A Soberana Vontade de Deus – 9ª Mensagem

Como Viver pelo Nome de Jesus Cristo – Parte I

Enfrentando a Oposição

At 4.1-22

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Os Caps. 4 e 5 de Atos trazem como assunto principal “Como viver pelo Nome de Cristo”. Em At 3 vimos que o poder está somente no Nome de Cristo, o único Nome capaz de nos fazer viver de verdade; o único Nome pelo qual realmente vale a pena viver.

Em At 4.1-22, os apóstolos Pedro e João protagonizam aqui a primeira oposição que os cristãos sofreram na história da Igreja de Cristo. Por isso mesmo, o tema da mensagem de hoje é: “Enfrentando a oposição”.

Vejamos alguns fatos sobre a oposição que enfrentaremos o tempo todo em nossa vida cristã:

1)     A oposição surgirá quando agirmos em Nome de Jesus Cristo, v.1-4

Exposição v.1-4: “Falavam eles ainda ao povo quando sobrevieram os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus” (v.1). Os sacerdotes eram os encarregados de conduzirem o culto a Deus e oferecerem os sacrifícios pelo povo. O capitão do templo era um sacerdote também que cuidava da boa ordem do templo. Os saduceus eram um grupo de sacerdotes originários de um sumo sacerdote chamado Zadoque (Ez 40.46; 44.15,16; 48.11). Eles exerciam controle sobre os demais sacerdotes, e, por isso, mesmo, tinham muita autoridade política. Mas, estavam “ressentidos por ensinarem eles o povo e anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos” (v.2). Os saduceus criam somente no Pentateuco considerando os demais livros no Antigo Testamento de valor secundário, e por essa razão não criam na pessoa do Messias Prometido, nem na ressurreição dos mortos, nem nos anjos e nem na imortalidade da alma. Ao verem Pedro e João ensinando que alguém que havia morrido (Jesus) ressuscitava aos mortos, ficaram ressentidos, ou seja, indignados, furiosos, “e, os prenderam, recolhendo-os ao cárcere até ao dia seguinte, pois já era tarde” (v.3). Em 3.1 vimos que Pedro e João foram ao templo por volta das três horas da tarde. Os portões do templo eram fechados por volta das quatro horas da tarde após o sacrifício da tarde. Assim, quando Lucas afirma que já era tarde, presumimos que eles ficaram mais de doze horas presos, pois, foram soltos somente no dia seguinte. Contudo, a soberana vontade de Deus continuava firme, pois, “muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil” (v.4). A referência ao número de homens aqui é aos do sexo masculino somente (compare com At 5.14 onde Lucas fala tanto do número de homens quanto de mulheres). Conforme Simon Kistemaker, em Jerusalém antes da perseguição e morte de Estêvão habitavam cerca de 20 mil pessoas na cidade. Se a cifra de 5 mil aqui engloba tanto os homens quanto as mulheres, em poucos dias, a Igreja constituía-se de um quarto da população de Jerusalém. Somente Deus poderia fazer um crescimento tão espantoso assim.

Aplicação v.1-4: Quando você se levantar para falar de Jesus tanto poderá ver oposição dos pecadores quanto corações preparados por Deus para receberem a Palavra. Tão somente, não se desanime diante da oposição, afinal, ninguém se opõe a alguém que está inerte e improdutivo.

Outro fato é

2) A oposição tem de ser enfrentada com a autoridade do Espírito Santo, v.5-13

Em Lc 12.11,12 o Senhor Jesus prometeu aos discípulos: Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes de falar. Porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer”, e, é justamente isso que vemos acontecendo aqui com Pedro e João perante as autoridades do sinédrio.

Exposição v.5-13: “No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades, os anciãos e os escribas com o sumo sacerdote Anás, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote” (v.5,6). O Sinédrio não poderia se reunir depois do horário dos sacrifícios, e, por isso, se reuniu no dia seguinte. Isso nos faz pensar na ilegalidade do julgamento de Jesus que foi de madrugada. O sumo sacerdote Anás era um homem perverso, inescrupuloso e ávido pelo poder. Era um saduceu e mesmo tendo sido deposto pelo governador romano, Valério, Anás permaneceu no poder mesmo quando seu genro Caifás e um neto foram sumos sacerdotes sucessivamente. O Sinédrio era composto por 72 homens, e era presidido pelo sumo sacerdote sob a influência dos saduceus. Trouxeram a Pedro e João “e, pondo-os perante eles, os arguiram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isso?” (v.7). Os membros do Sinédrio assentavam-se em um semicírculo de forma que todos poderiam se ver, enquanto o acusado ficava em pé diante deles. Assim, Pedro, João e o mendigo que fora curado foram postos diante do Sinédrio. A astúcia desses homens é notória quando perguntaram “com que poder ou em nome de quem” Pedro e João curaram aquele homem. Se tivessem perguntado por que eles estavam ensinando sobre a ressurreição, com certeza despertariam os ânimos dos fariseus os quais criam na ressurreição, ao passo que os saduceus, não. Na resposta de Pedro e João vemos como é que devemos enfrentar a oposição “Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Autoridades do povo e anciãos, visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento, vós todos e todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós” (v.8-10). A astúcia humana nada é perante a sabedoria e a autoridade que o Espírito Santo dá aos filhos de Deus. A resposta de Pedro trouxe uma reviravolta no caso que estava sendo conduzido como se fosse um crime. Pedro mostrou-lhes que aqui foi um ato de misericórdia para com aquele mendigo e não um crime contra a religião de quem quer que fosse. E em seguida ele atacou com todas as letras os saduceus reafirmando as seguintes doutrinas as quais eles não criam: 1) a doutrina do Messias: ao chamar Jesus de “Cristo, o Nazareno” estava mostrando que Jesus é o Messias prometido; 2) a doutrina da ressurreição ao dizer que Deus ressuscitara a Jesus dentre os mortos. E continuou: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Depois de acusa-los de terem crucificado a Cristo, Pedro mostrou-lhes o porque cometeram tamanho pecado. Eles crucificaram a Jesus por tê-Lo rejeitado, Ele que é a “pedra angular”, ou seja, a pedra que dá sustentação a toda a construção. Em 1Pe 2.4,5 Pedro disse: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados  casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”. Aqueles que deveriam edificar o povo de Deus, foram os que rejeitaram a Jesus. Eles rejeitaram Aquele que é o único que pode salvar o pecador como fica claro no v.12 quando Pedro disse que “…abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. O que ele está dizendo aqui é que não há outro meio pelo qual devemos ser salvos a não ser por Jesus. Não é o homem que pode se salvar, mas, sim, é somente por meio de Cristo que o pecador deve se salvar. Não está em nossas mãos a salvação, mas, sim, nas mãos de Deus e na Pessoa de Jesus Cristo, o único Nome que tem todo o poder. “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam estado com Jesus” (v.13). Este verso é maravilhosamente lindo. Eles sabiam da origem de Pedro e João: pescadores iletrados e incultos. Por “iletrados” Lucas quis mostrar que eles nunca estiveram com um rabino, e por “incultos”, que eram homens simples e comuns. Mas, como podiam falar com tanta intrepidez? Como tinham tanta fluência nas palavras? É porque como as próprias autoridades reconhecerem, eles “haviam estado com Jesus”.

Aplicação v.5-13: Aquele que é cheio do Espírito Santo: 1) enfrenta a oposição com intrepidez, isto é, sem medo e confiante no Nome de Jesus Cristo; 2) deixa em evidência em sua vida a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, pois sabe que não há outro nome pelo qual os homens devem ser salvos, porque Jesus é a Pedra Angular que sustenta o edifício de Deus, a Igreja. Você deixa evidente em sua vida que você tem estado com Jesus?

Outro fato que destacamos aqui sobre é

 

3) A oposição tentará nos intimidar, mas, devemos temer somente a Deus, v.14-22

Contra fatos não há argumentos, mas, pode haver descrença; diante da verdade temos apenas duas ações: crermos ou não crermos.

Exposição v.14-17: “Vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário. E mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar” (v.14-16). Chamo a sua atenção aqui para o fato de que, como vimos em At 3.16 a fé é um dom de Deus, e se não for o próprio Senhor Jesus colocando a fé no coração do pecador, nem mesmo um milagre é capaz de fazer a pessoa crer. Observe o que estes homens disseram. Eles estavam diante de um milagre ao qual não tinham nada em contrário a dizer; antes, declararam com todas as letras que fora realizado um “sinal notório” perante todos ali ao qual eles mesmos disseram “não podemos negar”. A solução que encontraram foi ameaça-los para ver se ficariam calados “mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja” (v.17). Diante de um milagre irrefutável e inquestionável os sacerdotes não creram em Jesus, isso porque a conversão é resultado da fé no coração da pessoa, fé que o próprio Senhor Jesus coloca, e não por causa de um milagre. É fato que se Deus quiser usar um milagre para convencer um pecador e convertê-lo, Ele usa. Porém, quando Ele não quer converter um coração, nem mesmo o mais impressionante milagre poderá converte-lo. A conversão depende tão somente da fé que Jesus coloca no coração do pecador, a qual não precisa de milagres. Para os que não receberam essa fé, nem mesmo o mais notório milagre é suficiente para fazer a pessoa crer em Jesus.

Aplicação v.14-17: Para crer em Jesus você precisa somente de Jesus. Se Ele não agir em seu coração colocando fé, nem mesmo um milagre será capaz de leva-lo a crer em Jesus.

Exposição v.18-22: “Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus” (v.18,19). Numa tentativa de fazer aquele tribunal ter alguma legalidade, os membros do Sinédrio ordenaram que os três fossem trazidos perante eles, e deram uma ordem de que “absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus”. É curioso que eles não impediram os apóstolos de fazerem milagres em nome de Jesus, talvez porque a ordem que deram aqui abrangesse também o mendigo, o qual poderia muito bem falar das coisas que Jesus lhe fez. Mas, o que é mais importante aqui é que Pedro e João puseram por terra o veredito do Sinédrio quando contrastaram a ordem que lhes foi dada de ficarem calados com a de Deus que lhes comissionou e ordenou a pregarem o Evangelho: “pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (v.20). Assim, estes homens nos mostram que o único temor que deve estar presente em nosso coração é o temor a Deus, é o medo de não fazermos a Sua soberana vontade, pois, Ele é o único que nos importa obedecermos.

Aplicação v.18-20: Em seu coração está o temor a Deus? Para você é mais importante o que Deus diz ou o que as pessoas dizem? Para você a vontade de Deus está acima da sua própria vontade? Como disse John Piper: “O único temor que deve estar em nosso coração é a Deus, pois, este é o único temor capaz de expulsar todos os outros temores”.

Exposição v.21,22: “Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera. Ora, tinha mais de quarenta anos aquele em quem se operara essa cura milagrosa” (v.21,22). Num gesto de autoritarismo arrogante os membros do Sinédrio fizeram ainda mais ameaças aos três. Mas, exatamente ao contrário de Pedro e João que se preocupavam em somente temer a Deus, os membros do Sinédrio temiam ao povo. Por isso mesmo, despediram os apóstolos com ameaças vazias e sem nenhuma punição de fato. O pecado cega o homem. Os membros do Sinédrio estavam cegos e não podiam ver por causa de sua arrogância, que Jesus Cristo, o Nazareno é o Messias, e pelo poder Dele é que os apóstolos fizeram tal “cura milagrosa” num homem que em seus “mais de quarenta anos” nunca tinha dado um passo sequer por ser aleijado.

Aplicação v.21,22: os inimigos sempre tentaram calar você; sempre farão ameaças vazias, e, às vezes até ameaças reais que poderão trazer-lhe grandes sofrimentos. Contudo, antes importa obedecer a Deus e não aos homens. Se você se calar diante das ameaças estará obedecendo aos homens, mas, se intrepidamente, pela autoridade do Espírito Santo você continuar pregando e ensinando em nome de Jesus, então estará mostrando que você de fato teme a Deus somente.

 

O que Deus quer que você faça?

Mostre que você vive pelo nome de Cristo, e por isso:

1)     Tema somente a Deus, pois, este é o único que realmente merece ser temido.

2)     Nunca deixe de falar de Jesus nem mesmo sob ameaças dos inimigos.

 

Conclusão

                      Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos, mesmo sob ameaças e oposição.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to A Soberana Vontade de Deus – 9ª Mensagem

  1. Eulino Martins Pimentel says:

    Olá meu querido Pastor,
    Seja o despertar do Espírito Santo a Fonte inesgotável para o seu ministério e que O Senhor Jesus seja glorificado no seu modo de vida!
    Meu nome é Eulino, sou missionário Batista em Teresina no Piauí e trabalho numa pequena congregação da periferia da capital piauiense.
    Amado, apesar do tempo, só agora tive acesso a este este material aqui exposto, elouvo a Deus por usar de vasos tão preciosos para o Seu reino como você!
    Tomei a liberdade de expor o seu material na nossa igreja, e como o Senhor tem falado conosco através dessa exposição!
    Só gostaria de saber se o amado ainda dispõe das mensagens: 6ª,7ª e 8ª, pois as mesmas não localizei e gostaria de não perder a sequência, pois tem sido de grande aprendizagem!
    No mais te agradeço e oro a Deus para que vos mantenha no propósito dEle.

    Em Cristo,
    Eulino.

    • Olivar Alves Pereira says:

      Louvado seja o Senhor Jesus Cristo, a quem toda honra e glória devem ser atribuídas.
      Amado, para facilitar sua vida, lhe enviarei por e-mail, ok?
      Fique à vontade para usar o que lhe for proveitoso aqui do meu blog.
      Um forte abraço e que Deus o abençoe poderosamente em seu ministério.

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