CARTA ABERTA AOS MUÇULMANOS

A sociedade moderna é anti-cristã. E isso não é coisa só dos muçulmanos. O sentimento anti-cristão permeia todos os cantos da sociedade. Nas escolas, nas artes, nas músicas, na cultura em geral. E o argumento predileto desses anti-cristãos é: “No passado os cristãos mataram muita gente também em nome da fé. Mataram, quem pensava diferente, mataram quem eles julgavam ser bruxos, mataram, muçulmanos e de outras religiões”. Mas, eu queria primeiramente pedir a estes anti-cristãos que não nos culpassem pelos erros de outros. Eu nunca matei ninguém, sempre respeitei quem pensa diferente de mim (até mesmo quando não sou respeitado). 

É fato que no passado muitos cristãos agiram assim, quer tenham sido os católicos, quer tenham sido os protestantes. A morte sempre foi o resultado da intolerância no passado. Contudo, é importante que destaquemos o fato de que nem todos nessa sociedade ocidental que é tida como “cristã” são cristãos de verdade (muitos são anti-cristãos!). O mesmo acontece no mundo islâmico. Nem todos que vivem num país reconhecidamente islâmico é muçulmano de fato. Então não devemos culpar todos por causa do erro de alguns, não é mesmo?

Eu, como cristão convicto, sigo tudo o que meu Senhor Jesus me ensinou. Ele me ensinou a amar aqueles que se apresentam como meus inimigos e a orar por eles; ensinou-me a não retribuir o mal como o mal, mas, com o bem (Romanos 12.19-21). Se eu amarrasse bombas no meu corpo e explodisse numa concentração islâmica, chegando na presença Dele na glória eterna eu ouviria: “Aparta-te de mim, maldito, nunca te conheci” (Mateus 7.23; 25.31). Isto porque Ele me ensinou que por Ele eu devo até morrer, mas, nunca matar. Por conta da minha fé jamais apoiarei que alguém mate o seu semelhante somente pelo fato dele pensar diferente. Não ficarei feliz, ou fingirei que nada vi (como fazem os muçulmanos “moderados” quando veem os “radicais” fazendo as atrocidades – quem cala consente), caso um cristão mate um muçulmano porque o vi andando praticando sua fé em público.

Quero ainda voltar naquele argumento de que no passado os cristãos mataram muitos em nome da sua fé. Usar esse argumento para justificar os ataques terroristas dos muçulmanos é no mínimo leviandade. Quantos muçulmanos socorreram cristãos que passaram por miséria em calamidades naturais? Quantos muçulmanos promoveram o crescimento sócio-cultural de povos ocidentais? Mas, em contrapartida, muitos cristãos (católicos e protestantes) enviam seus missionários aos países islâmicos (e muitos deles destruídos pelo próprio Estado Islâmico, como vários países da África), os quais pregam sim, o Evangelho, levam sua fé, mas, também socorrem crianças à beira da morte, evitam a mortalidade infantil por meio de projetos custeados pelos cristãos, constroem escolas, orfanatos, asilos, creches, hospitais, e muitos outros estabelecimentos para o bem daqueles que foram abandonados pelos governantes muçulmanos. E estes benfeitores são tratados como bandidos e marginais. Vejam por exemplo, o que aconteceu com os missionários Rev. José Dilson e Zeneide:

Missionários brasileiros José Dilson e Zeneide são condenados à prisão no Senegal

http://www.betania.org.br/nota-oficial-sobre-o-pr-jose-dilson/

Qual o crime que estes missionários cometeram? Tirar crianças da rua que foram abandonadas por seus pais muçulmanos e dar-lhes uma oportunidade de vida digna.

 Então por favor, se for acusar-nos dos erros cometidos no passado, sejam no mínimo coerentes e nos agradeçam pelo bem que lhes fazemos no presente.

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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