A Soberana Vontade de Deus – 47ª Mensagem

 

O Retorno a Jerusalém e à Cesareia

At 21.17 – 26.32

Defendendo-nos Com o Evangelho – Parte II

At 25 e 26

 

               Continuando o tema da mensagem anterior, Defendendo-nos com o Evangelho, hoje veremos os capítulos 25 e 26 os quais apresentam a defesa que Paulo fez de si mesmo perante Festo, Agripa e Berenice. Pelo fato do texto ser longo, nos deteremos mais no capítulo 26, e quanto ao capítulo 25 veremos que ele nos dá o “pano de fundo” para compreendermos os fatos aqui.

 

Exposição 25.1-27: “Tendo, pois, Festo assumido o governo da província, três dias depois, subiu de Cesareia para Jerusalém;  2 e, logo, os principais sacerdotes e os maiorais dos judeus lhe apresentaram queixa contra Paulo e lhe solicitavam,  3 pedindo como favor, em detrimento de Paulo, que o mandasse vir a Jerusalém, armando eles cilada para o matarem na estrada.  4 Festo, porém, respondeu achar-se Paulo detido em Cesareia; e que ele mesmo, muito em breve, partiria para lá.  5 Portanto, disse ele, os que dentre vós estiverem habilitados que desçam comigo; e, havendo contra este homem qualquer crime, acusem-no.  6 E, não se demorando entre eles mais de oito ou dez dias, desceu para Cesaréia; e, no dia seguinte, assentando-se no tribunal, ordenou que Paulo fosse trazido.  7 Comparecendo este, rodearam-no os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo muitas e graves acusações contra ele, as quais, entretanto, não podiam provar.  8 Paulo, porém, defendendo-se, proferiu as seguintes palavras: Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César.  9 Então, Festo, querendo assegurar o apoio dos judeus, respondeu a Paulo: Queres tu subir a Jerusalém e ser ali julgado por mim a respeito destas coisas?  10 Disse-lhe Paulo: Estou perante o tribunal de César, onde convém seja eu julgado; nenhum agravo pratiquei contra os judeus, como tu muito bem sabes.  11 Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César.  12 Então, Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Para César apelaste, para César irás.  13 Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia a fim de saudar a Festo.  14 Como se demorassem ali alguns dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: Félix deixou aqui preso certo homem,  15 a respeito de quem os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram queixa, estando eu em Jerusalém, pedindo que o condenasse.  16 A eles respondi que não é costume dos romanos condenar quem quer que seja, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da acusação.  17 De sorte que, chegando eles aqui juntos, sem nenhuma demora, no dia seguinte, assentando-me no tribunal, determinei fosse trazido o homem;  18 e, levantando-se os acusadores, nenhum delito referiram dos crimes de que eu suspeitava.  19 Traziam contra ele algumas questões referentes à sua própria religião e particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo.  20 Estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém para ser ali julgado a respeito disso.  21 Mas, havendo Paulo apelado para que ficasse em custódia para o julgamento de César, ordenei que o acusado continuasse detido até que eu o enviasse a César.  22 Então, Agripa disse a Festo: Eu também gostaria de ouvir este homem. Amanhã, respondeu ele, o ouvirás.  23 De fato, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com grande pompa, tendo eles entrado na audiência juntamente com oficiais superiores e homens eminentes da cidade, Paulo foi trazido por ordem de Festo.  24 Então, disse Festo: Rei Agripa e todos vós que estais presentes conosco, vedes este homem, por causa de quem toda a multidão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais.  25 Porém eu achei que ele nada praticara passível de morte; entretanto, tendo ele apelado para o imperador, resolvi mandá-lo ao imperador.  26 Contudo, a respeito dele, nada tenho de positivo que escreva ao soberano; por isso, eu o trouxe à vossa presença e, mormente, à tua, ó rei Agripa, para que, feita a arguição, tenha eu alguma coisa que escrever;  27 porque não me parece razoável remeter um preso sem mencionar, ao mesmo tempo, as acusações que militam contra ele”.

               Mais de dois anos se passaram, e Paulo continuava preso em Cesareia aguardando o julgamento. Deus acalentou o coração de Seu servo com a presença de irmãos que o visitavam constantemente e pelo tratamento indulgente que Félix ordenou que lhe fosse dado (24.23).

               Pórcio Festo [OAP1] sucedeu Félix no governo da Judeia. Num de seus primeiros atos como governante foi subir à Jerusalém, onde ele foi cercado pelos principais dos judeus que queriam por todas as formas que ele trouxesse a Paulo para Jerusalém para ser julgado por eles. Na verdade, isso tratava-se de uma cilada para matar Paulo (v.1-3). Também lhes disse que voltaria para Cesareia e quem deles quisesse descer com ele para fazer acusação formal contra Paulo que assim o fizesse (v.4,5).

               Uns dez [OAP2] dias depois ele desceu para Cesareia e mandou chamar Paulo à sua presença no tribunal. Alguns judeus que haviam descido com ele também estavam lá, trazendo “graves acusações” contra Paulo (v.6-7), diante do que Paulo se defendeu alegando não ter cometido nenhum pecado crime “contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César” (v.8). Pórcio Festo, apesar de ser ardiloso político à semelhança de seu antecessor Félix, “querendo assegurar o apoio dos judeus” (v.9), também mostrava-se um líder titubeante e inseguro. Estando em Jerusalém recusou-se a dar ouvidos aos líderes judeus; agora, em Cesareia, percebendo que poderia perder o apoio dos judeus, caso não lhes entregasse Paulo, propôs ao apóstolo retornar para Jerusalém para ser julgado, diante do que Paulo afirmou querer que o seu caso continuasse em Cesareia onde o tribunal de César estava representado. E, além disso, alegou sua inocência diante daquelas acusações fraudulentas, e confrontou Pórcio Festo no seu desejo escuso de entrega-lo aos judeus só para “lhes ser agradável” (v.11). Diante de tais palavras Pórcio Festo dá um parecer: “Para César apelaste, para César irás” (v.12).

               O restante desse capítulo nos mostra a visita dos irmãos [OAP3] Agripa (Herodes Agripa II) e Berenice. Eles também eram irmãos de Drusila, esposa de Félix. Diante do governador Agripa, Pórcio Festo demonstrou sua insegurança e incompetência como juiz. Depois de alguns dias da visita do governador Agripa, Pórcio Festo expôs-lhe o problema[OAP4] , que segundo ele era “herança” do governo de Félix (v.14). Essa atitude de colocar a culpa no governo anterior é antiga!

               Contou-lhe também de sua decepção com o caso, pois, quando os judeus compareceram perante o seu tribunal, ao acusarem Paulo, Pórcio Festo constatou que Paulo não era nenhum criminoso como parecia ser à luz das acusações dos judeus que não passavam de questões envolvendo a religião deles, e diante de tudo isso ele ficou perplexo com a insignificância do caso (v.15-20). Mas, por Paulo ter apelado para César, Pórcio Festo o mantinha detido até que fosse encaminhado ao imperador (v.21). A situação toda despertou a curiosidade de Agripa que demonstrou desejo de ouvir Paulo.

               No dia seguinte, estando todos ali reunidos, Pórcio Festo ordenou que Paulo fosse trazido. A forma como ele apresentou Paulo a Agripa, mostra o a insignificância que ele dava ao caso (v.24-25). Contudo, Pórcio Festo alimentava a esperança de que na audiência com Agripa, ele pudesse coletar alguma informação para ter o que escrever ao imperador sobre Paulo (v.26).

               Uma autoridade frouxa e indecisa e acusadores fraudulentos sem qualquer senso de verdade; a situação de Paulo, aos olhos humanos era a pior possível. Contudo, em momento algum ele se desesperou, pois, sabia que tudo aquilo fazia parte dos planos de Deus para sua vida[OAP5] .

               Quero chamar sua atenção para as palavras de Pórcio Festo no v.19[OAP6] . Para ele a questão toda girava em torno de dois pontos: as práticas religiosas dos judeus e “particularmente, a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo”. Para quem está morto espiritualmente como Pórcio Festo, Jesus está morto, ou pelo menos não tem qualquer importância se estiver vivo. Mortos espiritualmente se comportam como Pórcio Festo; vivos espiritualmente se comportam como Paulo, ou seja, creem que o Seu Redentor vive. Ao contrário do que parece, essa certeza é fruto da vida que o Cristo ressurreto e vivo dá ao coração que estava morto em delitos e pecados. Assim sendo, quem está morto espiritualmente não contempla o Cristo vivo porque mortos não veem.

               Toda a defesa de Paulo no capítulo 26 gira em torno da ressurreição de Cristo e da nova vida que Ele que é a vida pode dar ao pecador.

 

Aplicação 25.1-27:Você crê no Cristo ressurreto e vivo? Ou para você é como se Ele estivesse morto, ou seja, tanto faz tanto fez? Para você soa como fantasia a ressurreição de Cristo, ou seu coração repousa nessa verdade? Se você crê que Cristo está vivo então faça como Paulo fez ao se defender diante de Agripa, ou seja:

 

               Defendendo-nos com o Evangelho precisamos mostrar:

 

1)     A base da nossa esperança, v.1-8

Exposição 26.1-8: “A seguir, Agripa, dirigindo-se a Paulo, disse: É permitido que uses da palavra em tua defesa. Então, Paulo, estendendo a mão, passou a defender-se nestes termos:  2 Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, pelo privilégio de, hoje, na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus;  3 mormente porque és versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus; por isso, eu te peço que me ouças com paciência.  4 Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem;  5 pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.  6 E, agora, estou sendo julgado por causa da esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais,  7 a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente de noite e de dia, almejam alcançar; é no tocante a esta esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus.  8 Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?”[OAP7] 

               Assim que Agripa lhe concedeu a palavra, Paulo primeiramente se dirige a ele externando a sua alegria [OAP8] não somente pelo fato de poder falar com uma autoridade do povo que era “versado em todos os costumes e questões que há entre os judeus” (v.3), como também por poder falar de Cristo a ele. Pedindo a paciência do rei Agripa, Paulo pontuou o fato que ele era conhecido dos judeus desde a sua mocidade por ser um zeloso fariseu “conforme a seita mais severa” do Judaísmo, e por ser um fariseu, ele cria que Deus pode ressuscitar os mortos.

               Os v.6-8 são o centro do pensamento [OAP9] de Paulo aqui. Ele e todos os judeus das “doze tribos” (v.7), viviam “fervorosamente” na esperança do cumprimento da promessa de Deus. E que promessa era essa? A promessa da ressurreição. E quando esta promessa se cumpriu? No momento em que Deus ressuscitou ao Senhor Jesus, aquele Pórcio Festo considerava um morto.

               No Antigo Testamento e no Novo Testamento encontramos vários casos de ressurreição. Todos esses casos atestam o poder de Deus em ressuscitar os mortos. Porém, a ressurreição de Jesus foi diferente[OAP10] . Todos os que no passado foram ressuscitados voltaram a morrer. Mas, o Senhor Jesus, não. Ele foi ressuscitado pelo poder de Deus como está escrito em Rm 8.11: Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”; Ele nunca mais morrerá conforme está escrito em Hb 9.27,28: E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo,  28 assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”.

               Era essa a esperança de Paulo; era por crer e pregar algo que o grupo mais severo do Judaísmo, o grupo dos fariseus pregava que ele estava sendo acusado[OAP11] . Os judeus arrastaram Paulo ao tribunal por causa de uma doutrina que eles mesmos também criam. Diante de tudo isso, Paulo concluiu com uma pergunta retórica: “Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?”, ou seja, porque sendo a doutrina da ressurreição um ensinamento tão vivo e presente na vida de Israel desde a antiguidade era agora motivo para acusar um judeu piedoso que cria nessa doutrina também?

               A esperança de Paulo estava na ressurreição de Jesus. Por isso mesmo ele vai dizer em 1Co 15.16-19: “Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. De igual forma a nossa esperança deve estar em Cristo. Devemos nos defender com essa certeza. Devemos mostrar às pessoas que a nossa fé não é uma filosofia, mas, sim, uma esperança viva no Cristo ressurreto e vivo.

 

Aplicação 26.1-8: Ao seu redor estão pessoas vivendo sem essa esperança, e, por isso estão mortas espiritualmente, e quando morrerem fisicamente perecerão eternamente. Fale para elas da esperança em Cristo. Elas necessitam saber que há uma esperança, a única esperança: Jesus! Mas, não se esqueça que a doutrina da ressurreição soa “incrível” aos ouvidos delas, ou seja, de tão maravilhosa que ela é, para muitos não é plausível crer num ensinamento desses porque eles estão mortos espiritualmente. Lembre-se que para os mortos espiritualmente, Cristo está morto. Mas, nem por isso você deve se calar.       

               Defendendo-nos com o Evangelho precisamos mostrar

 

2)     Como Cristo nos transformou, v.9-23

Exposição 26.9-23:9 Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno;  10 e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e contra estes dava o meu voto, quando os matavam.  11 Muitas vezes, os castiguei por todas as sinagogas, obrigando-os até a blasfemar. E, demasiadamente enfurecido contra eles, mesmo por cidades estranhas os perseguia.  12 Com estes intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado.  13 Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo.  14 E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões.  15 Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.  16 Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda,  17 livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio,  18 para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.  19 Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial,  20 mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento.  21 Por causa disto, alguns judeus me prenderam, estando eu no templo, e tentaram matar-me.  22 Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer,  23 isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios”.

               Prosseguindo com sua defesa, Paulo passou a falar de sua conversão a Cristo. Esta é a terceira vez que sua conversão é relatada no livro de Atos. E as pequenas diferenças entre os relatos nem merecem nossa atenção.

               Ele relatou que:

üUm dia ele também se opôs a Cristo (v.9-11). Ele tinha autorização do sumo sacerdote para trazer presos os cristãos e dava o seu voto para mata-los, pois, alimentava um ódio mortal em relação aos cristãos;

üUm dia Cristo se opôs a ele (v.12-18). Numa d[OAP12] e suas investidas contra os cristãos, na estrada para Damasco, em pleno meio dia, a luz de Cristo brilhou sobre ele deixando-o totalmente cego. Ali ele viu a glória Daquele a quem de fato ele estava perseguindo enquanto perseguia os cristãos. Seria estupidez da parte de Paulo revoltar-se contra Cristo escoiceando como um animal quando ferroado que acaba se machucando ainda mais. Mas, naquele dia que parecia ser o seu fim, ele nasceu de novo. Foi também comissionado por Cristo para ser Seu “ministro e testemunha” tanto das coisas que havia visto como de muitas outras que ainda estavam por vir (v.16,17). Ele seria o instrumento que Cristo usaria para comunicar aos gentios eleitos de Deus a mais linda e preciosa mensagem “para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (v.18). Conversão é transferência de reino; quem ainda é escravo de Satanás não deve pensar que está salvo.

               Diante dessa visão gloriosa de Cristo, Paulo foi obediente (v.19), e assim que recobrou a vista começou a pregar o Evangelho em Damasco, depois em Jerusalém, e por toda a Judeia. E a mensagem era: que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento” (v.20).

               O relato dos v.21-23 nos mostra que Cristo cumpriu em sua vida o livramento que havia lhe prometido por ocasião do seu chamamento.

 

Aplicação 26.9-23: Ao anunciar o Evangelho às pessoas você precisa mostrar-lhes o que Cristo fez em sua vida. O Evangelho promove uma transformação completa no coração da pessoa. Se essa transformação não for vista em sua vida, sua pregação soará mentirosa.

               Você foi salvo para ser um proclamador do Reino de Deus, para anunciar a mensagem que pode transformar escravos de Satanás em súditos do Reino de Deus, para que vivam como pessoas que receberam a remissão e o perdão de seus pecados e tomem parte da herança que pertence aos que são santificados pela fé em Cristo.

               Observe novamente as palavras de Jesus aqui: “a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (v.18). O Senhor Jesus no mostra que uma fé que não nos santifica, também não nos salva. Você tem apresentado essa santidade de vida, ou sua vida continua como antes da sua conversão a Cristo?

 

               Por fim, defendendo-nos com o Evangelho precisamos mostrar

 

3)     Que um “quase” salvo é um fatalmente perdido, v.24-32

Exposição 26.24-32:24 Dizendo ele estas coisas em sua defesa, Festo o interrompeu em alta voz: Estás louco, Paulo! As muitas letras te fazem delirar!  25 Paulo, porém, respondeu: Não estou louco, ó excelentíssimo Festo! Pelo contrário, digo palavras de verdade e de bom senso.  26 Porque tudo isto é do conhecimento do rei, a quem me dirijo com franqueza, pois estou persuadido de que nenhuma destas coisas lhe é oculta; porquanto nada se passou em algum lugar escondido.  27 Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas.  28 Então, Agripa se dirigiu a Paulo e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão.  29 Paulo respondeu: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias.  30 A essa altura, levantou-se o rei, e também o governador, e Berenice, bem como os que estavam assentados com eles;  31 e, havendo-se retirado, falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada tem feito passível de morte ou de prisão.  32 Então, Agripa se dirigiu a Festo e disse: Este homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César”.

               Interrompido bruscamente pelo estúpido e cego Pórcio Festo que acusando-o de estar louco, Paulo lhe responde com respeito pelo rei afirmando que tudo o que ele dizia e cria era verdadeiro e dito em juízo perfeito.

               Voltando-se para o rei Agripa, Paulo então o intimou quanto ao seu pleno conhecimento dos fatos o qual se baseava:

üNa comprovação dos mesmos por parte de muitas testemunhas, pois, ocorreram à vista de todos e não “em algum lugar escondido” (v.26);

üNa comprovação escriturística dos mesmos, ou seja, tudo isso era cumprimento do que disseram “os profetas” (v.27).

 

               Foi então que Agripa disse: “Por pouco me persuades a me fazer cristão” (v.28). Ao que Paulo lhe respondeu: “Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (v.29)[OAP13] . Com essas palavras Paulo afirmou tanto a soberania de Deus em converter quem ele quer, quanto a responsabilidade que pesava sobre Agripa e sobre os demais com relação ao destino eterno. Paulo expressa o seu desejo em ver Agripa e os demais ali tornarem-se tal como ele, exceto pelas cadeias; que se tornassem livres das garras de Satanás e vivessem para Cristo tal como Paulo. Enquanto Paulo estava preso fisicamente, seu coração estava livre em Cristo, bem ao contrário daqueles que ali estavam que, embora estivessem livres fisicamente, em seus corações permaneciam escravos do pecado e de Satanás. Agripa quase se salvou, mas, como no Reino de Deus um “quase salvo”, é um “fatalmente perdido”, Agripa teve um triste fim.

               Agripa se levantou e declarou não ver nenhuma culpa em Paulo a ponto de merecer prisão e principalmente morte, mas, por ter apelado para César, o protocolo precisava ser cumprido (v.30-32).

 

Aplicação 26.24-32: Ao anunciar o Evangelho às pessoas, não deixe de mostrar-lhes que a menor dúvida ou indecisão trarão consigo condenação certa. Um “quase salvo” é nada verdade, um fatalmente perdido. Mostre-lhes que só admirarem a Jesus não é o suficiente; é necessário renderem-se a Ele reconhecendo-O como o Rei Eterno.

 

Conclusão

      

Quem lança mão do Evangelho para se defender precisa ter consciência limpa diante de Deus e dos homens, pois, a verdade revelada no Evangelho condena o pecador arrogante. A salvação é para os que humildemente clamam pela misericórdia de Deus!


 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
This entry was posted in Mensagens Expositivas em Atos dos Apóstolos. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *