Canções da Alma – 37ª Mensagem

Oração

“Eterno Pai, nós Teus filhos aqui estamos e esperamos ouvir da Tua Palavra a instrução para o nosso
coração, para que em tudo glorifiquemos Teu Nome. Dependemos totalmente do Teu Santo Espírito para
nos iluminar os olhos da alma e assim vermos as maravilhas da Tua Lei. Confiados em Cristo Jesus, assim
oramos, amém!’’

Superando a Decepção
Sl 35

Introdução e Contextualização

                  O tempo todo estamos lidando com decepções. Decepcionamos com coisas, com sentimento,
com projetos, e principalmente com pessoas, especialmente aquelas que nos são próximas.

                  Neste salmo que é um daqueles conhecidos como “Salmos imprecatórios”, onde o salmista clama
a Deus que lhe faça justiça punindo aqueles que lhe fazem mal, encontramos Davi decepcionado com aqueles
que lhe eram próximos, mas, que na primeira oportunidade que tiveram de entrega-lo ao perverso rei Saul
o fizeram. Observe o que Davi diz nos v. 11-16: 11 Levantam-se iníquas testemunhas e me arguem de coisas que eu não sei. 12 Pagam-me o mal pelo bem, o que é desolação para a minha alma. 13 Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração me reclinava sobre o peito, 14 portava-me como se eles fossem meus amigos ou meus irmãos; andava curvado, de luto, como quem chora por sua mãe. 15 Quando, porém, tropecei, eles se alegraram e se reuniram; reuniram-se contra mim; os abjetos, que eu não conhecia, dilaceraram-me sem tréguas; 16 como vis bufões em festins, rangiam contra mim os dentes.

                  Estes que levantaram testemunhas falsas contra Davi e o acusaram de coisas que ele não sabia,
ele os tinha em alta estima. Seu coração estava ferido por ver que embora ele lhes tivesse feito sempre
bem, eles sempre lhe faziam o mal, e isso “é desolação para a minha alma” disse Davi (v. 11-12).

                  Quando estiveram doentes, Davi sofreu com eles, e por eles intercedeu junto a Deus se
humilhando na presença Dele com panos de saco e afligia a sua “com jejum e em oração”. Ele os tinha
como “amigos” e “irmãos” e pela dor deles ele chorava “como quem chora por sua mãe” (v. 13-14).

                  Porém, no momento em que Davi tropeçou e fraquejou “eles se alegraram e se reuniram”
contra ele. Homens miseráveis e vis se juntaram a esses traidores e dilaceraram Davi, difamaram-no “sem
tréguas”
. Comportavam-se como bobos da corte (bufões numa festa), e cheios de hipocrisia e raiva rangiam
os dentes mostrando seu ódio por Davi que sempre lhes fez o bem (v. 15-16). Estes versículos nos mostram o contexto que levou Davi a escrever este Salmo.

Aplicação v.11-16

Você já passou por uma situação assim na qual você fez de tudo pela pessoa, doou-se ao
máximo para que ela ficasse bem e, na primeira oportunidade ela o decepcionou terrivelmente? Você se vê na pele de Davi nessas palavras? Como você lidou com essa decepção? Um fato sobre os relacionamentos é que estamos sujeitos sempre a nos decepcionarmos com as pessoas e a causar decepção nelas. Contudo, mesmo que elas nos decepcionem, devemos ficar firmes em lhes fazer o bem pois, quem nos recompensa é o próprio Deus. Temos que superar a decepção causada pelas pessoas.

                   Pois bem, quero convidá-lo a meditar comigo sobre: Superando a decepção. Neste salmo vemos
que só é possível superar a decepção:


1) Abrigando-se em Deus, v.1-10

1 Contende SENHOR, com os que contendem comigo; peleja contra os que contra mim pelejam. 2 Embraça o escudo e o broquel e ergue-te em meu auxílio. 3 Empunha a lança e reprime o passo aos meus perseguidores; dize à minha alma: Eu sou a tua salvação. 4 Sejam confundidos e cobertos de vexame os que buscam tirar-me a vida; retrocedam e sejam envergonhados os que tramam contra mim. 5 Sejam como a palha ao léu do vento, impelindo-os o anjo do SENHOR. 6 Torne-se-lhes o caminho tenebroso e escorregadio, e o anjo do SENHOR os persiga. 7 Pois sem causa me tramaram laços, sem causa abriram cova para a minha vida. 8 Venha sobre o inimigo a destruição, quando ele menos pensar; e prendam-no os laços que tramou ocultamente; caia neles para a sua própria ruína. 9 E minha alma se regozijará no SENHOR e se deleitará na sua salvação. 10 Todos os meus ossos dirão: SENHOR, quem contigo se assemelha? Pois livras o aflito daquele que é demais forte para ele, o mísero e o necessitado, dos seus extorsionários.

                   Davi clamou ao SENHOR que o defendesse de seus inimigos que o atacavam (v.1); pediu a
Deus que tomasse o escudo grande e o pequeno, assim como a Sua lança e Se levantasse como um guerreiro
para defendê-lo, Se interpondo entre ele e os seus inimigos para confundi-los e atrapalha-los (v.2-3).

                   Ele então pediu a Deus que os confundisse em seus planos malignos para que fossem
envergonhados, pois, o que eles fizeram com a confiança e a dedicação de Davi reveladas a eles foi algo
extremamente vergonhoso (v.4). Que o anjo do SENHOR fizesse com eles como a palha que é dispersa pelo
vento (cf. Sl 1.4), fazendo-os escorregarem em seus caminhos e caírem na escuridão (v.5-6).

                   E porque Davi assim orou? Porque ele tinha sua consciência limpa diante de Deus quanto às acusações infundadas que lhe eram feitas por seus inimigos (v.7). Por isso mesmo, ao pedir a Deus que
fizesse que seus inimigos caíssem nas mesmas armadilhas que puseram para ele, Davi nos mostra a lei da
semeadura: o que se planta é o que se colhe (v.8).

                   A confiança de Davi estava em Deus e ele esperava em Deus a sua salvação, para então louvá-Lo (v.9). Todo o seu ser louvaria ao SENHOR reconhecendo que ninguém se compara a Ele, pois, ninguém é
tão misericordioso como Deus que se importa com os míseros e necessitados livrando-os dos seus
extorsionários (v. 10).

Aplicação 1-10

Quando você for golpeado por alguém que traiu sua confiança, e que, além disso, ainda
faz de tudo para acabar com você, busque a proteção de Deus, recorra ao Seu divino poder que é capaz de protege-lo. Abrigue-se em Deus e ouça o que Ele lhe diz: “Eu sou a tua salvação”, e diga ao SENHOR o mesmo que Davi disse: “SENHOR, quem contigo se assemelha?”. Por mais feridas que alguém possa
causar ao seu coração, se você estiver abrigado em Deus, você superará essa decepção.

                   Superemos a decepção


2) Buscando a justiça de Deus, v. 17-26

17 Até quando, Senhor, ficarás olhando? Livra-me a alma das violências deles; dos leões, a minha predileta. 18 Dar-te-ei graças na grande congregação, louvar-te-ei no meio da multidão poderosa. 19 Não se alegrem de mim os meus inimigos gratuitos; não pisquem os olhos os que sem causa me odeiam. 20 Não é de paz que eles falam; pelo contrário, tramam enganos contra os pacíficos da terra. 21 Escancaram contra mim a boca e dizem: Pegamos! Pegamos! Vimo-lo com os nossos próprios olhos. 22 Tu, SENHOR, os viste; não te cales; Senhor, não te ausentes de mim. 23 Acorda e desperta para me fazeres justiça, para a minha causa, Deus meu e Senhor meu. 24 Julga-me, SENHOR, Deus meu, segundo a tua justiça; não permitas que se regozijem contra mim. 25 Não digam eles lá no seu íntimo: Agora, sim! Cumpriu-se o nosso desejo! Não digam: Demos cabo dele! 26 Envergonhem-se e juntamente sejam cobertos de vexame os que se alegram com o meu mal; cubram-se de pejo e ignomínia os que se engrandecem contra mim.

                   Um dos desejos mais persistentes em nosso coração é o desejo de vingança. E isso não só faz
um mal terrível à nossa alma, como também desonra a Deus. Mas, para que o desejo de vingança não cresça
em nosso coração, devemos buscar a justiça de Deus porque:

  • A justiça de Deus vem no tempo certo. Davi clamou a Deus para que viesse sem demora
    socorrê-lo e livrá-lo destes perversos (v. 17); ele alimentava em seu coração a certeza de que Deus o livraria e por isso ele O louvaria na congregação (v.18). A justiça de Deus pode nos parecer demorada, mas, Deus sabe quando exatamente deve intervir. Nestes dois versos, vemos Davi variando da dúvida (“Até quando,
    Senhor, ficarás olhando?”)
    para a certeza de que daria graças e louvaria a Deus diante da congregação do Seu povo. Isso nos mostra o quanto o nosso coração é traiçoeiro e jamais devemos confiar em nossa justiça, mas, tão somente na justiça de Deus!
  • A justiça de Deus sempre prevalece sobre o mal. Davi sabia que toda essa perseguição e
    maldade contra ele era gratuita, e não havia causa alguma para isso (v. 19), e tudo o que os inimigos dele
    falavam e contra ele planejavam não era de paz (v.20). Seus inimigos se alegraram e se vangloriaram quando pensaram que estavam próximos de captura-lo, pois o tinham diante de seus olhos (v.21). Mas Davi confiando na ação de Deus declarou que eram eles que estavam diante dos olhos de Deus; e por isso
    clamou mais uma vez para que o SENHOR o livrasse (v.22). Ele clamou a Deus que intervisse o quanto
    antes em sua causa, e fez mais uma linda declaração a Deus: “Deus meu e Senhor meu!” (v.23). Que
    preciosa declaração de fé! Davi clamou a Deus que o justificasse diante dos inimigos; a esperança de Davi era a justiça de Deus e não a sua própria (v.24). Seu pedido a Deus foi para que Ele não permitisse o triunfo dos seus inimigos sobre si (v.25); mas, em vez disso, que Deus fizesse justiça por ele, fazendo com que os inimigos ficassem envergonhados e cobertos de ignomínia (v.26). Como é difícil vermos o mal triunfando e se espalhando como uma praga sobre a terra, não é mesmo? Mas, o mal não avança deliberadamente. Deus está no controle e Ele refreia o mal e usa o mal para os Seus santos propósitos.

Aplicação v 19-26

Busque a justiça de Deus. Somente a justiça Dele calará a boca dos perversos, refreará a iniquidade dos pérfidos, e fará você superar qualquer decepção e ato de injustiça contra você. Em dias
como os nossos onde somos incitados o tempo todo a reclamarmos nossos direitos, a processarmos por
calúnia àqueles que nos difamam, ou a arrancar um bom dinheiro daqueles que tentam nos prejudicar,
recorrermos à justiça de Deus não somente é a melhor saída, como a única que realmente exalta a Deus. Lembre-se: Tão forte quanto o seu desejo de justiça deve ser o desejo de glorificar a Deus – e O glorificamos quando não tomamos vingança, mas, esperamos na Sua justiça.

                   Por fim, superaremos a decepção


3) Estando na presença dos filhos de Deus, v.27-28

27 Cantem de júbilo e se alegrem os que têm prazer na minha retidão; e digam sempre: Glorificado seja o SENHOR, que se compraz na prosperidade do seu servo! 28 E a minha língua celebrará a tua justiça e o teu louvor todo o dia”.

                   Um filho de Deus deve andar com aqueles que realmente são filhos de Deus e têm como
objetivo principal de suas vidas glorificarem a Deus. E nestes dois versículos aprendemos preciosas verdades
sobre o caráter dos filhos de Deus.

  • Os filhos de Deus têm prazer na retidão. Os filhos de Deus têm prazer nas coisas que são
    justas, que expressam um caráter justo. Davi disse que estes verdadeiros filhos de Deus tinham prazer em vê-lo agindo com retidão na presença de Deus. Vermos nossos irmãos agindo para a glória de Deus deve ser inspiração para nós bem como motivo de louvor a Deus.
  • Os filhos de Deus têm plena confiança em Deus e por isso O louvam. Tanto os retos que
    tinham prazer na retidão de Davi quanto o próprio Davi louvava a Deus por Seus poderosos feitos a favor
    do Seu servo. Por tudo o que Davi já havia experimentado de Deus, agora ele sabia que Deus não o
    desampararia e por isso mesmo viria em seu socorro.

                   Deus usa Seus filhos para que eles se consolem, se apoiem e se ajudem mutuamente (2Co 1.3-
5)
. Pessoas nos decepcionam, e muitas vezes pessoas bem próximas de nós. Mas, Deus nos dá a graça de
termos ao nosso lado, irmãos de verdade, pessoas sinceras que O amam mais do que tudo as quais serão
valorosos instrumentos Dele para nos lapidar.

Aplicação v.27-28

Não permita que a decepção e a injustiça causadas por pessoas as quais você tinha em
grande consideração leve você e se fechar no seu mundo, e se recolher em você mesmo alimentando mágoa e rancor. Pessoas sempre nos decepcionarão (e nós muitas vezes as decepcionaremos também). Mas, também sempre encontraremos nos verdadeiros filhos de Deus um amparo, um lenitivo para o nosso coração. Filhos de Deus andam com filhos de Deus.


Conclusão

                   Lutemos contra o desejo de vingança, não o alimentemos, deixemos que ele morra de inanição.
Se estão nos fazendo o mal, paguemos com o bem; abriguemo-nos em Deus e confiemos no cuidado Dele
para conosco. Lembremo-nos sempre do que Deus nos diz em Rm 12.19: “Não vos vingueis a vós mesmos
amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz
o Senhor”
. Aprendamos a confiar Nele.

Oração

                   “O Pai, não permita que o nosso desejo de vingança nos engane fazendo-nos pensar que é justiça que queremos. Em vez disso que descansemos em Ti e saibamos que o SENHOR tem o Seu tempo e o Seu jeito de agir. Ajude-nos a confiarmos totalmente em Ti. Por Jesus Cristo, amém!”.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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