Canções da Alma – 78ª Mensagem

Oração

“Eterno Deus, necessitamos compreender Tua vontade. Abra os nossos olhos, faze-nos ver o Teu querer, capacite-nos a crer em Tua Palavra para que, por ela confrontemos nosso coração. Assim oramos, em Nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, amém!”.

Salmo 77

A Mão de Deus Sobre Seu Povo

Introdução e Contextualização

                   Estamos diante de mais um Salmo escrito por Asafe, o qual ele entregou “Ao mestre de canto, Jedutum”. Este Salmo, à semelhança do Sl 73, fala do dilema dos servos de Deus com relação às lutas e sofrimentos pelos quais eles passam e a esperança que estes têm no agir de Deus. Este Salmo nos fala sobre o dever que temos de confrontar nosso coração com a Palavra de Deus.

                   Assim como no Sl 74, este Salmo nos apresenta algumas dificuldades quanto à ocasião de sua escrita. Estaria Asafe falando do sofrimento da nação, ou relatando algo pessoal, algum sofrimento pelo qual ele estava passando? Alguns comentaristas[1] que optam por entender que este Salmo retrata o lamento de Asafe pelo sofrimento nacional, colocam-no nas circunstâncias da destruição de Jerusalém e cativeiro de Judá no ano 608 a.C. Caso este Salmo esteja relacionado ao sofrimento causado pelo cativeiro babilônico, teremos que decidir outra questão envolvendo a autoria dele. Se este Asafe era o mesmo dos dias de Davi (cf. 1Cr 15.16-19; 16.4-7,37-42; 2Cr 5.12-14; 29.13;35.15), teria ele falado profeticamente pelo Espírito Santo que lhe revelara o que aconteceria mais de 300 anos depois? Ou este Asafe era um descendente ou parente daquele seu homônimo dos dias de Davi, e que também fora inspirado pelo Espírito Santo[2]? Qualquer uma das duas possibilidades é plausível.

                   Não há nada no texto que nos dê uma noção da ocasião em que este Salmo foi escrito. Por isso mesmo, a melhor interpretação é a que nos é dada por João Calvino e Matthew Henry que veem nas palavras de um indivíduo (Asafe), a dor que ele sentia ao ver o sofrimento do povo eleito (Israel). Como disse Calvino: “…parece que o Espírito Santo, pela instrumentalidade de sua boca, ditou uma forma comum de oração para a Igreja em suas aflições, para que, ainda sob as mais cruéis perseguições, os fiéis não deixassem de enviar ao céu suas orações”[3]. Aprendamos com este Salmo como orar e buscar a Deus em tempos de dor.

                   Este Salmo é divido em duas partes. Do v.1-10, vemos Asafe descrevendo sua dor e sofrimento bem como sua oração incessante e suplicante a Deus expondo diante Dele sua angústia; do v.11-20, vemos que ele depois de confrontar-se rememorando os grandes feitos de Deus por Seu povo no passado, recobrou sua confiança e esperança em Deus. Por isso mesmo, o v.10 é aquele momento em que o Salmo muda o seu tom. Este versículo é a “chave” para entendermos este Salmo e aprendermos duas verdades preciosas sobre A Mão de Deus Sobre Seu Povo.

                   A mão (destra) de Deus está sobre Seu povo:

Para discipliná-lo quando pecar, v.1-10

1 Elevo a Deus a minha voz e clamo, elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. 

2 No dia da minha angústia, procuro o Senhor; erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se. 

3 Lembro-me de Deus e passo a gemer; medito, e me desfalece o espírito. 

4 Não me deixas pregar os olhos; tão perturbado estou, que nem posso falar. 

5 Penso nos dias de outrora, trago à lembrança os anos de passados tempos. 

6 De noite indago o meu íntimo, e o meu espírito perscruta. 

7 Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não torna a ser propício? 

8 Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? 

9 Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias? 

10 Então, disse eu: isto é a minha aflição; mudou-se a destra do Altíssimo.

                  Nos v.1-2, vemos que Asafe estava angustiado. A repetição de sua súplica no v.1 nos mostra como ele se encontrava profundamente aflito. Ao dizer que “No dia da minha angústia, procuro o Senhor”, Asafe não estava afirmando que só buscava a Deus em dias de angústia, mas, sim, que estava passando por um momento de profunda angústia em sua vida e que a sua saída foi buscar a Deus, e “em vez de tornar-se preocupado com seus próprios sentimentos, o salmista volta a atenção para a verdadeira fonte de auxílio”[4]. O significado das palavras “procuro o Senhor”, é que Asafe buscava em Deus a compreensão de tudo o que estava acontecendo com o povo, e por isso ele buscava a Deus intensamente como podemos ver em sua declaração “erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se”. Sua alma recusava-se descansar e por isso, em vez de dormir à noite, ele levantava suas mãos em direção aos céus como que buscando agarrar as mãos de Deus, igual a alguém que submergindo, estende as mãos.

Aplicação v.1-2

A quem você estende suas mãos quando passa por angústias? A quem você dirige seus clamores quando a dor lhe ferroa a alma? Você procura a Deus para compreender o que está acontecendo com sua vida? Muitos podem lhe oferecer respostas, mas, somente Deus pode lhe mostrar o que de fato está acontecendo.

                  O v.3 deve ser entendido da seguinte forma: ao lembrar-se de Deus, ele suspirava, e sentia-se perturbado. Mas, por que? Não era em Deus que ele buscava compreender tudo o que acontecia naquele momento? Como Aquele que era o seu único alívio e socorro tornara-se a causa de sua perturbação? Calvino interpreta este versículo da seguinte forma: “A intenção do escritor inspirado, porém, é simplesmente esta: embora apresentasse a Deus a angústia de sua mente, ela não era removida”[5].

Aplicação v.3

Às vezes Deus não nos dá consolo algum quando o buscamos. Nos momentos em que Ele está nos disciplinando por causa da nossa rebeldia, o que encontramos Nele é a Sua repreensão e correção as quais são dolorosas e em nada prazerosas a princípio, mas, depois, tornam-se motivo de louvor e gratidão a Deus tal como nos diz as Escrituras em Hb 12.11: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, frutos de justiça”.

                   A disciplina de Deus não dava sossego ao coração de Asafe. Ele se encontrava perturbado:

  • Em sua mente (v.4): Ele passava as noites insone e em claro buscando a Deus em oração. Mas, não recebia de Deus uma resposta consoladora, o que lhe perturbava o coração a ponto de não conseguir pronunciar uma só palavra inteligível. Sua mente estava confusa.

Aplicação v.4

Quando a insônia lhe acometer, quando o silêncio da noite falar mais alto do que todas as vozes ao seu redor, busque ao Senhor Deus. Aproveite para orar e perscrutar seu coração na presença de Deus, e mesmo que não lhe venha algum consolo ou resposta de Deus naquele momento, busque-O; ainda que você esteja se sentindo esmagado e confuso, busque a Deus. Ele sabe o que está fazendo com você.  

  • Em suas lembranças (v.5-6): as lembranças dos “dias de outrora (…) os anos de passados tempos” vieram com tudo ao seu coração. Naqueles tempos, suas noites eram cheias de alegria e de louvores a Deus em reposta ao cuidado que Ele tinha com Seu povo; a diferença daqueles tempos com os que ele estava vivendo, abatia-lhe ainda mais o coração. Ele recordava-se dos cânticos que entoava em louvor a Deus[6], e isto o levava a perscrutar ainda mais seu coração.

Aplicação v.5-6

Ter saudades de bons tempos vividos não é um problema e nem mesmo pecado. Mas, entregar-se ao saudosismo sem tratar como se deve o presente, isso é pecado. O problema com o saudosismo é que ele nos faz lembrar só das alegrias, e nunca das tristezas. Essa seletividade na memória é perigosa, pois, em todas as circunstâncias Deus promoveu a Sua vontade em nossa vida. Além disso, o saudosismo nos faz ter saudades das circunstâncias felizes que vivemos no passado, fazendo delas um fim em si mesmas, em vez de percebermos que foi a mão de Deus que nos guiou, e, por isso, deveríamos louvá-Lo pelo que recebemos Dele, em vez de reclamarmos da situação dolorosa no presente. O saudosismo é terreno fértil para os pecados de murmuração e descontentamento!  

Quando você comparar o seu presente com o seu passado e ver que há uma diferença enorme entre eles, não entregue-se ao saudosismo, mas, sim, à confrontação do coração na presença de Deus. Perscrute o seu coração e busque entender o que Deus está fazendo em sua vida.     

  • Em seus questionamentos (v7-10): Asafe pôs-se a perscrutar seu coração, e tentando entender o que estava acontecendo, fez seis perguntas a Deus relacionadas ao Seu amor para com Israel:
  • “Rejeita o Senhor para sempre?” (v7a): Deus haveria de rejeitar o Seu povo para sempre? Não! Ele é sábio e tudo o que faz tem um propósito definido (Lm 3.31-33).
  • “Acaso, não torna a ser propício?” (v.7b): Sim! Ele haveria de ser favorável ao Seu povo novamente, restaurando-o em sua terra (Is 60.10).
  • “Cessou perpetuamente a Sua graça?” (v.8a): Não! Seu amor é eterno, e mesmo que discipline os Seus filhos, jamais os abandonará (Jr 3.13).
  • “Caducou a sua promessa para todas as gerações?” (v.8b): Não!O que sustenta a Sua promessa é o Seu caráter e a Sua Palavra imutável (2Tm 2.11-13).
  • “Esqueceu-se Deus de ser benigno?” (v.9a):Não! Ele tem o Seu povo em Suas poderosas mãos (Is 49.14-16).
  • “Ou, na sua ira, terá ele reprimido as suas misericórdias?” (v.9b):Não! Ainda que tenha ficado irado com Seus filhos, Deus não deixará de ser misericordioso para com eles, pois, não são as nossas ações que determinam as ações de Deus, mas, sim, Seu caráter (Lm 3.22-24).

Aplicação v.7-9

Questionamentos podem e devem ser feitos com o propósito de buscarmos compreender a vontade de Deus para nós; mas, jamais devemos contestar Deus e duvidar do Seu amor e sabedoria. Fique atento, pois, Satanás aproveita desses questionamentos para pôr dúvidas em nosso coração em relação a Deus.

Quando você estiver passando pela disciplina de Deus nunca duvide do Seu amor por você “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hb 12.6). Até a disciplina de Deus é prova do Seu amor por nós.

                  Chegamos ao ponto crítico da experiência de Asafe e deste Salmo também. O v.10 é o ponto em que o salmista começa a ver as coisas claramente, da forma como Deus queria que ele as visse. O resultado da auto confrontação que realizara na presença de Deus deu-lhe o entendimento do que estava acontecendo. “Então, disse eu: isto é a minha aflição”. Asafe compreendera que tudo o que ele estava passando, era resultado da sua aflição que o confundia em seus pensamentos. Então ele diz a si mesmo “Espere um pouco! Pare com esses questionamentos. A culpa do seu sofrimento é só sua”. Tal como nos diz o SENHOR Deus por boca do profeta Oséias: “A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim, o teu socorro” (Os 13.9). Por isso mesmo, Asafe conclui: “mudou-se a destra do Altíssimo”. Ele entendera que era a mão de Deus que o atormentava com aquelas aflições. Sabia que Deus não o feria sem causa; a mão de Deus que sempre cuidou do Seu povo, estava agora disciplinando o mesmo. Ao chamar Deus de “Altíssimo”, aponta para a Aliança de Deus com Seu servo Abraão, pois, foi este quem primeiro chamou Deus assim (Gn 14.22). Deus não deixara a Sua Aliança porque mudara em Seu caráter; Ele mudara a forma de tratar Seu povo a fim de corrigi-lo e traze-lo para o Seus caminhos novamente.

            Aplicação v.10

A principal prova da maturidade espiritual se vê quando somos capazes de confrontar a nós mesmos diante da Palavra de Deus. Quando fazemos o que Cristo disse em Mt 7.5, a saber, tirar a trave do nosso olho. Uma das coisas mais difíceis para nós é admitirmos que estamos errados, que não temos capacidade de discernirmos os fatos sem que Deus nos capacite para tal. Porém, com a Palavra em nossas mãos temos todos os recursos necessários para perscrutarmos o nosso coração, investigarmos nossa alma, e discernimos nossas ações.

Enquanto não fizermos isso não desfrutaremos das alegrias que Deus tem proposto para nós, e pior, não glorificaremos a Deus como devemos fazer.

            A mão de Deus está sobre Seu povo

Para consolá-lo com Suas misericórdias, v.11-20

11 Recordo os feitos do SENHOR, pois me lembro das tuas maravilhas da antiguidade. 

12 Considero também nas tuas obras todas e cogito dos teus prodígios. 

13 O teu caminho, ó Deus, é de santidade. Que deus é tão grande como o nosso Deus? 

14 Tu és o Deus que operas maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder.

15 Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José. 

16 Viram-te as águas, ó Deus; as águas te viram e temeram, até os abismos se abalaram. 

17 Grossas nuvens se desfizeram em água; houve trovões nos espaços; também as suas setas cruzaram de uma parte para outra. 

18 O ribombar do teu trovão ecoou na redondeza; os relâmpagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu. 

19 Pelo mar foi o teu caminho; as tuas veredas, pelas grandes águas; e não se descobrem os teus vestígios. 

20 O teu povo, tu o conduziste, como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão.  

                  O cenário agora é outro. Asafe mostra-se recuperado daquela situação de angústia em que se encontrara. E como foi que ele se recuperou? Buscando a Deus no dia da sua angústia. Ele insistira com seu coração em não sair da presença de Deus. Permaneceu ali mesmo não tendo sido atendido imediatamente. Mas, depois de algum tempo, no tempo de Deus, ele foi recobrado em suas forças. “É importante perseverarmos no modo correto de fortalecermos a nossa fé, mesmo que ele não se mostre efetivo, num primeiro momento”[7]. É importante permanecermos na presença de Deus para que novamente ajustemos o foco dos nossos olhos em Sua santa pessoa em vez de ficarmos focalizando em circunstâncias.

                  A postura de Asafe nos v.11-20 é de gratidão e louvor. Nada pode ser mais revigorante ao nosso coração do que o louvor a Deus cheio de gratidão, porque o louvor e a gratidão nos fazem enforcar as misericórdias de Deus, e assim fazendo, veremos que o que não nos falta é motivo para confiarmos em Deus e esperarmos em Sua misericórdia.

                   Nestes versículos, Asafe recorda “os feitos do SENHOR” ao povo de Israel, ao que ele considerava como as “maravilhas da antiguidade” (v.11). Esses feitos maravilhosos e antigos só poderiam ser feitos por Deus, da mesma forma que somente Ele poderia faze-los novamente em favor do Seu povo. Eis por essa razão Asafe declarou: “Considero também nas tuas obras todas e cogito dos teus prodígios” (v.12). Se antes, trazer à memória os poderosos feitos de Deus lhe trouxe tristeza (v.3 e 5), agora, depois de confrontar-se na presença de Deus e entender os Seus santos propósitos, Asafe encontra esperança no poder de Deus. Sua mente, que antes estava perturbada e confusa, agora, por cogitar nos “prodígios” de Deus, via-se renovada.

            Aplicação v.11-12

Em tempos de tristeza, nutrimos sempre o desejo de achar um remédio que mitigue sua amargura; poréma única maneira pela qual podemos fazer isso é lançar nossas preocupações sobre Deus”[8].

Ocupar a mente com os assuntos divinos, não somente é a melhor maneira de usá-la, como também o único recurso verdadeiramente eficaz na luta contra o pecado, pois, enquanto nossa mente estiver ocupada em cogitar das coisas lá do alto (cf. Cl 3.1-4), não será afetada por pensamentos pecaminosos, e nem por dúvidas a respeito do cuidado de Deus conosco.

                   Nos v.13-14, Asafe fala sobre o caráter de Deus que é:

  • Santo: “O teu caminho, ó Deus, é de santidade” (v.13a), ou seja, Ele é santo em Suas ações (caminhos). Por onde Ele passa, fica o Seu rastro de santidade.
  • Incomparável: “Que deus é tão grande como o nosso Deus?” (v.13b). Os deuses dos homens não passam de invenções de suas mentes pecaminosas e idólatras, mas, Deus não somente é incomparável, como também o único Deus verdadeiro e vivo.  
  • Todopoderoso: “Tu és o Deus que operas maravilhas e, entre os povos, tens feito notório o teu poder” (v.14). Os atos santos de Deus que revelam o Seu infinito poder, são feitos em todos os lugares e são encontrados por toda parte. Até mesmo nações que não O reconhecem como o único e verdadeiro Deus, são palcos onde o Seu poder se manifesta.

Aplicação v.13-14

Estes três atributos de Deus nos remetem ao fato de que devemos viver em santidade de vida tal como Deus exige de nós (Lv 11.44-45; 1Pe 1.16), em constante admiração por Ele exaltando-O o tempo todo pelo que Ele é, e com confiança inabalável no Seu poder.

                   Nos v.15-20 Asafe exemplifica os prodígios de Deus aos quais ele se referira anteriormente. Recordando o que Deus fizera a Israel por ocasião do Êxodo, ele continua apresentando outros atributos de Deus que Ele compartilhara com Seu povo. Ele é:

  • O Redentor do Seu povo:“Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José” (v.15). Deus os remira, os resgatara das garras do Egito e declarou a todos os povos que este era o Seu povo.
  • O Soberano Criador:os v.16-19 descrevem Deus agindo sobre as forças da natureza: tempestades, trovões, relâmpagos, terremotos e o Mar Vermelho se abrindo para que o povo passasse a pé enxuto. Tudo isso nos mostra o Seu poder que controla todas as coisas. Na narrativa do Êxodo vemos todas essas maravilhas sendo realizadas em favor de Israel.
  • O Pastor do Seu povo: o v.20 encerra este Salmofalando da presença de Deus com Seu povo, o qual aqui é visto como o Seu rebanho, e Ele como o Seu Divino Pastor que conduz Seus filhos nesta vida, preparando-os para se encontrarem com Ele um dia na Canaã Celestial, tal como fez com Seu povo Israel conduzindo-os à Canaã Terrena.

Aplicação v.15-20

Destacamos nestes versículos finais o fato de que Deus é presente com o Seu povo. Esta é a razão da nossa esperança. Não esperamos em um Deus que está distante e que pode não vir a tempo de nos socorrer, mas, esperamos naquele é que bem presente nas tribulações (Sl 46.1), e que por isso, Seu socorro nunca tarda. Esperamos Naquele cujo poder não só criou tudo o que existe, como também controla todas as coisas, e nenhuma delas foge dos Seus santos propósitos, mas cooperam para o bem daqueles que O amam e são por ele amados (cf. Rm 8.28-29).

Conclusão

                   Nesta vida estamos sujeitos a passar por momentos de profunda dor e angústia, quer sejam estas particulares ou comunitárias. Precisamos ter em mente as seguintes verdades:

  1. Nosso sofrimento é resultado do pecado. Pode ser que soframos por conta do pecado de outros (p.ex.: filhos que sofrem por decisões erradas de seus pais; igrejas que padecem nas mãos de líderes ímpios). Mas, geralmente, nosso sofrimento é causado por nós mesmos, por pecados que cometemos. Por isso mesmo
  2. Precisamos buscar em Deus a compreensão do que está acontecendo. Ainda que estejamos sob a disciplina de Deus, não devemos nos desesperar, mas, buscarmos compreender a vontade Dele. Lembremo-nos que a disciplina nesta vida é o único castigo que os filhos de Deus terão; para os bastardos não há disciplina, mas castigo eterno. Por isso mesmo
  3. Devemos esperar e confiar em Deus. Ele jamais nos desamparará. Se está em silêncio diante das nossas orações, não é porque não nos ama, mas, sim, porque sabe como lidar conosco a fim de transformar-nos naquilo que Ele quer que sejamos.             

[1] P.ex.: WIESBE, 2010, vol.3, p.218.

[2] Matthew Henry afirma que um rabino disse que este Salmo foi escrito no dialeto da época do cativeiro; e por isso, algumas pessoas consideram que ele tenha sido escrito no cativeiro babilônico (Cf. HENRY, 2010, vol.3, p.481).

[3] CALVINO, 1999, vol.3, p.174.

[4] HARMAN, 2011, p.283.

[5] CALVINO, 1999, vol.3, p.176.

[6] A ARC, ACF e a BRP traduzem da seguinte forma o v.6: “De noite chamei à lembrança o meu cântico”.

[7] HENRY, 2010, vol.3, p.483.

[8] CALVINO, 1999, vol.3, p.186.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
This entry was posted in Mensagens Expositivas do Livro de Salmos. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.