio da pregação da Palavra centrada em Cristo e dos milagres que Deus realizava através deles, as multidões em Samaria abraçaram a fé.

A menção aqui aos espíritos imundos de muitos possessos, nos lembra que o mesmo aconteceu nos dias do Senhor Jesus. Satanás enviou seus demônios a fim de restringir o avanço do Reino de Deus. O que ressalta aqui é o fato de que bastava apenas um só servo de Deus, consagrado a Ele e obediente para expulsar inúmeros demônios. Há um provérbio que diz: “Um mais Deus é maioria”. Sim, é fato. Pode o inferno em peso vir contra um servo de Deus e mesmo assim, o inferno inteiro terá que se submeter à autoridade de Deus na vida do Seu servo.

Ao verem tudo isso que Deus estava fazendo por meio de Filipe, os samaritanos experimentaram a verdadeira alegria, pois, somos informados no v.8 que: “E houve grande alegria naquela cidade”. Assim é o Evangelho de Cristo. Aonde ele chega, a verdadeira alegria se instala.

É importante ressaltarmos aqui que embora prestassem total atenção ao que Filipe pregava e fazia (v.6), e mesmo sentindo profunda alegria ao ver que muitos que estiveram possessos por Satanás foram libertos e os que tinham doenças que os impediam de andar sendo curados por Filipe, ainda nada se diz que eles creram no Evangelho. Isso será relatado nos próximos versículos.

Aplicação v.4-8: Assim é o Evangelho. Aonde ele chega é possível experimentar a alegria verdadeira. Um dos primeiros frutos do Evangelho é a alegria justamente pelo fato de que ele traz a esperança. Quando você leva o Evangelho de Cristo a uma pessoa, você está levando a verdadeira esperança àquele coração. Nada pode trazer mais alegria ao coração humano do que a esperança advinda do Evangelho. Aonde o Evangelho chega a alegria do Senhor se faz presente, pois, os grilhões de Satanás são despedaçados, pessoas são curadas de suas enfermidades conforme os propósitos de Deus. Como não sentir profunda e grande alegria diante de tudo isso? Irmão, na sua prática da pregação do Evangelho você tem levado a esperança para os corações aflitos? Lembre-se de que pregar o Evangelho é comunicar a alegria do Senhor Deus, e é a alegria do Senhor a nossa força (cf. Ne 8.10).

Aonde o Evangelho chega

3)     Transforma pecadores em filhos de Deus, v.9-13

 

Exposição v.9-13: Nos v.9-11 lemos: 9 Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto;  10 ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder.  11 Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas”.

Em Samaria, Satanás adotou uma estratégia diferente da que utilizara em Jerusalém. Em Jerusalém ele usou a mentira de Ananias e Safira, o aprisionamento de Pedro e João, as mentiras contra Estêvão e seu assassinato, bem como a própria perseguição contra a Igreja. Em Samaria ele usou um mágico chamado Simão. Satanás usa métodos diferentes para enganar as pessoas.

Simon Kistemaker afirma que a mágica que Simão praticava aqui não era meros truques de ilusionismo, mas, sim, bruxaria e feitiçaria. E acrescenta (2006, p.389):

“Dentre os vícios relacionados por Paulo como atos da natureza pecaminosa está a feitiçaria (Gl 5.20). Aqueles que praticam artes mágicas estão excluídos da Cidade Santa e são lançados no lago que arde com fogo e enxofre (Ap 21.8; 22.15). As artes mágicas procedem de Satanás e são diametralmente opostas a Deus. Portanto, ele diz ao seu povo para não se envolver com nenhuma forma de mágica (Dt 18.10-14).

Os samaritanos eram judeus mestiços e surgiram por ocasião do cativeiro assírio por volta de 722 a.C. Eles tinham somente o Pentateuco como Escritura Sagrada e adoravam a Deus no monte Gerizim que rivalizava com o monte Sião (Jerusalém). Por causa do sincretismo religioso dos tempos do cativeiro e tempos posteriores, os samaritanos eram receptivos à feitiçaria. Daí quando Simão veio com sua mágica, insinuando ser alguém grande e poderoso, do menor ao maior dos samaritanos, todos se referiam a ele como “o Grande Poder”. Assim ele tinha de todos os samaritanos o reconhecimento que tanto queria.

Nos v.12,13 lemos que:12 Quando, porém, deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, iam sendo batizados, assim homens como mulheres.  13 O próprio Simão abraçou a fé; e, tendo sido batizado, acompanhava a Filipe de perto, observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados”. Eles haviam começado a crer, e mais e mais pessoas agregavam-se ao grupo dos convertidos como demonstra a expressão “…deram crédito a Filipe (…) iam sendo batizados…” . O conteúdo da mensagem de Filipe era o “reino de Deus e do nome de Jesus Cristo”. Assim Filipe ressaltava o reinado e a soberania de Deus neste mundo na pessoa do Seu Filho Jesus Cristo, poder e soberania estes que têm todos os outros poderes debaixo de sua autoridade. Por isso mesmo, o “próprio Simão abraçou a fé”, pois reconheceu que existe Alguém que é maior e muito mais poderoso: Jesus Cristo. Até chegou a ser batizado e acompanhava de perto a Filipe “observando extasiado os sinais e grandes milagres praticados”. Mas, apesar de tudo isso, de ter experimentado todas essas coisas, Simão nunca se converteu de fato como fica claro nos v.14-25 que serão estudados na próxima mensagem.

Os samaritanos tiveram grande alegria e depois vieram a se converter de fato; Simão também experimentou tantas coisas referentes ao Evangelho, mas, não experimentou o mais importante: a salvação.  

Aplicação v.9-13: Assim é o Evangelho. Ele é o poder de Deus para a alvação de todo o que crê (Rm 1.16). O Evangelho transforma aqueles considerados pecadores imundos em filhos de Deus santos e puros. O Evangelho é a espada de dois gumes que no mesmo tempo que apresenta a salvação também apresenta a condenação. É a Verdade que se opõe à ilusão da mentira e a desmascara. Quando você prega o Evangelho toma o cuidado de apresenta-lo como o Reino de Deus instaurado através de Jesus Cristo? Apresentar o Evangelho é apresentar a Cristo, a Pedra Angular para os que Nele confiam (cf. Ef 2.20; 1Pe2.6,7), mas, também a Pedra de tropeço e Rocha de escândalo para os que se perdem (cf. Rm 9.33; 1Pe2.8). Em Hb 6.1-4 vemos que é possível alguém desfrutar de muitas das alegrias do Evangelho, mas, nunca ter sido de fato salvo, e por essa mesma razão aposta da Fé. Você é daqueles que experimentam muitas alegrias do Evangelho, mas, ainda não tem a salvação eterna, ou é de fato um salvo em Cristo Jesus?

Conclusão

Assim é o Evangelho. Suscita a ira dos inimigos, mas, traz grande alegria aos corações sofridos. Porém, mais importante do que tudo isso é através do Evangelho que os eleitos de Deus são chamados e transformados de pecadores em filhos do Seu Reino. Não alteremos o conteúdo do Evangelho mesmo se estivermos sob intensa perseguição dos inimigos. Se alterarmos a mensagem do Evangelho ele não será mais Evangelho, a Boa-Nova de Deus para o pecador, mas, somente mais um filosofia tão ilusória quanto as mágicas de Simão, será mais uma das mentiras de Satanás.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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