Canções da Alma – 65ª Mensagem

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Oração

“Majestoso Deus, cujo trono é eterno, cuja glória é insuperável, cujo amor e justiça são infinitos. A Ti rogamos que nos instrua em Tua Palavra. Ela que é a instrução que nossa alma necessita, o alimento para o nosso coração, e o instrumento que lapida a nossa fé, só poderá ser devidamente aplicada em nosso coração se o Teu Espírito assim o fizer. Toma-nos em Tuas mãos, guie-nos. Assim oramos em nome de Jesus, amém!”.

Canções da Alma

Salmo 64

A Oração de Um Coração Aflito

Parte IV

Da Perplexidade à Alegria no SENHOR

Introdução e Contextualização

                  A nossa vida é um drama. Nascemos chorando, crescemos em meio ao sofrimento, e choramos em face à morte. Somos atropelados por circunstâncias que nos deixam desolados, arrasados, ou na linguagem deste salmo, perplexos (v.1).

                  Não temos como dizer com exatidão a ocasião pela qual Davi passou a qual foi o “pano de fundo” para este salmo. Ao que tudo indica, foi a mesma dos Sl 61,62 e 63. Quem são os inimigos descritos aqui, também não sabemos. A única coisa que podemos afirmar é que neste salmo o qual ele entregou “Ao mestre de canto” a fim de ser empregado no culto público, Davi nos mostra como ir da perplexidade à alegria no SENHOR Deus. No v.1 ele clamou a Deus para que o socorresse em suas perplexidades, e, no v.10 ele encerra o salmo testemunhando da alegria que o SENHOR Deus concede aos que confiam e se gloriam Nele.

                 Deixando a perplexidade e chegando à alegria no SENHOR:

  1. Passamos por intensa aflição, v.1-6 

1 Ouve, ó Deus, a minha voz nas minhas perplexidades; preserva-me a vida do terror do inimigo.

2 Esconde-me da conspiração dos malfeitores e do tumulto dos que praticam a iniquidade,

3 os quais afiam a língua como espada e apontam, quais flechas, palavras amargas,

4 para, às ocultas, atingirem o íntegro; contra ele disparam repentinamente e não temem.

5 Teimam no mau propósito; falam em secretamente armar ciladas; dizem: Quem nos verá?

6 Projetam iniquidade, inquirem tudo o que se pode excogitar; é um abismo o pensamento e o coração de cada um deles.

                   Davi buscou a Deus, suplicou que lhe ouvisse a oração, pois, estava tomado por “perplexidades”. Estar perplexo é estar perturbado em seu coração, e a causa de suas perplexidades era que sua vida estava sob a ameaça “do terror do inimigo”. Somente a ARA traz essa palavra “perplexidades”. Contudo, as palavras de Davi expressam justamente a ideia de uma terrível angústia causada pelos inimigos. Mas antes de vermos cada uma delas (as perplexidades), é importante que entendamos que:

Aplicação v.1

A vida de um servo de Deus é marcada por situações que o deixam perplexo. O Apóstolo Paulo expressou justamente isso quando falou sobre a grandiosidade da glória do Evangelho sendo proclamado por pessoas tão frágeis como nós. Ele disse em 2Co 4.7-10 que: 7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; 9 perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; 10 levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo”. Você poderá ser perturbado por inimigos que o aterrorizarão tirando sua paz e até ameaçando a sua vida, por isso mesmo você deverá buscar a Deus com fervor como fez Davi para ter a convicção e firmeza de Paulo para ver a vida de Cristo se manifestar em sua vida.  

                   Vejamos agora as várias situações que os inimigos causaram perplexidade em Davi.

                   No v.2 ele clamou a Deus que o escondesse da “conspiração dos malfeitores e do tumulto dos que praticam a iniquidade”. Seus inimigos se ajuntavam para planejar o mal e depois se dispersavam espalhando o mal a fim de destruírem Davi. Por isso ele clamou a Deus que o escondesse.

Aplicação v.2

Só Deus pode livrar-nos não só das ações planejadas dos homens maus. Por maior que seja o número de inimigos se levantando contra nós, Deus é o único que poderá nos livrar e Se interpor a nosso favor. Em vez de pedir a Deus para mudar as circunstâncias ruins em sua vida, peça, como Davi, para Deus mudar o seu coração, tirando dele toda a perplexidade e enchendo-o de confiança.                        

                   Nos v.3-6 Davi descreve as três áreas em que o pecado se expressa na vida de uma pessoa: pensamentos, palavras e ações.

                   No v.3 ele mostra o ataque dos inimigos feito com as palavras. Os inimigos de Davi afiavam sua língua, usavam “palavras amargas” as quais eram como flechas mortíferas e envenenadas (Pv 25.18; 26.18,19; Jr 9.8). Davi várias vezes sofreu com calúnias, mentiras e com delações dos inimigos contra sua pessoa.

                   No v.4 ele fala das ações malignas dos seus inimigos contra ele. Seus inimigos “às ocultas” o atacavam em sua integridade (“o íntegro”), ato típico dos filhos das trevas e por isso só fazem suas obras na escuridão (Jo 3.20; 1Ts 5.7). Não demonstravam qualquer temor em seus corações. Não temiam a Deus, como fica claro nos v.5-6 onde Davi mostra como eles com seus pensamentos zombavam de Deus. Insistindo em seu “mau propósito” seus inimigos agiam “secretamente” pondo ciladas, com tanta presunção e arrogância dizendo “Quem nos verá?”. Eles projetavam e planejavam o tempo todo a iniquidade, e em como arrancar os segredos mais íntimos daqueles a quem oprimiam pois, “inquirem tudo o que se pode excogitar”. Seus corações são como abismos profundos “é um abismo o pensamento e o coração de cada um deles”; entende-los, não somente é uma tarefa impossível para nós, mas, também são como sepulturas profundas que só têm morte e destruição.

                   Estes versos vêm nos mostrar a extensão da depravação humana. O homem é totalmente depravado e os seus pensamentos, palavras e ações comprovam isso. O homem ama as sombras, ele faz de tudo para esconder das pessoas as suas obras vergonhosas e chegando ao ponto de pensar que ninguém haverá de descobrir. A arrogância deles só não é maior que a própria maldade e loucura, pois, se aos olhos dos homens eles conseguem esconder seus propósitos e atos malignos, jamais esconderão dos olhos de Deus.

Aplicação v.3-6

Daqui tiramos as seguintes lições para nós:

  • Precisamos tomar cuidado com nossos pensamentos, não só porque eles se tornarão palavras e ações e assim serão descobertos pelos homens, mas, porque Deus já os conhece perfeitamente e retribuirá a nós conforme o que pensarmos e fizermos (cf. Jr 17.10).
  • Precisamos buscar sabedoria em Deus para lidarmos com aqueles que se levantam contra nós e passam o tempo todo de suas vidas tramando em fazer-nos o mal. Davi sabia que o coração humano é um “abismo” profundo e que entender o que se passa na mente de um ímpio e as motivações que o levam a agir como age é algo que escapa à nossa compreensão. Mas, Deus, que é Aquele que conhece os pensamentos mais secretos da alma humana pode nos dar sabedoria para lidarmos com esses tais, e assim vencermos a aflições que eles nos trouxerem.

                   A oração de um servo de Deus cujo coração estiver aflito sempre será respondida. Saindo da perplexidade rumo à alegria do SENHOR Deus, também

2. Testemunhamos o agir de Deus, v.7-10

7 Mas Deus desfere contra eles uma seta; de súbito, se acharão feridos.

8 Dessarte, serão levados a tropeçar; a própria língua se voltará contra eles; todos os que os veem meneiam a cabeça.

9 E todos os homens temerão, e anunciarão as obras de Deus, e entenderão o que ele faz.

10 O justo se alegra no SENHOR e nele confia; os de reto coração, todos se gloriam.

                   Lá estão os ímpios arrogantes se vangloriando de sua esperteza e de não serem pegos por ninguém em seus atos malignos. “Mas Deus desfere contra eles uma seta; de súbito, se acharão feridos” (v.7). Ao depender do SENHOR Deus e das Suas instruções, Davi viu seu coração perplexo ser tomado pela certeza de que Deus agiria a seu favor. Seus inimigos “às ocultas”, sorrateiramente dispararam contra ele, mas, eles experimentariam exatamente o mesmo da parte de Deus, pois, “de súbito” Deus desferiria Suas setas de justiça contra eles, e em sua arrogância, se achariam feridos (ver Jr 8.15).

Aplicação v.7

É na força do poder do Senhor que somos fortalecidos (Ef 6.10). Não há outro poder que possa nos livrar, e não há outro de que necessitamos. Confiemos em Deus. Só Deus com Seu infinito poder consegue expulsar o medo do nosso coração e enchê-lo de confiante convicção no Seu agir.

                   No v.8 vemos que a “lei da semeadura” prevalece. Com o mesmo instrumento com que feririam o servo de Deus, agora, os inimigos seriam feridos pelo próprio Deus, a saber, com as próprias palavras deles. Tentaram fazer Davi cair em armadilhas de sorte que viesse ele a cair? Pois bem, agora eles próprios cairiam nas armadilhas que puseram ao servo de Deus. O SENHOR Deus faz com que os males engendrados pelos ímpios contra os Seus filhos caiam sobre os próprios ímpios. Davi foi exaltado por Deus como rei do Seu povo e seus inimigos derrotados por Deus de forma tão impressionante que “todos os que os veem meneiam a cabeça”, escarnecendo desses que outrora foram arrogantes e perversos.       

Aplicação v.8

O SENHOR Deus derrota os nossos inimigos com as mesmas armas que eles usam contra nós. Nada pode ser mais vergonhoso para aqueles que em sua arrogância se viam como os intocáveis, serem abatidos pelo golpe da mão de Deus. Deus sabe honrar aqueles que O honram, mas, também sabe como humilhar os arrogantes e soberbos (Sl 138.6; 1Pe 5.5).

                   No v.9 vemos que os filhos do povo louvaram ao SENHOR Deus por aquilo que Ele havia feito por Davi, e enquanto louvavam a Deus eles meditavam no Seu caráter e obras que são santos e justos. Enquanto os inimigos do justo são vergonhosamente derrotados por Deus que agiu em favor do justo, este “se alegra no SENHOR e nele confia; os de reto coração, todos se gloriam” (v.10). Em Deus está a confiança do justo, e a sua alegria é compartilhada por todos aqueles que iguais a ele têm o coração reto e em Deus confiam.

                   A oração que Davi fizera no v.1 foi mais que amplamente respondida no decorrer do salmo. Ainda que o julgamento de Deus esteja no futuro, a certeza do agir de Deus acompanha o filho de Deus o tempo todo desde agora.

Aplicação v.9-10

Não podemos perder de vista que toda a aflição pela qual passamos, toda lágrima que derramamos por causa da injustiça que nos foi feita, Deus reverte para a Sua glória. Que possamos nos lembrar disso enquanto estivermos passando por essas situações, pois, assim conseguiremos ver com outros olhos a nossa dor e glorificaremos a Deus. Também não devemos nos esquecer jamais que ainda que nesta vida tenhamos vitórias concedidas por Deus, a maior de todas e a mais importante acontecerá na Volta do Senhor Jesus, quando então Ele subjugará definitivamente todos os inimigos do Seu povo. Em Cristo somos mais que vencedores, disse o apóstolo Paulo (cf. Rm 8.37), ou seja, estando em Cristo podemos ter a certeza da vitória antes mesmo da guerra começar.

Conclusão

                   A trajetória do crente vai da perplexidade até à alegria no SENHOR Deus. Essa trajetória é longa, árdua e difícil. Contudo, podemos confiar que Deus estará sempre presente, e a cada luta vencida, a cada lágrima enxugada, estaremos mais perto da vitória que Deus tem reservado para os Seus filhos, os que Nele se gloriam.

                   Que em meio às perplexidades dessa vida Deus nos dê a graça de sentirmos a Sua alegria nos fortalecendo e amparando o tempo todo para que toda glória seja dada a Ele somente, amém!

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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