A Soberana Vontade de Deus – 8ª Mensagem

O Poder do Nome de Jesus Cristo – Parte II

Os Elementos da Pregação do Evangelho

At 3.11-26

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Deus havia preparado os corações para receberem a mensagem do Evangelho quando realizara o milagre naquele aleijado. Novamente encontramos Pedro pregando o Evangelho. Sabemos que é nosso dever como Igreja de Cristo e como membros do Seu Corpo proclamarmos o Evangelho. Contudo, muitos de nós encontram dificuldades em fazê-lo. Por isso mesmo o tema da mensagem de hoje é Os Elementos da Pregação do Evangelho.

Muitas vezes a razão para tais dificuldades está no fato de que não sabemos quais elementos devem estar presentes na proclamação do Evangelho. No presente texto encontramos três elementos imprescindíveis à pregação do Evangelho bem aprendemos com Pedro como pregar o Evangelho da forma correta. Os três elementos fundamentais da pregação do Evangelho são:

1)     Deus tem de ser honrado, v.11-16

Pedro expôs o conteúdo do Evangelho apontando para a glória de Deus.

Exposição v.11-13a: “Apegando-se ele a Pedro e a João, todo o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão. À vista disto, Pedro se dirigiu ao povo, dizendo: Israelitas, por que vos maravilhais como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus… ”. Aquele homem que fora curado agarrou-se a Pedro e João dando a entender que esses dois apóstolos foram os instrumentos que Deus usara na sua cura. Mas Pedro apontou para Deus mostrando que não foram eles quem efetuaram a cura pelo poder ou piedade (santidade) deles, mas, tão somente foram instrumentos de Deus. Foi o Deus dos antepassados deles, o mesmo Deus que também é o Pai do Senhor Jesus Cristo. Por duas vezes Pedro chamou de “seu Servo”, ou seja, Servo de Deus (v.13,26) mostrando assim que Jesus é o Servo do Senhor, o Servo Sofredor de que falara o profeta Isaías (Is 52.13 – 53.12), e que por Sua obediência ao Pai foi glorificado. Mas eles se puseram contra Deus  quando se puseram contra Cristo “… a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas” (v.13b-15). Eles se puseram em oposição ao Deus de seus pais no momento em que traíram e negaram a Jesus. Devemos entender os verbos “trair” como “entregar”, pois, Jesus sabia o tempo todo o que haveria de sofrer e por isso mesmo Ele não foi pego de surpresa como acontece àqueles que são traídos em sua confiança. Ele que é “o Santo e o Justo” foi “negado”, isto é, rejeitado pelo povo que em lugar Dele pediram “um homicida”, alguém que trazia a morte em suas mãos. Mas Aquele que é o “Autor da vida”, Aquele que dá origem à vida não poderia ficar detido pela morte, e, por isso mesmo, “Deus ressuscitou dentre os mortos” fato este que Pedro e muitos outros foram “testemunhas”. Pedro e João também mostraram-lhes que no momento em que o homem rejeita a Cristo rejeita sua única esperança de vida e se coloca definitivamente contra Deus.

Aplicação v.11-15: Pedro e João não roubaram a glória de Deus; eles atribuíram a Deus a glória que é Dele. Foi Deus quem operou o milagre e não eles. Apontaram para Jesus Cristo como a única esperança de vida e aqueles que O rejeitam estão definitivamente se colocando contra Deus e abraçando de vez a morte. Quando você pregar o Evangelho faça isso: (1) aponte para a glória de Deus; (2) mostre que Cristo é a única esperança; (3) e que rejeitá-Lo significa oposição a Deus e condenação eterna.

Exposição v.16: “Pela fé em o nome de Jesus, é que esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita na presença de todos vós”. Ainda apontando para a glória de Deus, aqui Pedro tocou num ponto muito importante: a fé no nome de Jesus. Por duas vezes aparece esse conceito neste verso. Tanto os dois apóstolos quanto o aleijado demonstraram essa fé. Se Pedro e João não tivessem crido em Jesus não teriam dito ao aleijado para andar; se o aleijado não tivesse crido em Jesus não teria andado, pois, como Pedro ressaltou foi “a fé que vem por meio de Jesus deu a este saúde perfeita”. É o Senhor Jesus quem coloca a fé no coração da pessoa, mas, é a pessoa que tem de exercer essa fé.

Aplicação v.16: foi Jesus quem colocou fé naqueles corações (tanto dos apóstolos quanto do aleijado) para crerem no Seu Nome. O poder está no Nome de Jesus. Enquanto você estiver pregando o Evangelho a uma pessoa aponte para a glória de Deus, mostrando-lhe que se ela consegue crer é porque Jesus colocou essa fé em seu coração, e, se ela não consegue crer, que deve clamar ao Senhor Jesus para dar-lhe essa fé.

 Outro elemento importante da pregação é

2) O pecador tem de ser confrontado, v.17-21

Pedro passou a exortá-los ao arrependimento. Eram pecadores e necessitavam de arrependimento.

Exposição v.17-19: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades; mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados”. Falar de confrontação soa como algo agressivo, por isso mesmo temos de fazer do jeito certo. Confrontar é postar-se diante da pessoa e mostrar-lhe o seu pecado. Isso deve ser feito com amor. Pedro dirigiu-se a eles chamando-os de “irmãos”, e mostrou-lhes que o crime que cometeram contra o Senhor Jesus foi “por ignorância”, por não saberem que Jesus era o Cristo prometido por Deus. Nem mesmo as autoridades do povo de alguma forma o sabiam. Tudo, porém, aconteceu pela vontade soberana de Deus que “cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas: que o seu Cristo havia de padecer”. Mas, a ignorância do povo não o tornava inocente diante de Deus, e a solução para o pecado dele era o arrependimento e a conversão.

Aplicação v.17-19: Enquanto estiver pregando o Evangelho confronte o pecador mostrando-lhe: (1) que a sua ignorância não o torna inocente diante de Deus. Em lugar algum na Escritura, o pecador é inocentado por falta de conhecimento. (2) que a solução para o seu pecado é arrependimento e conversão. Qualquer outra solução proposta não vem de Deus. Somente a solução que Deus dá traz a salvação ao pecador.

Exposição v.20,21: “a fim de que, da presença de Senhor venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade”. A expressão “tempos de refrigério” indica a reconciliação que Deus fez com o pecador através de Cristo. Quando o pecador arrepende-se dos seus pecados e converte-se a Deus, Cristo é enviado ao coração do pecador e assim, este é reconciliado com Deus. No v.21 Pedro mostrou em relação a Jesus que “é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas…”. Os “tempos de refrigério” que Deus manda ao coração do pecador nesta vida indicam o começo do que serão “tempos da restauração de todas as cosias”. Essa preciosa promessa vem sendo anunciada desde os tempos dos profetas e haverá de se cumprir porque Deus prometeu.

Aplicação v.20,21: As pessoas buscam esperança. Elas estão desiludidas e desesperadas. Anuncie-lhes que Cristo veio para lhes dar tempos de refrigério preparando-as para os tempos da restauração de todas as coisas, a glória eterna!

 Por fim, o terceiro elemento que deve constar na pregação do Evangelho de conformidade com este texto é:

3) A Escritura tem de ser comprovada, v.22-26

Uma das principais características da Escritura Sagrada é que ela é cheia de promessas. Encontramos muitas promessas de Deus para o Seu povo, muitas das quais já se cumpriram, e, outras estão aguardando o cumprimento no tempo certo. E o que faz a promessa de Deus ser digna de nossa confiança é o fato de que Ele cumpre plenamente cada uma delas. Por isso as promessas de Deus são confiáveis porque Deus é digno de toda a nossa confiança. Nestes versos Pedro apela para o testemunho do Antigo Testamento falando sobre Jesus.

Exposição v.22-25: “Disse, na verdade Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser. Acontecerá que toda alma que não ouvir a esse profeta será exterminada do meio do povo”. Com base no que Moisés disse em Dt 18.15-16 e 19, Pedro mostrou que Jesus é o profeta de que falara Moisés que era “profeta semelhante a mim”, isto é, um profeta que assim como Moisés que falou face a face com Deus. Jesus falava face a face com Deus por Ele é Deus (cf. Jo 1.1). Assim como o povo ouviu e obedeceu Moisés também deveria ouvir e obedecer a Jesus. Mas, aquele que se recusar a ouvir a Jesus deverá saber que sofrerá terrível e eterno dano. Nos v.24,25 Pedro apelou para outros profetas do Antigo Testamento “a começar com Samuel, assim como todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias. Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência, serão abençoadas todas as nações da terra”. Não só Moisés, mas, todos os profetas enviados por Deus anunciaram “estes dias” gloriosos em que o Grande Profeta, o Servo Sofredor, o Servo do Senhor, o Santo, o Justo, o Autor da vida, Jesus Cristo haveria de vir e assim, começando com os judeus que eram os “filhos dos profetas e da aliança” firmada e estabelecida com o patriarca Abraão seriam “abençoadas todas as nações da terra” na pessoa de Jesus Cristo.

Aplicação v.22-25: Enquanto pregar o Evangelho tenha em mãos as Escrituras, pois, são elas que testificam de Jesus (Jo 5.39). Mostre às pessoas que a Escritura Sagrada é infalível, é verdadeira e se cumprirá nos mínimos detalhes porque é a Palavra de Deus e Ele não mente.

Exposição v.26: “Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vós outros para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades”. A promessa que foi feita a Abraão com relação à formação do povo de Deus foi cumprida em Jesus Cristo que constituiu para Deus um povo exclusivo (1Pe 2.9). Jesus foi enviado primeiramente aos judeus (cf. Jo 1.11). Nele os descendentes espirituais de Abraão são abençoados e essa bênção trazida por Jesus faz com que “cada um se aparte das suas perversidades”. Sem dúvida alguma uma das maiores bênçãos que o pecador recebe de Jesus é a de se ver livre se suas próprias perversidades.

Aplicação v.26: Pregando o Evangelho mostre que Jesus Cristo livra o pecador das suas perversidades, e que, portanto, o chamado para a salvação é o chamado para a santidade.

O que Deus quer que você faça?

Pregando o Evangelho:

1)     Aponte para a glória de Deus.

2)     Confronte o pecador com amor.

3)     Comprove a veracidade da Escritura.

 

Conclusão

Pregar o Evangelho é falar da Pessoa e obra de Cristo. O que parece ser tão óbvio tem sido vergonhosamente negligenciado, e por isso mesmo não temos visto tantas conversões verdadeiras como no passado.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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