Canções da Alma – 69ª Mensagem

Oração

“Maravilhoso, Glorioso e Eterno Deus, cuja santidade, majestade e beleza são inigualáveis, cujos mandamentos e preceitos são perfeitos e transformam o nosso coração. A Ti clamamos por meio de Teu Filho Jesus Cristo, que nos instruas, nos moldes, nos transformes com o poder da Tua Palavra que será lida, exposta e aplicada aos nossos corações. Tire de nós todos os empecilhos nos ouvidos, nos olhos e em nossa mente e coração para que ouçamos atentamente Tua Palavra. Assim clamamos, em Nome de Jesus, amém!”. 

Salmo 68

O Louvor de Um coração Agradecido

Parte IV

Bendito Seja Deus!

Introdução e contextualização

                  Desde o Sl 65 temos visto o tema O louvor de um coração agradecido, no qual temos refletido sobre a importância de se ter um coração cheio de gratidão. Sabe quando você está diante de uma situação de extrema responsabilidade para a qual você se vê impotente e você começa a se recordar de momentos gloriosos do seu passado quando Deus fez algo impressionante em sua vida? Pois bem, neste Salmo, Davi enquanto se preparava para trazer a Arca da Aliança para Jerusalém, recordou os grandes feitos de Deus na história do povo de Israel, especialmente nos dias do Êxodo. Recordar os grandes feitos de Deus não só em nossa própria vida, mas, também, na vida de outros servos Dele é algo que fortalece a nossa gratidão a Deus e intensifica o nosso louvor.

                  Davi compôs este Salmo e o entregou aos cuidados do “mestre de canto” para que fosse entoado ao som de “instrumentos de corda”. Este Salmo tem um duplo “pano de fundo”, a saber, (1) a ocasião em que trouxe para Jerusalém a Arca da Aliança que estava na casa de Obede-Edom, e durante a procissão este foi um dos cânticos entoados a Deus (cf. 2Sm 6.12-19)[1], (2) e o Êxodo de Israel que Davi relembrou aqui.

                  Olhando para a narrativa do Êxodo de Israel quando Deus realizou grandes feitos a favor do povo, no v.1 Davi repete praticamente as mesmas palavras de Nm 10.35, ditas quando Moisés recebia ordem de Deus para juntamente com o povo levantar acampamento e continuarem a marchar. No momento em que a Arca da Aliança era levantada Moisés dizia: “Levanta-te, SENHOR, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam”, pois, esta representava a presença de Deus com Seu povo. E assim, este salmo enquanto era entoado por Davi e por aqueles que estavam com ele levando a Arca para Jerusalém, também recordava a peregrinação dos hebreus desde o Sinai até à Terra Prometida.

                  Uma expressão que Davi encerra com ela este Salmo é a mensagem central do mesmo: “Bendito seja Deus”, e a tomaremos como tema para nossa meditação.

                  Mas, por que Deus deve ser bendito, adorado e louvado? Quatro verdades sobre o Seu caráter são apresentadas aqui. Bendito seja Deus porque

1.Ele é o Deus presente, v.1-10 

1 Levanta-se Deus; dispersam-se os seus inimigos; de sua presença fogem os que o aborrecem.

2 Como se dissipa a fumaça, assim tu os dispersas; como se derrete a cera ante o fogo, assim à presença de Deus perecem os iníquos.

3 Os justos, porém, se regozijam, exultam na presença de Deus e folgam de alegria.

4 Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. SENHOR é o seu nome, exultai diante dele.

5 Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.

6 Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril.

7 Ao saíres, ó Deus, à frente do teu povo, ao avançares pelo deserto,

8 tremeu a terra; também os céus gotejaram à presença de Deus; o próprio Sinai se abalou na presença de Deus, do Deus de Israel.

9 Copiosa chuva derramaste, ó Deus, para a tua herança; quando já ela estava exausta, tu a restabeleceste.

10 Aí habitou a tua grei; em tua bondade, ó Deus, fizeste provisão para os necessitados.

                   Podemos imaginar Davi se preparando para começar a procissão saindo da casa de Obede-Edom rumo à Jerusalém. No momento em que os sacerdotes ergueram a Arca da Aliança em seus ombros Davi repetiu as palavras que Moisés dizia todas as vezes que levantavam o arraiam e começavam a marchar: “Levanta-se Deus; dispersam-se os seus inimigos” (v.1). Quantas vezes Israel viu a manifestação poderosa de Deus desbaratando e dispersando os inimigos! A Arca da Aliança quando era levantada do meio do arraial porque Deus ordenava que marchassem, Moisés dizia essas palavras e o povo de Deus era impulsionado a marchar confiante. Os inimigos de Deus e do Seu povo fugiam como insetos da luz, mas, em vão, pois, Deus os dissipava como fumaça e os derretia como cera no fogo, pois “assim à presença de Deus perecem os iníquos” (v.2). Enquanto isso, “os justos, porém, se regozijam, exultam na presença de Deus e folgam de alegria” (v.3).

Aplicação v.1-3

A maior tolice e ilusão do pecador é pensar que pode fugir da ira de Deus. Todos os homens, o tempo todo e em todos os lugares estão sob os olhos de Deus. Não podem fugir e nem se esconder do Seu olhar. O Seu olhar ao mesmo tempo em que desbarata os Seus inimigos (todos quantos se rebelam contra Ele), também repousam misericordiosamente sobre os justos, enchendo-os de alegria. A certeza da presença de Deus no coração daqueles que são verdadeiramente filhos Dele os faz fugirem do pecado e exultarem de alegria diante Dele.   

                   Ninguém é como Deus. Ele é o único Deus. Ninguém tem a Sua glória e majestade. No v.4 Davi O descreve como aquele a quem todos devem adorar com salmos de louvor, exaltar a Sua glória que é acima de tudo e de todos, pois Ele “cavalga sobre as nuvens”, ou seja, Ele habita os mais altos céus, e se mantém supremo sobre todas as coisas[2].Contudo, mesmo habitando em Sua santa morada, Ele habita também com os mais humildes e desamparados, sendo “Pai dos órfãos e juiz das viúvas” (v.5); consola o solitário e lhe dá o bem mais precioso que um homem pode ter: uma família; aos escravos, Ele liberta e lhes dá uma propriedade para se sustentarem, enquanto que aos rebeldes Ele revela o Seu castigo já nesta vida dando-lhes a miséria (v.6).           

Aplicação v.4-6  

É importante lembrarmos que muito mais do que a condição econômica de uma pessoa, é a postura do seu coração diante de Deus que atrai a Sua misericórdia. Muitos pobres e desamparados são tão arrogantes quanto os ricos e avarentos. Mas, um coração humilde, dependente e que anseia pela misericórdia de Deus, haverá de ser atendido e socorrido por Deus. Ele descerá da Sua glória para socorrer este coração que invoca pelo Seu santo Nome (cf. Is 57.15).

                   Novamente, imaginemos Davi juntamente com os sacerdotes e o povo começando a procissão rumo a Jerusalém (cf. 2Sm 6.15). Então Davi recordando o que aconteceu com Israel nos dias de Moisés enquanto marchavam para a Terra Prometida, disse: “Ao saíres, ó Deus, à frente do teu povo, ao avançares pelo deserto, tremeu a terra… os céus gotejaram… o Sinai se abalou… Copiosa chuva derramaste…” (v.7-9). Por onde a Arca da Aliança, o símbolo da presença de Deus passava, a manifestação do poder de Deus era tão grande, tão intensa, tão visível que o povo quando se encontrou cansado e exausto, teve suas forças restabelecidas (v.9), e ali mesmo, onde todas essas manifestações poderosas de Deus aconteceram “habitou a tua [de Deus] grei; em tua bondade, ó Deus, fizeste provisão para os necessitados” (v.10).

Aplicação v.7-10

Onde tudo parece deserto e morte, dor e lágrima, fraqueza e exaustão, ali mesmo é onde Deus Se manifesta com Sua santa presença e revigora-nos com Seu infinito poder, faz maravilhas, realiza milagres, demonstra o Seu controle absoluto sobre tudo, e assim, restabelece as nossas forças fazendo-nos olhar para a Sua grandeza. Na tribulação que você estiver passando, na luta que estiver enfrentando e na dor que estiver sentindo, é justamente aí mesmo onde Deus agirá com Seu poder. O vigor do nosso coração está intimamente ligado à nossa fé em Deus. Corações exaustos assim estão porque não confiam em Deus.                

                   Bendito seja Deus porque   

2. Ele é o Deus Justo, v.11-14

11 O Senhor deu a palavra, grande é a falange das mensageiras das boas-novas.

12 Reis de exércitos fogem e fogem; a dona de casa reparte os despojos.

13 Por que repousais entre as cercas dos apriscos? As asas da pomba são cobertas de prata, cujas penas maiores têm o brilho flavo do ouro.

14 Quando o Todo-Poderoso ali dispersa os reis, cai neve sobre o monte Zalmom.

                   Estes quatro versos devem ser interpretados juntos para que não percamos o seu foco, a saber, Deus faz justiça a Seus filhos ao dar-lhes a vitória sobre seus inimigos.

                   O v.11 descreve o costume daqueles tempos, quando após uma vitória na guerra, os soldados eram recebidos pelas mulheres que cantavam e entoavam louvores a Deus por ter-lhes dado triunfo sobre os inimigos, como por exemplo: Miriã em Êx 15.20-21, a filha de Jefté em Jz 11.34, e as mulheres de Israel em 1Sm 18.6-7.

                   O v.12 descreve como Deus humilha os arrogantes. Os reis poderosos “fogem e fogem” enquanto “a dona de casa reparte os despojos” que estes reis deixaram quando fugiram. Deus sempre escolhe as coisas loucas e fracas desse mundo para envergonhar as que se julgam sábias e fortes (cf. 1Co 1.18-21 e 27). O v.13 traz certa dificuldade em sua tradução e significado, e para não nos delongarmos em demasiado aqui, ficamos com a posição esposada por Derek Kidner que entende que aqui é uma referência às mulheres que tomaram os despojos dos inimigos (cf. v.12) e estavam agora demonstrando seus adereços de luxo, assemelhando-se a pombas que mostram em suas penas cores exuberantes[3]. Dessa forma o povo é exortado a não pôr limites em suas riquezas (“cercas dos apriscos”), mas, a ver como Deus lhe tinha abençoado abundantemente.

                   O v.14 descreve a ação de Deus contra os inimigos. Aqueles que se julgam poderosos (os reis) se desfazem como a neve no monte Zalmom (“Montanha Negra”), um monte próximo a Siquém (Jz 9.48), cujo topo era coberto de neve, a qual se derretia no verão. Ali Deus espalhou os inimigos e derramou Sua justiça como Ele espalha a neve sobre os montes.    

Aplicação v.11-14

Deus sabe fazer justiça pelos Seus filhos. Ele sabe como derrubar o arrogante em sua arrogância, e como exaltar o humilde que Nele confia. Ele sabe cobrir de honras o coração que Nele espera, e sabe como dispersar e humilhar aqueles que se levantam contra os que O amam. Não precisamos nos defender quando temos Deus por juiz. Tão somente precisamos estar certos de que estamos andando conforme a Sua justiça.

                   Bendito seja Deus porque

3. Ele é o Deus Todo-Poderoso, v.15-23

15 O monte de Deus é Basã, serra de elevações é o monte de Basã.

16 Por que olhais com inveja, ó montes elevados, o monte que Deus escolheu para sua habitação? O SENHOR habitará nele para sempre.

17 Os carros de Deus são vinte mil, sim, milhares de milhares. No meio deles, está o Senhor; o Sinai tornou-se em santuário.

18 Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o SENHOR Deus habite no meio deles.

19 Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.

20 O nosso Deus é o Deus libertador; com Deus, o SENHOR, está o escaparmos da morte.

21 Sim, Deus parte a cabeça dos seus inimigos e o cabeludo crânio do que anda nos seus próprios delitos.

22 Disse o Senhor: De Basã os farei voltar, fá-los-ei tornar das profundezas do mar,

23 para que banhes o pé em sangue, e a língua dos teus cães tenha o seu quinhão dos inimigos.

                   A procissão levando a Arca para Jerusalém continuava o seu percurso (v.15-18). No percurso, Davi e os que com ele estavam, erguendo seus olhos viam os grandes montes de Basã (provavelmente, Hermom) e Zalmom, mas, todos eles mesmo sendo imponentes e sobranceiros (cf. v.15) não foram escolhidos por Deus para ali ser edificado o Seu templo onde Sua Arca repousaria de vez. O Monte Sião, onde está Jerusalém, este foi o monte que Deus escolhera para a Sua habitação, isto é, para que Seu templo fosse construído. Usando de uma prosopopeia, Davi personifica esses montes como que estes estivessem sentido inveja do Monte Sião por ter sido escolhido por Deus (v.16). Quanto ao número dos “carros de Deus são vinte mil, sim, milhares de milhares” (v.17), não deve ser entendido literalmente, pois, “milhares de milhares” contrasta com “vinte mil”. Há uma infinidade de anjos a serviço de Deus, e “no meio deles está o Senhor”, e a Sua revelação no Sinai, foi em santidade, o que impactou profundamente o povo. O v.18 descreve o momento quando Davi tomou Sião e fez de Jerusalém a capital do seu reino e o lugar da habitação da Arca da Aliança. No dia em que ele venceu os inimigos, estes foram levados para lá juntamente com os despojos. Este verso é usado por Paulo em Ef 4.8 em referência à ascensão de Cristo aos céus, quando Ele destruiu o cativeiro de nossas almas e concedeu dons à Sua Igreja para equipá-la.      

Aplicação v.15-18

Sião não era o mais alto nem o mais imponente daqueles montes; estava longe de ser comparado com o Sinai, onde Deus Se revelara tremendamente a Israel. O que o tornou o “Monte do SENHOR” foi a escolha de Deus, assim como foi com Israel, o menor dos povos (Is 41.14), com Davi, o menor dos filhos de Jessé (1Sm 16.11-13), e conosco, os principais pecadores (cf. 1Tm 1.15-16). A glória da nossa salvação pertence somente a Deus.

                   Os v.19-23 constituem-se num louvor a Deus destacando-O como:

  • Nosso Sustentador e amparo que “dia a dia, leva o nosso fardo!”. Enquanto os sacerdotes carregavam a Arca nos seus ombros, Davi lembrou ao povo de que Deus é quem nos carrega e sustenta com Suas mãos. “Bendito seja o Senhor” por Sua bondade e misericórdia revelada a nós.
  • Nosso Salvador, pois Ele é “a nossa salvação” (v.19).
  • Nosso Libertador (v.20), e só Ele pode nos livrar da morte e de tudo quanto nos põe em risco, como por exemplo, os inimigos que ostentavam seu poder com sua cabeleira desgrenhada a fim de parecerem mais ferozes. Estes que “andam em seus próprios delitos” (v.21), isto é, seguem a sua própria vontade, deparar-se-ão com o juízo de Deus e serão desbaratados. Assim como no Êxodo Deus “tirou do mar” a Israel e lá mesmo destruiu os carros de Faraó, Ele haveria de fazer novamente tantas vezes quantas forem necessárias (v.22). Os cães lambendo o sangue dos inimigos era uma das piores maneiras de desonra-los, conforme constatamos em 1Rs 14.11; 16.4; 21.19,23,24; 22.28; 2Rs 9.10,36

Aplicação v.19-23

Deus carrega os nossos fardos, por isso, somos desafiados a lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade porque Ele cuida de nós (1Pe 5.7). Nenhum inimigo, nenhuma ira, nenhum perigo é maior que a ira de Deus e o perigo de se estar em inimizade com Ele. Porém, Ele nos salvou da Sua própria ira com a qual Ele castigará os inimigos do Seu povo. Ele é o nosso libertador. Por tudo isso Ele deve ser adorado e louvado em nossos corações. Já não pesa sobre nós a condenação e a danação. Estamos livres pelo poder de Deus. Mas nunca devemos esquecer que tudo isso Ele fez por nós porque Ele quis e não porque houvesse em nós algum merecimento.

                   Por fim, bendito seja Deus porque

4. Ele é o Deus Triunfante, v.24-35

24 Viu-se, ó Deus, o teu cortejo, o cortejo do meu Deus, do meu Rei, no santuário.

25 Os cantores iam adiante, atrás, os tocadores de instrumentos de cordas, em meio às donzelas com adufes.

26 Bendizei a Deus nas congregações, bendizei ao SENHOR, vós que sois da estirpe de Israel.

27 Ali, está o mais novo, Benjamim, que os precede, os príncipes de Judá, com o seu séquito, os príncipes de Zebulom e os príncipes de Naftali.

28 Reúne, ó Deus, a tua força, força divina que usaste a nosso favor,

29 oriunda do teu templo em Jerusalém. Os reis te oferecerão presentes.

30 Reprime a fera dos canaviais, a multidão dos fortes como touros e dos povos com novilhos; calcai aos pés os que cobiçam barras de prata. Dispersa os povos que se comprazem na guerra.

31 Príncipes vêm do Egito; a Etiópia corre a estender mãos cheias para Deus.

32 Reinos da terra, cantai a Deus, salmodiai ao Senhor,

33 àquele que encima os céus, os céus da antiguidade; eis que ele faz ouvir a sua voz, voz poderosa.

34 Tributai glória a Deus; a sua majestade está sobre Israel, e a sua fortaleza, nos espaços siderais.

35 Ó Deus, tu és tremendo nos teus santuários; o Deus de Israel, ele dá força e poder ao povo. Bendito seja Deus!

                   A procissão rumo a Jerusalém chegava ao seu estágio final. Depois que a Arca foi levantada nos ombros dos sacerdotes (cf. v.1) a procissão começou. No percurso, Davi e os que com ele estavam passaram pelos grandes montes os quais não foram escolhidos por Deus para ali repousar a Arca; e agora, subindo o Monte Sião e adentrando Jerusalém, Davi descreve essa entrada triunfal da seguinte forma: “Viu-se, ó Deus, o teu cortejo, o cortejo do meu Deus, do meu Rei, no santuário” (v.24), acompanhado pelos cantores, tocadores de instrumentos, por donzelas com seus adufes (v.25). Essa alegria contagiante e empolgante impulsionou Davi a bendizer o nome do SENHOR Deus com tanto vigor que ele então impulsionava a congregação do povo de Israel nominando as suas tribos, a bendizer e a adorar a Deus (v.26-27).

Aplicação v.24-27

O povo de Deus tem de ser reconhecido por sua alegria diante de Deus. Nosso louvor e adoração devem ser impressionantes não somente em sua forma, nos instrumentos utilizados e na execução dos nossos cânticos, mas, principalmente em nossa confiança em Deus e testemunho perante o mundo. Um louvor vibrante e contagiante, fruto de vidas consagradas chamará a atenção das pessoas para a grandeza de Deus. Infelizmente, muito do nosso louvor não é contagiante, mas, contagioso como uma doença. Repelimos as pessoas com uma vida cristã sem sentido, morna e sem qualquer empolgação. Quando lemos sobre a alegria de Davi enquanto trazia a Arca do SENHOR Deus a Jerusalém, e vemos como muitas vezes nossos cultos são mecânicos, frios e sem fervor, devemos ir mais além e vermos que o nosso culto reflete a nossa vida. Logo, se o nosso culto é sem vida, isto é por causa da falta de vida em nosso coração. Que haja vibração, fervor, amor, reverência e vida em nossa alma para que o nosso louvor a Deus demonstre tudo isso.  

                   Os v.28-35 encerram este Salmo com um aspecto escatológico no qual todas as nações virão a Deus e se renderão a Ele.

                   Ainda que os poderosos das nações e todos os seus súditos se levantem rebeldemente contra Deus, Ele reunirá toda a Sua força e fará com que estes se rendam em Sua presença (v.28-29).

                   O v.30 deve ser entendido juntamente com o v.31 referindo-se à alguma ameaça vinda do Egito e da Etiópia (grandes potências naquela época), as quais se renderiam a Deus e lhe pagariam tributos como vassalos.

                   Nos v.32-34 Deus é descrito como Aquele que não fala entre os homens como um igual a eles, mas, encima dos céus, como Aquele que é maior do que todos. Todos os “Reinos da terra, cantai a Deus, salmodiai ao Senhor, àquele que encima os céus, os céus da antiguidade; eis que ele faz ouvir a sua voz, voz poderosa” (v.32-33). A ordem é para que todos tributem “glória a Deus”, pois, ninguém há como o nosso Deus cuja “majestade está sobre Israel, e a sua fortaleza nos espaços siderais”. Deus é soberano desde o mais inferior da Terra até além dos mais distantes planetas e astros celestes. Seu domínio é pleno.

                   E assim, o Salmo se encerra no v.35 exaltando a Deus como Aquele que é santo e “tremendo nos teus santuários”, mas, que, como já foi dito neste Salmo, Ele também revela Sua misericórdia e bondade ao Seu povo dando-lhe “força e poder”. Por tudo isso, “Bendito seja Deus!”.

Aplicação v.28-35

Feliz aquele que se rende a Deus hoje voluntariamente, pois, jamais experimentará a fúria de Deus reunindo toda Sua força para rendê-lo em Sua presença como acontecerá aos inimigos no Dia do Juízo. A procissão que levava a Arca a Jerusalém chegara a seu fim, a Arca entrou triunfalmente em Jerusalém, assim como um dia o Filho de Deus entraria triunfalmente ali também para vencer na cruz. Porém haverá o dia em que Ele voltará para subjugar de vez e para sempre os Seus inimigos e recolher consigo a Sua Igreja, e adentrará triunfalmente os portais da Glória Eterna!

Quem não atenta para a grandiosidade, santidade, majestade e glória Deus não o louvará e O bendirá como Ele tem de ser adorado. Não podemos jamais nos esquecer quão grande e santo Ele é, e que se temos o privilégio de louvá-Lo e de estar em Sua santa presença, com certeza isso não se deve a nós, mas, somente à Sua misericórdia em receber pecadores miseráveis como nós diante Dele.

Conclusão

                   A gratidão é uma das principais características de um coração realmente convertido. Quando falta gratidão em nosso coração, ele é tomado por amargura, por revolta e pela soberba. Que o exercício da gratidão sempre amoleça o nosso coração na presença de Deus e nos faça mais atentos e prontos à vontade de Deus.   


[1] Cf. KIDNER, 1980, vol.1, p.260.

[2] Cf. CALVINO, 1999, vol.2, p.644.

[3] Cf. KIDNER, 1980, vol.1, p.262.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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