A Soberana Vontade de Deus – 24ª Mensagem

Abrindo a Igreja Para os Diferentes

At 11.1-18

              Algo que é um grande desafio para a Igreja é a tradição. Quando uma tradição, um costume ou mesmo uma norma deve ser deixado de lado? Aquela explicação de que “os tempos são outros” não é o fator medidor para o crente. O servo de Deus deve atender ao que a Palavra de Deus diz. Uma tradição é como uma embalagem que protege um conteúdo importante. Logo, se houver outra forma que melhor preserve esse conteúdo, então não há nada de errado em deixarmos aquela tradição por uma nova.

              No presente texto é o desfecho de tudo o que aconteceu em At 10. Até aqui a Igreja era constituída basicamente de judeus convertidos a Cristo. Mas, no momento em que ficaram sabendo que os gentios também haviam recebido a Palavra de Deus por meio de Pedro, trataram de chama-lo para se explicar. Neste trecho das Escrituras vemos a Igreja se abrindo para receber aqueles que eram considerados diferentes, os gentios. Por isso quero meditar com os irmãos sobre: Abrindo a Igreja para os diferentes.

              A comunhão dos crentes em Cristo gera laços fraternais fortíssimos, mas, se não tomarmos o devido cuidado esses laços tornam-se impenetráveis àqueles que estão chegando. Devemos ficar atentos aos que estão se achegando à Igreja. Devemos ser receptivos e estender-lhes a mão e abrimos o nosso coração. Para isso precisamos:

1)     Lidar com as objeções, v.1-14

 Exposição v.1-14: Nos v.1-3 lemos: 1Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judéia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus.  2Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o arguiram, dizendo:  3Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles”.

              Os que aqui são chamados de “os que eram da circuncisão”, não são o grupo que posteriormente surgirá em Atos conhecido como os judaizantes, ou seja, judeus que se diziam convertidos a Cristo, mas, que exigiam dos gentios que estes cumprissem todos os rituais do judaísmo para serem salvos, eles diziam que além do sacrifício de Cristo algo mais deveria ser feito. Mas, aqui não era esse grupo que estava arguindo Pedro, mas, sim, o grupo “dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judéia”. Eles não fizeram apenas algumas perguntas como sugere o verbo “arguir”. No texto grego a palavra que aqui foi traduzida por “arguiram” indica uma crítica severa e ferrenha contra a atitude de Pedro de ter entrado “em casa de homens incircuncisos” e ter comido com eles.

              Nos v.4-14 lemos que:4Então, Pedro passou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo:  5Eu estava na cidade de Jope orando e, num êxtase, tive uma visão em que observei descer um objeto como se fosse um grande lençol baixado do céu pelas quatro pontas e vindo até perto de mim.  6E, fitando para dentro dele os olhos, vi quadrúpedes da terra, feras, répteis e aves do céu.  7Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro! Mata e come.  8Ao que eu respondi: de modo nenhum, Senhor; porque jamais entrou em minha boca qualquer coisa comum ou imunda.  9 Segunda vez, falou a voz do céu: Ao que Deus purificou não consideres comum.  10Isto sucedeu por três vezes, e, de novo, tudo se recolheu para o céu.  11E eis que, na mesma hora, pararam junto da casa em que estávamos três homens enviados de Cesareia para se encontrarem comigo.  12Então, o Espírito me disse que eu fosse com eles, sem hesitar. Foram comigo também estes seis irmãos; e entramos na casa daquele homem.  13E ele nos contou como vira o anjo em pé em sua casa e que lhe dissera: Envia a Jope e manda chamar Simão, por sobrenome Pedro,  14o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa”.

              Diante daquela ferrenha objeção dos irmãos, Pedro demonstrou grande paciência ao “fazer-lhes uma exposição por ordem” dos fatos. Ele sabia o quanto estava sendo difícil para aqueles irmãos aceitarem essa situação, pois, foi difícil para ele que mesmo diante da uma visão clara que recebera do Espírito Santo ainda assim teve dificuldades em aceitar. Quanto maior dificuldade estava sendo para aqueles irmãos que não tiveram a mesma visão que Pedro teve.

              Ele começou contando sobre a visão, depois sobre a chegada dos homens de Cornélio com os quais o Espírito Santo mandou que ele fosse, e por fim narrou seu encontro com Cornélio o qual lhe relatara detalhadamente sobre a visão que também tivera e a ordem que ele recebera do anjo do Senhor.

              Além da paciência de Pedro com aqueles irmãos, vemos também a honestidade de Pedro em admitir que também tivera as mesmas dificuldades que eles, mas, que, pela orientação do Espírito Santo seu coração pode compreender tudo o que estava acontecendo.

              Lidando com as objeções precisamos ter essas mesmas atitudes: honestidade em admitir que as nossas dificuldades também foram  e estão sendo tratadas pelo Espírito Santo, bem como termos paciência com nossos irmãos que ainda encontram alguma dificuldade com relação a algum assunto.

Aplicação v.1-14: Você é paciente com aqueles que ainda não atingiram o mesmo estágio que você atingiu na fé? Você se preocupa em mostrar-lhes com a maior clareza possível o que Deus tem feito em sua vida e também quer fazer na vida deles? Não tenha receio de mostrar-lhes que você também tinha suas dificuldades e que estas foram superadas no momento em que o Espírito Santo lhe mostrou na Palavra de Deus um novo rumo para sua vida.

              Por fim, precisamos também

 

2)     Ver os diferentes como iguais, v.15-18

             

Exposição v.15-18: Pedro continuou:15Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio”.

              Neste versículo há uma expressão muito importante “caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio”. Assim como o Espírito Santo viera sobre eles no dia de Pentecostes, da mesma forma Ele veio sobre os gentios. A única diferença foi que com os discípulos no Pentecostes estavam em oração, e aqui, com os gentios eles estavam ouvindo a pregação da Palavra de Deus. Mas assim como Ele caíra sobre os crentes judeus também caíra sobre os crentes gentios.

              Além disso, Pedro lembrou-se das palavras de Jesus: 16Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”. Há bem da verdade, isso mostra outra ação do Espírito Santo prometida pelo Senhor Jesus em Jo 14.26 de que Ele (o Espírito Santo) ensinaria todas as coisas aos filhos de Deus e os lembraria de tudo quanto Cristo disse. E foi justamente isso que aconteceu e que Pedro relatou.

              Aqui é importante corrigirmos um erro que é cometido quando muitos afirmam um batismo com Espírito Santo e com fogo. Tanto João Batista quanto os apóstolos sempre ensinaram o batismo com o Espírito Santo para os filhos de Deus. Já o batismo com fogo é o julgamento de Deus contra os ímpios (cf. Mt 3.11,12).

              E a conclusão a que Pedro chegou não poderia ser diferente:17Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?”. Pedro não somente estava convencido por Deus como também impedido de fazer algo diferente do que fez. Ele deveria obedecer e pronto. Ele só tinha diante de seus olhos o fato de que em Cristo todos, quer judeus, quer gentios são um só corpo, e todos são alcançados com a mesma Graça. Por esta razão os diferentes devem ser tratados como iguais a partir do momento em que a Graça de Deus os alcançar.

              Diante dessas palavras de Pedro a resposta dos apóstolos e irmãos judeus foi que: 18E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida”. O resultado da paciência, honestidade e a obediência de Pedro a Deus levou aqueles irmãos se apaziguarem seus corações pelo fato de que ao receberem os gentios convertidos a Cristo na Sua Igreja, eles não estariam pecando contra Deus, e, por esse motivo poderiam estar em paz diante de Deus. Além disso, eles glorificaram a Deus porque “também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida”. É Deus quem concede ao pecador o dom do arrependimento, e uma vez concedido este dom, o pecador passa a crer em Cristo e no Evangelho, e dessa forma passa a viver. O arrependimento e a fé são simultâneos. Não se tem um sem o outro, mas, ambos atuam juntos no coração da pessoa, e resultam em vida.

Aplicação v.15-18:         Para que nenhum sentimento pecaminoso de superioridade em relação a alguém tome conta de seu coração você precisa se lembrar o tempo todo de que todos os filhos de Deus foram alcançados pela mesma Graça, unificados no mesmo Espírito Santo. Lembre também aos demais irmãos que estiverem passando por alguma dificuldade nesse assunto. Mostre-lhes que aqueles que foram alcançados pela Graça de Deus só um só corpo.

Conclusão

 

              Em 1Co 12.13 está escrito: Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Precisamos nos empenhar para manter as portas da Igreja abertas para aqueles que são diferentes, a fim de que sejam recebidos no Corpo de Cristo e se tornem um só conosco. Que Deus assim nos abençoe.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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