Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 10ª Mensagem

Ef 3.1-13

Transmissores do mistério de Deus

Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 10ª mensagem (Ef 3.1-13)

No Cap.2.11-22 vimos que Deus por meio do sacrifício de Jesus constituiu para Si mesmo a Sua Igreja composta de judeus e gentios.

Uma vez que as mesmas insondáveis bênçãos que foram derramadas sobre os judeus, agora também foram derramadas sobre os gentios, uma vez que a parede da separação foi derrubada e em lugar desta parede Deus levantou para Si um santuário, um templo, uma edificação, a saber, a Sua Igreja composta tanto de judeus como de gentios convertidos, Paulo então passa a mostrar que os membros da Igreja de Cristo são Transmissores do mistério de Deus.

Nestes versículos ele se refere a esse mistério mostrando que este estivera oculto por séculos, mas, agora em Cristo e em Seu Evangelho.

O mistério a ser transmitido por aqueles que foram recebidos na Família de Deus é:

1)      Cristo fez para Si uma Igreja formada de judeus e gentios, v.1-6.

No v.1 Paulo se identifica como “o prisioneiro de Cristo Jesus”. Todas as vezes que ele foi para a cadeia foi por causa de Cristo. Ele não via isso como desonra, mas, como honra para si mesmo. Mas, porque Paulo lançava mão desse fato? Ele sempre foi colocado em dúvida pelos seus oponentes quanto à sua autoridade apostólica. Mas, diferentemente daqueles que dele duvidavam, ele sofria por amor a Cristo.

Ele não queria despertar no coração dos efésios sentimentos de compaixão ou até mesmo de culpa, mas, sim, queria que eles compreendessem que seu ministério como apóstolo estava sob a orientação de Deus e que Ele tinha um propósito muito bem definido para aquela situação. Paulo queria sim, encorajá-los!

Nos v.2-5 ele lembra aos efésios de que ele havia recebido a revelação desse mistério diretamente de Deus, e, lhes transmitiu por meio de escritos os quais, quando lidos pelos efésios deixariam bem claro o discernimento de Paulo em relação a esse mistério. Assim como ele recebera de Deus a revelação desse mistério e o discernimento do mesmo, ele comunicou aos efésios para que eles também desfrutassem da preciosa Graça de Deus.

Paulo sempre usou como argumento a seu favor o fato de ter recebido diretamente de Cristo a revelação do Evangelho. Não fora comissionado pelos outros apóstolos, mas, fora diretamente comissionado por Cristo. Por esse motivo, sempre lhe foi mais fácil compreender que o Evangelho deveria ser pregado também aos gentios. Pedro só veio a compreender que os gentios também precisavam receber o Evangelho depois que teve a visão do lençol (At 10.9-16).

Mas, afinal, que mistério de Cristo era esse que Paulo tanto falava? A resposta está no v.6. Por enquanto, no v.5 temos apenas a informação de que este mistério “…em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos Seus santos apóstolos e profetas, no Espírito”. Dessa forma Paulo informa que chegou o tempo em que aos gentios Deus manifestara também a Sua Graça, através de Seu Filho Jesus Cristo, e pela revelação do Espírito Santo operando através da instrumentalidade dos apóstolos e profetas.

Vejamos agora o conteúdo deste mistério (v.6). Os gentios são:

Coerdeiros: a mesma herança dos crentes judeus é a mesma dos crentes gentios.

Membros do mesmo corpo: isto é, são membros da Igreja de Cristo.

Coparticipantes da promessa em Cristo Jesus: e isso por meio do Evangelho.

É a proclamação do Evangelho que apresenta aos pecadores essas verdades, a saber, que Deus os amou e os escolheu em Cristo para salvá-los e fazer deles o Seu povo amado. E esta é justamente a outra característica do mistério a ser transmitido pelos salvos ao mundo:

2) Cristo comissiona Sua Igreja a proclamar este mistério, v.7-9,13.

Paulo agora afirma que foi feito ministro (um que serve, um mordomo) deste mistério, não por conta própria, mas, “…conforme o dom da graça de Deus (…) concedida segundo a força operante do seu poder” (v.7). Somente o poder de Deus pode transformar um pecador num filho de Sua glória. A nossa salvação é obra poderosa da Graça de Deus somente.

Mas, a Graça de Deus é maravilhosa em todos os aspectos, pois, Deus concede anos o privilégio de proclamarmos a mensagem da Salvação ao mundo. Paulo reconhecia isso e por isso disse: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Deus e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas” (v.8,9).

Em meio a toda esta grandeza do Evangelho, Paulo não se deixava dominar por sentimentos orgulhosos e soberbos; antes, lembra-se todo o tempo de que ele era “o menor de todos os santos”. Ele sabia que ele era um vaso de barro contendo o rico tesouro do Evangelho (2Co 2.7). Sim, este maravilhoso mistério esteve oculto por muitos anos, mas, o Senhor Deus quis revelá-lo aos gentios e para isso escolheu Paulo (e outros mais) para proclamarem essas preciosas verdades. Passar por toda espécie sofrimento por causa do Evangelho, para Paulo era motivo de imensa alegria, pois, ele considerava o Evangelho a graça que lhe foi dada para anunciar.

No v.13, Paulo admoesta-os a que fiquem firmes com ele em suas tribulações. As tribulações que ele se refere aqui são sem dúvida alguma (e especialmente) a prisão. Por pregar o Evangelho, Paulo estava preso. Ser preso por motivo de um crime é algo extremamente vergonhoso; mas, ser preso por causa de Cristo e do Seu Evangelho não somente é motivo de alegria e honra como também deve ser motivo de encorajamento para os demais crentes, pois, não no sofrimento em si, mas, na obediência a Deus (Paulo havia sido designado por Deus para ser um proclamador do Evangelho e assim o fez) é que está a nossa glória.

E o Deus “…que criou todas as coisas” tinha Consigo este mistério, mas, que, no tempo por Ele determinado veio a ser transmitido com uma finalidade. E aqui temos a outra característica desse mistério:

3) Cristo por meio da Sua Igreja reflete a sabedoria de Deus, v.10-12

Apesar de haver muita discussão sobre “principados e potestades” aqui ser uma referência aos anjos caídos e malignos ou aos santos anjos que assistem na presença de Deus, preferimos esta segunda interpretação, a saber, “principados e potestades” aqui se refere aos santos anjos que assistem na presença de Deus. Isto não só é mais coerente com a estrutura do texto (pois, não há qualquer referência aqui a um conflito entre as forças do Bem e as do Mal) como também enaltece ainda mais a Obra de Deus através da Igreja. Ao efetuar a salvação de Seu povo composto de pessoas de todas as raças e povos, Deus opera através da Igreja mostrando assim a sua multiforme sabedoria de Deus. O adjetivo “multiforme” (polupoi,kiloj) indica a infinita diversidade e a resplandecente beleza da sabedoria de Deus. Podemos vê-la na Criação, na Redenção e por fim, a veremos na Glória Eterna. Contudo, é através da Igreja que Deus hoje mostra essa “multiforme sabedoria”. Este é o propósito eterno de Deus para Sua Igreja realizado através de Cristo. Esta multiforme sabedoria de Deus é vista através da Igreja especialmente quando esta (a Igreja) se dispõe a viver para glorificar a Deus acima de tudo.

A Igreja é chamada a viver com “ousadia” na presença de Deus; não uma ousadia frívola e sem temor, mas, sim totalmente calcada na pessoa de Cristo, O qual nos abriu acesso à presença do Pai. Somente por meio de Cristo é que pecadores podem ter acesso ao Soberano e Sábio Deus.

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Implicações e Aplicações

Trazendo uma admoestação lembrando-nos do que é ser Igreja de Cristo e da responsabilidade que pesa sobre nós afirmamos que:

1)      Sermos Igreja é superarmos as diferenças por meio do sacrifício de Cristo. Podemos ter diferenças e dificuldades em nossos relacionamentos como irmãos, mas, quando olhamos para a perfeição de Cristo teremos condições de olharmos para as nossas próprias imperfeições e trabalha-las.

2)      Proclamar o Evangelho é a nossa glória; deixar de fazê-lo é a nossa vergonha. A Igreja não pode sucumbir à tentação de mudar a sua mensagem. A nossa mensagem é o Evangelho; a nossa honra é o Evangelho.

3)      A Igreja é a portadora da sabedoria de Deus neste mundo. Sempre tentaram calar a Igreja. Hoje, porém, a Igreja está se calando, ou pior ainda, está mudando sua mensagem pregando filosofias e heresias mundanas. Não caiamos nesse pecado. Nunca a sabedoria do homem poderá ser comparada à sabedoria de Deus revelada no Evangelho.

Conclusão

O mistério de Deus nos foi revelado, cumpre a nós proclamá-lo ao mundo para a Glória de Deus.

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 02/12/2012

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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