Canções da Alma – 1ª Mensagem

A Verdadeira Felicidade

Salmo 1

              A felicidade é um dos empreendimentos mais importantes do ser humano. Mas, a concepção que muitos têm de felicidade é equivocada. Pensa-se que felicidade é não ter problema algum, não ter enfermidades, não passar por nenhum sofrimento, ou então ter tudo o que se quer, ou entregar-se aos prazeres sem limites, fazer somente o que se deseja fazer, etc. Os meios de comunicação vendem a ilusão de que uma vida dissoluta nos prazeres carnais é felicidade.

              Mas, logo no início do livro, Salmos apresenta a realidade de que uma vida pecaminosa não é uma vida feliz. Ao contrário de tudo isso, a Palavra de Deus nos mostra que a verdadeira felicidade é possível a nós se atentarmos para a vontade de Deus revelada em sua Palavra. E A Verdadeira Felicidade é o tema do Sl 1. É isso que quer dizer o termo: “Bem-aventurado”. Este termo expressa “as muitas felicidades que tem aquele que vive para a glória de Deus”.

              Em Deus encontramos a verdadeira felicidade. Felicidade esta que não dura apenas alguns momentos, mas, perpassa essa vida e avança pela eternidade.

              O salmista então nos mostra que aquele que tem a verdadeira felicidade

1)     Evita o pecado em todas as formas, v.1

Exposição v.1: Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.

              Três verbos aqui são importantes para entendermos as formas que o pecado se apresenta em nossa vida: andar (praticar o conselho dos ímpios), deter (parar para pensar no que eles fazem) e assentar (para conversar, falar os assuntos deles). Aquele que tem a verdadeira felicidade que é resultante da presença de Deus em sua vida não pactua e nem se coaduna com os ímpios. Ele não se isola dos ímpios, pelo contrário convive com eles sem jamais se envolver no estilo de vida pecaminoso deles.

              Os ímpios são aqueles que desprezam a Palavra de Deus, que não se importam com ela. Por isso, eles são descritos neste verso como alguém preso numa espiral degradante. Eles “andam” nos conselhos perversos de seus corações, eles se “detém” na prática de pecados, e se “assentam” junto a seus pares para escarnecerem (literalmente, arrancar as carnes das pessoas com palavras maldosas).

              Mas, aquele que tem a verdadeira felicidade que Deus lhe dá, evita andar (viver) pela orientação dos conselhos dos ímpios, porque sabe que os próximos passos serão deter-se nas práticas pecaminosas dos ímpios e envolver-se nas conversas cheias de escárnio deles. Por ter em seu coração a verdadeira felicidade que vem de Deus, tal homem não tem prazer no pecado.

 

Aplicação v.1: Como você se comporta na presença daqueles que cujo prazer está em seguir conselhos ímpios, fazer coisas pecaminosas e falar mal dos outros? Você sente prazer em alguma dessas coisas, ou o seu prazer está em obedecer a Deus evitando tudo isso? Há ainda em seu coração algum prazer no pecado? Seu coração ainda busca saciar-se nas coisas que os ímpios têm a lhe oferecer? Se sim, será que você tem a verdadeira felicidade em seu coração?

               O salmista também nos mostra que aquele que tem a verdadeira felicidade

2)     Alimenta-se da Palavra de Deus, v.2,3.

Exposição v.2,3: 2 Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia

e de noite.  3 Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”.

              O termo “Lei do SENHOR” abrange tanto os escritos proféticos, os Dez Mandamentos, o Pentateuco e todo o Antigo Testamento. Seja como for, o salmista tinha em mente aqui tudo aquilo que vinha da parte de Deus e foi registrado para instruir o coração dos Seus filhos. A Palavra de Deus é o alimento da alma deste que é bem-aventurado. É impossível alguém ser feliz de fato sem prestar obediência sincera e prazer em meditar na Palavra de Deus.

             O prazer dessa pessoa está em meditar na Lei do SENHOR de dia e de noite. Ao meditar diuturnamente na Palavra de Deus, seu coração será conduzido a praticar tudo o que agrada a Deus (cf. Cl 3.16). A Palavra de Deus enriquece o nosso coração e nos faz canais de Sua bênção para os outros.

               No v.3 o salmista usa a figura de uma árvore forte e frondosa para descrever aquele que se alimenta da Palavra de Deus e a estabilidade que a Palavra lhe dá. Ele tem

ü Suprimento constante: “plantado junto à corrente de águas”; o termo “plantado” traz consigo a conotação de uma árvore que foi transplantada de um lugar para outro, o que aplica-se perfeitamente à nova vida em Cristo[1].

ü Fruto constante: “no devido tempo, dá o seu fruto”; o fruto do Espírito Santo na vida do homem piedoso é constante, o “devido tempo” é o tempo todo;

ü Vigor constante: “cuja folhagem não murcha”; esse vigor constante é mais do que uma força que não oscila. É a capacidade de renovar-se espiritualmente por meio da Palavra de Deus.

ü Sucesso constante: “e tudo quanto ele faz será bem sucedido”. O homem piedoso terá sucesso em tudo o que fizer não porque é habilidoso, mas, sim, porque se submete à orientação e vontade de Deus.

               Dizem por aí que somos o que comemos. Na vida cristã isso é verdade. Nós somos aquilo do que o nosso coração se alimenta. Se nos alimentarmos da Palavra de Deus agiremos de conformidade com a vontade de Deus nela revelada. Como o Senhor Jesus disse: “Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

Aplicação v.2,3: Do que o seu coração tem se alimentado? Observe seus pensamentos, palavras e suas ações, elas responderão a essa pergunta.

               Por fim, o salmista nos mostra que aquele que tem a verdadeira felicidade

3)     Tem-na por toda a eternidade, v.4-6

Exposição v.4-6: 4 Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.  5 Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos.  6 Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”.

               A vida dos ímpios é diametralmente oposta à do homem piedoso. Os ímpios não são estáveis (bem plantados), não são produtivos, suas obras não são duradouras, e não têm a verdadeira prosperidade. Pelo contrário, “são como a palha que o vento dispersa”, ou seja, falta-lhes consistência e substância. Nas palavras do Senhor Jesus, “não tem raiz em si mesmos” (Mt 13.20,21).

               Mas, não é só nesta vida que vemos essa disparidade entre o justo e o ímpio. No dia do Juízo Final, quando todos comparecerão diante do trono de Deus para serem julgados, os ímpios não terão ninguém para defende-los e muito menos encontrarão absolvição. Pelo contrário, o que encontrarão é a danação eterna. Aqueles que viveram desprezando a Palavra de Deus e não tendo nenhum prazer nela porque resolveram seguir seus próprios caminhos pecaminosos, se depararão com a terrível realidade da condenação eterna, e nunca participarão da congregação dos justos.

               Assim acontecerá “Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas, o caminho dos ímpios perecerá”. O salmista volta à ideia do v.1 onde “caminho” quer dizer “estilo de vida”, “escolhas”. Um coração que foi “transplantado” pela Graça de Deus e regenerado viverá sempre confiante no sacrifício de Cristo e em obediência à Palavra de Deus. E por isso mesmo desfrutará da verdadeira felicidade que é eterna. O justo tem o seu coração cheio dessa alegria nesta vida a despeito das circunstâncias, e quando projeta seu olhar para a eternidade tem a esperança e a certeza dessa felicidade verdadeira e eterna na presença de Deus.

Aplicação v.4-6: Você está na congregação dos justos, ou seja, você tem andado na companhia daqueles que amam a Deus? Você é um justo entre justos? Ou você tem buscado a sua felicidade neste mundo nas coisas que este mundo lhe oferece na companhia daqueles que vivem zombando de Deus? O que o mundo lhe oferece durará enquanto sua vida aqui durar. A felicidade que Deus lhe dá é para toda a eternidade.

Conclusão

               Ao olhar para a Terra Deus vê somente dois grupos de pessoas: os piedosos que O amam, e os ímpios que O aborrecem. Em qual desses grupos você está?


[1] MACDONALD, 2007, vol.1, p.372.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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