A Soberana Vontade de Deus – 17ª Mensagem

O Espírito Santo: o Dom de Deus

At 8.14-25

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O assunto desse parágrafo é o Espírito Santo sendo concedido também aos samaritanos como parte imprescindível do crescimento da Igreja Cristã naqueles dias. No v.20 as Escrituras Sagradas dizem que o Espírito Santo é “o dom de Deus”, e, por isso mesmo quero meditar com você sobre O Espírito Santo: o dom de Deus.

Falarmos do dom do Espírito Santo é falarmos do próprio Espírito      Santo. Assim como Deus nos deu Seu próprio Filho para morrer na cruz por nós, também nos deu o Seu Espírito Santo, o qual é quem nos ensina a Palavra de Cristo e nos faz lembrar de tudo que dela aprendemos (cf. Jo 14.26); Ele também é o “penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade” (Ef 1.14), ou seja, é o Espírito Santo habitando em nós que é a garantia de que no dia da volta do Senhor Jesus seremos recolhidos para a glória eterna. O Espírito Santo é quem frutifica em nós o Seu fruto (Gl 5.22,23); é Ele quem regenera o coração pecador dando-lhe a vida em Cristo Jesus conforme diz Rm 8.11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”.

Neste trecho vemos que o Espírito Santo que nos foi dado por Deus:

 

1)     Unifica a Igreja de Cristo, v.14-17

Exposição v.14-17: No v.14 está escrito: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João”. Muitos especulam aqui sobre o fato dos apóstolos terem mandado Pedro e João para Samaria. Será que foi para aprovar o trabalho de Filipe? Faltava a Filipe o dom do Espírito Santo? Havia algo de errado e precisava ser adequado na Igreja de Samaria? Todas essas perguntas têm respostas. O trabalho de Filipe não precisava de aprovação dos apóstolos pelo fato de que o Evangelho que ele pregava era o próprio Cristo e o Reino de Deus (cf. v.4,12). Não faltava a Filipe o dom do Espírito Santo, pois, ele era “cheio do Espírito” (cf. 6.3). Não havia nada de inadequado com os crentes samaritanos, pois, tudo o que precisavam para ser salvos, eles tinham: eles creram na Palavra de Deus anunciada por Filipe. Mas nos v.15 e 16 lemos qual foi a razão para os apóstolos enviarem para lá a Pedro e a João: “os quais, descendo para lá, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus”. Aqueles que creem que após a conversão de uma pessoa é necessário que ela receba a “segunda bênção”, isto é, a visitação do Espírito Santo para se tornarem cheios Dele, tomam este (e outros textos) para dar base. Contudo, este texto não dá base para tal afirmação, e nem mesmo tal afirmação está de acordo com o restante das Escrituras.

Duas questões aqui precisam ser respondidas: (1) porque foi preciso os apóstolos Pedro e João orarem para que os samaritanos recebessem o Espírito Santo em vez de Filipe? (2) porque Filipe batizava somente “em nome do Senhor Jesus” e não na fórmula trinitária dada pelo Senhor Jesus (Mt 28.19)?

Quanto à primeira questão devemos lembrar que a autoridade sobre a Igreja estava nas mãos dos apóstolos. Ao enviá-los para lá Deus estava autenticando tudo quanto estava acontecendo com os samaritanos, a fim de que ninguém ousasse acusar os samaritanos de estarem usurpando um direito que não lhes cabia. Deus estava salvando os samaritanos, e a obra de salvação tinha de ser autenticada ali através dos apóstolos. É importante lembramos que os samaritanos eram inimigos dos judeus, e eram vistos como seres inferiores pelos judeus. Agora, com o derramamento do Espírito Santo sobre os samaritanos toda e qualquer diferença que pudesse existir caía por terra.

Com relação a Filipe batizar somente em nome de Jesus em vez da forma trinitária, ele não estava desobedecendo a Cristo. Pelo contrário, aqui a ênfase é dada à palavra “nome” mostrando tal qual na fórmula trinitária “em o nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Em Atos a expressão “nome de Jesus” aponta para a revelação do Deus Triúno na pessoa do Filho. Filipe está aqui ressaltando a divindade de Cristo.

No v.17 lemos que: “Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo”. O ato de impor as mãos sobre os samaritanos era meramente simbólico mostrando assim a completa participação dos samaritanos na Igreja Cristã. Assim vemos que o Espírito Santo (assim como o próprio Senhor Jesus Cristo com Seu sacrifício) unifica a Igreja de Cristo, faz com que grupos não somente diferentes, mas, até mesmo rivais entre si, sejam unificados e reunidos num mesmo corpo.

Aplicação v.14-17: Em 1Co 12.13 a Palavra de Deus diz: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. O Espírito Santo é quem unifica a Igreja de Cristo, é Ele quem liga os salvos ao Corpo de Cristo. É o Espírito Santo no coração da pessoa que mostra a união dela com Cristo. É o Espírito Santo o único que pode unir aqueles que por motivos diversos um dia estiveram separados, mas, ao uni-los Ele os torna um só Corpo. Em Ef 4.3,4 somos exortados a “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação”. É o Espírito Santo quem unifica a Igreja, mas, é a Igreja que deve diligentemente preservar essa unidade promovida pelo Espírito, mesmo quando dentro dela houver as mais diferentes pessoas. Para isso é preciso que todos tenham uma só esperança, um só pensar. Você tem se esforçado diligentemente para derrubar quaisquer diferenças entre nós para mantermos essa unidade do Espírito Santo?

É o Espírito Santo que nos foi dado por Deus que

2)     Purifica a Igreja de Cristo, v.18-24

 

A igreja de Cristo é composta por pecadores que abandonaram seus pecados e continuam lutando contra outros pecados. Mas, o Espírito Santo não permite que impuros permaneçam dentro dela. Ele mesmo se encarrega de mostrar o que está no coração de cada um.

Exposição v.18-24: Nos v.18 e 19 está escrito: “Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo”. Não sabemos que sinais foram vistos no momento em que os samaritanos receberam o Espírito Santo, se eles caíam no chão, se choravam, se riam, se pulavam (como hoje é afirmado por aqueles que dizem “ministrar o Espírito Santo” sobre as pessoas) e por isso mesmo não nos prenderemos a esse detalhe aqui. Fato é que ao ver o que estava acontecendo, Simão, que antes vivia iludindo as pessoas com suas mágicas por que isso lhe dava grande prestígio, ao ver que pelo fato dos apóstolos imporem as mãos sobre as pessoas elas recebiam o Espírito Santo, julgou que com seu dinheiro pudesse adquirir essa “habilidade”. Daí a prática de querer comprar o favor divino para fins de engrandecimento pessoal recebe o nome de “simonia”, uma referência a Simão. A julgar pela resposta de Pedro nos v.20-23 vemos que a motivação de Simão era pecaminosa e merecia a condenação divina: Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus” (v.20), literalmente, Pedro estava dizendo: “Vá para o inferno com o teu dinheiro!”. Ainda que estas palavras soem ofensivas e grosseiras, é importante destacarmos aqui o zelo de Pedro para com a Glória de Deus e a honra ao Espírito Santo. Simão pensava que poderia comprar o Espírito Santo como com certeza fizera no passado pagando para aprender truques de mágica que o fizessem ser admirado e temido pelos homens. Continuando, Pedro diz:21 Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus.  22 Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração;  23 pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade” (v.21-23). Simão foi excluído completamente por Pedro da comunidade da Fé. Estava totalmente desqualificado para receber o Espírito Santo, pois, seu coração não era “reto diante de Deus”, e também não podia ser um proclamador e mestre das Boas-Novas do Evangelho de Cristo. Mas, havia esperança para ele desde que se arrependesse da maldade de seu coração e rogasse a Deus por perdão. Pedro mostrou-lhe que somente uma atitude sincera de arrependimento e de clamor desesperado por Deus poderia abrir-lhe a porta do perdão. No v.23 ao retomar a questão mostrando a situação do coração de Simão, Pedro ressalta a terrível miséria e desgraça em que estava envolta a alma de Simão, não obstante ele ter até se batizado (v.13). Isso nos mostra que o simples cumprimento de um sacramento não torna ninguém um salvo de verdade.

No v.24 vemos que Simão parece ter entendido a gravidade do seu pecado, pois: “Respondendo, porém, Simão lhes pediu: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes sobrevenha a mim”. Contudo, devemos ser cuidadosos aqui e não irmos além do que o texto diz. Se tomarmos o conceito bíblico de conversão então podemos dizer que Simão não se converteu, pois, (1) conversão vê a gravidade de pecado contra Deus. Simão, diferentemente disso, estava vendo as consequências que haveria de sofrer; (2) conversão leva o pecador a clamar pelo nome de Jesus. Simão transferiu para os apóstolos esse clamor. Não devemos nunca nos esquecer que a Bíblia diz: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13). Em se tratando de intercessão devemos uns orar pelos outros; em se tratando de buscar o perdão e a salvação, a responsabilidade é individual.

Aplicação v.18-24: Desse fatídico relato do fim de Simão, o mágico, tiramos uma lição preciosa no que diz respeito a tolerarmos as atitudes equivocadas das pessoas. Infelizmente, parece que ficamos mais ofendidos quando um pecador é confrontado como foi Simão por Pedro, do que em vermos os pecadores zombando do Nome e da Glória de Deus. Alguém poderá dizer: “Mas Simão era um bebezinho na fé, e Pedro não teve piedade dele”. Isso é mentira, pois, Pedro mostrou-lhe o pecado do seu coração e também a solução (arrependimento e clamor). Não tenha receito de confrontar os pecadores e até mesmo de ofendê-los ou de deixa-los desesperados com o Evangelho. Enquanto eles não perceberem o quanto são pecadores e ofensivos a Deus, jamais se arrependerão e se voltarão para Deus.

Por fim, o Espírito Santo que nos foi dado por Deus

3)     Intensifica nosso amor por Cristo, v.25

 

Exposição v.25: “Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”. O objetivo dos apóstolos em Samaria estava cumprido? Sim e não. Sim, estava cumprido no tocante ao reconhecimento dos samaritanos como integrantes da Igreja de Cristo. Mas, num outro aspecto ainda não estava concluído o trabalho dos apóstolos. Havia ainda muitas aldeias e povoados samaritanos que nada sabiam sobre o Evangelho. Por isso mesmo, enquanto regressavam para Jerusalém, eles aproveitaram o transcurso da viagem e pregaram ainda mais o Evangelho.

O Espírito Santo no coração dos filhos de Deus os impulsiona a realizar a obra do Senhor; Ele intensifica em nós o amor por Cristo e por Sua Igreja. Em Rm 5.5 lemos: “Ora, a esperança não se confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”. Quando em 1Co 13.8 a Escritura Sagrada afirma que “O amor jamais acaba” é dessa perspectiva que ela parte. Sendo o amor de Deus derramado em nosso coração por meio do Espírito Santo que habita em nós, tal amor nunca se esgota, pelo contrário, aumenta a cada dia.

A forma mais evidente de se mostrar o amor por Cristo é através da obediência: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15). Se Ele nos manda pregar o Evangelho, em fazê-lo mostramos nosso amor por Ele. O Espírito Santo não somente nos impulsiona como também nos direciona em fazermos o que Deus quer que façamos.

Aplicação v.25: Pregue o Evangelho. Não dê por acabado o seu trabalho enquanto houver fôlego em seus pulmões, enquanto houver pessoas que precisam conhecer a Verdade de Cristo. Quando o cansaço bater, lembre-se de que o amor de Deus foi derramado em seu coração pelo Espírito Santo que habita em você. E o amor de Deus em seu coração é intensificado pelo Espírito Santo.

Conclusão

A Igreja de Cristo é composta por vários povos que formam um povo só em torno da cruz de Cristo. O dom de Deus, o Espírito Santo no coração de cada crente unifica, purifica e intensifica o amor de Deus para a glória Dele mesmo.

              Precisamos ser firmes em corrigir os erros dentro da Igreja sempre apontando a solução na Palavra de Deus; precisamos mostrar às pessoas que apenas o cumprimento dos sacramentos como meras formalidades não salva ninguém. Precisamos mostrar que a Graça de Deus é de graça para nós e querer adquiri-la por méritos nossos é um insulto a Deus. Precisamos dedicar nosso tempo e recursos na expansão do Evangelho e tudo isso para a Glória de Deus.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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