Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 12ª Mensagem

Ef 3.20-21

Render toda glória ao Senhor Deus

Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 12ª mensagem (Ef 3.20,21)

Pense em algo que vai além do seu entendimento. Bem, isso não é possível. Como imaginar algo inimaginável? Com o medir algo imensurável? Pois bem, com muita facilidade diante das dificuldades dessa vida, esquecemo-nos de que o poder de Deus que opera em nós, vai infinitamente mais além do que podemos pedir ou pensar. Porque então deixamos nos abater diante das lutas e dificuldades, se temos operando em nós o poder infinito do Deus Eterno?

O segundo motivo da oração de Paulo neste parágrafo nos mostra justamente a grandiosidade do poder de Deus e por isso devemos Render toda glória ao Senhor Deus. Depois de examinar as maravilhosas misericórdias de Deus efetivadas por meio do supremo sacrifício de Seu amado Filho, introduzindo em sua própria família aos que noutro tempo eram filhos da ira, e dando-lhes “a ousadia de confiante acesso”, o privilégio de contemplar em todas as suas gloriosas dimensões o amor de Cristo, e a inspiradora tarefa de instruir os anjos nos mistérios da multicolorida sabedoria de Deus, Paulo tem a sua alma envolta em êxtase, amor e louvor, e assim expressa a doxologia (cf. William Hendriksen).

As palavras de Paulo nestes versículos nos revelam aspectos maravilhosos do ser de Deus e nos mostram razões pelas quais devemos louvá-Lo.

1)      Porque Ele é Todo-Poderoso, v.20

Este versículo diz que Deus é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós”.

De imediato podemos ver que esta doxologia não é somente a conclusão adequada à oração, mas também uma expressão muito apropriada de gratidão e louvor por todas as bênçãos tão generosamente derramadas sobre a igreja, como descrito em todo o conteúdo precedente da carta.

Paulo intercedia com intensidade pelos seus irmãos na fé, porque sabia que Deus era (e é) capaz de responder às suas orações, superando em muito as suas expectativas. A onipotência de Deus ao responder as orações de Seus filhos, não é uma fantasia criada pela imaginação, mas está em consonância com aquela espantosa operação de Seu poder que já se acha em plena manifestação e ação em nossos corações, e também esteve presente na ressurreição de Cristo (Ef 1.20-23).

Com este infinito poder que Deus continua operando em nossos corações podemos descansar nas Suas mãos que cuidam de nós e não nos deixa faltar absolutamente nada. A ansiedade é um pecado justamente porque ela rouba do nosso coração a plena confiança no poder de Deus.

O Seu poder não se limita ao que pedimos e até mesmo imaginamos que Ele possa fazer. O Seu poder transcende a tudo o que a lógica humana pode cogitar. Mas, o Seu poder pode ser sentido em nossa vida, não só em nossa manutenção e preservação, mas principalmente em nossa salvação e redenção. O mesmo poder que Deus efetuou na ressurreição de Cristo é o mesmo com que Ele age em nossa vida. Se Deus não quisesse derramar bênção alguma sobre nós, se Ele quisesse se manter afastado de nós, ainda assim Ele mereceria todo o louvor simplesmente pelo fato Dele ser Deus.

Você já foi surpreendido alguma vez pelo poder de Deus dando a você algo que você não pediu, nem sequer imaginou? Há uma situação específica em que todo pecador é surpreendido por Deus: quando a Sua graça o alcança.

Nestes versículos ainda vemos que Deus deve ser louvado

2) Por meio da Igreja em Cristo Jesus, v.21

Willian Hendriksen comentando este verso diz:

“Portanto, àquele que não carece de esforçar-se extremamente a fim de concretizar nossas aspirações, senão que pode levá-las a bom termo facilmente, ‘seja a glória na  igreja e em Cristo Jesus’. Em outras palavras, que homenagem e adoração sejam rendidas a Deus em virtude do esplendor de seus admiráveis atributos – poder (1.19; 2.20), sabedoria (3.10), misericórdia (2.4), amor (2.4), graça (2.5-8), etc. – manifestados na igreja, que é o corpo, e em Cristo Jesus, sua soberana cabeça”.

A Igreja é a esfera da operação do propósito de Deus sobre a terra, ou seja, tudo quanto Deus executa na Igreja serve para mostrar ao mundo a Sua excelsa graça. Dessa forma a Igreja reflete a glória de Deus no mundo e é chamada a viver assim. E em Cristo Jesus, por meio da Sua obra que glorifica a Deus como o Supremo Benfeitor. Assim a unidade de Cristo e Sua Igreja expressam a glória de Deus.

A frase “…por todas as gerações…” aponta para o louvor que deve ser rendido a Deus até à consumação dos séculos, ou seja, até o dia da volta de Cristo. Este louvor passa de uma geração para outra. Isto está em pleno acordo com todas as Escrituras, pois, o plano de Deus e Sua Aliança é com os pais e seus filhos através das muitas gerações (Ex. 20.6).

Enquanto isso, a frase “…pelos séculos dos séculos…”embora soe como sinônima da anterior (“por todas as gerações”) alude à eternidade na qual estarão todos aqueles que compõem a Igreja Gloriosa de Cristo. Em outras palavras, tanto a Igreja Militante quanto a Triunfante exaltam a Deus por meio de Cristo Jesus, não só agora como eternamente. Esta frase refere-se ao curso dos momentos, levando-se em conta o passado, o presente e o futuro, continuando sem cessar e sem jamais chegar ao fim.

A figura “Cabeça e corpo”, “Pastor e ovelhas”, “Noivo e noiva”, etc., mostram a unidade da Igreja com Cristo. A Igreja sem Cristo perde a razão de ser. Logo se a Igreja quer glorificar a Deus deve fazê-lo por meio de Cristo Jesus. Ele tornou-a aceitável diante de Deus, e nela, Deus executa Seu propósito que redunda em glória ao Seu santo Nome. Este louvor por meio da Igreja totalmente fiada em Cristo deve romper de geração em geração até que o tempo se converta em eternidade e assim, pelos séculos dos séculos ecoe na presença do Senhor Deus.

Nas palavras de John Newton

Quando tivermos no céu desfrutado dez mil anos,

Resplandecentes como o sol em esplendor,

Teremos não menos dias para cantar louvores

ao Deus a quem amamos

Do que quando iniciamos com ardente amor”

 

Implicações e Aplicações

Rendemos toda honra e glória a Deus quando

1)      Demonstramos plena confiança em Seu poder.

2)      Preservamos a unidade de Cristo e Sua Igreja.

 

Conclusão

Deus nos surpreende com Seu amor.

 

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 17/12/2012

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
This entry was posted in Mensagens expositivas em Efésios. Bookmark the permalink.

2 Responses to Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 12ª Mensagem

  1. Cecília Aquino de Melo says:

    Excelente explicação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.