Canções da Alma – 67ª Mensagem

Oração

“Eterno Pai, nossa alma se regozija em Tua presença. Estamos jubilosos em Tua presença por tudo o que tens feito por nós, Sua Igreja. Agora quando estamos diante de Tua Palavra, desvenda, ó Pai, nossos olhos para vermos as Tuas maravilhas e a verdade que nosso coração necessita. Pelos méritos de Cristo, Teu Filho Amado nós oramos, amém!”. 

Salmo 66

O Louvor de Um coração Agradecido

Parte II

Toda Glória Seja Dada a Deus

Introdução e Contextualização

                  Tudo que Deus criou, tudo o que existe neste universo, foi criado e existe para a glória Dele; um pássaro cantando nas manhãs, as flores se abrindo na primavera, o sol, a lua e as estrelas que brilham no céu, lá estão para que Deus em tudo seja glorificado; até mesmo o mal concorre para a glória de Deus, até Satanás existe para que Deus seja glorificado em sua existência maligna. Mas, no Dia da volta de Cristo, quando o Juízo Final for instaurado, Deus haverá de ser glorificado tal como nunca foi, pois, todos haverão de reconhecer sua glória. Os crentes o farão por terem sido salvos pela Graça de Deus; os ímpios que passaram suas vidas zombando de Deus e dando-Lhe às costas, seus joelhos também se dobrarão, seus lábios confessarão que Ele é o Senhor, porém, o farão para receberem a condenação e sentença final sendo lançados no lago de fogo. O ateu mais convicto hoje, naquele dia se tornará no crente mais fervoroso, mas, será tarde demais. Em tudo isso Deus haverá de ser glorificado (cf. Fp 2.9-11).

                  Quanto a este salmo, não temos nenhuma informação sobre quem foi o seu autor e nem a ocasião precisa em que ele foi escrito. O que podemos afirmar é que o autor tinha em mente os grandiosos feitos de Deus no Êxodo de Israel tal como nos mostra os v.6 que aponta para a abertura do Mar Vermelho quando Israel fugia de Faraó (Êx 14.15-25), e o represamento do rio Jordão quando Israel estava para entrar na terra prometida (Js 3.14-17). De acordo com o v.6 que diz: “…ali, nos alegramos nele”, podemos inferir que o autor era contemporâneo de Josué, ou quem sabe, o próprio Josué que tanto havia visto o Mar Vermelho quanto o rio Jordão serem abertos, e por isso escrevera este salmo para louvar a Deus. Há ainda os que pensam, com base nos v.11-12, que este salmo fora escrito após o cativeiro babilônico no ano 608 a.C. Mas, essa interpretação parece muito frágil, pois, estes versos se encaixam perfeitamente na ocasião em que Israel foi escravo no Egito de onde Moisés o tirou.

                  Seja quem for o autor, o que não podemos perder de vista é que este salmo foi escrito para exaltar a Deus e honrá-Lo, e é a expressão de um coração piedoso que reconhecesse os grandes feitos de Deus por Seu povo, e por isso mesmo aponta para o fato de que toda honra e glória devem ser dadas a Deus. Este salmista tinha um coração agradecido – lembre-se que o tema dessa série (Sl 65 – 68) é O louvor de um coração agradecido.E neste salmo enfocaremos o seguinte tema: Toda glória seja dada a Deus!

                  A estrutura deste salmo é inversa ao anterior. O Sl 65 começa com um louvor pessoal, no qual um indivíduo expressa seu amor por Deus, depois fala do louvor da comunidade da Aliança, e encerra falando do louvor de todas as nações. O Sl 66 inverte essa ordem. Ele começa falando de todas as nações louvando a Deus, depois fala do louvor da Igreja, a comunidade da Aliança, e encerra falando do louvor pessoal desse indivíduo. Seguiremos essa estrutura enquanto meditarmos neste salmo: o louvor universal, o louvor congregacional e o louvor pessoal.

                  Toda glória seja dada a Deus

  1. Em todas as nações, v.1-4

1 Ao mestre de canto. Cântico. Salmo Aclamai a Deus, toda a terra. 

2 Salmodiai a glória do seu nome, dai glória ao seu louvor. 

3 Dizei a Deus: Que tremendos são os teus feitos! Pela grandeza do teu poder, a ti se mostram submissos os teus inimigos. 

4 Prostra-se toda a terra perante ti, canta salmos a ti; salmodia o teu nome.

                  O salmista começa dizendo “Aclamai a Deus, toda a terra” (v.1). Aclamar significa erguer, levantar, colocar em destaque. Toda a terra deve louvar a Deus. louvar a Deus não é dever só dos crentes, mas, de todos os seres, de tudo o que existe. Todo o universo tem que louvar a Deus; hoje, Deus convida aos homens a renderem-se diante Dele e a adorá-Lo, mas, na volta de Cristo, Ele exigirá o louvor de todas as nações. Este salmo tem um chamado missionário; ele nos conclama a olhar para as nações e dizer-lhes para louvarem ao Senhor Deus. E esse chamado é universal, embora a salvação seja reservada apenas para os eleitos de Deus. O nosso objetivo principal em “fazer missões”, não é a conversão dos pecadores. A conversão dos pecadores é um dos elementos constantes na evangelização.

Aplicação v.1

O objetivo principal na evangelização é vermos pecadores sendo convertidos em adoradores de Cristo. O objetivo da conversão é a adoração; a finalidade de uma pessoa ser convertida a Cristo é ser transformada num adorador de Cristo. No Dia da volta de Cristo, todos adorarão a Cristo: os crentes por serem filhos de Deus, e os ímpios para serem sentenciados à condenação eterna. Pregamos o Evangelho para que Deus seja enaltecido entre as nações, contudo, a adoração, e não a evangelização é o foco principal da existência da Igreja. Evangelizamos mais efetivamente na medida em que adoramos a Deus com mais amor, entusiasmo e devoção sincera. Uma igreja que não zela pela adoração a Deus, pelo Seu culto, tal igreja perdeu o seu foco. Ela pode investir em missionários no outro canto do planeta, mas, se ela não for zelosa no culto a Deus aqui, tal igreja terá perdido o seu sentido.

                  No v.2, os imperativos “salmodiai” e “cantai”, nos falam de canções de louvor a Deus. Devemos louvar a Deus com salmos. Devemos com nosso louvor mostrar o quão grande é Deus, quão grande é a glória do Seu Nome. Até o louvor a Deus é algo grandioso, afinal, tudo o que é dedicado a Deus tem seu sentido enobrecido. Salmodiar a Deus é louvá-Lo com a Sua Palavra.

Aplicação v.2

Devemos cantar hinos e cânticos que tenham como base a Palavra de Deus. É claro que nos dias do salmista o único hinário que eles tinham era o saltério, o qual foi inspirado pelo Espírito Santo. Não estou dizendo que devemos cantar somente os salmos, mas, sim, que nossas canções e hinos devem ser totalmente embasados nas Escrituras. Lamentavelmente, muito das músicas empregadas hoje no culto a Deus chegam a ser heréticas e blasfemas. Se quisermos louvar a Deus verdadeiramente, então lancemos mão de textos bíblicos e os musiquemos; adoremos ao Senhor com a Sua Palavra. Jamais erraremos em nossa adoração.

                  Nos v.3-4, as nações são conclamadas a louvarem a Deus e a reconhecerem os Seus poderosos feitos. Perante Ele caem submissos os Seus inimigos. Enquanto o v.3 descreve a rendição humilhante dos inimigos de Deus, o v.4 descreve a adoração sincera e jubilosa dos filhos de Deus.     

Aplicação v.3-4

Os que se comportam com arrogância diante de Deus haverão de ser humilhados por Ele, ainda nesta vida, e muito pior, no dia da volta de Cristo. Os que hoje o adoram amorável e sinceramente, haverão de louvá-Lo por toda a eternidade no mais profundo estado de alegria eterna. Essa é a mensagem que temos que passar para as pessoas: “Não zombem de Deus!”, afinal Ele é o justo juiz. A arrogância dos poderosos, a empáfia dos soberbos haverão de ser destruídas pela ira de Deus. Corações humildes diante de Deus e que zelam pelo Seu santo Nome, sempre serão acolhidos em Sua santa presença.

                  Toda glória seja dada a Deus

2. Entre o Seu povo, v.5-12

5 Vinde e vede as obras de Deus: tremendos feitos para com os filhos dos homens! 

6 Converteu o mar em terra seca; atravessaram o rio a pé; ali, nos alegramos nele. 

7 Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações; não se exaltem os rebeldes. 

8 Bendizei, ó povos, o nosso Deus; fazei ouvir a voz do seu louvor; 

9 o que preserva com vida a nossa alma e não permite que nos resvalem os pés. 

10 Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. 

11 Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; 

12 fizeste que os homens cavalgassem sobre a nossa cabeça; passamos pelo fogo e pela água; porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso.

                  Voltando-se agora para o povo de Deus, o salmista passa a relatar os poderosos feitos de Deus por Seu povo. O salmista já conclamara as nações para verem a Deus como o Supremo e Soberano que deve ser louvado e temido. Agora, chamando a atenção para os poderosos feitos de Deus entre o Seu povo, o salmista retrata a Deus como o Salvador misericordioso, o Pai amoroso que cuida do Seu povo com quem estabelecera uma Aliança eterna (v.5). Talvez você esteja se perguntando onde está a Igreja nestes versos, ou ainda tenha dificuldades de ver a Igreja de Cristo no Antigo Testamento. Mas, quero lhe mostrar que a Igreja de Cristo não nasce no Novo Testamento, mas, sim, no Antigo, na instituição do povo de Israel. Em Êx 12.3,6,16,19 e Dt 23.1,2 e 8 vemos que Israel é chamado de “congregação” e de “assembleia do povo”, termos estes que são usados em referência à Igreja no Novo Testamento. Destaco ainda que o termo “assembleia” referindo a Israel no Antigo Testamento, aparece (na ARA) 17 vezes, ao passo que o termo “congregação” referindo-se a Israel, aparece no Antigo Testamento nada menos que 317 vezes. Em contrapartida, temos, no Novo Testamento, a Igreja sendo chamada de “Israel de Deus” (cf. Gl 6.16).

                  No v.6 ele descreve como Deus libertara a Israel das garras do Egito. Quando Israel chegara às margens do Mar Vermelho e pensando que tudo estava perdido, Deus abriu o mar e eles passaram a pés enxutos. O mesmo acontecera quando às margens do rio Jordão viram as águas amontoando-se e assim puderam atravessar em segurança. Mas, mais do que focar nas circunstâncias, o salmista está focado em dizer o que Deus fez em seus corações, ou seja, transformou-os em libertos, em súditos do Seu reino, estes que eram escravos no Egito.

Aplicação v.6

Tudo o que o Êxodo foi para Israel, Cristo é para nós. No Êxodo, Israel foi liberto do Egito; em Cristo somos libertos da escravidão do pecado. Quando chamamos o mundo para os poderosos feitos de Deus em nossa vida, mostramos para o mundo o que Cristo fez em e por nós, transformando-nos de escravos condenados à morte, em filhos de Deus e súditos do Seu reino de glória. Mostramos para o mundo que houve uma transformação em nosso coração. Não somos mais quem éramos. Podemos dizer isso ao mundo? Houve mesmo transformação em nossa vida? Há em nosso coração nojo e ódio pelo pecado?

                  E como ele fez isso? A resposta está no v.7: “…em seu poder”, qual o qual Ele “governa eternamente”, o que aponta não só para o futuro, mas, também para o passado. Ele é eterno, e a Sua eternidade aponta para o fato de que Ele não tem começo de dias e nem fim. Enquanto os poderosos deste mundo vêm e vão, Deus permanece eternamente em Seu trono, do qual Ele governa, pois, “…os seus olhos vigiam as nações”. Que os rebeldes e pecadores não se esqueçam disso: ainda que possam viver ignorando Deus, um dia estarão frente e frente com Ele e prestarão contas.

Aplicação v.7

O governo de Deus é eterno e também completo. Ninguém escapa do Seu domínio. Dos Seus olhos ninguém escapa, por isso, “…são se exaltem os rebeldes”.     

                  Nos v.8-9 vemos a advertência que nós, Igreja de Cristo, devemos fazer ao mundo. Devemos dizer a todos que bendigam o Nome de Deus, e que louvem a Deus. Devemos alertar ao mundo a que não zombe de Deus. é lamentável vermos que aqueles que deveriam demonstrar esse zelo, muitas vezes são os primeiros a zombarem de Deus. Um exemplo disso é quando vemos a Santa Palavra de Deus sendo vituperada em piadas ou conversas vãs. Devemos brilhar neste mundo refletindo a glória de Deus (Mt 5.16), devemos mostrar ao mundo o que Deus tem feito por nós, preservando a nossa vida e a nossa alma, não permitindo que tropecemos e caiamos (v.9).

Aplicação v.8-9

O que Cristo fez por Sua Igreja, é o que devemos dizer ao mundo. As nossas obras devem apontar para a obra de Cristo. O que faz a Igreja ser bela, não é o que ela faz, mas, sim, o que Cristo fez por ela. Ouço muitos crentes e pastores dizendo que a Igreja tem que buscar ser relevante neste mundo. Quando lhes pergunto como serão relevantes, eles me apresentam ideias humanas, ideologias socialistas, e uma teologia fraca, e tudo isso com a desculpa de a Igreja se tornar mais acessível ao pecador, mais sensível ao pecador que está buscando algo mas, não sabe o que é. Em todas essas “estratégias” não se vê o Evangelho puro, nem na pregação e muito menos na vida. A Igreja que quer ser relevante em seus dias, deve viver em santidade de vida, mostrando em si mesma os resultados do Evangelho que ela deve pregar.

                  Mas, quando a Igreja de Cristo não vive conforme a vontade Dele, Ele então a disciplina. No v.10, o salmista descreve a disciplina que Ele trouxe sobre o Seu povo. Muitas vezes Deus nos leva ao crisol da tribulação, como nos mostra o v.10 “…acrisolaste-nos como se acrisola a prata”. A prata tem o tempo certo de ficar no fogo; se ficar ali mais que o devido, se transforma num pedaço de metal sem valor. Conte-se que um homem vendo o ourives acrisolando a prata perguntou-lhe como ele sabia o ponto e a hora certa de tirar a prata do cadinho. O ourives lhe respondeu que quando a imagem deve estivesse perfeitamente refletida na prata aquecida e derretida ali no crisol, então era a hora de retirá-la do fogo.

Aplicação v.10

Enquanto o caráter de Cristo não é forjado em nós, Ele não retira de nós a tribulação. Não tenha pressa em sair da tribulação. Em vez disso queira ser conformado á imagem de Cristo (cf. Rm 8.28-29).   

                  Nos v.11-12, o salmista descreve como foi a disciplina que Deus trouxe sobre eles. Ele permitiu que o Seu povo caísse nas armadilhas dos inimigos e fosse capturado por eles, que fossem açoitados; permitiu que Seu povo fosse derrotado na guerra vendo os cavalos dos inimigos passando sobre suas cabeças; permitiu que o povo passasse pelo fogo e pela água, ou seja, as mais diversas tribulações, “…porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso”. Deus disciplina os Seus filhos, enquanto, que, aos bastardos Ele os entrega a si mesmos (cf. Hb 12.4-13; Rm 1.24-26). Aos filhos, Deus disciplina para corrigi-los e trazê-los de volta à Sua presença; aos ímpios e bastardos, Ele os pune entregando-os a si mesmos para se autodestruírem.

Aplicação v.11-12

Tome cuidado com o seu coração. Ele sempre apelará a você para fazer a sua vontade, e fará com que ela pareça boa e razoável. Enquanto a sua vontade não estiver totalmente subjugada à vontade de Deus, certamente você pecará ao fazer a sua vontade. Mesmo que não haja nada de ilegítimo em algo que você queira fazer, mas, se tal coisa não for a vontade de Deus para a sua vida, então você irá pecar e atrair para si a disciplina de Deus. Estando sob a disciplina Dele, não se desespere, pois, Ele sabe o momento certo de retirar a disciplina de você. Porém, se ele não estiver lhe disciplinando porque você tem feito a sua própria vontade e não a Dele, isso não quer dizer que Ele esteja aprovando o que você está fazendo. Lembre-se de que Deus entrega os pecadores a si mesmos a fim de puni-los por seus pecados.

                  Por fim, vemos que toda glória deve ser dada a Deus

3. Em seu coração, v.13-20

13 Entrarei na tua casa com holocaustos; pagar-te-ei os meus votos, 

14 que proferiram os meus lábios, e que, no dia da angústia, prometeu a minha boca. 

15 Oferecer-te-ei holocaustos de vítimas cevadas, com aroma de carneiros; imolarei novilhos com cabritos.  16 Vinde, ouvi, todos vós que temeis a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma. 

17 A ele clamei com a boca, com a língua o exaltei. 

18 Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido. 

19 Entretanto, Deus me tem ouvido e me tem atendido a voz da oração. 

20 Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.  

                  Todas as nações são conclamadas a adorarem a Deus, olhando para a Igreja e vendo nela o que Cristo fez; de igual forma, a Igreja é conclamada a adorar a Deus com santidade de vida mostrando ao mundo o que Deus fez por ela. Mas, nenhuma adoração pública e comunitária será verdadeira se ela não for pessoal, resultante de um coração compungido e contrito na presença de Deus. Podemos adorar a Deus aqui, mas, se não tivermos o hábito de cultivar o estudo diário da Palavra, de cultuar a Deus em casa com a família ou ainda sozinho, nossa adoração comunitária será deficiente. A adoração comunitária nada mais é do que a continuidade da adoração pessoal.

                  Nos v.13-15 vemos que a adoração sincera é aquela na qual há zelo pelo culto a Deus tal como Ele nos prescreve em Sua Palavra. Em Lv 6.8-11 vemos como Deus queria que os holocaustos e sacrifícios fossem realizados. Outro princípio que devemos observar é que adoração sincera é fiel no cumprimento dos votos que fazemos a Deus, especialmente os votos feitos nos tempos de angústia. Nos dias da angústia estamos mais vulneráveis aos nossos sentimentos, e não devemos fazer nada embasado em nossos sentimentos, mas, sim na Palavra de Deus. Uma vida pautada em sentimentos muda de opinião e direção com facilidade, e é por isso que muitos não cumprem os votos que fizeram no calor da emoção. Para não cairmos nesse pecado, devemos mostrar nosso zelo dando a Deus aquilo que Ele requer de nós. No v.15 o salmista reporta às qualidades e características dos sacrifícios que deveriam ser oferecidos a Deus, e essas características foram estipuladas por Ele próprio. O melhor que podemos dar a Deus é a nossa obediência à Sua Palavra.

Aplicação v.13-15

Precisamos ser zelosos para com os votos que fazemos a Deus. Em nossa caminhada cristã fazemos votos em muitas ocasiões, e deveríamos ser cuidadosos em cumprir cada um deles, porque Deus não se agrada de votos de tolos (Ec 5.4). O melhor que temos para dar a Deus é o nosso coração, o qual para ser usado por Deus, precisa ser transformado. Isso é um golpe em nosso orgulho. Mas, enquanto não entendermos essa verdade, não agradaremos a Deus.

                  Nos v.16-17 o salmista chama a atenção da Igreja para si para que vejam o que Deus fizera por ele. Aqui temos um princípio importante para a vida congregacional: um incentivando o outro a prosseguir na caminhada da fé, demonstrando gratidão a Deus por tudo o que Ele nos tem feito.

Aplicação v.16-17

Em Hb 10.24-25 vemos que é na vida em comunidade que nos estimulamos ao amor e às boas obras. Observe a dinâmica deste salmo. A Igreja chama o mundo para ver o que Deus fez por ela, e assim O adore também; o crente chama a Igreja para que esta veja o que Deus tem feito por ele, a fim de incentivar os irmãos a permanecerem firmes na presença de Deus.

                  Nos v.18-19 o salmista declara que ele foi ouvido por Deus, porque Deus era a sua única riqueza. Se em seu coração ele tivesse buscado a vaidade (coisas vazias, fúteis), ele não teria sido abençoado por Deus. Ele se aproximou de Deus com sinceridade e por isso Deus o ouviu.

Aplicação v.18-19

A sinceridade agrada a Deus se vier acompanhada de santidade. Sinceridade enlameada pelo pecado não agrada a Deus. Seja sincero, mas, seja santo também.

                  No v.20 o salmista encerra com mais uma nota de louvor a Deus. Ele começou este salmo conclamando as nações a adorarem a Deus, e o encerra declarando que o seu coração adora a Deus. Matthew Henry diz: “Independente de quais sejam as premissas, a glória de Deus sempre deve ser a conclusão”. Não importa qual a circunstância que estivermos passando, o que importa é que a glória de Deus seja o nosso alvo. Além disso, devemos descansar no caráter de Deus. Ele é gracioso e por isso não aparta de nós a Sua graça. Não é por nosso mérito que somos abençoados, mas, pela graça de Deus.

Aplicação 20

Estamos dispostos a glorificar a Deus não importando a circunstância? Há em nosso coração o desejo de glorificar e honrar a Deus acima de tudo e de todos? É este o seu desejo? Ou o seu coração tem sido disputado por ídolos e se entregue a eles?

Conclusão

                  Que a nossa devoção pessoal incentive outros irmãos a viverem vida santa para a glória de Deus. Que a nossa Igreja assim mutuamente incentivada por todos nós, sirva de incentivo para o mundo brilhando para a glória de Deus.  

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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