A Soberana Vontade de Deus – 32ª Mensagem

A Segunda Viagem Missionária

Dois Cuidados Com a Pregação do Evangelho

At 16.1-10

              A pregação do Evangelho é um dever do qual a Igreja de Cristo não pode se descuidar. É através da pregação que corações serão convertidos e trazidos aos pés de Cristo para adorá-Lo como o Soberano Rei e Senhor de suas vidas. Mas, devemos tomar cuidado com essa missão para realiza-la da forma que agrada a Deus. No presente texto vemos Dois cuidados com a pregação do Evangelho que devemos ter e é sobre eles que eu quero falar com os irmãos nessa ocasião. O primeiro deles é:

1)     Evitar escândalos que possam comprometer a obra, v.1-5

 

Exposição v.1-5: “Chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego;  2 dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio.  3 Quis Paulo que ele fosse em sua companhia e, por isso, circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois todos sabiam que seu pai era grego.  4 Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observassem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém.  5 Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número”.

              A segunda viagem missionária começou. Paulo e seus companheiros chegaram à Ásia Menor, mais precisamente nas cidades de Derbe e Listra. “Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego;  2 dele davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio” (v.1,2). Quero me deter um pouco aqui sobre esse jovem chamado Timóteo. Para isso cruzarei algumas as informações fornecidas por outros textos.

              Aqui em At 16.1,2 sabemos que ele era filho de uma judia com um grego. Em 2Tm 1.5 sabemos que o nome de sua mãe era Eunice e o de sua avó era Loide. Mas, além disso, também ficamos sabendo que elas o ensinaram “desde a infância, as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3.15). Assim sendo, Timóteo nos mostra que:

(1) A importância de instruirmos nossas crianças no Evangelho desde bem cedo. Nós devemos ter um carinho especial pelos nossos pequenos. Eles são vulneráveis, dependentes, mas, principalmente, pecadores tanto quanto você e eu podemos ser. E é por isso que devemos ensinar-lhes as “sagradas letras” que podem torna-los sábios, capacitados e habilitados para através da fé, receberem a salvação em Cristo Jesus.

(2) A influência que pais crentes exercem sobre seus filhos. A influência que sua mãe a sua avó exerceram sobre ele foi muito mais forte do que a influência de seu pai que era grego. Não sabemos nada além disso sobre seu pai, mas, sobre sua mãe e avó sabemos que elas o ensinaram nos caminhos do Senhor desde pequeno.

(3) Cristo é o verdadeiro padrão de masculinidade. É muito comum ouvirmos psicólogos afirmarem que meninos criados por suas mães sem a influência de seus pais terão desvio no caráter tornando-se candidatos ao homossexualismo. Se isso fosse verdade, Timóteo jamais seria um crente, nem teria feito parte da equipe missionária de Paulo e um pastor do Rebanho de Cristo. Eunice juntamente com sua mãe Loide exerceram forte influência sobre Timóteo, e, em vez de se tornar um homossexual ou um efeminado ele se tornou um homem crente.

(4) Bom testemunho é o que os outros relatam sobre o nosso comportamento. É importante vermos que os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho de Timóteo. O verdadeiro crente não faz propaganda de si mesmo. Em vez disso seu comportamento autentica a sua fé.

              Este jovem crente seria um grande instrumento de Deus na obra missionária, e por isso, 3 Quis Paulo que ele fosse em sua companhia”, contudo, por ser ele um “mestiço” Paulo  “circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares; pois todos sabiam que seu pai era grego”. Se seus pais fossem gentios, ninguém se oporia a Timóteo, pois, conforme a determinação dos apóstolos, os gentios não precisavam se circuncidar. Mas, por sua ascendência judaica por parte de sua mãe, os judeus haveriam de rejeita-lo por ser ele incircunciso. É aqui que vemos o cuidado de Paulo em não permitindo que um escândalo viesse atrapalhar a obra da pregação do Evangelho e da confirmação da fé daqueles irmãos 4Ao passar pelas cidades, entregavam aos irmãos, para que as observassem, as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros de Jerusalém”. O resultado desse zelo foi que 5Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número”. O crescimento numérico não deve ser a prioridade. Ele é apenas resultado do crescimento espiritual, mas, o crescimento espiritual vem com o trabalho dedicado do ensino da Palavra de Deus aos corações. Para alcançarmos essas metas devemos tomar muito cuidado com qualquer forma de escândalo. Fico pensando nos muitos escândalos que são provocados pelo comportamento carnal e pecaminoso de muitos crentes enquanto pregam o Evangelho. Precisamos lembrar que a nossa autoridade está na Palavra de Deus e não na nossa experiência, porém, o nosso testemunho autentica a nossa mensagem.

Aplicação v.1-5: Quando você estiver levando o Evangelho para uma pessoa empenhe-se por retirar da sua vida quaisquer coisas que possam se tornar um escândalo ou trazer um escândalo para o santo Evangelho de Cristo. Lembre-se: “Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm!” (Lc 17.1).

              Outro cuidado que devemos ter é

2)     Discernir o que é a nossa vontade e qual é a vontade de Deus, v.6-10

 

Exposição v.6-10: 6 E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia,  7 defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.  8 E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade.  9 À noite, sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos.  10 Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho”.

              A região descrita como frígio-gálata é onde estava a cidade de Icônio. Paulo e seus companheiros tencionavam pregar o Evangelho no norte da Ásia Menor, mas, eles foram “impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia” (v.6). Então, estando defronte para a cidade de Mísia, contemplavam o norte da Ásia, mais precisamente, a cidade de Bitínia, mas, pela segunda vez “o Espírito de Jesus não o permitiu” (v.7). Então, em vez de entrarem em Mísia, contornaram-na e “desceram a Trôade” (v.8), onde passaram a noite, justamente quando “sobreveio a Paulo uma visão na qual um varão macedônio estava em pé e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos” (v.9). Não era um anjo, mas, um homem macedônio. O seu pedido consistia de duas coisas:

(1) Atravessar o Mar Egeu. O que apontava uma direção oposta a que eles queriam ir.

(2) Atender um pedido de socorro. Não era um pedido qualquer. Era um pedido de socorro espiritual. Deus já havia preparado aqueles corações para receberem a Sua Palavra e por isso Paulo tinha que ir lá, o que ele e seus companheiros fizeram “Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho” (v.10).

              Por duas vezes O Espírito Santo impediu-lhes de irem numa direção que tudo indicava ser a melhor. Ele, porém, os direcionou para que estivessem no lugar certo, ou seja, em Trôade, para dali irem rumo à Macedônia.

              Chama-nos a atenção aqui o fato de que Paulo e seus companheiros eram homens empolgados e dedicados à tarefa da pregação do Evangelho. Contudo, nessa empolgação e dedicação eles não deram margem para a teimosia e muito menos para a desobediência. Eles entenderam qual era a vontade de Deus para eles, e não se agarraram à própria vontade. Pessoas que aguardam pacientemente Deus mostrar-lhes Sua vontade não caem no perigo agirem sem orar para buscar compreender a vontade de Deus e quais são os Seus desígnios. É muito comum vermos pessoas fazendo planos, executando esses planos, e, somente, então buscam a Deus em oração, mas, não para saberem a vontade de Deus, mas, sim, como que querendo que Deus chancele a decisão que elas tomaram à revelia.

              Chama a atenção também o fato de que assim que compreenderam o sentido daquela visão, “imediatamente” procuraram sair para a Macedônia e pregar ali o Evangelho. Eles não somente sabiam o que deveriam pregar, mas, para quem e quando. Por isso não poderiam esperar até o dia seguinte, mas, ainda à noite procuraram partir por meio de um navio (cf. v.11).

Aplicação v.6-10: Faça planos, mas, antes de executá-los, submeta-se a Deus em oração, busque-O até ter bem claro diante dos seus olhos através da Palavra de Deus a resposta que você precisa. Sabendo qual é a vontade de Deus, imediatamente procure obedecer. Se Deus não está lhe dando o que você está pedindo, reconsidere seu pedido, pode ser que você esteja pedindo algo que Deus não quer para a sua vida, ou algo que Ele não quer que você faça.

Conclusão

              Zelando para que escândalos não aconteçam e para que a vontade de Deus seja buscada e obedecida em nossa vida, com certeza cumpriremos essa honrosa tarefa da pregação do Evangelho. Que Deus nos ajude. Amém!             

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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