Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 15ª Mensagem

Ef 4.17-24

 O despojamento da velha natureza e o revestimento da nova natureza

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Você já ouviu falar em “pecados escravizadores”? Há bem da verdade todos os pecados são escravizadores. Pode ser a lascívia que se transforma em adultério e prostituição, ou uma mágoa que se transformou em ressentimento, ou o ódio que se transformou em vingança. Mas, porque será que ainda abrigamos esse tipo de coisa em nosso coração? Uma coisa que pode ser constatada é que o pecado sempre nos promete satisfação rápida. Não fosse por isso, jamais cairíamos no pecado. O grande problema com o pecado é que ele se propõe a ser um substituto fajuto de Deus para nós. Todas as vezes que deixamos de buscar nossa satisfação em Deus fatalmente a buscaremos no pecado; e é por isso que o pecado nos escraviza.

 Mas, não precisamos (e nem devemos) ficar presos ao pecado. Cristo veio para nos salvar e libertar das garras do pecado.

 Desde o início de Ef 4 Paulo está falando sobre a nossa nova condição de vida em Cristo, condição esta que nos chama a “andar de modo digno” da nossa vocação. Agora, em Ef 4.17-24, ele passa a nos mostrar de forma prática como é que se dá esse andar de modo digno. Nestes versos ele trata sobre O despojamento da velha natureza e o revestimento da nova natureza.

Apesar de que a renovação espiritual é uma obra do Espírito Santo no coração do pecador, não se descarta a responsabilidade que o pecador, agora convertido, tem com relação ao viver renovado e transformado, no qual ele precisa aprofundar-se, ou nos termos de Paulo “despojar-se do velho homem e revestir-se do novo homem” a cada dia.

É importante entendermos o que Paulo quer dizer com “velho homem” e “novo homem”. O “velho homem” são aqueles hábitos pecaminosos nos quais estávamos escravizados e presos; logo, o “novo homem” são os hábitos santos criados “segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (v.24). No meio desse processo de despojamento e revestimento está a “renovação do nosso espírito” (v.23).

Precisamos compreender que para isso é necessário:

1)      Rompermos totalmente com o pecado,

v.17-19

Nos v.17 e 18 Paulo mostrou aos efésios o contraste que há entre a vida do crente e a vida do incrédulo, e que em hipótese alguma o comportamento dos crentes devem se assemelhar ao dos incrédulos. Os verbos que ele usou no v.17 “digo” e “testifico” mostram o peso de suas palavras aqui. O ato dele testificar acrescenta uma reverência tal que indica a responsabilidade que recai sobre todos os crentes.

Como já vimos em Ef 4.1 o verbo “andar” indica comportamento, o centro, o eixo gravitacional da nossa vida. O centro da vida do crente é Deus e Sua santa vontade e não mais o estilo de vida que levava anteriormente.

Os gentios andam na “vaidade dos seus próprios pensamentos”, ou seja, suas almas são vazias e nesse vazio é que eles vivem.

São incapazes de compreender a verdade e de ver a triste realidade em que se encontram porque são “obscurecidos de entendimento”, isto é, cegos espiritualmente. A melhor definição para “escuridão” é a ausência da luz. A presença de Deus no coração do pecador enche sua vida de luz. Além disso, estes tais estão “alheios à vida de Deus…”. Paulo já fez uso da ideia de “alienação” anteriormente em Ef. 2.12, quando mostrou aos efésios que eles estavam alienados da comunidade de Israel, ou seja, fora do povo de Deus. Aqui, porém, ele mostra que esta alienação é fato na vida daqueles que não são convertidos, e que até mesmo foi esta a realidade deles que agora são convertidos. Uma coisa é estar fora de um grupo social, outra infinitamente pior é estar fora da “vida de Deus”.

A vacuidade de suas mentes, o entendimento entenebrecido e a alienação da vida de Deus, estas três coisas são resultados da “ignorância (…) e dureza do seu coração”, o que caracteriza uma vida que dá muito mais importância para coisas tão sem valor e totalmente desregrada sem valores morais, deixando Deus de lado. Isto está em pleno acordo com o que vem a seguir.   

O v.19 mostra que o endurecimento de seus corações os levou à perda da sensibilidade. Sua consciência se tornou calejada. É isso que o pecado não confessado e abandonado faz no coração da pessoa. Quem vive desregradamente terá o seu coração endurecido sem qualquer possibilidade de restauração.

Aqueles que caíram num estado de entorpecimento da alma, e são incapazes de sequer sentir algum sentimento de tristeza ou remorso pelo modo como vivem. De fato, o pecado cauteriza a mente e o coração (1Tm 4.2); faz o homem sentir-se bem quando deveria estar em agonias pelo mal dentro de si. A “calosidade” da alma os impede de responderem positivamente a Deus; contudo, ela não os torna de todo insensíveis, pois há sentimentos que aos quais ainda estes insensíveis homens são capazes de responder: “se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza”.

O estilo de vida da velha natureza é totalmente desprovido de sentido, luz e da presença de Deus. O coração ignorante e empedernido pelo pecado faz com que a pessoa nem se dê conta de que necessita de mudança radical. O crente que experimentou a ação de Deus em sua vida libertando-o dessa prisão deve não somente evitar o pecado, mas, envidar todos os esforços para que não venha de alguma forma ser enredado novamente nos tentáculos do pecado. Um rompimento total é necessário. Qualquer “passeio” descuidado perto dos limites do pecado pode ser fatal.

Ainda é necessário

2) Entregarmo-nos totalmente ao Senhorio de Cristo , v.20-24

As palavras do v.20 soam como um raio que corta o silêncio das densas nuvens de uma tempestade, chamado a atenção para o estrondoso trovão. Paulo lembra-lhes que a conduta deles agora, está totalmente baseada não num outro sistema qualquer, mas, no mais excelente, no mais exaltado, e mais sublime modo de vida: um viver totalmente embasado em Cristo.

Os efésios receberam não só um corpo de doutrinas sobre a Pessoa de Cristo, mas, sim, o próprio Cristo. No texto grego o artigo definido o[ vem no acusativo to.n e assim indica o objeto direto da frase, no caso aqui, é o Senhor Jesus Cristo. Dessa forma, os efésios (e todos os crentes) receberam o Senhor Jesus Cristo em seus próprios corações, e não somente um sistema doutrinário. Isso está em pleno acordo com o contexto de toda a carta, pois, em 2.22, somos a habitação de Deus no Espírito, também é em nosso coração que o Espírito de Deus habita e nos fortalece, 3.16; 4.6.

No v.21 ao dizer “se é que, de fato” (ei; ge) esta mesma expressão aparece em 3.2, e em ambos os textos tem a mesma ideia: “pois certamente”, “com certeza”. Temos novamente o assunto principal da carta aqui: Cristo é o centro. Nele, isto é em Cristo, e de Cristo eles tomaram conhecimento (ouviram) e receberam o ensinamento (“fostes instruídos”), tudo isso de conformidade com a verdade que está em Cristo, e que é Ele próprio.

Paulo põe em suas palavras uma ênfase no ensinamento pessoal, ou seja, como se Cristo tivesse pessoalmente ensinado aos efésios. Mas, é justamente esta a intenção de Paulo, mostrar-lhes que o ensinamento de Cristo é o desvendar do Seu (de Cristo) próprio coração, o que confere um tom muito pessoal ao Seu ensinamento. Por isso é “a verdade em Jesus”, pois, Cristo para nos ensinar deu de Si mesmo.

Na “escola de Cristo” os ensinamentos são passados com propósitos muito bem definidos.

Neste caso, a fim de que “quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem…”. É ensinada aqui a necessidade de mudança radical. A forma anterior, ou como Paulo aqui diz “trato passado” está expressa nos seguintes textos: Ef 2.2,3; 4.17-19; 5.8,14; cf. Cl 1.21; 2.13; 3.7. Eles deveriam se despojar desta antiga roupagem porque este velho homem é “corrompido segundo as concupiscências do engano”. Os mesmos desejos desenfreados e desregrados que dominam aqueles que estão sem Cristo (v.19) estiveram também presentes na vida dos efésios e eles deveriam tomar o máximo de cuidado para que esses desejos não voltassem à tona, enganando-os, afinal, esses desejos são “do engano”. Essas palavras são um “eco” de Jr 17.9.

Paulo quer transmitir a ideia de um esforço pleno envidado para arrancar de vez esta roupagem corrompida.

Mas, o objetivo de Cristo não se limita apenas ao despir. De nada lhes adiantaria despirem-se do velho homem, e continuarem despidos. Desde que o pecado entrou na vida do homem, este logo sentiu a necessidade de se cobrir e se vestir.

Tão perigoso quanto estar vestido com uma roupagem tão corrompida é estar despido. Por isso a Palavra nos ordena: “e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.

Ambas as figuras a do “despir-se do velho homem” e a do “vestir-se do novo homem” estão relacionadas ao caráter da pessoa. Por isso mesmo, este revestimento diz respeito ao interior do homem.

Entre o processo do despir-se do velho homem e o de vestir-se do novo homem está a renovação espiritual. Esta renovação é “no espírito do vosso entendimento”. Esta renovação espiritual promove a mudança no caráter da pessoa. O que antes caminhava para a degradação total e destruição, agora, por meio da renovação espiritual que é obra de Deus, a pessoa caminha numa direção totalmente oposta, tem o seu caráter totalmente transformado, pois este novo homem é “criado segundo Deus” e não segundo as “concupiscências do engano”. O velho homem é corrompido; o novo é santo; o velho é procedente e seguidor da mentira e do engano; o novo procede da verdade; o velho é o próprio homem dominado por Satanás; o novo é criação de Deus.

O pecado era o nosso senhor; agora, somos servos (escravos) de Cristo. É a Ele que estamos subordinados, porque foi Ele quem nos libertou. Foi Dele que recebemos o ensinamento, mas, especialmente foi a Ele que recebemos em nosso coração. O nosso antigo senhor não só nos escravizava como nos corrompia dia-a-dia; cauterizava a nossa mente com uma espécie de torpor para não percebermos a nossa lamentável situação.

O nosso novo Senhor, nos fez novas criaturas, nos regenerou para uma nova vida, através de uma renovação espiritual e mental que cria em nós a disposição para servi-Lo e nos afastarmos de tudo aquilo que possa nos escravizar no pecado novamente. Por isso, quanto mais nos entregarmos ao Senhorio de Cristo, mais forças teremos para vencer o pecado, porque será com o poder Dele que enfrentaremos este inimigo tão vil.

O que Deus quer que você faça?

1) Despoja-se do velho homem: dispa-se dessa “roupagem” de pecado. Ela é enganosa e corrompida e trará sérios males para você e desonra a Deus.

2) Renove a sua mentalidade: pare de pensar no pecado como algo inofensivo; ele ocasionou a expulsão dos nossos pais do paraíso e se não fosse o sacrifício de Cristo o pecado nos impediria de entrar no céu.

3) Revista-se do novo homem: não basta apenas abandonar os hábitos pecaminosos; é necessário colocar simultaneamente novos hábitos bíblicos em sua vida. Só assim você vencerá os pecados que estão lhe escravizando.

Conclusão

Para o crente santidade não é uma opção; é um mandamento: “Despojai-vos do velho homem e revesti-vos do novo homem”.

São José dos Campos, 05/01/2013

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 15ª Mensagem

  1. Johnf233 says:

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