A Soberana Vontade de Deus – 30ª Mensagem

O Concílio da Igreja de Jerusalém

Crescendo com os Problemas da Igreja

At 15.1-35

            Creio que nenhum de nós gosta de problemas. Contudo precisamos entender que Deus sempre nos proporciona oportunidades singulares de crescimento quando nos permite passar por problemas. No presente texto vemos justamente isso. Surgiu um problema doutrinário muito sério que levou a Igreja se reunir em concílio em Jerusalém para decidir a questão.

              Como Igreja de Cristo sempre enfrentaremos problemas de todas as ordens aos quais devemos responder com a Palavra de Deus. Contudo, em vez de recusarmos, negarmos e até determinarmos (como o faz a tal confissão positiva pregada por muitos hoje em dia) que os problemas desapareçam, o melhor que temos a fazer é olharmos para eles como preciosas oportunidades que Deus nos dá para crescermos espiritualmente como Igreja. Por isso quero meditar com os irmãos sobre: Crescendo com os problemas da Igreja.      Os problemas são oportunidades que Deus nos dá para com eles crescermos, pois, eles:

1)     Provocam desconfortos, v.1-5

 

Exposição v.1-5: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.  2 Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão.  3 Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos.  4 Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles.  5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés”.

              A Primeira Viagem Missionária havia se encerrado, a Igreja “contabilizava” os resultados para a glória de Deus. Paulo e Barnabé já estavam em Antioquia “não pouco tempo com os discípulos” (At 14.28). Um clima de paz e tranquilidade pairava sobre a Igreja de Antioquia. Mas, enquanto tudo estava nessa calmaria, eis que surgiram Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos” (v.1). Não se tratava de um problema envolvendo apenas o costume judaico da circuncisão. Estes indivíduos estavam dizendo que o sacrifício de Cristo não era suficiente para salvá-los, e que a graça de Deus necessitava de reforços. Tratava-se aqui de uma heresia que precisava ser combatida, e, por isso mesmo, houve “da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles” (v.2), a qual, não conseguiram resolver tendo que buscar ajuda dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém.

              Uma delegação foi enviada à Igreja em Jerusalém. Paulo, Barnabé e alguns outros irmãos da Igreja em Antioquia atravessaram a Fenícia (atual Líbano) e Samaria, e em cada igreja pela qual passavam eles narravam “a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos” (v.3). Chegando em Jerusalém “foram bem recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles.  5 Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés”. É impressionante como uma mesma situação pode ser o palco de conflitos. Em Jerusalém muitos se alegraram com as obras de Deus entre os gentios, mas, os membros do partido dos fariseus (ao que tudo indica não eram os mesmos que perturbaram a Igreja em Antioquia com essa questão) viram na situação o ressurgimento e fortalecimento de seus costumes, e, assim intensificaram a disputa.

              Muitas vezes aqueles momentos de paz camuflam e escondem um comodismo letal. Nada é mais pernicioso para o desenvolvimento de uma Igreja do que o comodismo. O comodismo além de impedir o crescimento, pois, deixa a Igreja estagnada, também fortalece o orgulho. Veja o caso da Igreja em Laodiceia em Ap 3.17 que dizia de si mesma: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma” e o Senhor Jesus revelou o real estado dela: “e nem sabes que és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”. Por isso devemos ver que problemas sempre são oportunidades que Deus nos dá para sairmos daquela zona de conforto e nos movermos em direção ao crescimento.

Aplicação v.1-5: Como você tem olhado para os problemas que surgem em sua vida e na vida da nossa Igreja? Você tem fugido deles ou enfrentado cada um? É fato que nenhum de nós gosta de problemas, mas, é necessário que vejamos em cada um deles uma oportunidade que Deus nos dá para sairmos do comodismo e marasmo que muitas vezes caímos pensando que são momentos de paz. A paz de Cristo em nós jamais nos levará ao comodismo, mas, sim, à plena confiança no Seu cuidado para conosco.

              Os problemas são oportunidades que Deus nos dá para com eles crescermos, pois, eles:

2)     Exigem intervenções, v.6-21

 

Exposição v.6-21:6 Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão.  7 Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem.  8 Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera.  9 E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração.  10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós?  11 Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram.  12 E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios.  13 Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras:  14 expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome.  15 Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito:  16 Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei.  17 Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome,  18 diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos.  19 Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus,  20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue.  21 Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados”.

               Uma vez reunidos os apóstolos para tratar da questão ainda houve grande debate. Os apóstolos interviram na situação, e especialmente Pedro, Paulo, Barnabé e Tiago puxaram para si a responsabilidade diante da situação. Primeiramente, Pedro, tomando para si a responsabilidade que lhe foi dada por Jesus de apascentar Suas ovelhas, estava diante de uma situação em que seu cajado pastoral precisava ser utilizado. E assim ele fez. Destacamos aqui nas palavras de Pedro as seguintes verdades:

Liderança firme, porém humilde: no v.7 enquanto relembrava-lhes de seu encargo dado pelo próprio Senhor Jesus de por seu intermédio levar a Palavra do Evangelho aos gentios. Um líder cristão sempre terá isso em mente. Ele está na posição de liderança para executar a vontade de Deus. Este é o segredo de uma liderança humilde.

Compreensão das obras Deus: nos v.8 e 9 ele aponta para o fato de que tudo o que estava acontecendo com os gentios era a mão de Deus, obra do Espírito Santo lhes concedendo a salvação por meio do Evangelho de Cristo.

Exaltação da Graça de Deus: nos v.10 e 11 ele ressalta e exalta a Graça de Deus salvando pecadores dentre os gentios como aconteceu também dentre os judeus. E chamou-lhes a atenção pelo fato de estarem tentando a Deus, provocando Sua ira pelo fato de estarem colocando para os gentios convertidos a Cristo que eles precisam fazer algo mais além do sacrifício de Cristo e da graça de Deus para serem salvos.

               Com essas palavras “toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios” (v.12). Quando Paulo e Barnabé terminaram de falar, Tiago assumiu a palavra e expos o seu parecer. Em suas palavras destacamos os seguintes pontos importantes:

Compreensão das obras de Deus: assim como Pedro, Tiago também demonstrou compreender a obra que Deus estava realizando entre os gentios, v.14. Deus estava formando de entre os gentios e judeus “um povo para o seu nome”.

Cumprimento das Escrituras: nos v.15-18, citando uma profecia de Amós (Am 9.11,12), Tiago mostra o cumprimento das Escrituras na pessoa de Jesus reunindo para Si o Seu povo de todas as nações.

Preservação da unidade: nos v.19-21, Tiago aparece apaziguando os ânimos ali. Enquanto nos v.19,20 ele apresentou uma solução e estipulou o que é que os crentes gentios deveriam fazer (e os crentes judeus os tolerar), no v.21, ele mostra o que é que os crentes judeus faziam (e que os crentes gentios deveriam tolerar também). Tiago não estava tentando agradar os dois grupos, mas, sim, unifica-los. As quatro propostas que ele fez, a saber, abstenção das contaminações dos ídolos, das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue, eram coisas observadas pelos judeus. E estas coisas devem ser evitadas por todos os que professam sua fé em Cristo.

Aplicação v.6-21: Quando surgir um problema você precisará intervir na situação ajudando aqueles que tiverem dificuldade de entender as coisas e sempre trabalhar em prol da unidade. Para isso tome como base as Escrituras, veja o que Deus está fazendo em cada coração, aponte para a glória de Deus exaltando sempre a Sua Graça excelsa. Ajude as pessoas a retomarem o foco da glória de Deus e a pararem com disputas infantis.

              Por fim, devemos ver os problemas como oportunidades que Deus nos dá para com eles crescermos, pois, eles:

3)     Definem diretrizes, v.22-35

 

Exposição v.22-35:22 Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos,  23 escrevendo, por mão deles: Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cilícia, saudações.  24 Visto sabermos que alguns que saíram de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma,  25 pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo,  26 homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.  27 Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas.  28 Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais:  29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde.  30 Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola.  31 Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido.  32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram.  33 Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz aos que os enviaram.  34 Mas pareceu bem a Silas permanecer ali.  35 Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor”.

              As propostas de Tiago foram acatadas por todos os apóstolos e presbíteros os quais entenderam que as mesmas deveriam se tornar normas para os crentes gentios. Aquele concílio trouxe definições que não se limitaram somente àqueles tempos, mas, tornaram-se regra para todos os tempos.

              Eles elegeram então “homens notáveis entre os irmãos”, a saber, Judas Barsabás e Silas, os quais acompanharam Paulo e Barnabé na entrega da carta que respondia às questões dos crentes da Igreja em Antioquia, Síria e Cilícia. Escrevendo uma carta com todas as formalidades previstas (v.23), num tom cordial e fraterno, os apóstolos e presbíteros deixaram claros os seguintes pontos:

Os perturbadores eram insubordinados: no v.24, vemos que um grupo não autorizado pelos apóstolos e presbíteros, saiu da Igreja de Jerusalém e foi até à Igreja de Antioquia perturba-los com regras que não tinham o menor sentido para aqueles irmãos e que só causavam confusão em suas mentes.

O cuidado dos apóstolos com a Igreja de Cristo: eles tão logo souberam do problema, interviram na situação e chegaram a uma definição, trataram de enviar-lhes homens devidamente autorizados, nas palavras do v.26 “homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Judas e Silas foram incumbidos de falar-lhes sobre a decisão dos apóstolos.

A submissão da liderança ao Espírito Santo: no v.28, vemos que a decisão foi dada pelo Espírito Santo a quem eles obedeceram. Diferentemente daqueles que saíram da Igreja de Jerusalém sem autorização, Paulo, Barnabé, Judas, Silas e também os apóstolos falavam por meio da autoridade do Espírito Santo. E a ordem que o Espírito Santo deu foi que se abstivessem das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue dos animais, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas. Essas regras devem ser seguidas por todos os cristãos gentios. Essa decisão serviu para mostrar aos crentes gentios que eles embora estivessem isentos de observar os rituais do judaísmo, não estavam isentos de cumprirem normas que condizem com uma vida santa e dedicada a Deus.

              Nos últimos versículos desse trecho (v.30-35) vemos:

A diligência dos delegados em cumprir a missão: “Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola” (v.30); assim agem os que têm a convicção de estarem realizando a obra do Senhor;

A alegria e conforto resultantes da decisão: “Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido” (v.31); quando decisões são tomadas pela orientação do Espírito Santo os resultados dessas decisões unificam e fortalecem a Igreja de Cristo;

A dedicação no ensino da Palavra:32 Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram. 33 Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz aos que os enviaram.  34 Mas pareceu bem a Silas permanecer ali.  35 Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a palavra do Senhor” (v.32-35); aqueles sobre cujos ombros está a responsabilidade de instruir outras vidas, devem ter em mente que não há tarefa mais nobre, trabalho mais honroso e urgente do que pregar a Palavra do Senhor.

              As definições a que os apóstolos e presbíteros chegaram tornaram-se regra para a Igreja de Cristo em todos os tempos. Deus fez com que aquela situação desfavorável causada pelos judaizantes contribuísse para que a Igreja se posicionasse de uma vez por todas sobre a questão.             

 

Aplicação v.22-35: Da mesma forma em sua vida, naquelas situações que se apresentam desfavoráveis você buscar a orientação do Espírito Santo com certeza você receberá diretrizes que nortearão toda a sua vida. Lembre-se que em sua vida há um efeito acumulativo, e a cada situação em que você aprender algo novo, somar-se-á ao que você já aprendeu. Por isso não despreze nenhuma situação difícil de sua vida, nem muito menos fuja dela. Elas são mestras que Deus lhe manda para definir seu caráter conforme o de Cristo (Rm 8.28,29).

Conclusão

              Problemas nos fazem mexer, tomar atitudes e definir nosso caráter e conduta. Como Igreja de Cristo passaremos por muitos problemas e só tiraremos o máximo de proveito deles se não perdermos o nosso foco na glória de Deus.

 

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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