A Soberana Vontade de Deus – 2ª Mensagem

Como a Igreja deve tomar decisões

At 1.12-26

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O tema da mensagem que tenho a lhes entregar da parte de Deus hoje é: Como a Igreja deve tomar decisões.

Como toda instituição a Igreja de Cristo também se vê diante de situações em que ela deve tomar decisões.

Observe que não estou falando somente de qual decisão tomar, mas, principalmente em como devemos tomar decisões para a glória de Deus.

1) Perseverando em oração, v.12-14

Exposição v.1: Lucas aponta o lugar onde os discípulos estavam quando Jesus foi assunto aos céus: “o monte chamado Olival”, ou seja, o Monte das Oliveiras, o qual ficava distante de Jerusalém “como a jornada de um sábado”, ou seja, aproximadamente um quilômetro, pois, essa era a distância que era permitida aos judeus andarem no dia de Sábado, conforme os costumes do Judaísmo.

Aplicação v.1: Os discípulos obedeceram a Cristo voltando para Jerusalém aguardando a descida do Espírito Santo. Você obedece a Cristo dessa forma?

Exposição v.13,14: Chegando em Jerusalém, os 11 apóstolos (Judas Iscariotes já estava mais com eles e Matias, ainda não tinha sido escolhido), reuniram-se num cenáculo, um quarto amplo e espaçoso com quase nenhum móvel que ficava na parte superior de uma casa, o qual nos costumes rabínicos era destinado à oração e estudos. Não há qualquer indicação de que este tenha sido o mesmo cenáculo onde o Senhor Jesus celebrou a última Páscoa e a primeira Ceia com eles. O que deve ser ressaltado aqui é que Lucas apresenta a lista dos nomes daqueles que foram não só o primeiro grupo de líderes da Igreja, mas, também aqueles que vieram a ser o “fundamento da Igreja” (Ef 2.20), a saber, os apóstolos, os únicos em toda História da Igreja. Outra verdade importante aqui é a prática da oração. Eles foram para este cenáculo para ali perseverarem “unânimes em oração” juntamente com “as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Temos aqui o núcleo da Igreja Primitiva.

Aplicação v.13,14: Uma liderança que ora e permanece unânime na oração demonstra sua dependência total de Deus. Além disso, estimula a Igreja a orar também (At 2.42,46). Você tem perseverado na oração? É muito importante estarmos ao lado de outros irmãos na prática da oração para nos estimularmos a essa bendita prática.

Em segundo lugar é preciso que a Igreja esteja sempre

2) Observando a Palavra de Deus, v.15-20

Exposição v.15: “Naqueles dias”, isto é, o tempo entre a ascensão de Jesus e a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, os crentes se reuniram em assembleia composta por umas 120 pessoas para orarem e também decidirem sobre quem ocuparia a vaga deixada por Judas Iscariotes no apostolado. Pedro então se levantou e chamou a atenção dos irmãos para o fato. Aqui está o início do ministério apostólico que mostra indiscutivelmente que Pedro foi o líder da Igreja de Jerusalém no princípio. Ele puxou para si a responsabilidade que o próprio Senhor Jesus lhe dera (veja Jo 21.15-17).

Aplicação v.15: Na Igreja de Cristo os líderes devem trazer a responsabilidade para si, mas, a tomada de decisões é sempre coletiva. É importante destacar que ninguém se levantou antes de Pedro e de qualquer dos apóstolos, pois, todos reconheciam a responsabilidade e autoridade deles. Como líder você demonstra responsabilidade naquilo que lhe foi confiado? Como membro você demonstra respeito às autoridades da Igreja?

Exposição v.16,17: Pedro inicia o seu discurso apontando para aquilo que é a autoridade sobre a Igreja de Cristo: a Escritura. Por isso mesmo disse: “Irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo proferiu anteriormente por boca de Davi”. Tudo o que aconteceu com Jesus como resultado da traição de Judas Iscariotes, aconteceu porque era desígnio de Deus. É a Soberana vontade de Deus prevalecendo sempre. Precisamos entender de vez que, a Escritura é produto do Espírito Santo e não da engenhosidade humana como o próprio apóstolo Pedro vai afirmar em 2Pe 1.20,21. E segundo lugar o que Deus prometeu no Antigo Testamento teve seu cumprimento no Novo, especialmente em relação a Cristo. Judas Iscariotes foi chamado por Jesus para servi-Lo como os demais, por isso Pedro disse que ele havia sido “contado entre nós e teve parte neste ministério”.

Aplicação v.16,17: é importante que você creia que toda a Escritura, ou seja, a Escritura inteira é obra do Espírito Santo e por isso mesmo tudo o que nela está é verdadeiro. Tudo o que nela está registrado é a vontade de Deus que aconteceu e acontece sempre como Deus determina. Você crê na Escritura como obra do Espírito Santo que revela a vontade de Deus para a sua vida ou ainda guarda dúvidas sobre ela?

Exposição v.18,19: Estes versos estão entre parênteses, porque foram acrescentados por Lucas no texto como uma “nota explicativa”, mas, não faz parte do discurso de Pedro. Estamos diante do que parece ser uma contradição bíblica, pois, se compararmos o relato de Mateus e o de Lucas aqui encontraremos algumas dificuldades de harmonizar os dois relatos. Porém, para não nos delongarmos desnecessariamente no assunto cito aqui o que disse I. Howard Marshall: “Judas se enforcou (Mt), mas a corda quebrou e o seu corpo rompeu-se na queda (…). Aquilo que os sacerdotes compraram com o dinheiro dele (Mt) poder ser considerado compra dele através deles (At). O campo que os sacerdotes compraram (Mt) foi onde Judas morreu (At)”.

Aplicação v.18,19: A iniquidade de um coração o impulsiona a obras iníquas que resultarão em tragédia para sua vida. É lamentável ver alguém que andou com Jesus, esteve ao lado Dele em tantas situações, porém, terminar sua vida aqui desse jeito e o que é pior, perecer eternamente. Como está essa questão em sua vida? Você já nasceu de novo? Você é daqueles que andam com o povo de Deus mas, ainda não rendeu-se ao Senhorio de Cristo?

Exposição v.20: Novamente, Pedro se reporta ao Antigo Testamento, mais precisamente ao livro dos Salmos (Sl 69.25; 109.8) para dar base ao que ele estava falando. O que Pedro está dizendo aqui é que essa situação, a saber, a vaga no colegiado apostólico deixada por Judas Iscariotes que deveria ser preenchida por alguém que cumpriria a responsabilidade era algo previsto pela Escritura. A Escritura se cumpre porque ela é a vontade de Deus registrada. Devemos olhar para a Escritura para entendermos o que acontece ao nosso redor.

Aplicação v.20: todas as decisões que a Igreja quer no papel da liderança quer como assembleia devem ser tomadas com base no que a Escritura diz e não no que julgamos ser o melhor. Como você costuma tomar suas decisões? Com base na Palavra de Deus ou na sua intuição? Não se esqueça do quão traiçoeiro é o seu coração (Jr 17.9).

Por fim, outro fator para o qual a Igreja deve atentar na sua tomada de decisões é:

3) Cuidando do bom testemunho, v.21-26

Exposição v.21, 22: Depois de mostrar a base na Escritura para o preenchimento da vaga deixada pelo apóstata Judas Iscariotes, Pedro então orienta sobre a principal característica do futuro apóstolo. Primeiramente, era necessário que esta pessoa tivesse sido um “dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós”, não só por alguns tempos, mas, desde os batismo de Jesus realizado por João Batista até à ascensão de Cristo aos céus para que este se tornasse uma “testemunha conosco da sua ressurreição”. Assim, as credenciais de um apóstolo eram: ter andando com Jesus durante o tempo em que Ele esteve neste mundo, e testemunhado Sua ressurreição. Para ser apóstolo a pessoa teria de ter visto Jesus antes e depois de Sua morte. É por esse motivo, que mesmo sofrendo contestação de muitos, Paulo é considerado o último dos apóstolos, porque ele viu a Jesus antes de morrer e depois de ressuscitar.

Aplicação v.21,22: os apóstolos eram discípulos que viveram com Cristo. Hoje, um discípulo de Cristo é aquele que tem a vida de Cristo em seu coração. Você é uma testemunha de Cristo neste mundo? Você se distingue como alguém que conhece a Cristo?

Exposição v.23-25: após haverem proposto os nomes de José Barsabás (“filho de Sabbas”, ou “filho do Sábado”) cujo nome latino era “o Justo”, e Matias (ou Matatias), novamente se entregaram ao exercício da oração mostrando mais uma vez que apesar da autoridade que tinham eram incapazes de tomarem uma decisão por si mesmos, e, por isso mesmo dependiam de Deus para revelar os seus corações. Assim, a decisão não foi tomada pelos apóstolos, mas, pelo próprio Senhor Jesus.

Aplicação v.23-25: A Igreja precisa refletir em suas decisões a vontade de Deus. Ela precisa sempre mostrar sua total dependência de Deus ainda que pareça ter diante de si opções bem definidas. E você, em suas decisões tem demonstrado sua dependência absoluta de Deus? Ou quando as coisas parecem claras, você se precipita e toma uma decisão sem consultar a Deus e entender claramente a Sua vontade? Em Ef 5.17 somos exortados a evitarmos a insensatez e procurar “compreender qual a vontade do Senhor”.

Exposição v.26: a questão do “lançaram em sortes” aqui tem sido alvo de críticas. Alguns comentaristas chegam até a dizer que o que aconteceu aqui foi um erro por parte da Igreja Primitiva que em vez de esperar o “décimo segundo apóstolo”, a saber, Paulo, adiantou-se e precipitadamente escolheu a Matias de quem não ouvimos mais nada no Novo Testamento. Mas, tal argumento é insustentável, pois, nada mais sabemos também de André, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago filho de Alfeu e Simão o Zelote além de At 1.13. Com certeza a Igreja não errou na escolha de Matias, porque depois de orar a Deus, o ato de lançar sortes aqui não tinha nada de supersticioso ou místico, mas, sim, tratava-se de um costume dos israelitas desde o Antigo Testamento (Nm 26.55; Js 14.2; 15.1; 1Cr 6.54), no qual eles demonstravam dependência total de Deus. O fato é que depois que o Espírito Santo desceu sobre eles nunca mais foi utilizada a prática do lançar sortes. Além disso, ao lançarem sortes aqui o que ficou claro para eles era que foi o próprio Senhor Jesus quem havia escolhido o substituto daquele que um dia foi escolhido por Ele, a saber, Judas, que “se transviou indo para o seu próprio lugar” (v.25), a saber, servir a Satanás, pois, como o próprio Senhor Jesus disse, ele era “filho da perdição” (Jo 17.12).

Aplicação v.26: nós temos hoje o Espírito Santo guiando-nos neste mundo o qual opera por meio de Sua Palavra em nosso coração. Por isso mesmo devemos submeter nosso coração à Palavra de Deus e com muita oração para que ouçamos a voz do Espírito Santo em nosso coração. Você tem ouvido a voz do Espírito Santo em seu coração lembrando-o da Sua Palavra (cf. Jo 14.26) ou tem recorrido a outras maneiras de entender a vontade de Deus?

 

O que Deus quer que você faça?

          Tomando decisões o Espírito Santo quer que você:

1)      O faça debaixo de muita oração oração mostra nossa dependência de Deus.

2)      Conferindo seus atos com a Palavra de Deus para o crente o que importa não é o que ele acha do texto bíblico, mas, sim, o que ele acha no texto bíblico.

3)      Dê um bom testemunho de Cristo com sua vidaA melhor maneira de darmos um bom testemunho é mostrando nossa confiança e obediência à Palavra de Deus, nos submetendo a Ele em oração.

Conclusão

A principal decisão que a Igreja de Cristo deve tomar é a de conhecer qual é a vontade soberana de Deus para ela, e descobrindo, dedicar-se a obedecê-la.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 24/11/2013

 

 

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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