A Soberana Vontade de Deus – 45ª Mensagem

O Retorno a Jerusalém e à Cesareia

At 21.17 – 26.32

A Presença de Jesus em Nosso Sofrimento

At 22.22 – 23.35

               Tão certo quanto as tribulações e sofrimentos que haveremos de passar nesta vida é a presença de Cristo conosco em meio a cada luta, enxugando nossas lágrimas, aliviando o nosso sofrimento e fazendo-nos superar cada um deles. É justamente isso que vemos neste trecho do livro de Atos: A presença de Jesus em nosso sofrimento.

               As seguintes verdades sobre a presença de Cristo em nosso sofrimento são encontradas aqui:

1)     Faz-nos agir com temor pelas coisas de Deus, 22.22 – 23.10

 

Exposição 22.22 – 23.10: “Acts 22 22 Ouviram-no até essa palavra e, então, gritaram, dizendo: Tira tal homem da terra, porque não convém que ele viva!  23 Ora, estando eles gritando, arrojando de si as suas capas, atirando poeira para os ares,  24 ordenou o comandante que Paulo fosse recolhido à fortaleza e que, sob açoite, fosse interrogado para saber por que motivo assim clamavam contra ele.  25 Quando o estavam amarrando com correias, disse Paulo ao centurião presente: Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?  26 Ouvindo isto, o centurião procurou o comandante e lhe disse: Que estás para fazer? Porque este homem é cidadão romano.  27 Vindo o comandante, perguntou a Paulo: Dize-me: és tu romano? Ele disse: Sou.  28 Respondeu-lhe o comandante: A mim me custou grande soma de dinheiro este título de cidadão. Disse Paulo: Pois eu o tenho por direito de nascimento.  29 Imediatamente, se afastaram os que estavam para o inquirir com açoites. O próprio comandante sentiu-se receoso quando soube que Paulo era romano, porque o mandara amarrar.  30 No dia seguinte, querendo certificar-se dos motivos por que vinha ele sendo acusado pelos judeus, soltou-o, e ordenou que se reunissem os principais sacerdotes e todo o Sinédrio, e, mandando trazer Paulo, apresentou-o perante eles. At 23 1 Fitando Paulo os olhos no Sinédrio, disse: Varões, irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje.  2 Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam perto dele que lhe batessem na boca.  3 Então, lhe disse Paulo: Deus há de ferir-te, parede branqueada! Tu estás aí sentado para julgar-me segundo a lei e, contra a lei, mandas agredir-me?  4 Os que estavam a seu lado disseram: Estás injuriando o sumo sacerdote de Deus?  5 Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote; porque está escrito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo.  6 Sabendo Paulo que uma parte do Sinédrio se compunha de saduceus e outra, de fariseus, exclamou: Varões, irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus! No tocante à esperança e à ressurreição dos mortos sou julgado!  7 Ditas estas palavras, levantou-se grande dissensão entre fariseus e saduceus, e a multidão se dividiu.  8 Pois os saduceus declaram não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito; ao passo que os fariseus admitem todas essas coisas.  9 Houve, pois, grande vozearia. E, levantando-se alguns escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Não achamos neste homem mal algum; e será que algum espírito ou anjo lhe tenha falado?  10 Tomando vulto a celeuma, temendo o comandante que fosse Paulo espedaçado por eles, mandou descer a guarda para que o retirassem dali e o levassem para a fortaleza.

               Enquanto Paulo fazia em sua defesa um relato empolgante de sua conversão a Cristo, foi abruptamente interrompido pela multidão ensandecida atirando suas capas e poeira para cima gritando: “Tira tal homem da terra, porque não convém que ele viva!” (v.22,23). O comandante Cláudio Lísias mandou que Paulo fosse preso na fortaleza, açoitado e interrogado sobre o motivo do tumulto. Quando estavam amarrando-o para açoitá-lo, Paulo perguntou ao centurião se era lícito açoitar um cidadão romano sem tê-lo interrogado e devidamente julgado. Foi quando a notícia chegou ao conhecimento do comandante por meio do centurião, e o comandante Cláudio Lísias ficou perplexo com o fato, pois, enquanto ele havia adquirido a cidadania romana por muito dinheiro, Paulo a tinha por direito de nascimento (v.25-28). Dessa forma Paulo escapou de ser açoitado, mas, mesmo assim foi detido e preso, mas, no dia seguinte foi solto para comparecer ao inquérito na presença dos principais sacerdotes e de todo o Sinédrio (v.29,30).

               Diante do Sinédrio, Paulo começou a falar em sua defesa, alegando consciência limpa diante de todas aquelas acusações (23.1). O sumo sacerdote Ananias ordenou aos que estavam próximos de Paulo que lhe batessem em sua boca, ao que Paulo esconjurou o sumo sacerdote dizendo: “Deus há de ferir-te, parede branqueada! Tu estás aí sentado para julgar-me segundo a lei e, contra a lei, mandas agredir-me?” (v.3). Conforme a História, Ananias morreu alguns anos depois nas mãos de assassinos. Ao chama-lo de “parede branqueada” com certeza Paulo tinha em mente a acusação do Senhor Jesus contra os fariseus chamando-os de “sepulcros caiados” (Mt 23.27,28). Neste momento, Paulo foi repreendido por ter injuriado o sumo sacerdote, mas, Paulo disse isso por não ter reconhecido que fora o sumo sacerdote que dera a ordem. Imediatamente Paulo após ser repreendido Paulo se retratou mostrando seu temor em descumprir a Palavra de Deus, por isso citou as palavras de Ex 22.28: “Não falarás mal de uma autoridade do teu povo.

               Diante dessa situação difícil Paulo não usou de mentiras, e, quando lhe faltou domínio próprio por injuriar o sumo sacerdote, ele se retratou porque temia desobedecer a Palavra de Deus. A presença de Cristo em seu coração fazia com que ele evitasse descumprir a Palavra de Deus, e, quando por algum motivo quebrasse algum mandamento do Senhor ele prontamente se retratava.

Aplicação 22.22 – 23.10: É a presença de Cristo no coração dos Seus filhos que os impede de pecarem contra Deus. Ter uma consciência limpa diante de Deus depende da nossa submissão à presença santa de Cristo em nosso coração. Isto é constatado em sua vida?

               A presença de Cristo em meio aos nossos sofrimentos também:

2)    Encoraja-nos para não perdermos nosso objetivo, 23.11

 

Exposição 23.11:11 Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma”.

               Que consolo maravilhoso é a presença de Cristo em nossa vida! Naquela noite tumultuada e tensa, diante da fúria dos fariseus e saduceus que queriam despedaçar Paulo, cada grupo por seus motivos, eis que o Senhor Jesus veio, e, “pondo-se ao lado dele, disse: Coragem!”. Paulo tinha de ter coragem, pois, não somente deveria passar por todo aquele tumultuo, mas, deveria chegar a Roma, onde haveria de testemunhar de Cristo.

               Mas, observe o que Cristo lhe disse: “Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma”. Nessas palavras de Cristo, Paulo teve:

ü A garantia de que sairia daquela situação;

ü Mas, também voltaria a passar por tudo isso, pois, do mesmo modo e razão que dera testemunho em Jerusalém haveria de fazê-lo em Roma.

               Diante disso aprendemos que:

ü O mesmo sofrimento ou luta podem se repetir em nossa vida; quando recebemos um livramento de Deus numa situação, não temos garantia alguma de que a mesma situação não se repetirá.

ü Se tivermos de passar por um sofrimento ou luta, teremos nada menos do que a presença gloriosa de Cristo em nossa vida ajudando-nos a cumprir o objetivo que Ele tem para nós.

ü Não existe objetivo mais importante para nós do que cumprir o que Cristo determinou para nós.

Aplicação 23.11: Quando você estiver passando por uma situação de sofrimento por causa de suas convicções por Cristo, tenha coragem! Não recue diante de ameaças, não ceda diante das investidas dos adversários, não esmoreça diante da luta. Coragem! Cristo está com aqueles que O honram, que O têm como seu maior tesouro.

               A presença de Cristo em meio aos nossos sofrimentos

 

3)     Desfaz as ciladas dos inimigos, 23.12-16

Exposição 23.12-16:12 Quando amanheceu, os judeus se reuniram e, sob anátema, juraram que não haviam de comer, nem beber, enquanto não matassem Paulo.  13 Eram mais de quarenta os que entraram nesta conspirata.  14 Estes, indo ter com os principais sacerdotes e os anciãos, disseram: Juramos, sob pena de anátema, não comer coisa alguma, enquanto não matarmos Paulo.  15 Agora, pois, notificai ao comandante, juntamente com o Sinédrio, que vo-lo apresente como se estivésseis para investigar mais acuradamente a sua causa; e nós, antes que ele chegue, estaremos prontos para assassiná-lo.  16 Mas o filho da irmã de Paulo, tendo ouvido a trama, foi, entrou na fortaleza e de tudo avisou a Paulo”.

                   Enquanto os filhos de Deus são revestidos de coragem, os filhos das trevas são tomados pela covardia. Por esta razão, um grupo de “mais de quarenta”, conspiraram para matar Paulo. Numa atitude chantagista disseram que não comeriam e nem beberiam correndo o risco de serem tidos como malditos caso quebrassem esse jejum antes de matarem Paulo.

               Como Paulo estava sob a tutela dos romanos, precisariam tirá-lo deles. Para isso pediram aos principais sacerdotes e aos anciãos que notificassem ao comandante que o Sinédrio haveria de julgar o caso, e, para tanto, Paulo deveria ser trazido perante eles. Quando estivessem trazendo Paulo, eles avançariam para cima dele e o assassinariam. Mas, o fato chegou ao conhecimento do sobrinho de Paulo, que, imediatamente deu um jeito de avisa-lo, e, dessa forma Paulo escapou da cilada.

               O Senhor Jesus tinha o desígnio de levar Paulo à Roma para lá ele anunciar o Evangelho. Não seria uma conspiração dos judeus que impediria os propósitos de Cristo, e por isso mesmo, Cristo desfez a cilada.

               Precisamos ter essa verdade bem definida em nosso coração. Se alguém tramar contra nós, o Senhor Jesus nos livrará para que o Seu propósito se cumpra em nossa vida. Quando Cristo não nos livra de alguma armadilha posta por nossos inimigos, com certeza Ele quer nos ensinar alguma coisa com essa situação. Temos de estar preparados tanto para sermos libertos dessas ciladas para cumprirmos o que Cristo determinou para nós, quanto para passarmos por essas situações sabendo que através delas Cristo estará trabalhando ainda mais nosso coração.

Aplicação 23.12-16: Diante de uma cilada, uma investida do inimigo, Cristo haverá de livrá-lo, caso Ele tenha outro propósito a se realizar em sua vida. Mas, se Ele não livrá-lo, saiba que Ele está usando tal situação para lapidar ainda mais seu coração. Tão somente confie Nele.

               Por fim, a presença de Cristo em meio aos nossos sofrimentos

4)    Move outras pessoas para ajudar-nos, 23.17-35

Exposição 23.17-35:17 Então, este, chamando um dos centuriões, disse: Leva este rapaz ao comandante, porque tem alguma coisa a comunicar-lhe.  18 Tomando-o, pois, levou-o ao comandante, dizendo: O preso Paulo, chamando-me, pediu-me que trouxesse à tua presença este rapaz, pois tem algo que dizer-te.  19 Tomou-o pela mão o comandante e, pondo-se à parte, perguntou-lhe: Que tens a comunicar-me?  20 Respondeu ele: Os judeus decidiram rogar-te que, amanhã, apresentes Paulo ao Sinédrio, como se houvesse de inquirir mais acuradamente a seu respeito.  21 Tu, pois, não te deixes persuadir, porque mais de quarenta entre eles estão pactuados entre si, sob anátema, de não comer, nem beber, enquanto não o matarem; e, agora, estão prontos, esperando a tua promessa.  22 Então, o comandante despediu o rapaz, recomendando-lhe que a ninguém dissesse ter-lhe trazido estas informações.  23 Chamando dois centuriões, ordenou: Tende de prontidão, desde a hora terceira da noite, duzentos soldados, setenta de cavalaria e duzentos lanceiros para irem até Cesareia;  24 preparai também animais para fazer Paulo montar e ir com segurança ao governador Félix.  25 E o comandante escreveu uma carta nestes termos:  26 Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix, saúde.  27 Este homem foi preso pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles, quando eu, sobrevindo com a guarda, o livrei, por saber que ele era romano.  28 Querendo certificar-me do motivo por que o acusavam, fi-lo descer ao Sinédrio deles;  29 verifiquei ser ele acusado de coisas referentes à lei que os rege, nada, porém, que justificasse morte ou mesmo prisão.  30 Sendo eu informado de que ia haver uma cilada contra o homem, tratei de enviá-lo a ti, sem demora, intimando também os acusadores a irem dizer, na tua presença, o que há contra ele. Saúde.  31 Os soldados, pois, conforme lhes foi ordenado, tomaram Paulo e, durante a noite, o conduziram até Antipátride;  32 no dia seguinte, voltaram para a fortaleza, tendo deixado aos de cavalaria o irem com ele;  33 os quais, chegando a Cesareia, entregaram a carta ao governador e também lhe apresentaram Paulo.  34 Lida a carta, perguntou o governador de que província ele era; e, quando soube que era da Cilícia,  35 disse: Ouvir-te-ei quando chegarem os teus acusadores. E mandou que ele fosse detido no pretório de Herodes”.

               O Senhor Jesus levantou aqui várias pessoas para ajudarem a Paulo: seu sobrinho, os centuriões que levaram seu sobrinho ao comandante, o próprio comandante, os duzentos soldados, os setenta soldados de cavalaria, os duzentos lanceiros (ao todo 470 soldados) e o governador Félix. Cada um, da forma como Deus quis ajudou a Paulo.

               Seu sobrinho delatou a trama para o comandante Cláudio Lísias alertando-o a que não se deixasse manipular pelos judeus; o comandante providenciou uma escolta fortemente armada de 470 soldados para conduzirem Paulo ao governador Félix, acompanhado de uma carta apresentando a situação e o próprio Paulo ao governador.

               Veremos posteriormente que o governador Félix não ajudou a Paulo, mas, como somos informados em 24.27, Paulo ficou ali em Cesareia preso por mais de dois anos por que Felix queria que ele lhe desse dinheiro.

               Antipátride era uma cidade que ficava entre Jerusalém e Cesareia. Herodes, o Grande, deu-lhe esse nome em homenagem ao seu pai, Antipater. Ela era um posto militar, e ao que nos informa o texto, quando chegaram ali, somente os 70 soldados de cavalaria seguiram com Paulo até Cesareia.

               Quando Félix tomou a carta e a leu, decidiu instaurar o tribunal posteriormente quando viessem os acusadores de Paulo, detendo-o até então no pretório (palácio) de Herodes.

               Quando estamos passando por sofrimentos e dificuldades por amor a Cristo, Ele sempre nos prepara irmãos e amigos, e às vezes até pessoas que não têm sentimento algum por nós, para nos ajudar. Mas, é fato que Ele sempre cuida dos Seus.

Aplicação 23.17-35: Nunca você estará sozinho numa luta em nome do Senhor Jesus. Sempre haverá outros servos Dele ao seu lado, e até mesmo aqueles que não nutrem nenhum afeto por você estarão lhe servindo você porque Deus assim o quis.

Conclusão

               A palavra de ordem para o crente é: “Coragem!”. Somente quem tem a presença gloriosa de Cristo em sua vida terá coragem para enfrentar as adversidades! 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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