A Soberana Vontade de Deus – 22ª Mensagem

O Evangelho Rompendo Fronteiras – Parte I

At 10

Deus Preparando os Corações

At 10.1-23a

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Em At 1.8 lemos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Este versículo resume todo o livro de Atos. Jerusalém, Judeia e Samaria já haviam recebido o Evangelho e o Espírito Santo. Mas, ainda faltavam os “confins da terra”, termo este que aponta para os gentios. E aqui em At 10 nós vemos este último estágio acontecendo pela instrumentalidade de Pedro na vida de Cornélio e sua família. Por isso o assunto de At 10 é O Evangelho rompendo fronteiras. Este capítulo é repleto de verdades que precisam ser vistas com atenção. Para isso dividiremos esse capítulo em duas mensagens. Hoje, na primeira delas veremos Deus preparando os corações. Na próxima mensagem veremos a pregação do Evangelho e o resultado da pregação do Evangelho.

Deus preparou não só o coração de Cornélio, mas, também o de Pedro.

1)     Cornélio: um coração preparado para receber o Evangelho, v.1-8

Exposição v.1-8: Nos v.1,2 lemos: “¹Morava em Cesareia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana, ²piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus”. A imponente cidade de Cesareia recebera esse nome em homenagem ao imperador César Augusto quando Herodes, o Grande foi governador da região no ano 30 a.C. Em 12 anos Herodes construiu edifícios públicos importantes, um grande anfiteatro , um teatro, uma pista de corridas, um aqueduto e principalmente o seu porto que deu à cidade grande destaque na época. Ali vivia também um oficial romano chamado Cornélio, o qual tinha 100 soldados sob seu comando (por isso ele era chamado de centurião). Mas, o que mais se destacava em Cornélio não era a sua autoridade militar, e, sim, sua piedade diante de Deus. Ele é descrito como “piedoso e temente a Deus”. Simon Kistemaker entre outros eruditos lembra que estes dois termos juntos apontam para o fato de que ele era um gentio que havia aderido ao Judaísmo, mas, não plenamente, ou seja, ele não havia realizado a circuncisão, e que, por isso não podia entrar no templo para adorar e entregar suas ofertas. Por esse motivo, Lucas diz que “fazia muitas esmolas ao povo”, quando o correto para um prosélito ou judeu era entrega-las no templo. Ele conhecia o Deus de Israel, mas, não conhecia ao Senhor Jesus Cristo. Esse ponto é muito importante para entendermos a questão da descida do Espírito Santo sobre eles como veremos mais a diante. Além disso, ele é descrito também como alguém que “de contínuo, orava a Deus”. Ainda sobre a piedade e temor a Deus na vida de Cornélio devemos ressaltar o fato que ele “com toda sua casa” assim viviam.

Justamente, num desses momentos de oração algo maravilhoso lhe aconteceu: “³Esse homem observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia, um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: 4Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para a memória de Deus” (v.3,4). Por que Lucas enfatizou que Cornélio “observou claramente durante uma visão”? Com toda certeza foi para que não ficasse dúvida alguma para os demais cristãos judeus quando ouvissem essa história, de que o Espírito Santo um dia desceu sobre os gentios. Veremos que mesmo assim essa dúvida sempre existiu. Mas, aqui Deus já estava preparando o terreno para que os cristãos de descendência judaica soubessem de Seus eternos planos para os gentios também. Não se tratava de um devaneio da cabeça de Cornélio, mas, sim de uma visão real que acontecera às três horas da tarde. Diante daquele anjo Cornélio mostrou o temor que todo pecador deve sentir diante das coisas de Deus. Em resposta à sua pergunta o anjo lhe diz: “As tuas orações e as tuas esmolas subiram para a memória de Deus” e assim ele tranquilizou o coração de Cornélio mostrando-lhe que sua visita ali era de bem e não de julgamento.

A seguir o anjo lhe ordenou: 5Agora, envia mensageiros a Jope e manda chamar Simão, que tem por sobrenome Pedro. 6Ele está hospedado com Simão, curtidor, cuja residência está situada à beira-mar” (v.5,6). Toda vez que Deus revelou Sua vontade a um servo Dele sempre deixou uma ordem a ser cumprida; Ele não Se revela sem propósito. Cornélio deveria mandar buscar a Simão Pedro que estava hospedado na casa de Simão, o curtidor lá na cidade de Jope. E 7Logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus domésticos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço 8e, havendo-lhes  contado tudo, enviou-os a Jope” (v.7,8). A pronta disposição de Cornélio em obedecer à ordem de Deus mostra a sua piedade. O exemplo de Cornélio era seguido também pelos seus subalternos. Um de seus soldados era também “piedoso”, ou seja, seguia a fé de seu senhor. Depois de ter-lhes relatado toda a visão mandou-os buscar Pedro em Jope.

Na vida de Cornélio vemos como Deus prepara um coração para receber o Evangelho. Toda a piedade de Cornélio revelada em sua vida devocional e na caridade praticada não são méritos que ele tinha para receber o Evangelho, mas, sim, obras de Deus em seu coração preparando-o para esse grande dia. Através do Judaísmo, Cornélio soube a respeito do Messias que haveria de vir, e por isso aguardava esse dia. Pelo Judaísmo ele soube da existência do único e verdadeiro Deus que haveria de enviar o Messias para salvar os que Nele cressem. Esse fato é muito importante para entendermos que quando ele recebeu o Espírito Santo (At 10.44-48) não implica na tal “segunda bênção” que tem sido ensinada nos últimos 120 anos pelo movimento pentecostal e carismático. Fato é que quando Cornélio recebeu o Espírito Santo, foi porque nesse mesmo dia ele também recebeu a Cristo como seu salvador pessoal, pois, foi somente depois que ele ouviu o Evangelho por parte de Pedro é que ele creu em Cristo Jesus.

Aplicação v.1-8: Com Cornélio aprendemos que uma vida piedosa na presença de Deus é resultado da presença de Deus no coração da pessoa, e que esta vida piedosa agrada a Deus e nos abre as portas dos céus derramando sobre nós ricas bênçãos. Não se trata de merecimento, mas, sim, de resultado da obediência. O que se planta é o que há de ser colhido. Uma vida obediente a Deus colhe bênçãos Dele, ao passo que uma vida ímpia atrai o castigo divino. Contudo, qualquer obra boa que pudermos fazer não podemos por nós mesmos, mas, tão somente porque Deus é quem nos capacita a isso. Busque uma vida piedosa aos olhos de Deus. Com certeza você será recompensado por Ele. Mas, nessa busca não queira agir por seus próprios méritos. Aja tão somente confiado no poder e graça de Deus.

Mas o outro coração que estava sendo preparado por Deus era o de Pedro.

2)     Pedro: um coração preparado para pregar o Evangelho, v.9-23a

Pedro estava hospedado na casa de Simão, o curtidor (At 9.43). Desde então o Senhor Deus já estava trabalhando o seu coração.

Exposição v.9-23a Nos v. 9-16 está escrito que: 9No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta a fim de orar. 10Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; 11então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, 12contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. 13E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. 14Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. 15Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum. 16Sucedeu isto por três vezes, e, logo, aquele objeto foi recolhido ao céu”.

Enquanto os homens de Cornélio estavam a caminho e próximos de Jope, Pedro como de costume, subiu no telhado da casa para orar. Os telhados antigamente assemelhavam-se às lajes dos nossos dias e por isso mesmo eram adequados para a oração por serem locais tranquilos. Era meio-dia.

A relação da fome que sentia e do êxtase que ele teve é muito importante, pois, não se trata de um delírio de sua mente provocada pela abstenção de alimento, e nem mesmo pelo calor do sol por ser pleno meio-dia. Sabe-se que para haver algum delírio provocado pela falta de alimentação são necessários vários dias sem comer, e não algumas horas como nos sugere o texto. Mas, então, porque Lucas menciona a fome de Pedro nessa ocasião? A resposta está no conteúdo da visão que Pedro teve. Era uma visão relacionada à comida. Pedro estando com fome queria comer, mas quando a voz celeste (o Espirito Santo, v.19) lhe ofereceu aquelas coisas na visão ele se recusou a comê-las por questões cerimoniais do Judaísmo. Ainda que estive em êxtase ele estava no controle de seus sentidos de visão e audição. Ele não estava dormindo, e, portanto, sonhando. Estava acordado e teve uma visão.

Do céu era descido um objeto semelhante a um lençol segurado pelas quatro pontas. Dentro deste objeto havia toda espécie de “quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu”. Diante daquele lençol, Pedro ao ouvir a voz do Espírito Santo também vinda do céu lhe ordenando para que matasse e comesse daqueles animais ele sentiu asco porque dentre aqueles animais havia também os considerados imundos para os judeus. Mas, Pedro se recusou a fazer isso e disse: “De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda”. Ele se considerava puro, e, por isso, não podia comer nada que lhe pudesse tornar impuro. Mas, a voz (do Espírito Santo) vinda do céu lhe disse: “Ao que Deus purificou não consideres comum”. A palavra “comum” aqui literalmente quer dizer “profano”. Pedro não deveria considerar profano algo que vinha de Deus. Observemos que tanto o objeto quanto a voz vieram dos céus, ou seja, da presença de Deus. Bíblia diz que “Sucedeu isto por três vezes, e, logo, aquele objeto foi recolhido ao céu”.

O Espírito Santo não lhe revelou o significado de imediato. Ele estava preparando o coração de Pedro para receber aqueles três homens de Cornélio. Nos v.17,18 lemos que: 17Enquanto Pedro estava perplexo sobre qual seria o significado da visão, eis que os homens enviados da parte de Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, pararam junto à porta; 18e, chamando, indagavam se estava ali hospedado Simão, por sobrenome Pedro”. Pedro estava “perplexo”, o que no texto grego indica alguém que estava totalmente sem rumo, atordoado, desorientado quanto à ordem que recebera, pois, esta ia de encontro a tudo o que ele sempre creu e fez. Neste exato momento, alguém bateu à porta da casa de Simão, o curtidor perguntando por Simão Pedro.

Foi aí que as coisas começaram a fazer sentido: 19Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão aí dois homens que te procuram; 20levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei” (v.19,20). Embora sem saber quem eles eram Pedro sabia que eles estavam ali por que o Espírito Santo os enviara, e21E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: Aqui me tendes; sou eu a quem buscais? A que viestes? 22Então, disseram: O centurião Cornélio, homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica, foi instruído por um santo anjo para chamar-te a sua casa e ouvir as tuas palavras”. Pedro desceu do eirado e foi à porta apresentando-se aos homens de Cornélio os quais lhe disseram que estavam ali cumprindo uma ordem de seu senhor o qual recebera uma ordem de um anjo de Deus para buscar em Jope na casa de Simão, curtidor, a Pedro a fim de ouvir as palavras que ele tinha a dizer. Eles não sabiam que palavras seriam essas, mas, por conhecerem seu senhor a quem reputavam por 23ahomem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica”, obedeceram. Por isso: “Pedro, pois, convidando-os a entrar, hospedou-os” (v.23a). A hospedagem incluía a refeição. Lembrando que o texto nos diz que era hora do almoço. Com certeza eles partilharam aquela refeição. Assim, Deus estava continuando a quebrar as barreiras no coração de Pedro em relação aos gentios, haja vista que um judeu jamais se assentaria à mesa com um gentio.

 

Aplicação v.9-23a: Existem muitas barreiras em nossos corações que atrapalham a pregação do Evangelho. Nosso orgulho, nossa arrogância, sentimentos pecaminosos de superioridade e preconceito podem estar presentes em nosso coração não só atrapalhando, mas, até mesmo impedindo que obedeçamos a Deus e preguemos o Evangelho a outras pessoas. Temos de estar atentos à voz do Espírito Santo por meio da Sua Palavra a fim de vermos essas barreiras serem derrubadas e, assim, obedecermos a Cristo.

Conclusão

Uma vida piedosa colhe frutos preciosos e eternos. Uma vida de oração tal como a de Cornélio e Pedro é uma porta aberta para que o Espírito Santo aplique em nós a Sua Palavra e nos leve à uma vida obediente e cheia de temor a Deus. Que isso possa ser visto também em nós. Que os nossos corações estejam sempre em humilde oração diante de Deus para Dele recebermos a instrução que precisamos. Amém!

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos – ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.

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2 Responses to A Soberana Vontade de Deus – 22ª Mensagem

  1. josimar Gabriel da rocha says:

    pastor tenho utilizado os seus comentários no estudo de atos tem sido muito edificante acompanhar esses estudos e a forma clara e elucidativa em seus escritos que deus abençoe

    • Olivar Alves Pereira says:

      Louvado seja Deus, Reverendo.
      Fique sempre à vontade para utilizar estes materiais. Foram feitos para esse fim mesmo.
      Abraços e que Deus o abençoe muito.

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