Ano do Jubileu. Você nunca colheu tanto, nem eu.

Rev. Olivar Alves Pereira

Deus jamais nos ordenará a fazer algo para o qual Ele não nos capacitou primeiro.
Em Lv 25.8-34, Deus revelou Sua vontade em relação ao Ano do Jubileu, o qual ocorria em dois momentos: no sétimo ano era o repouso da terra (cf. Lv 25.20-22); e no quinquagésimo ano as terras que outrora foram vendidas, no Dia da Expiação deveriam voltar à família que a herdara na ocasião em que Canaã foi distribuída aos israelitas nos dias de Josué (cf. Lv 25.8-17). O Ano do Jubileu era a forma de mostrar ao povo que a terra não lhes pertencia, mas, sim, a Deus; o que o povo tinha era o direito dado por Deus de usufruir da terra. Isso refreava a ganância e a exploração alheia.

Voltemos nossa atenção para o sétimo ano. Após seis anos de plantio e colheita, a terra deveria ficar em repouso. Não só o povo, mas, a terra precisa guardar esse repouso para recuperar suas propriedades. Contudo, o objetivo não era somente repor tais propriedades do solo, mas, um ato didático da parte de Deus estava em foco, a saber, ensinar o povo a confiar Nele e em Sua provisão.

Por ser uma sociedade agrícola, eles viviam do que plantavam e cultivavam. Agora, pense como deveria ser difícil para eles ouvirem que deveriam passar um ano inteiro sem plantar e cultivar a terra. Pense nas implicações disso: (1) no sétimo ano eles comeriam o que fosse colhido no sexto ano; mas, e no oitavo ano, o que eles comeriam? E mais, o que eles plantariam? Não somente faltaria alimento como também sementes a partir do oitavo ano.

Mas, Deus sabe o que faz. Observe o que Ele diz em Lv 25.20-22:


“Se disserdes: Que comeremos no ano sétimo, visto que não havemos de semear, nem colher a nossa messe? Então, eu vos darei a minha bênção no sexto ano, para que dê fruto por três anos. No oitavo ano, semeareis e comereis da colheita anterior até ao ano nono; até que venha a sua messe, comereis da antiga”.

Isso mesmo, no sexto ano Ele faria com que a lavoura viesse não somente em dobro para suprir o sétimo ano, mas, em triplo, suprindo o sexto, o sétimo e o oitavo ano, e isso tanto para o alimento quanto para a semeadura para ser colhida no nono ano.

O povo deveria tão somente obedecer Deus não plantando nada na terra no sétimo ano. No momento em que Moisés comunicou essa lei de Deus ao povo, o mesmo não havia experimentado ainda tal fato. Fico aqui imaginando o povo instalado na terra de Canaã. No primeiro ano plantaram e colheram; o mesmo fizeram até ao quinto ano. Enfim, chegou o sexto ano ali na terra de Canaã. O povo semeou na terra, cultivou a lavoura. Algo diferente estava acontecendo, pois, a lavoura estava mais viçosa que nos outros anos; todos eles estavam maravilhados. Josué (Moisés já tinha morrido) relembrando o povo dizendo: “Oh, israelitas! Lembrem-se que Deus nos prometeu dar uma colheita sobremodo abundante para compensar o ano que vem, no qual a terra estará em repouso! Somente no após posterior ao Ano do Jubileu é que voltaremos a semear e a colher. Não se preocupem, pois, agora colheremos muito que dará para até para dois anos depois do Ano do Jubileu”.

Chegou então a colheita do sexto ano. Era tanta abundância, tanta fartura! Deus havia cumprido Sua promessa de mandar em abundância. Agora eles tinham que responder com obediência.

Disso tiramos algumas lições preciosas:

  • Obediência capacitada. Deus lhes ordenou que observassem o Ano do Jubileu, e, para tal, deu-lhes sobejamente tudo o que precisavam para obedecê-Lo. Deus jamais nos ordenará algo para o qual Ele não não preparou plenamente; Ele nunca nos deixará por nossa própria conta. ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó (Salmo 103.14) e jamais porá sobre nós um fardo que não poderemos suportar (1Coríntios 10.13);
  • Boa mordomia. Eles deveriam ser bons mordomos. Não deveriam esbanjar. Deveriam administrar para que não faltasse. Não poderiam sair gastando como se não fossem passar por um ano sem plantar. Infelizmente, somos tendenciosos a comprar o que não precisamos, com o dinheiro que não temos só para impressionarmos as pessoas. Além de tolice, isso é desonra a Deus, pois, como mordomos, nada temos, tudo é Dele e para Ele prestaremos contas.
  • Descanso necessário. Tudo tem limite. Até a terra se esgota e precisa de descanso. Hoje em dia, as pessoas estão exaustas, exauridas e extenuadas, abatidas pela ansiedade, depressão e esgotamento. Por que? Por não respeitarem os limites. Há os que trabalham demais, enquanto outros, sequer trabalham; ambos estão passando dos limites. Tudo tem o seu tempo. Respeite os limites que Deus estabeleceu. Ele assim o fez porque sabe o que é o melhor, e o melhor é sempre o correto.
  • O Dia do Senhor. Nossa sociedade mudou muito. Mas, o preceito da Palavra de Deus, não. Muitos de nós não estamos no campo e nem temos uma subsistência ali. Mas, todos nós ainda temos o Dia do Senhor, o nosso “descanso” semanal. Precisamos respeitar e guardar este dia. Ele é para o nosso deleite em Deus, e, assim, Nele refazermos nossas forças. É um dia que se deve dedicar totalmente a Deus para que, os demais dias da semana sejam vividos na mesma perspectiva. Ainda que você seja tentado a trabalhar no Dia do Senhor para obter um “renda extra”, ou terminar aquelas tarefas escolares, ou pior ainda, transformá-lo no “fim de semana” para o seu lazer, lute contra isso; esses deleites e afazeres só levarão você a mais sequidão espiritual. Somente quando você se deleitar exclusivamente em Deus, então verá quantas bênçãos colherá em sua vida.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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