Canções da Alma – 19ª Mensagem

Salmo 18

O Deus da Nossa Salvação

Parte III

O Louvor ao Deus da Nossa Salvação

Oração

“Santo e Amado Deus da minha alma. Em Nome de Teu Filho, o Senhor Jesus Cristo meu Salvador, suplico-lhe que abra os meus olhos para ver a maravilha da Tua Palavra. Santifique ó Deus, o meu coração, purifica-me com a Verdade que é a Tua Palavra, para que eu renda louvores somente a Ti e não tenha em meu coração a ninguém mais além de Ti. Tu és meu, e eu sou Teu. Por Cristo Jesus, Amém!”

 

Contextualização

               Na parte final deste Salmo encontramos Davi dirigindo louvores a Deus pelo maravilhoso livramento e vitória que Ele lhe deu. A vitória que Ele dá a Seus filhos reflete a vitória que Deus deu ao Seu Filho Jesus Cristo ressuscitando-O dentre os mortos e fazendo-O assentar-se à Sua destra na glória eterna (cf. Fp 2.5-11).

               Nessas palavras finais desse Salmo de Davi aprendemos verdades preciosas sobre o louvor que deve ser rendido somente a Deus. Por isso meditemos nessa ocasião sobre: O louvor ao Deus da nossa salvação.

               O louvor a Deus é:

1) Expressão da nossa confiança Nele, v.31-45

Exposição v.31-45: “Pois quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus? 32 O Deus que me revestiu de força e aperfeiçoou o meu caminho, 33 ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou nas minhas alturas. 34 Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze. 35 Também me deste o escudo da tua salvação, a tua direita me susteve, e a tua clemência me engrandeceu. 36 Alargaste sob meus passos o caminho, e os meus pés não vacilaram. 37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei, e só voltei depois de haver dado cabo deles. 38 Esmaguei-os a tal ponto, que não puderam levantar-se; caíram sob meus pés. 39 Pois de força me cingiste para o combate e me submeteste os que se levantaram contra mim. 40 Também puseste em fuga os meus inimigos, e os que me odiaram, eu os exterminei. 41 Gritaram por socorro, mas ninguém lhes acudiu; clamaram ao SENHOR, mas ele não respondeu. 42 Então, os reduzi a pó ao léu do vento, lancei-os fora como a lama das ruas. 43 Das contendas do povo me livraste e me fizeste cabeça das nações; povo que não conheci me serviu. 44 Bastou-lhe ouvir-me a voz, logo me obedeceu; os estrangeiros se me mostram submissos. 45 Sumiram-se os estrangeiros e das suas fortificações saíram, espavoridos”.

               Deus nos capacita quando nos sujeitamos a Ele, e assim exercitamos nossa confiança Nele.

               Diante de seus inimigos politeístas e idólatras, Davi está afirmando que existe somente um Deus, e Ele é o SENHOR (יהוה) o Grande EU SOU. Enquanto os deuses não passam de invenção dos homens e produtos de suas mãos, o SENHOR Deus é o único Deus em quem Seus servos confiam. Davi diz que Deus é o “rochedo” para os que Nele confiam. A figura de uma rocha sempre foi aplicada ao ser de Deus (Dt 32.4,15,18,30 e 31) e posteriormente aplicada também ao Senhor Jesus (Rm 9.33; 1Co 10.4; 1Pe 2.8).

               Os v.32-42 Davi descreve como Deus agiu a seu favor. Deus agiu com:

  • Fortalecimento, habilidade e treinamento para a guerra (v.32-34): Deus o revestiu, cingiu de força fazendo-o bem-sucedido em todas as suas ações (“aperfeiçoou o meu caminho”). Deu-lhe a habilidade para galgar os lugares mais difíceis e altos tal como uma corça que escala uma montanha íngreme com extrema facilidade e ligeireza. E também o treinou (“adestrou”) suas mãos para a batalha “de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze”, o que exigia extrema força. Em tudo isso devemos nos lembrar que as Escrituras descrevem a Davi como um homem de pequena estatura, e por isso mesmo, ele está aqui descrevendo a força de Deus e não a sua própria.
  • Proteção, misericórdia e livramento (v.35-36): Como um escudo Deus o protegeu, e, não fosse a misericórdia de Deus sendo clemente para com Seu servo, ele teria sofrido terrível vexame e desonra. Mas, porque Deus veio em seu socorro para salva-lo Davi viu seu caminho ser aplanado e alargado para que pudesse andar em segurança. O 36 aponta para o livramento que Deus lhe deu retirando-o das mãos de seus inimigos que o apertavam causando-lhe angústia como aquele que anda num caminho estreito.
  • Vingança para com os seus inimigos (v.37-42): Num primeiro olhar nestes versos somos tentados a interpretá-los como antagônicos às Escrituras especialmente com os ensinos de Jesus sobre o tratamento que devemos dar aos nossos inimigos. O que Davi está nos mostrando com estes versículos é que todas as suas vitórias foram resultados do favor Divino em sua vida. Deus havia estabelecido Davi como rei sobre Israel, mas, a conquista desse reino incluía muita luta contra os inimigos. Calvino afirma o seguinte[1]:

       A suma destes versículos consiste em que Davi, visto estar lutando sob a autoridade de Deus, sendo por ele escolhido rei, e visto não achar-se engajado em nenhum empreendimento sem sua devida autorização, fora assistido por ele e resistiu invencível a todos os assaltos de todos os seus inimigos, e foi ainda capaz de desbaratar mesmo seus numerosos e mui poderosos exércitos.

É importante ainda destacar o contraste que é feito entre a oração do fiel e a do ímpio. À oração do fiel Deus atende (v.6) ao passo que à do ímpio Ele não responde (v.41). Com a ajuda de Deus Davi desbaratou seus inimigos, e abandonados por Deus os ímpios pereceram (v.42).

  • Estabelecendo-o como rei (v.43-45): Deus agiu dentro do povo de Israel dissipando as contendas do povo; agiu fora do povo de Israel fazendo com que as nações estrangeiras se submetessem a ele, e o reconhecessem como o rei estabelecido por Deus. Como vimos no Sl 2.8, as nações foram dadas a Cristo. Aplicando as verdades desses versículos à pessoa de Cristo devemos nos lembrar do que dizem as Escrituras: 24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. 25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. 26 O último inimigo a ser destruído é a morte (1Co 15.24-26). Desde a Queda do homem no pecado, não há um só dia que o inferno e todos os inimigos de Cristo são expostos à vergonha, e, pior ainda será no dia do Juízo Final!

Aplicação v.31-45: Quem mais pode lhe dar força, habilidade e destreza para enfrentar as lutas dessa vida? Quem mais pode livrar e proteger você dos seus inimigos e revelar-lhe tamanha misericórdia? Somente Deus. Quem tem a Deus nada lhe falta, pois, Deus é o bastante. Louve a Deus, exalte-O. Demonstre a todos a sua confiança em Deus. Não permita que o seu coração confie em ninguém mais. Somente Deus é digno de sua confiança, não porque a sua confiança seja algo tão esplêndido assim, mas, porque somente Ele pode fazer com que sua confiança não seja infrutífera.

               Por fim, o louvor a Deus é

2) Expressão da nossa gratidão a Ele, v.46-50

Exposição v.46-50:46 Vive o SENHOR, e bendita seja a minha rocha! Exaltado seja o Deus da minha salvação, 47 o Deus que por mim tomou vingança e me submeteu povos; 48 o Deus que me livrou dos meus inimigos; sim, tu que me exaltaste acima dos meus adversários e me livraste do homem violento. 49 Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome. 50 É ele quem dá grandes vitórias ao seu rei e usa de benignidade para com o seu ungido, com Davi e sua posteridade, para sempre”.

               Deus é glorificado quando testemunhamos com gratidão os seus poderosos feitos em nossa vida. A gratidão é a expressão mais humilde e cheia de amor que uma pessoa pode demonstrar a Deus pelo o que Ele fez por ela. Davi expressou aqui nestes versículos a sua gratidão a Deus relembrando mais dos Seus poderosos feitos pelo Seu servo. E assim ele expressa sua gratidão a Deus exaltando-O:

  • Como o Deus Eterno (v.46): Ao dizer “Vive o SENHOR” Davi não apenas está aclamando a Deus com um brado, mas, sim, declarando que Ele é O que vive eternamente;
  • Como o Deus Justo (v.47-48): Deus tomara vingança por Davi livrando-o das mãos de seus inimigos e dando-lhe o reino. A justiça de Deus não está baseada na nossa justiça, mas, sim, na promessa Dele em preservar-nos. Ele havia prometido o reino a Davi, e o estabeleceu como rei. Os inimigos que se lhe opuseram sofreram a vingança de Deus a favor de Davi.
  • Como o Deus benigno e fiel (v.49-50): Davi não se continha em louvar a Deus somente diante do povo de Deus, mas, também queria louvá-Lo diante dos gentios que viram Deus dando o reino a ele, e, perante eles Davi glorificaria a Deus creditando a Ele toda a glória e honra pelos Seus feitos para com ele, pois, foi Deus quem dera “grandes vitórias” a ele. Nisso Davi reconhecia a “benignidade” de Deus que duraria não somente em sua vida, mas, se estenderia à sua posteridade.

               O louvor verdadeiro é aquele em que Deus é exaltado por causa de Seus atributos. O louvor não é um instrumento para me fazer melhor, mas, para exaltar a Deus. É claro que procedendo assim eu serei muito feliz e satisfeito porque a minha satisfação está em Deus é vê-Lo glorificado e exaltado é o prazer do meu coração.

               O louvor cheio de gratidão reconhece que não há uma só bênção, uma só vitória sem a ação e vontade de Deus.

Aplicação v.46-50: Seu louvor a Deus vem acompanhado de gratidão? Ao mostrar sua gratidão a Deus você testemunhará do caráter santo, eterno, justo, benigno e fiel de Deus. Em seus atos de louvor a Deus a gratidão por tudo quanto Ele tem feito em sua vida é uma característica em destaque?

Conclusão

               Quando olho para salvação que recebi de Deus, e para as demais bênçãos que Dele recebo constantemente, não encontro nada em mim que mereça tudo isso, mas quando olho para Deus encontro essa resposta. Por isso meu coração exulta na presença desse Deus maravilhoso, benigno, justo, misericordioso e eterno. E assim, só posso dizer como Davi no começo desse Salmo: “Eu te amo, ó SENHOR, força minha” (v.1). O meu amor é tudo o que eu tenho para dar a Ele.

[1] CALVINO, 1999, vol.1, p.397.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
This entry was posted in Mensagens Expositivas do Livro de Salmos. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.