Criando Filhos Para a Glória de Deus – Parte IV

Educando os Filhos Para a Vida em Sociedade

Preparando-os para Viver na Sociedade como Cidadãos dos Céus

 

Introdução

Imagine que estourou uma guerra e seu filho foi chamado para defender o país. Ele não recebeu qualquer preparação e treinamento militar, mas, mesmo assim terá de ir para a guerra. Qual seria a sua reação?

Mas, vamos imaginar um pouco mais. De repente, você lembra que há um documento que poderá livrar o seu filho do serviço militar e você se põe a procurá-lo. Este documento declara dispensado da guerra aquele que por ocasião do seu nascimento não recebeu do Governo um manual contendo instruções para preparar a criança para enfrentar uma guerra. Mas, quando você encontra esse documento dispensando o seu filho, você também encontra o tal manual e um papel dizendo que você recebeu esse manual, e, portanto, não há qualquer justificativa para que ele não vá para a guerra (se ele não recebeu a instrução foi por sua culpa e não do Governo). Qual seria a sua reação?

O que muitos de nós se esquecem é que (1) há uma guerra de verdade sendo travada (e é a pior de todas porque é espiritual ) em todos os cantos da sociedade, (2) nossos filhos estão alistados para essa guerra, (3) há uma ordem para nós pais treiná-los e capacitá-los, (4) há um manual infalível e suficiente para treiná-los (a Bíblia); (5) e haveremos de prestar contas a Deus pelo o que fizermos ou deixarmos de fazer.

Os Inimigos dos Nossos Filhos

Embora tudo o que tem sido dito nesses estudos se aplica às diversas idades o foco dos mesmos é as crianças por serem mais vulneráveis. Lembrando que elas se encontram na mesma guerra espiritual na qual nos encontramos, é muito importante que fiquemos alertas aos inimigos que as acediam o tempo todo e são muito perigosos.

Você já gastou algum tempo assistindo aos mesmos programas de TV que o seu filho assiste? Se não, faça esse exercício. Você verá que por detrás de desenhos, programas e filmes aparentemente inofensivos existem uma série de ensinamentos danosos aos quais nossas crianças estão expostas. Vejamos alguns:

Desorientação sexual

Todos nós temos acompanhado as constantes mudanças na sociedade no que se refere à questão do homossexualismo. Essa questão que antes era tratada veladamente, hoje é explicitada de tal forma que já se perdeu a compostura. Utilizando a fachada da “luta contra o preconceito”, a sociedade por meio da TV e da Internet (especialmente) tem feito propaganda intensa do homossexualismo.

Mas a distorção sexual não está somente nesta área. A erotização das crianças é algo totalmente fora de controle. A Mídia coloca a questão do namoro de crianças como algo perfeitamente normal. Está cada vez mais comum ouvirmos falar de crianças de 7 ou 8 anos “ficando”, e voltando à questão do homossexualismo, também está se tornando cada vez mais tolerável esse comportamento pecaminoso envolvendo crianças menores de 10 anos.

Meninas se vestem como mulheres adultas (e muitas dessas vestimentas ficam indecentes até mesmo nas mulheres!) e tudo isso com a finalidade de chamarem a atenção para si.

Nossas crianças precisam ser orientadas na pureza sexual tal como apresentada pela Palavra de Deus. No Novo Testamento a palavra que indica toda forma de conduta sexual reprovável é “impureza” (po,rnoj) aplicando-se à prostituição, homossexualismo, sodomia, adultério, fornicação, pensamentos impuros, etc. Que fim terão os impuros? Leia: Hb 13.4; Ap 21.8 e 22.15.

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E por que Deus punirá os impuros dessa forma? Os seguintes textos nos mostram a razão disso.

Falando a Timóteo, Paulo faz uma lista de pecados entre os quais está a impureza diz que tais comportamentos pecaminosos se opõe a que? (1Tm1.8-10, especialmente o v.10). ________________________________________________________________

É este futuro que você deseja para o seu filho?

Consumismo

Outro ensinamento destruidor que a Mídia empurra para dentro dos nossos lares é o consumismo. Como alguém já disse com muita propriedade, “somos estimulados a comprar o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar quem não nos agrada”. O comprar por necessidade tornou-se necessidade de comprar. As propagandas mostram pessoas felizes por têm um determinado produto, e assim, cria-se a ilusão de que o ter é mais importante do que o ser. Se a criança não tiver tal brinquedo ela não será feliz. E para quem acha que essas ilusões são “coisas de criança” e passam basta fazer uma pesquisa nos órgãos do governo que cuidam do cadastro de inadimplentes e verá que a maioria dos que estão com seus nomes “sujos” é por causa de terem comprado além do que seu orçamento permitia.

Em Lc 12.13-21 qual é o principal ensinamento que Cristo nos dá? Leia o v.15. Ele nos manda ter cuidado com o que? __________________________________. E nos lembra que a nossa vida não consiste (depende) do que? ______________________________________________________________________.

Nossa sociedade é definida como uma sociedade de consumo. Consequentemente, o egoísmo é exercitado no coração das pessoas. Não pense que nossas crianças estão isentas disso. Por isso mesmo precisamos ensiná-las a serem frugais (contentar-se com o suficiente), a serem boas administradoras do que têm, a serem generosas em repartir com os menos favorecidos. Para algumas crianças isso não é tão difícil, enquanto que para outras isso traz mais dificuldade. Porém, muito da dificuldade que elas têm se deve ao comportamento de seus pais.

Ensine seu filho a não ser mais um consumidor nesta sociedade consumista, mas, sim, a ser alguém que contribui para o bem daqueles que estão ao redor, aprendendo a valorizar as pessoas acima das coisas, e Deus acima das pessoas.

Desprezo à Autoridade

“A nossa juventude adora o luxo, é mal educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus”[1].

                        

“Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível”[2].

                        

“O nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe”[3].

 

“Esta juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Eles nunca serão como a juventude de antigamente (…) A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura”[4].

 

Para quem acha que essas frases foram retiradas de um jornal dos nossos dias, veja as notas de rodapé.

A crise de autoridade que enfrentamos em nossos dias não é um mal só dessa geração. É um mal presente em toda a História da Humanidade. Começou lá no Éden quando o homem acatou a sugestão do diabo de “ser o dono do seu destino”. Precisamos entender que essa crise de autoridade se dá por causa da rebeldia do coração humano, e essa rebeldia faz “parte do pacote”, já vem no coração da criança, é um “defeito de fabricação” que um recall não basta. É necessário uma transformação pelo poder do Evangelho.

Temos de ensinar nossos filhos a obedecerem às autoridades porque isso honra a Deus. Toda autoridade é instituída por Deus (Rm 13.1-7) e, que, portanto, em última instância, desrespeitar uma autoridade (pais, professores, policiais, magistrados, líderes da Igreja, etc.) é desonrar a Deus, especialmente quando estas estão cumprindo seu dever.

Os Amigos dos Nossos Filhos

Outro fator muito importante na vida das nossas crianças é a amizade. Você conhece os amigos de seus filhos? Sabe quem são e o que fazem? Como é a estrutura da família deles? No que creem? Do que gostam?

Essa questão começa a ser enfrentada por pais cujos filhos começaram uma “vida social” quando foram para a escola. O problema é que nossas crianças estão indo cada vez mais cedo para a escola e deixando o convívio familiar numa fase fundamental de suas vidas. Em busca de um “melhor padrão de vida”, pai e mãe saem para o trabalho deixando seus pequeninos nas mãos de estranhos numa creche, ou com babás que estão limitadas especialmente quanto a correção que deve ser dada às crianças. De que adianta um padrão de vida financeiro mais elevado quando o maior tesouro (os filhos) se perde com o tempo? Com a desculpa de que o que importa não é a quantidade de tempo, mas, sim a qualidade do tempo com os filhos, pais e mães estão passando cada vez menos tempo com eles, e como eles precisam de relacionamentos, os amigos tornam-se a primeira opção quando eles precisam de algum conselho e companhia.

Traga os seus filhos e os amigos dele para perto

Promova os encontros deles em sua casa. Assim você poderá conhecê-los melhor. É claro que, além disso, você como servo de Deus deve ajudá-los (os amigos de seus filhos) também. Mas, tome muito cuidado para não por em risco sua família. Ao ajudar alguém você nunca deve se esquecer que nãopode se complicar. Do contrário, quem precisará de ajuda é você.

Proporcione condições de seus filhos fazerem bons amigos

É lamentável ver que vários pais crentes julgam dispendioso e até mesmo supérfluo investir para que seus filhos participem de acampamentos, encontros, congressos, e outras atividades promovidas pela Igreja. Pior ainda é o caso de pais que não se preocupam em trazer os seus filhos à Igreja (e virem com eles, é claro!).

Planeje-se para enviar o seu filho em alguma conferência[5], ou em algum evento cristão onde ele terá contato com outros jovens cristãos que ajudarão na formação do caráter de seu filho.

Mentorear em vez de Monitorar

Esses dois atos são conceitos muito diferentes. Existem pais que estão o tempo todo monitorando seus filhos. Com a tecnologia do telefone celular, ligam o tempo todo para eles, exigem relatórios diários, literalmente, não saem de cima deles. Mas, será que eles conseguem monitorá-los o dia inteiro? Impossível.

O problema de “pais monitores” é que eles sabem que não são onipresentes, mas agem como se o fossem. Assim, ensinam seus filhos a obedecerem somente quando eles estão perto ou cientes do que os filhos estão fazendo. No primeiro momento em que os filhos se virem fora do “radar” de seus “pais monitores” se sentirão livres e libertos para fazerem o que bem entenderem.

Em vez disso, os pais precisam ser “mentores”. Mentorear o coração de um filho é o que Deus nos ordena, e para o que Ele nos capacita por meio de Sua Palavra.

Como age um “pai mentor”? Essa resposta é bem ampla. Tudo o que foi dito até aqui neste estudo e nos outros três anteriores caminham na direção da resposta a essa pergunta.  Vejamos alguns pontos básicos

Um pai mentor orienta o seu filho para Deus

O tempo todo esse pai mostra que deve ser a glória de Deus a motivação das ações do seu coração e do coração de seu filho. É na glória de Deus que está o prazer do seu coração e a satisfação plena de sua alma.

Um pai mentor crê que a Palavra de Deus é inerrante e suficiente

As Escrituras não só não erram e não falham no que dizem como também dispensam quaisquer adereços humanos para transformar o coração de uma pessoa. Não se vale da “sabedoria popular”, de métodos que não estão em acordo com a Palavra de Deus, e nem mesmo sente falta deles porque a Palavra de Deus lhe é suficiente. E conforme 2T 3.15 para que as Escrituras são suficientes? _____________________________________________________________________

Um pai mentor não controla, mas, direciona

A grande ilusão de muitos pais é querer ter o controle sobre a vida de seus filhos. Essa atitude não somente é ilusória como também pecaminosa. Não somos nós quem devemos estar no controle da nossa vida e da vida de nossos filhos, mas, sim, Deus. Não estou com isso dizendo que você deve deixar seus filhos à vontade para fazerem o que bem entenderem, até mesmo porque não estou propondo uma anarquia, mas, sim, uma “monarquia”, ou seja, Deus reinando nos corações.

Pais mentores orientam, apontam a direção que os filhos devem seguir. Leem a Bíblia, oram e adoram junto com seus filhos. Caminham com eles até mesmo quando estão longe geograficamente, e isto porque lhes ensinam sobra a onipresença, onisciência e onipotência de Deus.

Pais mentores discipulam seus filhos

O discipulado não é mera transmissão de ensinos teológicos e bíblicos. Ainda que estes elementos estejam presentes no discipulado, este vai mais além. O discipulado não é uma transformação que nós operamos no coração de nossos filhos, mas, sim, o Espírito Santo é quem opera. O discipulado dá exemplo de vida, ensina com palavras e ações, mas, acima de tudo, o discipulado é a demonstração que damos da nossa dependência que temos de Deus.

O quanto o seu filho tem aprendido a depender exclusivamente de Deus olhando para o seu comportamento?

Pais mentores não se cansam enquanto há o que ser feito

Falando aos gálatas, Paulo resume tudo o que temos dito sobre o mentorear os filhos. Leia Gl 4.18,19. Como ele descreve sua ação como mentor? __________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Enquanto a tarefa não acabar não há descanso para um pai que leva a sério o educar os seus filhos para a glória de Deus!

Bibliografia

PRIOLO, Lou. O Caminho para o filho andar – Como usar as Escrituras no treinamento dos filhos. 1ª Edição, São Paulo, Ed. NUTRA, 2008.

PRIOLO, Lou. O Coração da ira – Guia prático para lidar com a ira dos filhos. 1ª Edição, São Paulo, Ed. NUTRA, 2009.

TRIPP, Tedd; TRIPP, Margy. Instruindo o coração da criança. 1ª Edição, São José dos Campos, Ed. Fiel, 2009.

TRIPP, Tedd. Pastoreando o coração da criança. 1ª Edição,

São José dos Campos, Ed. Fiel, 8ª reimpressão 2010.


[1] Sócrates (470-399 a.C.).

[2] Hesíodo (720 a.C.).

[3] Um sacerdote do ano 2000 a.C.

[4] Frase escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia e tem mais de 4000 anos de existência.

[5] Por exemplo: todos os anos a Editora Fiel promove o Congresso Fiel para Jovens. Com planejamento anual e empenho (inclusive dos filhos) é possível mandá-los para este ambiente cristão, saudável e muito sério.

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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