Casais Crentes Crescem Juntos

Casais Crentes Crescem Juntos

A centralidade de Cristo no lar cristão

Compare os dois quadros e responda qual dos dois representa um lar cristão.

Lar A                                                                   Lar B

Neste lar tem                                                      Neste lar tem

Crianças brigando                                                 Crianças amorosas

Casal discutindo                                                   Casal que se comunica

Ações egoístas                                                    Ações altruístas

Desobediência dos filhos                                      Obediência dos filhos

Preguiça nas tarefas                                             Diligência nas tarefas

Desperdício de bens                                             Boa administração

Pais injustos e relapsos                                        Pais justos e responsáveis

Palavras torpes                                                    Palavras que edificam

 

A princípio, todos nós concordamos que o “Lar A” é um lar ímpio e o “Lar B”, cristão. É claro que o ideal bíblico de um lar cristão é o “Lar B”. Porém, qual lar cristão não vivencia as situações descritas no “Lar A”.

O Dr. Jay Adams em seu livro A Vida Cristã no Lar afirma que a ideia de um lar perfeito que não tem essas situações desagradáveis não é uma ideia bíblica. A Bíblia não fala de lares perfeitos; contudo, ela nos exorta a que cuidemos do nosso lar para que ele prossiga ruma à perfeição.Mas então, porque os lares cristãos não são como o “Lar B”, e porque as situações descritas no “Lar A” são uma triste realidade dos lares cristãos? Porque dentro dos lares cristãos convivem pecadores!

Citando ainda o Dr. Jay Adams: “Um verdadeiro lar cristão é um lugar onde vivem pecadores; mas é, também, um lugar onde as pessoas admitem esse fato, compreendem o problema, sabem qual é a solução e, como resultado, crescem na graça”[1].

Três ações com relação aos nossos pecados devem ser tomadas: admiti-los, confessá-los e abandoná-los.

Nunca se esqueça: “As pessoas que vivem no lar cristão são pecadoras, mas o Salvador, que não tem pecado, vive ali também. E isso faz toda a diferença” (Jay Adams)[2]. Todos nós devemos sempre ter essa verdade bem firme em nosso coração para encher-nos da verdadeira esperança em Cristo. Devemos lembrar o nosso cônjuge o tempo todo dessa verdade.

Há um livro escrito por Gustavo Cerbasi intitulado Casais Inteligentes Enriquecem Juntos. Porém, hoje quero falar com você sobre Casais Crentes Crescem Juntos.

Em 2Pe 3.18 lemos: “antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. O alvo de um casal cristão deve ser este. Não há riqueza maior neste mundo, não há alegria maior que esta, não há objetivo de vida mais belo que este para um casal e um lar.

Como mostramos no início, a dura realidade do seu casamento é que seu cônjuge se casou com o pior dos pecadores. Enquanto você não se ver como o pior pecador as disputas, as tensões e discórdias dentro da sua casa continuarão e até piorarão.

Quero chamar a sua atenção para o texto de Mt 7.1-5 que embora não esteja falando especificamente sobre o casamento, relata situações muito próprias da vida conjugal.

Aqui, o Senhor Jesus está no meio do “sermão do monte”, e fala de um pecado que todos nós cometemos em nossos relacionamentos, especialmente, no casamento: o juízo temerário, ou seja, o julgamento precipitado, aquele julgamento que fazemos sem ter os dados esclarecidos.

É muito comum ouvirmos as pessoas (e não poucos crentes) citando o v.1 “Não julgueis, para que não sejais julgados” dando a ideia de que Cristo condena qualquer julgamento. Isso é mentira! O Senhor Jesus nos manda ter discernimento, ou seja, capacidade de julgar se alguma coisa é boa ou má. Se olharmos para o v.5 vemos que Ele nos manda tirar o argueiro (cisco) do olho do nosso irmão. Para isso precisamos julgar que o cisco é algo ruim, de outra sorte nada faremos pelo nosso irmão. Porém, e nós fizermos um julgamento precipitado sem levantarmos todos os fatos, seremos julgados como pessoas que não têm discernimento. Assim como eu julguei meu irmão chamando-o de “irresponsável” serei julgado por Cristo por ter agido irresponsavelmente em relação ao meu irmão.

Além disso, é importante definimos alguns termos aqui:

“Olho”: vida, coração, comportamento.

“Trave”: pecados escandalosos e notórios.

“Argueiro” (cisco): pecados corriqueiros.

Qualquer pecado é pecado e extremamente danoso ao nosso coração.

Uma vez entendido isso sobre o texto vejamos como isso se aplica ao casamento cristão.

1)     Não julgue as intenções do seu cônjuge até saber quais são elas.

Como já foi mostrado, o Senhor Jesus não nos impede de fazermos julgamentos corretos, mas, sim, julgamentos sem consistência, sem termos bem claras as motivações que levaram a pessoa a agir como agiu.

No casamento isso acontece com muita frequência e o motivo pelo qual julgamos de forma errada o nosso cônjuge é porque a comunicação está deficiente. Gritarias, xingamentos, palavras duras e carregadas de sarcasmo e ira tomam o lugar de uma conversa franca, honesta e cheia de respeito. A esposa com medo de o marido reagir de forma grosseira em suas palavras fica quieta e nada fala. Contudo, em seu coração ela fica remoendo pensamentos cheios de mágoa e de autocomiseração. Enquanto isso o marido fica quieto e não mexe no assunto porque não quer gerar nenhuma discussão.

Tal situação é insustentável! O casamento experimenta uma deterioração acelerada quando a comunicação não é exercida biblicamente.

As quatro regras da boa comunicação

1ª Regra: Seja honesto

A)    Os pensamentos da mente só são conhecidos pela própria pessoa (1Co 2.11).

B)    Informação não verbal ajuda, mas não é conclusiva. Gestos, feições, tom de voz nos mostram algumas coisas, mas, somente quando a pessoa fala o que está em seu coração é que podemos saber de fato.

C)    Honestidade é mais do que não mentir.

Envolve: Falar a verdade (Ef 4.25); usar as palavras corretas que confiram dignidade e edificação (Ef 4.29).

2ª Regra: Conserve-se atualizado (Ef 4.26 e Sl 4.4)

A)    Há momentos quando se deve ficar calado (Tg 1.19)

B)    Há ocasião quando é errado ficar calado. Se o pecado está impedindo o crescimento ou causando dano ao Corpo de Cristo (a Igreja), ou o ofensor ou a situação está se deteriorando rapidamente, é extremamente falta de amor não procurar resolver o problema.

C)    Perguntas que você deve fazer a si mesmo antes de trazer um problema à tona para ser resolvido:

Tenho todos os fatos certos? (Pv 18.13)

Amor deve esconde-lo (1Pe 4.8)

Minha atitude é correta? (Ef 4.15)

O tempo é apropriado? (Pv 15.23b)

Minhas palavras são amorosas? (Ef 4.15)

Já orei pedindo ajuda de Deus? (Pv 3.5b)

3ª Regra: Ataque o problema e não a pessoa!

A)    As palavras podem ferir (Tg 3.5-8)

B)    Pessoas não podem ser atacadas. Se assim fizermos estamos desonrando a Deus.

C)    Escolha palavras orientadas a uma solução.

4ª Regra: Aja! Não reaja!

A)    Não reaja. As ações más dos outros não devem determinar as suas reações (Ef 4.31).

B)    Em vez de reagir, nos temos que agir com amor (Ef 4.32).

 

2)     Limpe primeiro os seus “olhos”.

Voltando para o texto central de Mt 7.1-5, o Senhor Jesus afirma que quando nos empenhamos para tirar os ciscos dos olhos do outro (no caso, o cônjuge) sem primeiro reparamos a trave que está em nosso olho, estamos caindo no pecado da hipocrisia.

Em seu livro Quando Pecadores Dizem Sim, Dave Harvey afirma: “…ignorar um problema maior para lidar com algo trivial, porque você prefere focalizar-se no trivial, é falta de integridade” (p.60)[3]. Portanto, se você faz questão de ressaltar o pecado do seu cônjuge e não faz nada com o seu pecado, você está sendo um hipócrita e lhe está faltando integridade.

Primeiramente, admita que você é um pecador. Em segundo lugar, confesse os seus pecados nominando-os (pecamos a varejo e confessamos por atacado, isso é um grave erro!). Em terceiro lugar abandone o seu pecado. Veja o que a Escritura diz em Pv 28.13.

Uma vez que os seus olhos estiverem limpos e livres dessas “traves”, então é hora de você cuidar do seu cônjuge.

3)     Ajude o seu cônjuge e limpar os “olhos” dele.

“…e então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão” (v.7). Note mais uma vez que aqui o Senhor Jesus está nos mostrando que devemos julgar as coisas e retirar da nossa vida tudo aquilo que desagrada a Deus, bem como ajudar nossos irmãos (especialmente nosso cônjuge) a se livrar de estorvos à sua vida espiritual.

Tanto o marido quanto a esposa devem se empenhar em ajudar o outro crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (cf. 2Pe 3.18). Quando um percebe que o outro está falhando e tropeçando num pecado, deve esforçar-se ao máximo para ajuda-lo a vencer esse pecado e a criar novos hábitos condizentes com a Palavra de Deus. Enquanto isso, deve se policiar o tempo todo para não cair no mesmo pecado (Gl 6.1).

Mas, não se esqueça: você precisa ver claramente para ajudar seu cônjuge a ficar livre do cisco que está no olho dele, pois, se houver algo em seu olho atrapalhando-o ver claramente você fará um estrago no olho do seu cônjuge. Se sua vida estiver atrapalhada por conta de algum pecado ao qual você está ignorando, saiba que em vez de ser bênção na vida do seu cônjuge você será uma desgraça, pois, depois de Deus, o seu cônjuge é a pessoa que melhor lhe conhece e ele detectará a sua hipocrisia de longe.

Conclusão

Voltando aos dois modelos de lar apresentados no começo desse estudo, observe novamente o “Lar B”.

Neste lar tem: Crianças amorosas, casal que se comunica, ações altruístas, obediência dos filhos, diligência nas tarefas, boa administração, pais justos e responsáveis e palavras que edificam. Tudo isso porque neste lar Deus é o centro, a vontade Dele tem a primazia, e a Sua Palavra é a regra de fé e prática.

Casais crentes crescem juntos, porque juntos um auxilia o outro a ficar firme no propósito de confiar em Deus e obedecê-Lo. Você casou-se porque essa é a vontade de Deus para a sua vida e para ser bênção na vida do seu cônjuge. Enquanto você tiver isso em mente o crescimento na graça e no conhecimento de Cristo Jesus não será interrompido em seu lar.

Ainda que seu lar esteja longe desse ideal, não desista! Enquanto você estiver olhando para Cristo você estará indo rumo à Perfeição.


[1] ADAMS, Jay E. A Vida Cristã no Lar. Editora Fiel, São José dos Campos (SP), 2ª Edição, 2011.

[2] Ibid.

[3] HARVEY, Dave. Quando Pecadores Dizem “Sim”. Editora Fiel, São José dos Campos (SP), 2009.

Rev. Olivar Alves Pereira

Estudo proferido na CIEB – Comunidade Igreja Evangélica do Brasil, Caçapava (SP)

Em 27/04/2013 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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