A Soberana Vontade de Deus – 38ª Mensagem

A Terceira Viagem Missionária

At 18.23 – 21.16

A Verdadeira Conversão

At 19.1-7

                   O trecho de At 19.1-7 está relacionado ao trecho anterior de At 18.23-28 no que diz respeito a Apolo e esse grupo dos doze discípulos efésios conhecerem apenas o batismo de João, e, portanto, nada sobre a obra do Espírito Santo. Há ainda uma diferença entre eles, pois, enquanto Apolo “ensinava com precisão a respeito de Jesus…” (At 18.25), os doze discípulos efésios, nem mesmo sabiam que aquele de quem João Batista falava, a saber, Jesus Cristo, já havia vindo, morrido e ressuscitado para a glória de Deus e enviado o Espírito Santo da promessa. Eram homens tementes a Deus que haviam recebido o batismo de João para arrependimento, mas, não haviam ainda convertido de fato ao Senhor Jesus Cristo. Este texto toca num assunto muito sério: A verdadeira conversão. E é sobre isso que meditaremos hoje.

              A verdadeira conversão:

1)     É mais que um mero consentir, v.1-3

 

Exposição v.1-3: “Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos,  2 perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo.  3 Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João”.

              Tal como havia prometido àqueles irmãos de Éfeso que haveria de voltar assim que Deus lhe permitisse (cf. At 18.21), Paulo agora cumpre a sua promessa. Atravessando a região montanhosa da Ásia Menor chegou à Éfeso. Enquanto isso, Apolo estava pregando em Corinto. Em lugar algum é mencionado que Paulo tenha se encontrado alguma vez com Apolo, contudo, o trabalho de ambos sempre seguiu na mesma direção e propósito.

              Paulo “chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos…”. A palavra “discípulos” aqui deve ser entendida como seguidores de João Batista. Eles ainda não tinham se convertido a Cristo, mas, eram identificados como “discípulos”. A pergunta de Paulo a eles nos leva a pensar que estes homens levavam uma vida de piedade a exemplo de seu mentor João Batista, pois, afinal, eles demonstravam “ter crido”.

              A resposta que deram é um tanto quanto intrigante: “Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo”. É claro que eles sabiam da existência do Espírito Santo, pois, as Escrituras do Antigo Testamento dão relatos constantes da pessoa bendita do Espírito Santo. Então o que eles quiseram dizer a Paulo aqui foi: “Nós nem nunca ouvimos dizer que as pessoas estão recebendo o Espírito Santo”[1].

              Diante dessa afirmação, Paulo faz outra pergunta e obtém a seguinte resposta: “Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João”. Observe que Paulo não perguntou “em quem”, mas, “em que”. Ele estava se referindo à forma e ao conteúdo do batismo recebido. Eles seguiam os ensinamentos de João Batista mesmo depois de mais de duas décadas terem se passado da morte deste. Eles não sabiam que o Espírito Santo havia sido outorgado às pessoas porque ainda sequer sabiam que Jesus de Nazaré era o Cristo prometido do Qual João Batista era o precursor. Eles consentiam com as profecias do Antigo Testamento, consentiam com a mensagem de João Batista e seu batismo de arrependimento, em suma, era homens piedosos e dedicados à sua crença. Mas, a verdadeira conversão não é apenas uma crença, um consentimento, ou como dizem os romanistas, um assentimento, uma concordância.

Aplicação v.1-3: Eles seguiam a um servo de Cristo, mas, não seguiam a Cristo. Assim como estes doze discípulos efésios muitos hoje vivem seguindo verdadeiros servos de Cristo, abraçando seus ensinamentos corretos e bíblicos, porém, parecem depositar mais sua fé nestes servos de Cristo do que no próprio Senhor Jesus Cristo. É muito importante nos espelharmos nos verdadeiros servos de Deus sem nunca nos esquecermos que são apenas servos, e, que por isso mesmo, nossa confiança deve estar somente em Cristo. E você? A quem você tem seguido? Em que você tem baseado sua fé?

              Então, se a verdadeira conversão não é apenas um mero consentimento, o que ela é?

2)     É um relacionamento profundo com Cristo, v.4-7

 

Exposição v.4-7:4 Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus.  5 Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus.  6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.  7 Eram, ao todo, uns doze homens”.

              Paulo quando ouviu que eles haviam recebido apenas o batismo de João, passou-lhes a mostrar o objetivo do ministério de João que consistia em falar sobre a vinda do Messias para o que o povo deveria preparar-se com arrependimento e, por isso, ser batizado. Daí o batismo de João ter sido para arrependimento. O batismo de João era só uma preparação para a obra do Messias (cf. Is 40.3; Mt 3.3), o qual era o Senhor Jesus. Paulo lembrou-lhes que João havia apontado para Jesus de Nazaré como o Messias. E assim Paulo mostrou-lhes que a eles faltava um relacionamento mais profundo com Cristo – faltava-lhes conversão verdadeira.

              E diante dessa exposição que Paulo fez da pessoa de Jesus “Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus”. Ao entenderem que necessitavam de Jesus e da salvação que Ele veio lhes dar assumem o compromisso por meio do batismo em nome do Senhor Jesus. “A obediência à mensagem do Evangelho e um desejo de batismo no nome de Jesus presumem uma fé verdadeira em Cristo”[2]. Eles haviam entendido que o batismo que receberam de João Batista apontava para o que ainda lhes faltava, mas, agora lhes estava sendo oferecido por meio do Evangelho de Cristo. “Os discípulos de João foram batizados pela autoridade do Senhor Jesus e, desse modo, deram testemunho público de que haviam aceitado Jesus Cristo como SENHOR (Jeová) de sua vida”[3]. Assim eles entenderam a necessidade de serem identificados com Cristo por meio do batismo.

              Ao receberem o batismo com água em nome de Jesus 6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.  7 Eram, ao todo, uns doze homens”. Este texto não dá base para crermos que o Espírito Santo vem sobre as pessoas depois de algum tempo que elas demonstraram te crido em Jesus. Estes discípulos traziam consigo a fé no Messias, mas, não O conheciam. No momento em que creram que Jesus é o Cristo entraram num profundo relacionamento com Ele e como selo interno desse relacionamento receberam o Espírito Santo em seus corações, e como selo externo dessa graça interna foram batizados.

              Dois erros devem ser evitados a todo custo aqui:

1)     Não devemos entender o ato de crer em Jesus, ser batizado com água e receber o Espírito Santo como atos consecutivos. Devemos vê-los como concomitantes. Embora seja vista uma sequência nesses atos, devemos entende-los como componentes de um único propósito, a saber, a obra de salvação que Deus realiza para com pecadores. William MacDonald lembra que: “Esses poderes sobrenaturais faziam parte do modo de Deus operar no período em que a Igreja ainda não tinha o NT. Hoje, nossa certeza de ter recebido o Espírito Santo no momento da conversão não se baseia em sinais e prodígios nem em sentimentos, mas no testemunho das Escrituras do NT”[4].

2)     Não devemos entender que existe uma obrigatoriedade no que diz respeito ao recebimento do Espírito Santo e o dom de línguas e profecias como muitos afirmam. Em Atos vemos que isso nunca foi uma regra. Os 3 mil batizados no dia de Pentecostes (At 2.41), o oficial etíope (At 8.38,39), o próprio apóstolo Paulo em Damasco (At 9.18), Lídia e sua casa (At 16.15), o carcereiro de Filipos (At 16.33). Se analisarmos a vida de grandes servos de Deus que foram cheios do Espírito Santo e nunca oraram em línguas como foi João Batista e Estêvão veremos ainda mais claro que não devemos ver tal coisa como uma regra.  Como nos lembra John MacArthur “para que algo se torne normativo tem de ser comum a todos”[5]. Não entender o agir do Espírito Santo em diferentes épocas nos leva a crermos em ensinamentos errôneos os quais por sua vez nos levarão a práticas também errôneas.

              É importante ainda destacarmos neste texto o fato de que ao impor as mãos sobre eles e receberem o Espírito Santo, Paulo se equiparava aos demais apóstolos, pois, Pedro e João também fizeram o mesmo.

Aplicação v.4-7: Você já recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador? Se sim, então você também já recebeu o Espírito Santo em seu coração, e mais importante do que receber dom de línguas e profecias, é pregar o Evangelho a outras pessoas, e, se for preciso pregar em outros idiomas então estude-os e aprenda-os clamando sempre ao Espírito Santo por capacitação; mais importante do que “novas” profecias é proclamar as únicas profecias verdadeiras as quais estão na Escritura Sagrada. O Espírito Santo em nosso coração nos impulsiona a pregarmos o Evangelho onde for necessário. Se, porém, você ainda não recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador e o Espírito Santo em seu coração então você não pode dizer que é um cristão e muito menos um salvo. Você precisa urgentemente entrar num profundo relacionamento com Cristo por meio de uma conversão verdadeira.

Conclusão

              A plenitude do Evangelho só pode ser experimentada por um coração que se submete ao Espírito Santo. Corações que não têm o Espírito Santo mesmo tendo algum grau de fé não somente não desfrutam da alegria e gozo que Ele nos dá, como também não são redimidos para a vida eterna, da qual o Espírito Santo é o selo.



[1] Versão apresentada numa cópia a qual foi feita por um escriba que tentou ajudar na interpretação deste versículo (cf. KISTEMAKER, 2006, vol.2, p.243).

[2] KISTEMAKER, 2006, vol.2, p.245.

[3] MAC DONALD, 2011, vol.2 p.389.

[4] Ibid, p.390.

[5] MACARTHUR, “O Caos Carismático”, 1992, p.231.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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