Cristo a e Sua Gloriosa Igreja – 23ª Mensagem

A Armadura de Deus

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Estamos numa guerra! Uma guerra que na qual não podemos ver os nossos inimigos, senão os efeitos destruidores de seus atos malévolos. Nesta guerra, como vimos anteriormente (Ef 6.10-12), a Gloriosa Igreja de Cristo não está inerte esperando os ataques de Satanás e seus sequazes, antes, é ela quem está no ataque. Não pode se descuidar, por isso deve estar sempre revestida com a armadura de Deus

O v.13 diz: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”, ou seja, em virtude da guerra em que a Igreja se encontra, em razão do tipo de inimigo que ela enfrenta e de quem ela recebe os ataques, cada crente que é convocado para esta guerra recebe a ordem: “…tomai toda a armadura de Deus…”. Como um exército que a cada manhã se prepara para a batalha, assim é a Igreja de Cristo em face aos seus inimigos.

É necessário o uso completo dessa armadura com a finalidade de “resistir no dia mau, e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”. Uma só parte deixada de lado a derrota é certa.

Temos asseverado que não é o inferno que ataca a Igreja, mas, sim, esta que desfere os ataques contra o inferno. Isto fica muito claro nas palavras deste verso. O ato de “resistir” (lit. postar em oposição) não é o de ficar parado esperando alguma investida do diabo, mas, sim, oferecer oposição “partindo para cima” do inimigo. O “…dia mau…” a que Paulo se refere aqui, é aquele em que “duras provas, nos momentos críticos de sua vida, quando o diabo e seus subordinados sinistros os assaltarem com grande veemência (…) e já que não se sabe quando tais coisas ocorrem, a implicação clara é: estejam sempre preparados” (William Hendriksen). O Rev. Augustus Nicodemos também concorda com essa interpretação e diz: “São dias em que Satanás usa todos os seus recursos para nos derrotar”.

Assim sendo, neste “dia mau” os crentes devem ter “…vencido tudo” para poderem ficar “inabaláveis”. O “vencer tudo” significa estar sempre pronto com a armadura para poder lutar. Deus dá as armas para a batalha, mas, é o crente quem tem de se revestir, retomar a armadura a cada novo dia. Novamente vemos a ênfase sobre a soberania de Deus capacitando o crente, agindo com a responsabilidade do crente em ser obediente às ordens de Deus.

Os v.14-17 descrevem as peças dessa armadura. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça” (v.14). Novamente, aparece a ideia de resistência da Igreja, não uma resistência de quem espera ser golpeado e atacado, mas, de quem não se conforma com o que vê e por isso se opõe a essas forças malignas. Como indica o v.13, os crentes devem se mostrar sempre descontentes e em oposição ao mal causado por Satanás e seus comparsas.   As armas às quais Paulo passa a descrever nestes versos, possivelmente estavam diante de seus olhos, ou seja, a guarda romana. Sabemos através de At 28.16, que quando Paulo esteve preso em Roma pela primeira vez, morou numa casa que ele mesmo alugara (At 28.30) e que era constantemente vigiado por um soldado.

A firmeza que Deus espera do crente depende as seguintes armas às quais os crentes não podem negligenciar uma sequer, bem como deve atentar para a “sequência lógica” de cada arma.

O cinto da verdade. Para entendermos melhor o que Paulo quer ensinar aqui, precisamos entender como essas peças de guerra funcionavam. O soldado primeiramente vestia-se com uma túnica curta a qual lhe dava mais conforto para quando colocasse a couraça. Essa túnica era presa com um cinto que tanto firmava essa túnica e a couraça, quanto também servia para segurar a espada quando esta não estivesse em uso. Este cinto proporcionava firmeza para os membros, daí a sua grande importância.

Paulo diz: “cingindo-vos com a verdade”, ou seja, a verdade na vida do crente é de extrema e vital importância. Em Ef 4.15; 5.6,9, ele falou contra o engano. Em Ef 4.25, ele também exortou os crentes a deixarem de lado a mentira e falarem a verdade uns com os outros. A verdade é a qualidade básica do crente. Por “verdade” fica subentendido tudo aquilo que põe fora o engano, a mentira, a hipocrisia; é a atitude sincera da mente e do coração em relações a Deus e aos semelhantes. Esta verdade faz com que o crente não recue covardemente na batalha, mas, avance com confiança.

A couraça da justiça. A couraça era composta de duas partes: uma protegia o peito e a outra, as costas. Tanto dos ataques frontais que podiam ser vistos facilmente, quanto dos ataques traiçoeiros pelas costas, o soldado era protegido pela couraça. Na mente de Paulo, tal couraça era “…a couraça da justiça…”. A Justiça a que Paulo se refere é a Justiça de Deus que nos foi imputada por Cristo a qual torna o pecador livre da culpa de seu pecado (Rm 3.21). Esta Justiça nos capacita a vivermos em retidão de caráter. Espiritualmente falando, essa couraça da justiça é então, a vida devota e santa, retidão moral (Rm 6.13; 14.17). Devemos lembrar que Paulo nesta carta aos Efésios deu grande ênfase ao “viver de modo digno à vocação com que foram chamados” (4.1). Somente por meio de um viver santo confiado na Justiça de Cristo é que o crente lutará com mais eficiência conquistando o próximo e vencendo a Satanás não lhe dando recursos para que ele (o diabo) o acuse diante de Deus e dos homens.

O calçado do Evangelho da paz, “Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” (v.15). As sandálias de um soldado romano eram fartamente cravejadas com pregos agudos para que ele tivesse mais mobilidade e firmeza andando pelos mais variados tipos de terreno. Da mesma forma, uma vida calcada (e preparada) no Evangelho da Paz, terá condições de passar pelas mais variadas situações, assim como um soldado romano podia atravessar qualquer tipo de terreno com sua sandália.

A Paz proclamada através do Evangelho não é a mera ausência de desgostos, problemas e conflitos (ou no sentido militar, a ausência de guerra), mas, sim: (1) a reconciliação com Deus (Rm 5.1-11) e, (2) a segurança e tranquilidade que o crente desfruta por causa da Obra de Cristo que lhe garante a salvação eterna, a força para suportar as lutas as quais são meios que Deus usa para promover crescimento e fortalecimento à fé do crente.

É com esse “calçado” que o crente deve estar constantemente. O Evangelho da Paz é a “base” (o crente está sobre o Evangelho como está sobre seus sapatos) da vida do crente. Se a vida do crente estiver embasada em qualquer outra coisa, ele não pode ser identificado como “crente”, pois para ser um crente em Cristo, a pessoa tem de estar firme no Evangelho.

O escudo da fé, “embraçando sempre o escudo da fé” (v.16) O escudo romano era uma peça que media cerca de 1,25 metros de altura e 0,75 metros de largura, no formato era côncavo e revestido de uma camada de couro. Numa guerra, o escudo tanto protegia individualmente cada soldado como também protegia coletivamente quando os muitos escudos eram agrupados formando uma espécie de “muralha móvel”.

Flechas com fogo eram lançadas pelos inimigos. Por isso mesmo, os escudos eram embebidos na água a fim de apagarem o fogo das flechas. Na guerra que travamos contra os nossos inimigos, flechas do fogo do inferno são lançadas contra nós, pondo em dúvida o cuidado de Deus para conosco. Essas dúvidas que Satanás lança são como flechas de fogo numa guerra. É por isso que necessitamos da fé em Cristo que nos protege como um escudo. Uma proteção individual e coletiva. Ao vermos um irmão sendo atacado em sua fé precisamos atuar em conjunto para proteger a Igreja toda.

O capacete da salvação. “Tomai também o capacete da salvação” (v.17). O elmo do soldado romano era feito de ferro e de bronze e protegia a sua cabeça. A analogia aqui é clara. Assim como o capacete protege a cabeça, a certeza da salvação protege a nossa mente contra as investidas malignas de nos fazer duvidar da promessa de Deus de nos salvar. Mais uma vez o Rev. Augustus Nicodemos faz um comentário esclarecedor aqui: “A figura da salvação como um capacete reflete todo o ensinamento bíblico de que aquele que foi salvo por Deus em Cristo está a salvo dos ataques mortais de Satanás. Embora ainda possa ser atingido, jamais poderá ser destruído ou arrancado das mãos do redentor”. Que certeza bendita!

A espada do Espírito, “que é a Palavra de Deus” (v.17). De todas essas armas, a única que é aparentemente ofensiva é a espada do Espírito, a Palavra de Deus. Porém, não podemos esquecer que o tempo todo Paulo está mostrando que quem está em posição de ataque é a Igreja. Com a verdade, a justiça, a paz, a fé e a salvação de Deus reveladas no Evangelho também atacamos. Contudo, é a espada do Espírito, a Palavra de Deus a arma letal para os nossos inimigos. A espada que Paulo se refere aqui é a  ma,caira  uma espada curta que dava ao soldado maior habilidade na luta. O crente deve ser hábil em manusear a Palavra de Deus, foi justamente esta recomendação que Paulo deu a Timóteo em 2Tm 2.15. Somente com o manuseio correto e habilidoso da Palavra de Deus é que o crente conseguirá vencer os inimigos de sua alma. Se a Palavra de Deus não estiver empunhada em nossas mãos (coração) será semelhante à espada na bainha: não terá serventia alguma.

No v.18 ressaltamos os adjetivos “toda, todo, todos” relativos à oração. Ela deve ser com toda súplica, em todo tempo por todos os santos, isto é, os irmãos. Mais uma vez ressaltamos a coletividade na vida em Igreja. O amor fraternal como vimos no Cap.5.15-21, deve ser visto o tempo todo em nós e a oração e a intercessão fortalece o amor fraternal.

Os v.19,20, mostram como o apóstolo Paulo dá àqueles irmãos a oportunidade de colocarem em prática “toda oração e súplica, orando em todo o tempo”, por ele, um santo de Deus. Ele mostra o seu desprendimento consigo mesmo e tem seu foco somente na glória de Deus através da pregação do Evangelho. Ele estava limitado por uma cadeia, mas, o Evangelho não. Ali de dentro daquela cadeia ele pregava o Evangelho. Mas, como era de se esperar, o abatimento lhe sobreveio e ele sabia que somente em Cristo ele poderia ser revigorado, pois queria “com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” mesmo ali dentro da cadeia. Além disso, outra lição que aprendemos é que nenhuma condição, por pior que seja, deve fazer-nos perder de vista quem somos em Cristo. Paulo ainda que se visse como um prisioneiro sabia também que era um “embaixador”.

Estamos numa terrível batalha espiritual e para vencermos precisamos ser:

 

1)      Obedientes a Deus

A obediência a Deus na vida do crente é fundamental. Deus não procura homens fortes, mas, sim, obedientes. Devemos ser obedientes a Deus, e com relação à guerra em que estamos, precisamos obedecer Sua ordem de nos revestirmos de Sua armadura. Também precisamos ser obedientes nas tarefas que Ele nos manda executar, como por exemplo, a pregação do Evangelho.

Também devemos ser:

2)      Dependentes de Deus

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus…” (2Co 10.4). Não devemos lutar com as nossas forças, mas, sim lutarmos com as armas de Deus (verdade, justiça, paz, fé, salvação e a Sua Palavra). Quem nesta luta quiser usar suas próprias armas, já está derrotado. A nossa dependência do poder de Deus não somente nos dá a garantia de vencermos, como acima de tudo O glorifica como Soberano Deus e Salvador.

Temos também que ser

 

3) Confiantes na Sua promessa

Quem depende de Deus é porque tem

confiança Nele. A Bíblia nos diz em Rm 8.37: “Em todas essas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”. Em 2Co 3.5 lemos: “…a nossa suficiência vem de Deus”. Confiarmos plenamente em Deus nos livra da ansiedade; tudo está sob o controle Dele. Se estivermos passando por lutas, temos a garantia da Sua paz em nosso coração; se estivermos sendo atacados pelas flechas inflamadas do diabo, temos a fé que Ele nos dá com a qual podemos apagá-los. Enfim, a promessa de Deus para nós, é rica, abrangente e eterna.

O que Deus quer que você faça?

Que você fique firme e confiante somente Nele quando os inimigos lhe atacarem para que você possa:

1)      Vencer todas as lutas

2)      Permanecer inabalável depois dessas lutas.  

Conclusão

Não viva na derrota, pois, você foi destinado para ser mais que vencedor em Cristo.

 

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 17/03/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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