A Soberana Vontade de Deus – 29ª Mensagem

A Primeira Viagem Missionária

As Realidades Sobre a Pregação do Evangelho

Parte II

At 14.1-28

              Continuando o tema iniciado na mensagem anterior (At 13) sobre As realidades sobre a pregação do Evangelho, veremos hoje mais três verdades relacionadas à Primeira Viagem Missionária de Paulo e Barnabé.

              Conforme o v.7 eles “anunciaram o evangelho”. A palavra “evangelho” significa “boas novas”, “boas notícias”. Ela foi tomada de um costume antigo quando por ocasião do nascimento do primogênito de um rei, um arauto era enviado a proclamar aos gritos por todo o povo o nascimento da criança que daria continuidade ao reinado trazendo esperança ao povo. Por isso mesmo, essa palavra foi empregada a Cristo, pois, Ele é o Unigênito de Deus, o Primogênito entre muitos irmãos, e nós somos os Seus arautos neste mundo anunciando essas boas notícias de salvação.

              Neste capítulo vemos que o Evangelho é apresentado como a mensagem que:

1)     Precisa ser anunciada a todo custo, v.1-7

 

Exposição v.1-7: “Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga judaica e falaram de tal modo, que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos.  2 Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram os ânimos dos gentios contra os irmãos.  3 Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios.  4 Mas dividiu-se o povo da cidade: uns eram pelos judeus; outros, pelos apóstolos.  5 E, como surgisse um tumulto dos gentios e judeus, associados com as suas autoridades, para os ultrajar e apedrejar,  6 sabendo-o eles, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia e circunvizinhança,  7 onde anunciaram o evangelho”.

              Quase na metade da viagem eles chegaram em Icônio. Entraram juntos na sinagoga judaica como de costume, e com tanta intrepidez pregaram ali “que veio a crer grande multidão, tanto de judeus como de gregos” (v.1). Mas. Como sempre, não demorou para que ferrenha oposição se levantasse contra eles. Por parte de vários judeus incrédulos que “incitaram e irritaram os ânimos dos gentios contra os irmãos” (v.2). A fúria deles dirigiu-se a todos os irmãos, Paulo, Barnabé e todos aqueles que haviam crido na pregação deles. Mas, os alvos eram Paulo e Barnabé.

              Contudo, independente de tanta fúria e ameaça eles “demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios” (v.4). Observe que enquanto eles se mantinham firmes e ousados na pregação do Evangelho, o Senhor Jesus fazia com que a Sua Palavra fosse confirmada e estabelecida nos corações daqueles a quem Ele queria salvar.

              Mas, os inimigos da Cruz de Cristo não descansam. A população estava dividida entre os judeus incrédulos e os apóstolos. E os arruaceiros e tumultuadores dentre os gentios e judeus juntamente com suas autoridades tramavam “ultrajar e apedrejar” a Paulo e a Barnabé. Por isso mesmo eles partiram rumo às cidades de Listra e Derbe na Licaônia, “onde anunciaram o evangelho”.

              O Evangelho é a mensagem de salvação que precisa ser anunciada a todo custo. Quando a Igreja se dispõe a obedecer a Deus pregando o Evangelho se deparará com várias dificuldades, enfrentará inimigos furiosos e invejosos. Verá portas sendo fechadas pelas mãos de Deus e outras sendo abertas. É por esse motivo que o principal pedido que os cristãos faziam a Deus era para terem mais intrepidez e ousadia na proclamação do Evangelho. Eles não pediam para que Deus repreendesse os inimigos, que Ele lhes facilitasse as coisas; eles pediam ousadia e intrepidez porque sabiam que se seus corações estivessem cheios de ousadia e intrepidez não temeriam a nenhum inimigo, não sucumbiriam diante de nenhuma situação difícil, não temeriam a ninguém, exceto a Deus.

 

Aplicação v.1-7: Você encara a pregação do Evangelho dessa forma? Para você o Evangelho é a mensagem que deve ser anunciada custe o que custar? Ou para você existem assuntos mais importantes que este? Que em sua vida a necessidade e urgência da pregação do Evangelho seja real. Que você não tema às ameaças, e muito menos os constrangimentos que poderão ocorrer. Que você leve a sério a tarefa da pregação do Evangelho tanto quanto levaram a sério aqueles que lhe trouxeram essa preciosa mensagem.

              O Evangelho é também apresentado como a mensagem que:

2)     Destrói as obras da mentira, v.8-18

 

Exposição v.8-18:8 Em Listra, costumava estar assentado certo homem aleijado, paralítico desde o seu nascimento, o qual jamais pudera andar.  9 Esse homem ouviu falar Paulo, que, fixando nele os olhos e vendo que possuía fé para ser curado,  10 disse-lhe em alta voz: Apruma-te direito sobre os pés! Ele saltou e andava.  11 Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós.  12 A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra.  13 O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões.  14 Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando:  15 Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;  16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;  17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.  18 Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios”.

              Na cidade de Listra eles se encontraram com um paralítico de nascença. A forma como Lucas descreve a situação deplorável desse homem ressalta ainda mais a maravilha do milagre que ele recebeu. Ele era paralítico de nascença e “jamais pudera andar”. Enquanto Paulo pregava ele demonstrava mais que atenção: ele demonstrava fé “para ser curado”. Diante de tal demonstração de fé Paulo lhe ordenou em alta voz: “Apruma-te direito sobre os pés!”. E aquele que jamais pudera andar, antes mesmo de dar o primeiro passo, saltou e em seguida andou. Algo semelhante acontecera a Pedro e João com outro paralítico na porta Formosa do templo (At 3.8).

              Porém, “Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós.  12 A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra.  13 O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões” (v.11-13). Cegados pelo pecado da idolatria, eles viram ali o que pensaram ter sido um milagre dos seus deuses Júpiter e Mercúrio. Estes nomes romanos são equivalentes aos deuses gregos Zeus e Hermes. A Barnabé chamaram de Júpiter (Zeus) e a Paulo de Mercúrio (Hermes) porque na mitologia grega Hermes é o mensageiro de Zeus. Isso possivelmente porque pelo jeito reservado de Barnabé e o de Paulo ser mais decisivo, eles viram que o deus inferior (Mercúrio) executava o serviço enquanto o deus maior (Júpiter) era servido. Quanta confusão! Quanta cegueira! Paulo não era mensageiro de Barnabé. Ambos eram mensageiros de Cristo e ali falavam em nome Dele. Mas, esse episódio narra a expectativa de todos os pagãos a qual somente nós cristãos tivemos o privilégio de ver acontecer, a saber, que um dia os seus deuses se encarnassem e viessem a este mundo. Somente nós cristãos temos esse privilégio. Somente nós podemos dizer que um dia o Nosso Deus se encarnou e veio a este mundo resgatar-nos! Somente o Evangelho de Cristo tem essa mensagem cuja verdade destrói a mentira da idolatria e do pecado. Somente o Evangelho de Cristo apresenta o Único e Verdadeiro Deus.

              Diante de tal ato idólatra, Paulo e Barnabé se opuseram “rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: 15 Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; 16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;  17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria” (v.14-17). O ato de rasgar as vestes era considerado um ato humilhante. Com isso, eles estavam mostrando que não passavam de meros seres humanos mortais, sujeitos aos mesmos sentimentos, fraquezas e dores que qualquer outro ser humano. A única diferença entre eles (e que grande diferença!) era o Deus a quem eles serviam e anunciavam, para que eles se convertessem daquelas “coisas vãs”, isto é, inúteis e sem valor algum para o “Deus vivo” que:

É o Deus Criador: “que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles”, diferentemente dos deuses pagãos que não passam de obras das mãos dos homens;

É o Deus que Se revelou: “O qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;  17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem”; Deus Se revelou através da natureza que Ele criou a qual é suficiente para tornar os homens indesculpáveis com relação à existência de Dele (cf. Rm 1.20).

É o Deus mantenedor: “dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria”. Nele tão somente está a plena satisfação do homem.

              Mesmo diante dessas palavras “foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios” (v.18). A conversão é obra divina. O coração humano não consegue por si só deixar as coisas vazias da sua idolatria e superstição por conta própria e se apegar ao Deus vivo.

              Chama a atenção aqui a humildade de Paulo e Barnabé em não roubarem para si mesmos a glória que é de Deus. Só consegue fazer isso aquele cujo coração está satisfeito, tomado e envolvido pela glória Deus. Um coração que tem a Deus como seu Senhor e fonte de satisfação não cai na idolatria de si mesmo.

              Outro fato que nos chama a atenção é que Paulo e Barnabé não falaram daquele milagre maravilhoso da cura do aleijado para lhes mostrar o Deus vivo, mas, sim, recorreu à criação com a qual eles conviviam desde que nasceram. Quem não consegue ver a mão de Deus nas coisas simples dessa vida, não conseguirá vê-la também nos milagres portentosos. Somente quando Deus lhes abrir os olhos é que conseguirão ver.

 

Aplicação v.8-18: Você deve anunciar o Evangelho de Cristo, pois, ele é a única verdade, a verdade absoluta. Somente o Evangelho pode destruir as amarras do pecado e mentira e libertar os corações escravizados aos muitos ídolos que foram criados pelos homens que se recusam a glorificar a Deus mesmo estando diante de um milagre realizado por Ele.

              Você não deve jamais roubar para si a glória que é de Deus. Muitos constatarão o poder de Deus em sua vida quando você estiver pregando o Evangelho, e até quererão exaltar você. Mas, rasgue as veste do orgulho, mostre-lhes que você é só um mero mortal a quem Deus quis revelar Sua graça, a qual você está ali anunciando.

              Por fim, precisamos entender que o Evangelho é a mensagem que:

3)     Fortalece a alma do crente, v.19-28

 

Exposição v.19-28:19 Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.  20 Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu, com Barnabé, para Derbe.  21 E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia,  22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.  23 E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.  24 Atravessando a Pisídia, dirigiram-se a Panfília.  25 E, tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália  26 e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que haviam já cumprido.  27 Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.  28 E permaneceram não pouco tempo com os discípulos”.

              Em Listra novamente um grupo de judeus instigaram as multidões as quais apedrejaram a Paulo e arrastaram-no para fora da cidade a ponto de julgarem que ele havia morrido. Os discípulos o rodearam possivelmente porque também pensaram que ele havia morrido, mas, ele se levantou, entrou em Listra, e, no dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe, a última cidade do percurso da primeira viagem onde eles anunciaram o evangelho (v.21).

              Uma vez que anunciaram o Evangelho em Derbe, “voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia,  22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (v.21,22). Novamente com aqueles irmãos de Listra, Icônio e Antioquia, eles por meio da Palavra de Deus fortaleceram “a alma dos discípulos”, exortando também quanto a responsabilidade de permanecerem firmes na fé mesmo estando sob “muitas tribulações” porque é dessa forma que se entra “no reino de Deus”. Com isso eles não estavam ensinando a salvação pelas obras, mas, sim, que os salvos têm obras definidas por Deus as quais devem executar, e entre elas estão a perseverança e a firmeza na fé. É lamentável ver que em nossos dias a entrada no Reino de Deus tem sido apresentada de forma tão banal. Fala-se muito em “aceitar a Cristo”, mas, não se fala sobre a importância de permanecer firme na fé a despeito das muitas (e serão muitas) tribulações que os crentes passarão. Somente a Palavra de Deus pode fortalecer a alma dos crentes para que permaneçam firmes na fé enquanto passam por várias tribulações. É a Palavra de Deus que fortalece a nossa alma.

              É a Palavra de Deus que fortalece e estrutura a Igreja de Cristo, por isso mesmo Paulo e Barnabé além de pregar o Evangelho e confirmar os corações dos discípulos na fé cuidavam também de estruturar as igrejas instituindo presbíteros por meio de eleição (v.23).

              Faltavam ainda as cidades da Panfília, Perge e Atália para anunciarem o Evangelho, o que fizeram enquanto retornavam para Antioquia da Síria onde estava a igreja que lhes enviara a pregarem o Evangelho (v.24-26). Chegando em Antioquia “reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da fé.  28 E permaneceram não pouco tempo com os discípulos” (v.27,28). Através do relato de tudo o que fizeram e dos frutos que colheram da pregação da Palavra de Deus eles fortaleceram os irmãos em Antioquia.

              Desde os tempos antigos o homem inventa substitutos para a Palavra de Deus. Eis porque o estado de desespero e angústia em muitos corações está cada vez pior. E não é difícil vermos crentes que deveriam se deleitar na Palavra de Deus e fortalecerem sua alma através das Escrituras, buscando recursos humanos falhos, pueris e ilusórios.

              O crente é fortalecido em sua alma pela Palavra de Deus; a Igreja é estabelecida pela Palavra de Deus. No momento em que Ela for trocada por coisas que o homem inventou com certeza corações definharão, igrejas fecharão suas portas.

Aplicação v.19-28: Em que você tem buscado forças para o seu coração? Você tem depositado sua fé nos recursos dos homens ou na eterna Palavra de Deus? Você tem trocado o eterno pelo efêmero, o que é puro pelo o que é imundo, a vida pela morte? Você foi chamado por Cristo para entrar no Reino de Deus e permanecer na fé. Só está no Reino de Deus quem permanece na fé decorrente do Evangelho de Cristo.

Conclusão

              Anunciemos o Evangelho a todo custo; destruamos as obras da mentira com a Palavra de Verdade, e, em todo tempo mostremos que é na Palavra de Deus que a nossa alma é fortalecida e é mantida. Assim, glorificaremos mais a Deus.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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