Canções da Alma – 76ª Mensagem

Oração

“Senhor Deus, só Tu tens as palavras da vida eterna. Só o Senhor pode saciar, fortalecer e transformar nosso coração cansado. Fale ao nosso coração, desvenda nossos olhos para vermos as maravilhas das Tuas mãos, e assim, rendermos a Ti todo o louvor que Lhe é devido. Assim oramos, em Nome de Jesus, amém!”.

Salmo 75

O Supremo Juiz Está Em Seu Tribunal

Introdução e Contextualização

                   Nos filmes que retratam o sistema judiciário americano, quando um tribunal está para iniciar sua sessão, um oficial de justiça ou um meirinho, entra no recinto e anuncia a chegada do juiz, ao que todos os que estão ali presentes, em atitude de respeito, se colocam em pé. Quando o juiz toma seu posto, então as pessoas se assentam. Uma cena muito parecida a essa é usada pelo salmista aqui neste Salmo para descrever o Tribunal de Deus. Ele segue a seguinte ordem:

  • Um arauto anuncia a entrada do juiz do tribunal (v. 1),
  • Depois, o juiz declara como ele presidirá o tribunal (v.2-5);
  • Depois o arauto fala novamente enaltecendo a justiça do juiz (v.6-8);
  • Em seguida, alguém por quem o juiz fez justiça (um acusado que foi inocentado?), declara sua alegria pelo que o juiz lhe fez (v.9);
  • E, por fim, o juiz declara sua sentença sobre o ímpio e o justo (v.10).     

                   Este salmo descreve Deus como o Supremo Juiz que está presente neste mundo julgando as pessoas. Este mundo não está à deriva como muitos pensam. Este mundo é onde o tribunal de Deus está instaurado, e Ele julgará cada um. Convido-lhe a meditar sobre: O Supremo Juiz está em Seu tribunal.

                   Este salmo de Asafe foi composto segundo a mesma melodia dos Sl 57, 58 e 59 “Não destruas”. Como já dissemos quando meditamos naqueles salmos, pouco sabemos sobre essa melodia. Mas, a julgar pela temática desses salmos, essa melodia aponta para uma situação em que o salmista esperava pela intervenção e justiça de Deus sobre o mundo, mostrando assim que o mesmo é por Ele governado, e que os homens perversos não ficarão impunes, e nem os justos, abandonados.

                   Como o Supremo Juiz desse universo, Deus deve ser reverenciado. Vejamos três motivos pelos quais Ele deve ser reverenciado:

Por Seus feitos maravilhosos, v.1

1 Graças de rendemos, Ó Deus; graças te rendemos, e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas.

                   O salmista (tal como aquele oficial que adentra o tribunal e anuncia a chegada do juiz), ao abrir este salmo o faz apontando para Deus. Sua adoração concentra-se em Deus e aponta para Ele. O senso da presença de Deus com Seu povo e o conhecimento de que no passado Ele agira em seu favor de uma forma poderosa, enche o coração do salmista da mais profunda gratidão[1].

                   A postura do salmista é de gratidão a Deus, repetindo a expressão “Graças te rendemos”. E juntamente com essa postura de gratidão o salmista acompanhado de outros servos de Deus invoca o nome de Deus e declara as maravilhas que Ele realizara. Essas duas ações devem andar juntas, pois, uma complementa a outra.          Invocar o nome de Deus é invocar Ele próprio; declarar as suas maravilhas é chamar a atenção dos homens para essas obras maravilhosas, que, sem dúvida alguma, apontam para o socorro de Deus a favor do Seu povo, socorro este que vai muito além do trivial, superando toda a expectativa do Seu povo.   

Aplicação v.1

“A verdadeira adoração concentra-se no Senhor, não em nós, em nossos problemas pessoais ou nas necessidades que acreditamos ter”[2]. Adorar a Deus consiste também em declarar os Seus poderosos feitos, especialmente, a salvação em Cristo Jesus!

Assim como o salmista repetiu sua gratidão a Deus logo neste primeiro verso, nossa gratidão a Deus deve ser constantemente repetida.

Outro fato importante aqui é o aspecto comunitário da adoração. Fomos salvos para vivermos em comunidade, para estarmos juntos bendizendo e louvando ao SENHOR Deus.

                   Deus, o Juiz Supremo deve ser reverenciado também

Pela Sua autoridade incontestável, v.2-5

2 Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado; hei de julgar retamente.

3 Vacilem a terra e todos os seus moradores, ainda assim eu firmarei as suas colunas.

4 Digo aos soberbos: não sejais arrogantes; e aos ímpios: não levanteis a vossa força.

5 Não levanteis altivamente a vossa força, nem faleis com insolência contra a Rocha.

                   O juiz adentrou o recinto do tribunal e assentando-Se em Seu trono, dirigiu Sua palavra cheia de autoridade a todos que ali estão. Deus, do Seu santo trono profere essas palavras as quais indicam que:

  • Ele é quem preside o tribunal celeste (v.2): “Hei de aproveitar o tempo”, no hebraico é מוֹעֵד tanto traz a ideia de “ajuntar em assembleia santa”, “reunir a congregação dos fiéis” para adorarem a Deus, como a ideia de tempo[3]. É o próprio Deus quem reunirá em Sua presença a todos os homens, para “julgar retamente”, e nós, Seus filhos e servos devemos ser pacientes aguardando o Seu tempo de estabelecer o Seu juízo.
  • Ele é quem sustenta toda a Criação (v.3): Ainda que toda a terra e toda a Criação passe por um cataclismo, Deus é o único que pode restaurá-la e reergue-la com firmeza como a de um edifício bem firmado sobre suas colunas. Este Deus que rege Sua Criação com tamanho poder e autoridade, é o Deus que julgará com retidão a todos os homens.
  • Ele é quem triunfará sempre (v.4-5): Os arrogantes e ímpios aqui, são descritos como que agindo igual a animais irracionais. A expressão “não levanteis a vossa força”, literalmente descreve a ação de um touro que primeiramente levanta a sua cabeça, olha para o seu oponente, abaixa sua cabeça novamente e vai em direção a ele com sua fúria. Assim são os ímpios que se levantam “altivamente” em sua força e falam “com insolência contra a Rocha”, isto é, contra Deus (cf. Sl 73.9). Mas, a despeito de toda a arrogante tolice dos ímpios, de toda a insolência destes contra Deus, eles não passam de seres miseráveis colidindo-se contra a Rocha Eterna que é Deus.

                   Por todos esses motivos, a autoridade de Deus é incontestável; Ele é quem tem a primeira e a última palavra em tudo, e quando Ele convoca os homens, todos devem comparecer perante Ele; todas as coisas acontecem e se cumprem de conformidade com o que Ele disse.

Aplicação v.2-5                                                                                                                                       

“Se esperamos que o Senhor receba nossas palavras de louvor, devemos prestar atenção em Sua Palavra da verdade enquanto é lida, cantada e pregada”[4].

Também devemos exercitar a paciência esperando em Deus até que ele exerça Sua justiça no tempo por Ele determinado. Não é a nossa adoração, nem a nossa insistência que fará Deus adiantar-Se em agir; Ele já tem o tempo certo para todas as coisas, tempo este que Ele mesmo determinou (cf. Ec 3.1-8).

Ainda que os alicerces da moralidade da nossa sociedade estejam ruindo, devemos confiar em Deus, pois, Ele sabe o que está fazendo, e sabe como julgar a cada um.

E que jamais sigamos no cominho dos arrogantes, pois, para os que confiam em Deus, Ele é a Rocha Eterna, mas, para os que Dele zombam, Ele é a “Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra sendo desobedientes; para o que também foram destinados” (1Pe 2.8).

                   Por fim, o Juiz Supremo deve ser reverenciado  

Por Sua justiça implacável, v.6-10

6 Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o auxílio.

7 Deus é o juiz; a um abate, a outro exalta.

8 Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura; dele dá a beber; sorvem-no, até às escórias, todos os ímpios da terra.

9 Quanto a mim, exultarei para sempre; salmodiarei louvores ao Deus de Jacó.

10 Abaterei as forças dos ímpios; mas a força dos justos será exaltada.

                   Nos versos anteriores vimos a advertência de Deus aos ímpios, avisando-os que Ele virá para abatê-los. Nestes versos agora, a palavra é dirigida aos filhos de Deus em forma de esperança. O salmista afirma que “não é do Ocidente, não é do Oriente, nem do deserto que vem o auxílio” (v.6), ou seja, o socorro do povo de Deus não vem do plano humano e horizontal, mas, vem de Deus, do plano celestial e vertical.

                   Ele virá e abaterá o perverso, enquanto isso, exaltará o humilde (v.7). A Sua ira contra os perversos é descrita na figura de um “cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura”, o qual ele dá a beber aos ímpios, e estes bebem até à última gota (v.8). Quem pode deter a ira de Deus quando Ele vem executar a Sua justiça? Ninguém. Porque Deus reina, a injustiça será punida. A Sua ira estonteia tal como o vinho, atordoando aqueles que se acham seguros em si mesmos.

                   No Sl 111.10 lemos:O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre”. Asafe, ao ver o que está reservado para os ímpios (cf. Sl 73.17), tomou uma decisão: “Quanto a mim, exultarei para sempre. Salmodiarei louvores ao Deus de Jacó” (v.9). Enquanto o ímpio estará sofrendo terrivelmente debaixo da ira de Deus, aquele a quem Deus escolheu, acolheu em Cristo Jesus e o justificou, regozijar-se-á confiante e exultante na Aliança de Deus (como indica a expressão “Deus de Jacó”).

                   No v.10, Asafe “pensa em si como participante da execução do juízo divino sobre os perversos”[5]. É Deus quem diz: “Abaterei as forças dos ímpios, mas a força dos justos será exaltada”, e na palavra do Senhor o salmista põe sua confiança e esperança.

Aplicação v.6-10                                                                                                                                     

Warren Wiersbe afirma: O fato de que, um dia, Deus julgará os perversos deve servir de motivação para compartilharmos o evangelho com eles, e o fato de que, um dia, o povo de Deus (“os justos”) será exaltado deve nos humilhar e dar fé e coragem nos momentos difíceis da vida”[6].

Também devemos, como Asafe, lembrar que no Dia do Senhor Jesus estaremos com Ele julgando os ímpios (1Co 6.2-3). Tal como Asafe, nosso coração e lábios devem estar cheios de louvor a Deus, pois, a nós ele revelou Sua justiça em forma de misericórdia, e não de ira.

Conclusão

                   Deus é o Juiz Supremo de quem nada escapa. Ele próprio justifica e salva a quem quer, como também estende Sua ira contra os pecadores. “Para nós, hoje, permanece o princípio válido de que todos quantos se exaltam serão humilhados” (Mt 23.12)[7].


[1] Cf. HARMAN, 2011, p.280.

[2] WIERSBE, 2010, vol.3, p.216.

[3] Cf. CALVINO, 1999, vol.3, p.152.

[4] WIERSBE, 2010, VOL.3, p.216.

[5] HARMAN, 2011, p.281.

[6] WIERSBE, 2010, vol.3; p.217.

[7] HARMAN, 2011, p.281.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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