A Soberana Vontade de Deus – 3ª Mensagem

O Poder Na Igreja de Cristo – Parte I

As Grandezas de Deus

At 2.1-13

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O tema da mensagem de hoje é: As grandezas de Deus. O Cap.2 trata do poder na Igreja de Cristo, e será dividido em quatro mensagens.

Nesta segunda parte do livro de Atos que vai de 2.1 – 8.1a, encontramos a Igreja ainda em Jerusalém, só que agora, capacitada pelo Espírito Santo a realizar a obra que Cristo lhe confiou.

Ao presenciarem o derramamento do Espírito Santo sobre os apóstolos, as pessoas que ali estavam se dividiram em dois grupos: um que ficou atônito e perplexo diante do fato, e outro que descrente zombava dos apóstolos. No v.11 os judeus que presenciaram o fato exclamaram: “Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?”. Daqui tiramos o ponto central da nossa mensagem: As grandezas de Deus.

Precisamos compreender o que essas palavras significam à luz do que aconteceu aqui. Em primeiro lugar vejamos então a relação das grandezas de Deus

1) E a obra do Espírito Santo, v.1-4

Exposição v.1: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes…”. O Pentecostes era uma das festas religiosas dos judeus a qual era celebrada no quinquagésimo dia após a Páscoa (Lv 23.15,16; Dt 16.9-12). Era também chamada de “Festa das Semanas”, “Festa da Colheita” (Êx 23.16), e na ocasião os judeus apresentavam em oferta ao Senhor Deus os primeiros frutos colhidos (Nm 28.26). A partir do ano 70 d.C. com a destruição de Jerusalém pelas hordas de Tito, general romano, os judeus passaram a comemorar essa festa em referência à entrega dos Dez Mandamentos no Sinai. “Estavam todos reunidos no mesmo lugar”, o qual era uma área ampla, pois, no v.2 vemos que era uma casa e todos estavam assentados.

Aplicação v.1: o que se destaca aqui novamente é a obediência dos discípulos. Eles estavam onde deveriam estar e fazendo o que deveriam fazer, a saber, deveriam estar em Jerusalém e juntos. Para você obedecer a Cristo zelando por estar reunido com os irmãos é um fator crucial?

Exposição v.2: “de repente…”, ainda que se tratasse de uma promessa dos tempos do Antigo Testamento (Jl 2.28-30), e reafirmada por Cristo para acontecer naqueles dias, o Espírito Santo veio “de repente” mostrando assim a Sua soberania e liberdade para agir como e quando bem entender que deve agir. Um som vindo do céu “como de um vento impetuoso”, o som não era de um vento forte, mas, como de um vento forte. Trata-se aqui de uma analogia, pois, o Espírito Santo não é um vento, mas, é como um vento que soprou poderosamente naquela manhã, “e encheu toda a casa onde estavam assentados”.

Aplicação v.2:  O Espírito Santo é soberano sobre a Igreja e ela é plenificada pela presença do Espírito Santo quando está reunida para adorar a Deus. Insisto na  pergunta que fiz há pouco: Para você obedecer a Cristo zelando por estar reunido com os irmãos é um fator crucial?

Exposição v.3: “E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles”. Temos outra analogia aqui. Não eram línguas de fogo, mas, como de fogo, ou seja, a aparência e o comportamento dessas “línguas” (algo que parecia uma língua, uma flama) lembravam as flamas de um fogo. Aquelas línguas não eram de fogo porque todas as vezes que caiu fogo do céu foi em decorrência do juízo de Deus contra o pecado como expressão da Sua santidade (Gn 19.23-29; 2Sm 6.6,7; 1Rs 18.38 são algumas das referências). Assim como em Êx 3.2-5 Deus não consumiu nem a sarça e nem Moisés com Seu fogo santo, aqui os discípulos também não foram destruídos, mas, sim, marcados poderosamente com o Espírito Santo.

Aplicação v.3: Um fato importante é que assim como o vento não podemos ver o Espírito Santo, mas, os efeitos maravilhosos de Sua presença podem ser vistos e sentidos. A presença do Espírito Santo no coração do crente arde, aquece e ilumina como o fogo. A ação do Espírito Santo pode ser vista em sua vida? Que provas concretas podem ser dadas da obra Dele em seu coração?

Exposição v.4: as figuras que se assemelhavam a línguas de fogo que pousaram sobre cada um no v.3, eram símbolos do que o Espírito Santo pretendia para os discípulos. As línguas que os discípulos “passaram a falar (…) segundo o Espírito lhes concedia que falassem” foram idiomas daquelas quinze nações diferentes, desde a Pérsia no Oriente até Roma no Ocidente. Essas línguas nada tem a ver com as línguas extáticas de 1Co 14, pois, enquanto essas necessitavam de intérpretes, as línguas aqui em At 2 não necessitavam, pois, cada um ouvia e entendia “na sua própria língua” (v.6).

Aplicação v.4: O derramamento do Espírito Santo promoveu o enchimento dos discípulos com o Seu poder. É fato que milagres, sinais e prodígios eram feitos pelos apóstolos (At 2.43), mas, sem dúvida alguma, o que mais se destaca na vida dos apóstolos é a coragem, a ousadia e a perseverança com que pregaram o Evangelho, e isso porque estavam sob o controle do Espírito Santo. O poder de Cristo na Sua Igreja é para pregação do Evangelho. Observe que aqui no derramamento do Espírito, eles falavam em outras línguas “segundo o Espírito lhes concedia que falassem” mostrando assim, que eles estavam sob o controle do Espírito Santo e de forma consciente se submetiam a Ele; não estavam em êxtase. Todo aquele que está cheio do Espírito Santo está sob o domínio Dele. Em sua vida você tem revelado ser cheio e dominado pelo Espírito Santo?

Vemos também que as grandezas de Deus

2) Estão relacionadas à Palavra de Deus, v.5-13

Exposição v.5: “Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos”, isso nos mostra que esses judeus, na verdade eram descendentes de judeus que nasceram em outro país. Eles não eram convertidos ao Evangelho, e a piedade descrita aqui era em referência ao Judaísmo, ou seja, eles obedeciam a Lei Mosaica fielmente. Os judeus devotos eram descendentes daqueles que foram deportados nos cativeiros assírio e babilônico. Eles alimentavam o desejo terminar seus dias em Jerusalém, e por isso eram “vindos de todas as nações debaixo do céu”, prenunciando assim a proclamação do Evangelho a todas as nações como ordenara o Senhor Jesus. Aplicação v.5: chamo a sua atenção aqui para o real significado de uma vida piedosa. Piedade significa obediência. Esses judeus eram obedientes à Lei Mosaica, mas, nada sabiam sobre Aquele para quem a Lei apontava: Jesus. É possível as pessoas viverem uma vida de piedade que em nada lhes dá algum conhecimento da pessoa de Cristo. Tal piedade é inútil para salvação. Sua piedade está embasada na Pessoa de Jesus? Você O conhece?

Exposição v.6-8: “Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua”. Devemos supor que em algum momento os discípulos saíram daquele recinto onde receberam o Espírito Santo e tiveram contato com a multidão. Algumas versões traduzem por “som” em vez de “voz” e qualquer uma dessas duas está correta e o significado é o mesmo. Os apóstolos começaram a pregar o Evangelho e a multidão que ali estava ficou perplexa, confusa com o que estava presenciando, pois, os apóstolos falavam nas línguas daquelas nações (ao todo quinze). Os apóstolos falavam quando muito o aramaico e o grego. Os judeus piedosos que ficaram perplexos com a cena ouviram os apóstolos falando nas línguas daquelas nações ali presentes. Como poderiam homens tão simples, pescadores (os galileus eram considerados atrasados e incultos) que não tiveram uma educação formal e nem mesmo aprenderam outras línguas estarem falando agora em outras quinze línguas diferentes “as grandezas de Deus”? É por esta razão que “Estavam, pois, atônitos e se admiravam dizendo: Vede! Não são porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?”. Lá na torre de Babel a raça humana sofreu com a confusão das línguas por causa de sua arrogância e prepotência, agora, com o Espírito Santo cumprindo a promessa de Deus, a Igreja mostra ao mundo que o Evangelho de Cristo põe ordem no que um dia foi bagunçado. Na proclamação do Evangelho vidas de todas as nações são alcançadas e agregadas à Família de Deus. Outro ponto que merece nossa consideração aqui é o de que este evento foi único na História. Além disso, o que eles presenciaram aqui foi um milagre Divino que autenticou a mensagem que Pedro trouxe logo em seguida (2.14-36).

Aplicação v.6-8: A obra da pregação da Palavra de Deus deve ser feita somente pelo poder do Espírito Santo. Ainda que Ele possa valer-se da cultura e estudos de uma pessoa, Ele pode levantar quem Ele quiser para proclamar com poder e ousadia o Evangelho. O que vemos aqui foi o que o Senhor Jesus prometeu aos doze apóstolos em Lc 12.11,12: “Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer”. Em quem você confia quando prega o Evangelho a uma pessoa? Sua confiança está no Espírito Santo para tão somente colocar a Palavra de Deus em Sua boca, como também aplica-la ao coração dos homens? Deus lhe deu recursos e certamente Ele os utilizará, mas, não se esqueça de que somente o Espírito Santo pode capacitá-lo plenamente, e abrir o coração dos pecadores ao Evangelho.

Exposição v.9-13: Nestes versos encontramos listadas diversas nacionalidades ali presentes. Do Oriente Médio: Pártia, Média, Elão e Mesopotâmia; da Arábia (da Nabatéia, presumivelmente); da Ásia Menor (via Judeia): Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia e Panfília; da África Egito e Cirene; subindo pelo Mar Mediterrâneo: Ilha de Creta, e chegando ao Ocidente: Roma. Lucas parece agrupar os povos por características linguísticas, pois, seu objetivo é enfatizar que no Pentecostes as boas-novas de Cristo transcendem as barreiras das línguas (cf. KISTEMAKER, 2006, p.116). Todos estes estavam “atônitos e perplexos”, ou seja, espantados, assustados e confusos, pois, como podia acontecer algo tão impressionante assim? Contudo, por mais impressionante que tenha sido tudo isso a mensagem não ficou comprometida, pois, eles ouviram em suas “próprias línguas as grandezas de Deus”. A palavra “grandezas” aqui é um adjetivo e como tal atribui qualidade ao substantivo, que aqui é “Deus”. Assim sendo, a julgar pelo discurso de Pedro a seguir, as grandezas de Deus aqui são as obras que referem-se à vida, morte e ressurreição de Jesus. Mas, há outro fato que merece a nossa atenção aqui, a saber, o resultado. Enquanto uns demonstraram temor e espanto pelas “grandezas de Deus” ali reveladas, “Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados”. A mensagem do Evangelho sempre será um divisor de águas: tanto atrairá os pecadores arrependidos como repelirá os arrogantes e zombeteiros para que sofram as consequências de suas ações pecaminosas.

Aplicação v.9-13: Quando você prega o Evangelho se deixa abater pela zombaria dos arrogantes, ou permanecesse firme e confiante no poder do Espírito Santo? Não se intimide com os opositores. Confie no poder do Espírito Santo que Ele concedeu à Sua Igreja.

 

O que Deus quer que você faça?

O Espírito Santo capacita a Igreja para pregar a Palavra de Deus.

1) A pregação da Palavra é obra que você deve realizar confiado somente no Espírito Santo. Quer seja pessoalmente ou apoiando outros na obra missionária, é de suma importância que você confie no Espírito Santo e O obedeça em todas as situações.

2) Pregue o Evangelho, pois, a fé vem pelo ouvir. O método de Deus trazer pecadores à vida em Cristo é a pregação da Sua Palavra e para manejar bem a “espada do Espírito” você precisa do Espírito Santo!

 

Conclusão

A Igreja de Cristo recebeu o poder Dele para anunciar as grandezas de Deus. Qualquer outra mensagem que ela pregar será traição à causa do Evangelho.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 01/12/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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