A Soberana Vontade de Deus – 40ª Mensagem

A Terceira Viagem Missionária

At 18.23 – 21.16

O Ministério da Pregação do Evangelho

Parte I

At 19.21-41

 

                   A Palavra de Deus crescia de forma impressionante em Éfeso (cf. 19.20). Nada pode deter o avanço do Evangelho quando Deus quer Se fazer conhecido em um lugar. Com isso em mente e no seu coração, Paulo prosseguia com O Ministério da Pregação do Evangelho. Este é o tema da nossa mensagem hoje.

              O ministério da pregação do Evangelho é realizado não só por aqueles que foram separados por Deus para esse fim específico, como os pastores, missionários e evangelistas. É um ministério de toda a Igreja de Cristo. Fazer o Nome de Cristo conhecido e engrandecido entre as nações é dever principal da Igreja, uma ordem da qual não podemos nos dar ao luxo de não cumprir. Por isso ao olharmos para a vida do apóstolo Paulo neste trecho, relembramos temas e verdades que já vimos e nos são familiares em Atos, mas, que precisamos recordar.

              O ministério da pregação do Evangelho consiste em termos:

1)     Objetivos, v.21,22

 

Exposição v.21,22:21 Cumpridas estas coisas, Paulo resolveu, no seu espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e Acaia, considerando: Depois de haver estado ali, importa-me ver também Roma.  22 Tendo enviado à Macedônia dois daqueles que lhe ministravam, Timóteo e Erasto, permaneceu algum tempo na Ásia”.

              A igreja em Éfeso estava firme e estabelecida. Os mais de dois anos ali trabalhando resultaram numa igreja que se tornou a base da obra missionária na região. Sempre obediente à voz do Espírito Santo em seu coração, Paulo entendera que estava na hora de partir, deixando a Igreja de Éfeso nas mãos dos líderes por ele designados.

              Ele “resolveu, no seu espírito”, ou seja, em obediência ao Espírito Santo ele estava resoluto a seguir primeiramente em direção a Jerusalém, tendo como rota Macedônia e Acaia, e embora o texto não nos diga isso, mas, com certeza ele tinha alguns objetivos em sua passagem pela Macedônia e Acaia[1]:

ü queria encontrar-se com os irmãos e ali fortalecer-lhes como sempre fizera em suas viagens,

ü levantar ofertas nessas igrejas para os irmãos necessitados em Jerusalém (cf. Rm 15.26,27; 1Co 16.1-3; 2Co 16.1-3; 8.1-9);

ü e participar das celebrações do Pentecoste em Jerusalém (At 20.16).

              Mas, seu objetivo estava mais além. Ele pensava em Roma. Alcançar Roma com o Evangelho de Cristo era algo estratégico. Roma era a capital do império para onde as pessoas do mundo inteiro iam, e sendo convertidas, levariam para suas nações.

              No v.22 vemos que Paulo enquanto permanecera em Éfeso, mandou para Macedônia dois de seus companheiros: Timóteo e Erasto. Anos depois Timóteo se tornou pastor da Igreja de Éfeso. Nesse período também, Paulo escreveu 1Coríntios.

              Voltando a questão dos objetivos que os servos de Deus devem ter, com certeza, o grande objetivo na vida de Paulo em todos os planos e estratégias que traçara estava a proclamação do Nome de Cristo e o Seu engrandecimento especialmente onde Ele ainda não havia sido pregado conforme Paulo mesmo nos declara em Rm 15.20: “esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio”.

Aplicação v.21,22: A vida de um servo de Deus tem de ter como principal objetivo a glória do Nome de Deus. Seus planos pessoais têm revelado esse objetivo? Seu coração tem buscado que Deus seja visto e reconhecido como a pessoa mais importante em Sua vida? Agradá-Lo e honra-Lo diante do mundo tem sido o objetivo do seu coração? Qualquer objetivo diferente deste não somente é inferior, como também ilusório.

 

              Mas, o ministério da pregação do Evangelho consiste em termos também:

2)     Oposição, v.23-29

 

Exposição v.23-29:23 Por esse tempo, houve grande alvoroço acerca do Caminho.  24 Pois um ourives, chamado Demétrio, que fazia, de prata, nichos de Diana e que dava muito lucro aos artífices,  25 convocando-os juntamente com outros da mesma profissão, disse-lhes: Senhores, sabeis que deste ofício vem a nossa prosperidade  26 e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas.  27 Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram.  28 Ouvindo isto, encheram-se de furor e clamavam: Grande é a Diana dos efésios!  29 Foi a cidade tomada de confusão, e todos, à uma, arremeteram para o teatro, arrebatando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo”.

              Duas palavras chamam a nossa atenção nestes versículos: “Caminho” (v.23) e “desencaminhando” (v.26). A primeira diz respeito ao Evangelho de Cristo anunciado por Paulo, o qual trouxe a salvação àqueles que creram, e, por conseguinte, deixaram sua religião falsa, o que aos olhos de Demétrio, o ourives, que fazia miniaturas do templo da deusa Diana dos efésios (a mesma deusa da fertilidade Ártemis, retratada com vários seios)[2] era um desencaminhamento.

              Demétrio vendo que o Evangelho estava ameaçando não só sua profissão e subsistência (e também de seus companheiros de profissão), mas, também o culto à Diana, opôs-se a Paulo e seus companheiros de ministério.

              Digna de nota é a afirmação que Demétrio fez: “e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, afirmando não serem deuses os que são feitos por mãos humanas” (v.26). Aqui ele não intencionalmente afirmou o poderoso avanço do Evangelho em quase toda Ásia, bem como a cegueira da idolatria que impede os idólatras de verem quão absurdos são os ídolos criados pelas mãos dos homens.

              Comentando o v.27, William MacDonald diz[3]:

    Demétrio revelou sua verdadeira motivação ao afirmar que a profissão dos artífices estava em perigo, mas tentou dar um tom de religiosidade ao seu discurso fingindo grande reverência por Diana e seu templo.

              Num primeiro momento, Demétrio agregou seus companheiros de profissão, mas, não tardou para que “Ouvindo isto, encheram-se de furor e clamavam: Grande é a Diana dos efésios!  29 Foi a cidade tomada de confusão, e todos, à uma, arremeteram para o teatro, arrebatando os macedônios Gaio e Aristarco, companheiros de Paulo” (v.28,29).

              Precisamos saber que quando nos dispormos a pregar o Evangelho haveremos de sofrer oposição especialmente daqueles que de alguma forma serão prejudicados financeiramente. Quantas igrejas foram atacadas porque influenciaram as pessoas ao seu redor e estas abandonaram os bares, os salões de jogos, os cabarés. Quantos crentes deram “prejuízo” aos seus patrões por terem recusado fazerem algum negócio ilícito. Quantos de nós já perdemos amigos que quando souberam da nossa conversão se afastaram de nós.

              É um equívoco pensarmos que os nossos dias são mais difíceis do que os do passado. Cada época apresenta a sua dificuldade. Em nossos dias quando se fala tanto de tolerância nos vemos “não tolerados” quando abrimos a boca e falamos a verdade do Evangelho.

              Paulo e seus companheiros sofreram forte oposição de Demétrio, dos ourives, bem como de toda a cidade que caiu em alvoroço e confusão. Eles correram até mesmo risco de morte diante da situação. Eles foram acusados não só de darem prejuízo financeiro, mas, também de atacarem a religião vigente. Os opositores não queriam conversa. Queriam silenciá-los, pois, como nos mostra o v.29, eles arrebataram a Gaio e a Aristarco, ou seja, agarraram-nos com violência. Estamos numa sociedade que fala de tolerância, mas, que ao ver a impossibilidade de calar-nos agirá até mesmo com violência contra nós.

Aplicação v.23-29: Você está disposto a enfrentar oposição por causa de Cristo? Está disposto a ser rechaçado, atacado e humilhado pelas pessoas por amor a Cristo? Nenhum outro amigo ou relacionamento deverá ser mais importante para você do que Cristo. Nenhuma outra mensagem deverá ser mais urgente a ser anunciada por você do que o Evangelho. Mas, saiba que ao fazer isso você enfrentará séria oposição. O chamado de Cristo para nós é para nos opormos ao mundo. Isso pode nos custar muito caro!

              Por fim, o ministério da pregação do Evangelho consiste em termos:

3)     Ousadia, v.30-41

Exposição v.30-41:30 Querendo este apresentar-se ao povo, não lhe permitiram os discípulos.  31 Também asiarcas, que eram amigos de Paulo, mandaram rogar-lhe que não se arriscasse indo ao teatro.  32 Uns, pois, gritavam de uma forma; outros, de outra; porque a assembleia caíra em confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que motivo estavam reunidos.  33 Então, tiraram Alexandre dentre a multidão, impelindo-o os judeus para a frente. Este, acenando com a mão, queria falar ao povo.  34 Quando, porém, reconheceram que ele era judeu, todos, a uma voz, gritaram por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!  35 O escrivão da cidade, tendo apaziguado o povo, disse: Senhores, efésios: quem, porventura, não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter?  36 Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos mantenhais calmos e nada façais precipitadamente;  37 porque estes homens que aqui trouxestes não são sacrílegos, nem blasfemam contra a nossa deusa.  38 Portanto, se Demétrio e os artífices que o acompanham têm alguma queixa contra alguém, há audiências e procônsules; que se acusem uns aos outros.  39 Mas, se alguma outra coisa pleiteais, será decidida em assembleia regular.  40 Porque também corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo motivo algum que possamos alegar para justificar este ajuntamento.  41 E, havendo dito isto, dissolveu a assembleia”.

              O tumulto que começara com um grupo de ourives, agora envolvia grande multidão. No entanto, é digno de nota que Paulo se dispôs a apresentar-se ao povo, indo até ao teatro onde a multidão estava reunida. Porém, os discípulos e os asiarcas (autoridades da Ásia) que eram amigos de Paulo rogaram-lhe que não se arriscasse indo até lá.

              A descrição que Lucas faz da multidão ali em assembleia nos dá um quadro de extrema desordem: “Uns, pois, gritavam de uma forma; outros, de outra; porque a assembleia caíra em confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que motivo estavam reunidos” (v.32), típica cena de um comportamento em massa onde um estimula o outro a um comportamento irracional.

              Dois fatos aqui ressaltam ainda mais a ousadia de Paulo:

ü Ele estava disposto a comparecer diante de uma massa embrutecida e irracional;

ü A comunidade judaica que ali estava quis distinguir-se de Paulo e seus companheiros temendo sofrer alguma retaliação da turba ensandecida.

              Alexandre, um judeu, foi impelido pelos demais judeus ali a ir à frente e falar em nome deles. Mas, não conseguiu, pois, a massa barulhenta gritava ainda mais forte: “Grande é a Diana dos efésios!” (v.34). Dessa forma ele nada pôde dizer.

              No meio daquela multidão ensandecida havia um homem sensato: o escrivão. Em Éfeso, a figura do escrivão era uma autoridade importante, o que nem sempre ocorria em outras localidades, não passando o escrivão de um mero auxiliar administrativo[4]. Por isso, este foi acatado pela multidão quando apresentou os seguintes argumentos:

ü O culto a Diana e a honra de Éfeso estavam preservados (v.35). Cria-se que pelo fato de um meteorito (ao qual eles julgavam ser uma manifestação da deusa) ter caído em Éfeso, esta era a “guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter”, isto é, do céu.

ü Não havia nenhuma acusação formal contra Paulo e seus companheiros de serem eles sacrílegos por terem falado mal da deusa Diana (v.36,37). Por este motivo, era melhor a multidão manter a calma, e não agir precipitadamente.

ü Eles deveriam formalizar alguma acusação perante as autoridades competentes (v.38-40), para que tudo fosse decidido legalmente, e eles próprios não fossem acusados de perturbação da ordem, o que lhes traria sérios problemas com Roma.

              Mediante essas palavras do escrivão da cidade, “dissolveu a assembleia” (v.41), ou seja, a turba.

              Diante de toda essa situação, nem Paulo e nem seus companheiros se acovardaram, como fizeram aqueles judeus, pelo contrário, mantiveram-se firmes diante da multidão.

              Como sempre temos visto no livro de Atos, o principal pedido que os apóstolos faziam a Deus era por ousadia e intrepidez ao pregarem o Evangelho. Eles não pediam que os inimigos fossem afastados, não pediam para que fossem poupados de sofrimentos ou por melhores condições para executarem a Obra do Senhor. Eles estavam cientes de que para fazerem a Obra do Senhor deveriam enfrentar situações insalubres, inimigos vorazes e sem escrúpulos. Sabiam que diante disso tudo eles precisariam de coragem, ousadia, intrepidez.

Aplicação v.30-41: Você tem pedido ousadia e coragem a Deus para pregar o Evangelho? Quem tem ousadia e coragem para pregar o Evangelho não fica esperando por ocasiões propícias, mas, cria situações propícias e aproveita até as que não são propícias para a pregação. É disso que Paulo estava falando quando disse a Timóteo:prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.2).

Conclusão

              Nosso objetivo: a glória de Deus e Seu Nome ser conhecido em todo lugar (At 19.17).

              Nossa oposição: não somente esperamos o mundo se opor a nós, mas, nós nos opomos ao mundo, pois, “as portas do inferno não prevalecerão” contra nós (Mt 16.18).

              Nossa ousadia: é resultado da ação do Espírito Santo em nosso coração enchendo-nos do Seu poder e virtude (Mt 10.19).



[1] Cf. KISTEMAKER, 2006, vol.2, p.265.

[2] Cf. MACDONALD, 2011, vol.2, p.391.

[3] MACDONALD, 2011, vol.2, p.391.

[4] Cf. MARSHALL, 2005, p.299.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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