A Soberana Vontade de Deus – 27ª Mensagem

A Primeira Viagem Missionária

A Preparação para a Obra Missionária

At 13.1-3

              Nesta quinta parte do livro de Atos encontramos a Igreja se expandindo ainda mais em suas fronteiras, atravessando os mares e alcançando cidades e regiões próximas à Palestina. Em At 12.25 vimos que Saulo e Barnabé regressaram de Jerusalém para Antioquia, a qual havia se tornado a “base” missionária.

              Nestes três versículos encontramos Saulo e Barnabé sendo separados dos demais líderes da Igreja de Antioquia por ordem do Espírito Santo a fim de partirem para outras regiões levando o Evangelho. Temos muito que aprender nestes três versículos sobre A preparação para a obra missionária.

              Sou especialmente grato a Deus pela nossa Igreja por ela ser “uma Igreja missionária”, pois, investe em Missões de forma generosa e comprometida. Mas, ainda espero ver o dia que todo esse nosso esforço e empenho seja usado por Deus para levantar entre nós irmãos que responderão ao chamado de Deus para irem à seara do Senhor levar o Santo Evangelho de Cristo.

              A preparação para a obra missionária deve obedecer a alguns critérios dos quais encontramos pelo menos três nestes versículos.

1)     O critério da experiência, v.1

 

Exposição v.1: “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo”.

              A Igreja de Cristo estava em Antioquia. Já não existia mais somente a Igreja de Jerusalém. Assim a Igreja de Cristo estava começando a se espalhar para outras nações.       

              Eis os nomes dos profetas e mestres da Igreja de Antioquia: Barnabé, a quem Lucas vem descrevendo seus atos desde o At 4.36,37. Simeão Níger (o negro). Há quem diga que ele é o Simão Cirineu que ajudou Cristo a carregar a cruz, mas, tal afirmação carece de mais consistência. O terceiro nome é Lúcio de Cirene que assim como Simeão Níger, era também da África, e este é o mesmo a quem Paulo enviou saudações estando em Roma (Rm 16.21). O próximo da lista é Manaém, que aqui é descrito como “colaço de Herodes”, isto é, era irmão de criação de Herodes Agripa que foi morto por Deus de forma dramática (At 12.23) conhecido como o tetrarca (rei de quatro reinos), pois, reinava sobre a Pereia, Samaria, Galileia e Judeia. Provavelmente foi ele quem ofereceu informações sobre Herodes a Lucas. O último da lista é Saulo de quem Lucas nada mais diz aqui neste versículo.

              Os cincos irmãos alistados aqui são classificados como “profetas e mestres”, mas, não sabemos quem deles era profeta e quem era mestre. Não parece correto afirmar que “profetas e mestres” sejam duas características de um mesmo ofício. O correto é afirmar que são dois ofícios diferentes, porém, relacionados à Palavra, podendo uma só pessoa ter os dois ofícios. Enquanto o mestre ensinava de forma sistemática as Escrituras às pessoas, o profeta proclamava com poder e vigor a mensagem recebida de Deus.

              O que nos importa aqui é ver que eles eram homens experimentados. E este critério deve ser observado naqueles que se apresentam para a Obra Missionária. Nada pode ser mais desastroso para uma frente missionária que um missionário inexperiente, que não tem conhecimento bíblico e teológico suficiente para proclamar o Evangelho com a autoridade de um profeta.

Aplicação v.1: Se você tem o chamado para a Obra Missionária você precisa ser experiente e experimentado na Palavra. O que o campo missionário mais precisa não é de seus talentos e habilidades, mas, sim, da Palavra de Deus e você precisa ter o conhecimento de um mestre e a autoridade de um profeta.

              Outro critério que deve ser observado é

 

2)     O critério da consagração, v.2

 

Exposição v.2: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”.

              A consagração desses homens era vista de todos, pois, “servindo eles ao Senhor e jejuando…”. O serviço que eles prestavam aqui era a adoração a Deus. O termo que aparece no grego aqui é o mesmo para a nossa palavra “liturgia”, o que indica um ato de adoração e de oração. Este termo era empregado para descrever a função dos sacerdotes que “serviam” a Deus conduzindo o povo na adoração e intercedendo junto a Deus pelo povo. Se pensarmos na oração como um ato de interceder então está correto pensarmos que eles se dedicavam à oração. Além disso, vale lembrar que na escolha dos diáconos em At 6, os apóstolos delimitaram o seu campo de ação à pregação e à oração.

              Mas, o que nos importa aqui é saber que eles eram consagrados a Deus. Viviam em constante dedicação às coisas de Deus. Aqui eles combinaram duas práticas muito importantes geralmente utilizadas em ocasiões muito especiais: a oração e o jejum. Mas, não foi só a liderança que estava em oração e jejum. Veremos no v.3 que toda a igreja estava envolvida nessa consagração.

              Neste momento de intensa consagração, o Espírito Santo lhes revelou a Sua soberana vontade e ordenou que Barnabé e Saulo fossem separados e marcados “para a obra a que os tenho chamado”. A oração e o jejum serviram para que eles compreendessem a vontade de Deus. É através de uma vida consagrada a Deus que entendemos a Sua vontade para nós.

Aplicação v.2: se você tem vontade de se dedicar à Obra Missionária então saiba que sem consagração você não conseguirá desempenhar o seu chamado. Uma das coisas que o Campo Missionário mais precisa ver em seus missionários é a consagração destes a Deus. As pessoas têm de ver em você um desejo tão intenso de agradar a Deus, de vê-Lo exaltado entre as pessoas, de ser para eles o que Ele é para você, mas, para isso elas precisarão ver e você uma consagração a Deus de forma tal que não reste dúvida de que Ele é o seu maior tesouro, a sua maior alegria, e que seu coração não pertence a ninguém mais, que seus olhos brilham quando você fala de Deus, que seus pés são velozes para anunciar as Boas Novas.

              Por fim, o outro critério que deve ser observado é:

3)     O critério da concordância, v.3

 

Exposição v.3: “Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram”.

              Como já dissemos, não só os profetas e mestres estavam em jejum e oração ali, mas, toda Igreja estava envolvida neste processo. Os demais profetas e mestres “impondo sobre eles as mãos, os despediram”, ou seja, ao imporem as mãos sobre Barnabé e Saulo eles estavam ordenando-os à Obra Missionária. Demonstraram assim obediência ao Espírito Santo, e toda a Igreja também concordou com eles.

              Um fato muito importante aqui é que Barnabé e Saulo foram mandados para a Igreja de Antioquia para fortalece-la na Palavra (At 11.22,25 e 26), e, agora, sob a autoridade dessa Igreja que se tornou uma das bases missionárias da Igreja de Cristo naqueles tempos, eles partem para outra nações.

              A submissão de todos aqui é exemplar. Toda a Igreja e sua liderança estavam submissos ao Espirito Santo; Barnabé e Saulo em momento algum se voltaram com arrogância para a Igreja, mas, em vez disso, se submeteram à autoridade da Igreja. Em todos os aspectos o clima de concordância aqui foi fundamental.

              Aqueles que se sentem chamados para a Obra Missionária devem conquistar o reconhecimento e a concordância da Igreja da qual são membros. O reconhecimento e a anuência da Igreja com relação ao chamado de um de seus membros para o ministério da Palavra de Deus deve ser um critério rigorosamente observado. Uma Igreja consagrada a Deus entenderá a vontade Dele em todos os aspectos da sua caminhada. E por isso mesmo, os aspirantes ao ministério da pregação da Palavra devem se submeter humildemente à autoridade da Igreja.

Aplicação v.3: Você que se sente chamado por Deus para a Obra Missionária ou pastoral, tem de sua Igreja essa concordância? A sua Igreja o vê como alguém que realmente foi chamado por Deus? É muito importante essa concordância porque o instrumento que Deus utilizará para manter você lá no Campo Missionário via de regra é a Sua Igreja. Mesmo aqueles que se intitulam “fazedores de tendas” (que levantam sustento próprio com alguma profissão) precisam da anuência da Igreja porque a tarefa da evangelização e discipulado ainda que seja feita por indivíduos, é através da Igreja de Cristo que estes indivíduos trabalham.

Conclusão

              Experiência, consagração e concordância são critérios básicos para o ministério da Palavra. Muitos inexperientes, que estão divididos em seus corações com outros amores, e que não contam com o apoio e anuência de suas igrejas, se aventuram no Campo Missionário e em pouco tempo voltam de lá com a pecha de “desertores” ou de “aventureiros”, e em vez de testemunharem da Glória de Deus acabam por desonra-Lo. Lembre-se que a proclamação do Evangelho é acima de tudo um ato de proclamar a Glória de Deus no mundo. Quem se equivocar quanto ao chamado de Deus com certeza trará desonra para Ele.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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