Canções da Alma – 72ª Mensagem

Oração

“Eterno Deus, hoje veremos como o Senhor é fiel em cuidar daqueles com quem estabelecestes a Tua Aliança. Não permita, ó Pai, que o nosso coração se perca em fúteis pensamentos, mas, que estejamos ávidos por recebermos mais de Ti em Tua santa Palavra. Toma o nosso coração. Em Cristo Jesus, Amém!”.  

Salmo 71

O Tempo Fugaz e o Deus Eterno e Fiel

Introdução e Contextualização

                  Algo do qual ninguém escapa é o tempo. Encontramo-lo no avançar dos segundos, minutos e horas do relógio; quando olhamos nosso rosto em fotografias ou no espelho. Suas marcas são implacáveis.

                  Cada um tem um jeito de lidar com o tempo. Cada um se ilude em relação ao tempo à sua maneira. Para a criança ele quase não é percebido exceto quando o dia de ganhar algum presente está longe. Para o adolescente o tempo é lento e o seu desejo de emancipação o faz querer que o tempo passe depressa. Para o jovem, o tempo é ignorado e a ilusão de ser eterno neste mundo faz com que não pare para pensar sobre a brevidade da vida. Para o de meia-idade, o tempo começa a mostrar-se severo e implacável, não havendo espaço para decisões erradas; a sensação de perder uma oportunidade é avassaladora. Para o idoso, o tempo tanto pode ser um mostro que lhe devora os poucos dias que lhe restam, ou um amigo que vem lhe trazer o descanso de suas fadigas (isto para os crentes em Cristo).

                  Este Salmo fala sobre a fidelidade do Deus que é Eterno, que não Se limita ao tempo, e está agindo no tempo efêmero, no passado, no presente e no futuro. Por isso, convido você e refletir comigo sobre: O Tempo Fugaz e o Deus Eterno e Fiel.  

                  Os comentaristas entendem que este Salmo é uma oração para a velhice[1] (v.9,18), e este parece ser o único cenário que temos para situarmos este Salmo. Nada sabemos sobre quem foi seu autor. Uns pensam ter sido Davi[2] por causa das expressões comumente atribuídas a ele e que são encontradas neste Salmo. Outros pensam que talvez tenha sido alguém familiarizado com os salmos e que fizera das palavras de Davi um hino, e assim surgiu o este salmo. Ele é praticamente uma cópia do Sl 31, sendo diferente apenas no enfoque que ele dá à velhice do salmista, a qual não é vista naquele Salmo.

                  Olhando para o tempo fugaz e para Deus que é eterno e fiel, o crente tem a certeza de que:

  1. No presente Deus ouve seu clamor, v.1-6 

1 Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado.

2 Livra-me por tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.

3 Sê tu para mim uma rocha habitável em que sempre me acolha; ordenaste que eu me salve, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza.

4 Livra-me, Deus meu, das mãos do ímpio, das garras do homem injusto e cruel.

5 Pois tu és a minha esperança, SENHOR Deus, a minha confiança desde a minha mocidade.

6 Em ti me tenho apoiado desde o meu nascimento; do ventre materno tu me tiraste, tu és motivo para os meus louvores constantemente.

                   Os v.1-3 são encontrados em outros salmos: Sl 7.1; 11.1; 16.1; 22.5; 25.2,20; 31.1-3,17, o que mostra que o salmista era alguém familiarizado com os salmos, sendo, possivelmente um dos músicos do templo. Ele clamou a Deus por socorro declarando que Ele era o seu refúgio e por isso não seria “jamais envergonhado”, pois Deus é fiel em socorrer os que O buscam. No v.2 ele declarou no que ele confiava para clamar o socorro de Deus: “Livra-me por tua justiça”. Não era em sua justiça própria que o salmista confiava, mas, naquela justiça que está acima de tudo e de todos e que jamais falha, a justiça de Deus. O v.3 expressa o desejo do salmista em encontrar em Deus a proteção e segurança de que tanto precisava. No final deste verso ele diz: “ordenaste que eu me salve, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza”. A versão Corrigida Fiel traz assim essas palavras: “deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza”, enfatizando que é na Palavra de Deus que Seus servos encontram a salvação.          

Aplicação v.1-3

Quem confia em Deus nunca será envergonhado, pois, jamais será abandonado por Ele. Confiar em Deus implica em:

  • Esperar em Sua justiça e nela descansar.
  • Andar nos Seus mandamentos. A promessa de vida feliz está atrelada à obediência aos mandamentos de Deus.

                   O v.4 nos mostra que durante toda a vida o servo de Deus encontrará inimigos que lhe trarão sofrimento e dor. Contudo, o crente deve sempre esperar em Deus. No v.5 as palavras “esperança” e “confiança” são exatamente a mesma coisa. Esperar em Deus implica em confiar Nele, e isto não somente em relação à paciência quanto ao tempo exato Dele agir, mas, principalmente na forma como Ele agirá. Esperar e confiar em Deus implica em crer que Ele é sábio. Outro aspecto importante aqui nos v.5b-6 é que o salmista vinha num relacionamento com Deus há um longo tempo “desde a minha mocidade”, ele declarou. Mas, o que é mais impressionante aqui é que esse relacionamento foi iniciativa do próprio Deus, pois, ele tinha sido amparado por Deus “desde o meu nascimento; do ventre materno…”. Todo o relacionamento de Deus com Seus filhos sempre foi e será uma iniciativa de Dele. Por esta razão devemos dizer o mesmo que disse o salmista: “tu és motivo para os meus louvores constantemente”.

Aplicação v.4-6

Grande privilégio têm aqueles que desde sua infância, desde seu nascimento estão nos caminhos do Senhor Jesus. Nossos filhos precisam ser relembrados dessa verdade constantemente para que façam de Deus seu motivo único de louvor. Se você foi chamado por Deus já adulto, louvado seja Deus por isso. Mas, se você tem o privilégio de criar seus filhos desde seu nascimento na presença do Senhor Jesus para desfrutarem das bênçãos da Aliança que Deus fez com Seu povo, sem dúvida alguma você tem motivos de sobra para louvar a Deus.

É lamentável quando vemos filhos de crentes trocando as alegrias da Aliança pelos prazeres do mundo. Por isso nós pais devemos não somente orar por nossos filhos, mas, nos empenharmos em transmitir-lhes a Fé que recebemos. Se você tem filhos pequenos, empenhe-se em cria-los nos caminhos do SENHOR Deus. Ensine-os a amarem a Casa de Deus, o Seu culto, o Seu Dia, a Sua Palavra, a Família da Aliança.

                   Olhando para o tempo fugaz e para o Deus eterno e fiel, o crente tem a certeza de que:

2. No passado, Deus foi misericordioso, v.7-18

7 Para muitos sou como um portento, mas tu és o meu forte refúgio.

8 Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente.

9 Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares.

10 Pois falam contra mim os meus inimigos; e os que me espreitam a alma consultam reunidos,

11 dizendo: Deus o desamparou; persegui-o e prendei-o, pois não há quem o livre.

12 Não te ausentes de mim, ó Deus; Deus meu, apressa-te em socorrer-me.

13 Sejam envergonhados e consumidos os que são adversários de minha alma; cubram-se de opróbrio e de vexame os que procuram o mal contra mim.

14 Quanto a mim, esperarei sempre e te louvarei mais e mais.

15 A minha boca relatará a tua justiça e de contínuo os feitos da tua salvação, ainda que eu não saiba o seu número.

16 Sinto-me na força do SENHOR Deus; e rememoro a tua justiça, a tua somente.

17 Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas.

18 Não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder.

                   Estes versos podem ser divididos em dois momentos. Num primeiro momento v.7-13 no qual o salmista relata num fluxo e refluxo o esvair de suas forças e sua constância em confiar em Deus.

                   Ele se via como um “portento” (מוֹפֵת) aos olhos de seus inimigos, ou seja, por causa de seu sofrimento sobremodo extraordinário, seus inimigos diziam que ele estava sob o castigo de Deus (cf. v.11), mas, independentemente disso, sua fé estava firme em Deus a Quem ele considerava seu “forte refúgio” (v.7).

                   Mesmo estando sob intensa tribulação, o salmista, pela fé olhava para Deus e tinha seus lábios cheios de louvor ao SENHOR Deus, e do testemunho da Sua excelsa glória (v.8).

                   No v.9 o salmista clama ao SENHOR Deus que não o desampare agora em sua velhice. Ele experimentara desde o seu nascimento e por toda a sua vida o constante cuidado de Deus, e agora em sua velhice, sem forças, seus inimigos o cercavam e tramavam para lhe tirar a vida (v.10), vendo na aflição do salmista uma oportunidade para destruí-lo, pois, segundo pensavam, ele estava sob o castigo de Deus (v.11), e assim sendo, o salmista estaria totalmente desguarnecido e vulnerável.

                   E novamente, nos v.12-13 o vemos clamando a Deus e colocando Nele sua confiança para que seus inimigos recebessem a justa medida da justiça de Deus.

Aplicação v.7-13  

Não importa como os homens vejam a nossa dor. Muitos terão prazer em nos ver sofrendo; outros simplesmente ignorarão a nossa dor; ainda outros farão falsos julgamentos dizendo que estamos sob o castigo de Deus como aconteceu com o salmista. O que realmente importa é ficarmos firmes e confiantes em Deus.

Que outro consolo pode ser mais eficaz para o crente do que louvar a Deus constantemente e proclamar a Sua excelsa glória? O que mais pode fortalecer o crente senão o poder de Deus o qual ele espera o tempo todo? Estando em lutas, louve a Deus e proclame a Sua glória. Concentre-se em louvá-Lo e glorificá-Lo perante o mundo, pois, foi justamente para isso que você foi criado e salvo.

                   O segundo momento está nos v.14-18 no qual vemos o ressurgir de sua esperança ao olhar para o passado e constatar o quanto Deus foi misericordioso com Ele. Essa é a maneira correta de olharmos para o passado, a saber, relembrarmos a misericórdia de Deus a nosso favor.

                   Olhando para o passado e constatando a misericórdia de Deus em sua vida, o salmista declara as suas firmes resoluções para com Deus:

  • Esperança constante e um louvor que aumentaria cada vez mais (v.14);
  • Testemunho contínuo ainda que não conseguisse narrar todos os atos da justiça de Deus (v.15);
  • Confiança exultante na força do SENHOR Deus relembrando que somente a justiça de Deus foi a causa de ele ter sido abençoado e nunca a sua própria (v.16);
  • Compromisso em ensinar e relatar as gerações posteriores o que Deus lhe ensinou e fez por ele em toda a sua vida (v.17-18).

Aplicação v.14-18

Quando trazemos em nossos lábios um louvor constante, alegre, cheio de gratidão a Deus, além de cuidarmos do nosso coração para que este não sucumba diante das lutas e aflições dessa vida, também servimos como exemplo para os nossos filhos e para os outros para que aprendam também a confiar em Deus. Quando confiamos em Deus, as tribulações da vida trabalham a nosso favor, não contra nós, e nos conduzem à glória (cf. 2Co 4.16-18; Rm 5.1-15)[3]. A melhor maneira de lidarmos com o passado é relembrando os feitos misericordiosos de Deus para conosco.

                   Por fim, olhando para o tempo fugaz e para o Deus eterno e fiel, o crente tem a certeza de que:

3. No futuro, Deus recompensará sua esperança, v.19-24

19 Ora, a tua justiça, ó Deus, se eleva até aos céus. Grandes coisas tens feito, ó Deus; quem é semelhante a ti?

20 Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra.

21 Aumenta a minha grandeza, conforta-me novamente.

22 Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade, ó meu Deus; cantar-te-ei salmos na harpa, ó Santo de Israel.

23 Os meus lábios exultarão quando eu te salmodiar; também exultará a minha alma, que remiste.

24 Igualmente a minha língua celebrará a tua justiça todo o dia; pois estão envergonhados e confundidos os que procuram o mal contra mim.

                   A esperança do salmista estava na justiça de Deus. O tempo todo neste Salmo ele aponta para o fato de que Deus é fiel em agir com justiça na vida daqueles que Nele confiam.

                   Para quem confia em Deus, não há algo que lhe traga mais esperança do que a Sua justiça, a qual, como disse o salmista “se eleva até aos céus” (v.19), ou seja, é muitíssimo sublime e elevada; tribunal ou juiz algum neste mundo tem um padrão tão elevado de justiça. Pelos Seus grandiosos feitos, Deus não somente é inigualável como também é incompreensível à mente humana.

Aplicação v.19  

Quando o nosso coração perde o senso da grandeza de Deus, perde também a admiração por Sua beleza e deixa de louvá-Lo tal como deve. “Se atribuirmos a seu notório poder o louvor a Ele devido, jamais nos faltará motivo para nutrirmos boa esperança”[4].

            O v.20 toca num assunto que precisamos tratar com muito cuidado. Anteriormente, nos v.7,11 vimos que seus inimigos afirmavam que o sofrimento pelo qual o salmista estava passando era resultado da mão de Deus pesando sobre ele. Agora, o próprio salmista admite que as “muitas angústias e males” pelos quais ele estava passando eram resultados da permissão de Deus. Nenhum sofrimento, nenhuma enfermidade ou revés pelos quais o salmista estava passando estava fora da vontade de Deus e do Seu santo conselho. E sabendo que seu sofrimento viera sob a permissão de Deus, também sabia que somente de Deus poderia vir o seu socorro e por isso exclamou: “me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra. Aumenta a minha grandeza, conforta-me novamente” (v.20b-21).

Aplicação v.20-21  

O grande desafio para a nossa fé é continuarmos crendo que tudo está debaixo da soberania de Deus, e isto implica em:

  • Aceitar tudo o que vier Dele para nós, ainda que sejam angústias e sofrimentos por conta de situações que não tivemos qualquer culpa.
  • A resiliência é uma virtude que é cultivada no terreno da dor, e os seus frutos saborosos fortalecem ainda mais a nossa confiança em Deus.
  • Da mesma forma que de Deus recebemos provações, dores e sofrimentos, também haveremos de receber alegria, consolo e paz quando Ele vem nos confortar.

                   Outro aspecto da justiça de Deus pela qual o salmista louvou a Deus é que ela (a justiça de Deus) é verdadeira. Ele disse: “Eu também te louvo com a lira, celebro a tua verdade, ó meu Deus” (v.22). Ele havia depositado em Deus a sua esperança e confiança (cf. v.5), e Deus não o desapontara; antes, viera em seu socorro. Por isso, o salmista empregaria todo o seu empenho em louvar a Deus, Àquele a quem ele aclama dizendo: “ó Santo de Israel”.

                   Em seu louvor a Deus, o salmista temia a hipocrisia (v.23). Não queria adorar a Deus superficialmente, mas, de todo o seu coração de toda a sua alma e com todo o fervor. E a razão de sua devoção a Deus era a sua redenção. Deus o redimira para Sua glória e louvor.

                   No v.24, o salmista mostra que testemunhar da justiça de Deus todos os dias é também um ato de adoração. Deus fizera justiça por ele subjugando os que se levantaram contra ele fazendo-lhe o mal. Ele não somente experimentava então a justiça de Deus em sua vida como também proclamava a todos que aquele que espera em Deus e Nele confia nunca será desapontado.

Aplicação v.22-24  

Cristo Jesus é a nossa justiça:Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21). Nele a justiça de Deus foi satisfeita a nosso favor. Nossos inimigos foram derrotados por Ele. Nele está a nossa esperança que jamais será frustrada. Nele encontramos toda a razão e motivo do nosso louvor. Dele devemos testemunhar com fervor, entusiasmo e intrepidez. Por Ele o nosso culto deve ser regulado, ou seja, nenhum acréscimo humano e carnal pode tomar o lugar da Sua pessoa, para que jamais pequemos utilizando de futilidades carnais em vez de adorarmos a Deus por meio de Cristo somente, para que não caiamos na petulância e presunção de acharmos que é o que fazemos para Deus que O agradará, em vez de confiarmos no que Deus fez por nós por meio de Cristo tornando-nos aceitáveis perante Ele tal como diz o Breve Catecismo em sua resposta à pergunta 33 sobre “O que é Justificação?”: “Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante dele, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé”.  

Conclusão

                   Este Deus Eterno, que jamais poderá ser limitado pelo tempo, estará o tempo todo cuidando daqueles com quem Ele estabeleceu Sua Aliança. A base da fidelidade de Deus é o Seu caráter santo, pois, Ele é o “Santo de Israel” (v.22), cuja santidade nos santifica e nos torna aceitáveis perante Ele. Que a nossa confiança e esperança em Deus transcenda ao tempo, não seja jamais influenciada pelas circunstâncias, pois, até estas estão sob o controle da soberana mão de Deus.


[1] KIDNER, 1980, vol.1, p.272.

[2] Cf. CALVINO, 1999, vol.3, p.48.

[3] Cf. WIERSBE, 2010, vol.3, p.209.

[4] CALVINO, 1999, vol.3, p.63.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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