Algumas Questões Sobre a Páscoa

Rev. Olivar Alves Pereira

As igrejas evangélicas têm por costume celebrar a Páscoa na ocasião da tal “semana santa”. Mas, tal costume é equivocado. Com amor e temor passo a expor-lhes algumas questões, com base nas Escrituras, mostrando-lhes que tal prática deve ser deixada de lado se quisermos de fato honrar o santo sacrifício de Jesus Cristo.

Por que não devemos celebrar a Páscoa? Em primeiro lugar porque não seguimos o Judaísmo. A Páscoa é uma festividade dos judeus, que foi estabelecida por Deus com a finalidade de fazer com que os judeus não se esquecessem dos portentosos livramento e salvação que Ele lhes proporcionara por ocasião do Êxodo sob a liderança de Moisés. Sua instituição está registrada em Êx 12.1-28. Deveria ser celebrada uma vez por ano. Deus disse: “Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da Páscoa do SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas” (Êx 12.26-27). Dessa forma, eram passados de geração em geração o conhecimento de Deus e as normas do Seu culto. Porém, a Páscoa tinha um “prazo de validade”. O cordeiro pascal que deveria ser sacrificado, cujo sangue deveria ser passado nos umbrais das portas das casas, e cuja carne deveria ser comida na véspera da saído do Egito, apontava para o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29), o Senhor Jesus Cristo. No Seu sacrifício lá na cruz, a Páscoa perdeu sua validade, cumpriu o seu papel. Por ocasião daquela que foi a última Páscoa que Cristo celebrou com Seus discípulos (Lc 22.14-18), Ele disse: “nunca mais a comerei até que se cumpra no reino de Deus” (v.16), e o mesmo Ele também disse do vinho (v.18). Você pode estar se perguntando: “Mas, Jesus disse que Ele não mais celebraria a Páscoa, porém, Ele não falou que nós também não celebraríamos mais a Páscoa”. Porém, após o Seu sacrifício, não temos nem um só registro no Novo Testamento mostrando que os discípulos celebraram a Páscoa. A única menção que o Novo Testamento faz da Páscoa após Cristo ter voltado para o céu é em At 12.4, e mesmo assim, é uma referência aos judeus e não aos cristãos praticando-a.

O segundo motivo pelo qual não devemos mais celebrar a Páscoa, é porque temos algo infinitamente superior. Assim como a Páscoa relembrava o povo de Israel que Deus passou por cima (esse é o significado do termo Páscoa, passar por cima)de suas casas naquela noite o Egito, poupando a vida dos primogênitos dos hebreus, a Santa Ceia nos lembra que em Cristo, lá na cruz, Deus “passou por cima” dos nossos pecados e nos perdoou por meio de Seus santo sacrifício. Celebrarmos a Páscoa hoje e nos descuidarmos da Santa Ceia, é uma atitude tão infantil e imatura quanto a de criança que ao receber um presente, brinca com a caixa e deixa de lado o brinquedo que estava dentro dela.

É importante ressaltar ainda que é muito triste vermos muitos dos nossos irmãos não dando o mínimo valor à Santa Ceia – qualquer situação diferente é motivo para deixarem de estar na Casa de Deus celebrando a preciosa salvação que Cristo nos deu por meio de Sua vida, sacrifício, morte e ressurreição. É também tão deplorável vermos muitos crentes “guardando” os ritos católicos da tal “semana santa”, ou se mobilizando para assistirem aos tais “autos de Páscoa”, mas, não guardam o único Dia Santo que Cristo nos deixou, a saber, o Domingo, o Dia do Senhor, pois, transformaram-no em “fim de semana”.

Ó, crente! Valorize o que é eterno; não se prenda ao que já perdeu seu sentido e cumpriu seu papel. Sim, a Páscoa já cumpriu o seu papel e não tem mais sentido guardá-la. Porém, da Santa Ceia, as Escrituras Sagradas dizem: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1Co 11.26). A Santa Ceia tem como papel apontar não só para o sacrifício de Cristo como um memorial (fazei isto em memória de mim”), mas, também é um ato de proclamação da morte de Cristo “até que ele venha” – este é o prazo de validade da Santa Ceia. Cristo é o nosso “Cordeiro pascal” (1Co 5.7), e Dele comemos todas as vezes que celebramos a Santa Ceia, e não a Páscoa.     

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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