Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 19ª Mensagem

Ef 5.22-33

O Relacionamento entre Marido e Mulher

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Um assunto muito delicado em nossos dias é a submissão da esposa ao esposo. Alguns fatores podem ser elencados como responsáveis por essa dificuldade, tais como: o pecado no coração do ser humano fazendo com que o egoísmo fale mais alto, a rudeza de muitos esposos que tratam suas esposas como inferiores, a rebeldia de muitas esposas que não compreendem o seu papel como “auxiliadoras”, a forte propaganda feminista levando a mulher a inverter os papéis, e o relaxo de muitos homens que não assumem seu papel como cabeça (o que conota cuidado, responsabilidade e liderança para com a família no geral), entre outros.

A renovação espiritual promovida por Cristo no coração da pessoa deve abranger todas as áreas da vida. No parágrafo anterior o assunto era o relacionamento entre os irmãos na fé; daqui até 6.9 o assunto será a vida em família. Como deve ser a vida de um servo de Deus em família?

Vejamos primeiramente, O relacionamento entre marido e mulher. Depois prosseguiremos com outros aspectos que envolvem a família cristã. No relacionamento entre marido e mulher os servos de Deus devem observar o que a Palavra de Deus nos ensina.

v.22-24:  Muitas pessoas são injustas quando taxam o apóstolo Paulo de “machista”. Pelo contrário, temos nestas palavras do apóstolo (e em todas as passagens que ele trata do assunto) uma defesa à mulher. É sabido que em muitos países, e em muitas religiões tais como o Judaísmo e o Islamismo, a mulher é rebaixada, desqualificada e por isso, desprezada, muitas vezes não passando de mero objeto do homem sobre o qual ele exerce seu papel de “dono e senhor”. Somente o Evangelho de Cristo dignifica a mulher, atribuindo a ela o mesmo valor e importância que são atribuídos ao homem. Na estrutura familiar dos tempos do apóstolo (e ainda em nossos tempos, porém bem mais escasso) a mulher ocupava a maior parte na responsabilidade na educação e criação dos filhos. Por esta causa, o Senhor Jesus através de Paulo aqui, coloca sobre os ombros do homem a responsabilidade final sobre a família, repartindo assim a carga com sua esposa.

O v.22 está inteiramente ligado ao que diz o v.21. A submissão da mulher crente ao seu esposo é em última instância submissão a Cristo (“como ao Senhor”). Além disso essa submissão deve ser total (“em tudo”). E o exemplo que Paulo dá aqui para as mulheres é a própria Gloriosa Igreja de Cristo. Assim como Cristo é a cabeça da Igreja, o marido é a cabeça da esposa.

Então surge uma pergunta muito importante: o que faz a cabeça? A resposta vem no próximo verso.

v.25:  Crisóstomo, um dos mais importantes pregadores dos primórdios da Igreja Cristã disse o seguinte sobre esse assunto: “Já viste a medida da obediência? Pois ouve também a medida do amor. Desejas que tua esposa te obedeça como a Igreja a Cristo? Então cuida bem dela, como Cristo o faz com a Igreja”.

O verbo “amar” empregado aqui vem do grego avgapa,w que significa “amor sacrificial”. Este amor indica um sentimento tão forte e profundo que envolve todas as emoções, forças e vontades do homem com o propósito de fazer da esposa uma pessoa verdadeiramente feliz, completa e honrada. Assim como o padrão para a submissão da mulher ao seu marido é a obediência de Cristo ao Pai, também o padrão para o amor do homem para com a sua esposa é o amor de Cristo pela Sua Igreja. Ele (Jesus) “…a Si mesmo entregou-Se por ela”, a Igreja. Não tiraram a vida de Jesus, mas, Ele, espontaneamente a entregou em favor da Sua Igreja (Jo 10.17 e 18).

Ele tinha propósitos bem definidos para com Sua Igreja ao Se entregar por ela:

v.26,27: O primeiro propósito foi: “para que a santificasse, tendo-a purificado”. A santificação e a purificação promovidas por Cristo através de Seu sacrifício são simultâneas e são interrompidas somente com a morte, pois, a seguir vem a glorificação (o céu, a glória eterna). “por meio da lavagem de água pela palavra” embora seja uma referência ao batismo, Paulo aqui está indo mais além apontando para o que, ou mais precisamente, para Aquele a quem o batismo e simboliza, a saber, o Espírito Santo. É Ele quem santifica a Igreja e aplica à mesma as bênçãos da Palavra de Deus.

O segundo propósito aqui é “para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa…”. Ele cuidou da Sua Igreja a fim de apresentá-la “…a Si mesmo…”. Embora Paulo esteja aqui neste texto tratando de assuntos concernentes ao dia-a-dia do crente, neste verso está pensando no Grande Dia do Senhor, a saber, a Sua volta. Cristo, salvou, purificou (e ainda continua purificando, ou seja, santificando) a Sua Igreja, para que no dia em que Ele voltar para buscá-la, a encontre “…Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito”. É Cristo, e somente Ele, por meio do Seu maravilhoso amor que transforma a Igreja em Seu Corpo Santo e sem defeito (culpa). É espelhando neste amor maravilhoso que o marido deve prover para que a esposa seja aperfeiçoada na santidade e cresça na Graça e conhecimento de Cristo Jesus. Esposas deficientes revelam que seus maridos estão sendo relapsos com elas e faltando com o amor que elas necessitam. Esposas insubmissas não são apenas pecadoras rebeldes, mas, também pecadoras abandonadas pelos seus esposos nas lutas que elas travam com a velha natureza.

v.28-30: O “vai-e-volta” no argumento de Paulo, ora falando da relação marido e mulher, ora, Cristo e a Igreja, torna ainda mais belo o assunto em questão. Cristo amou a Igreja apesar dela ter defeitos, e com Seu amor, purificou-a; Ele a amou como sendo o Seu próprio corpo. É assim que os maridos devem amar as suas esposas – como a seu próprio corpo. William Hendriksen afirma: “Não significa que devem amar suas próprias esposas assim como amam a seus próprios corpos, mas devem amar suas próprias esposas como sendo seus próprios corpos”. Assim como a Igreja é o corpo de Cristo, a esposa, em certo sentido, é o corpo do esposo.

Outra verdade a ser destacada no v.28 é que a Palavra nos diz: “Quem ama a esposa a si mesmo se ama”. Em momento algum a Bíblia nos ordena a amar-nos primeiro para depois amar o próximo. Aliás, quando Cristo disse que devemos amar o próximo como a nós mesmos, Ele não estava nos mandando amar a nós mesmos, mas, sim, amar o nosso próximo. Isso porque Ele parte do princípio de que já nos amamos demais, e por isso, o nosso foco tem de estar no próximo. O marido que se ama mais do que a sua esposa, não ama a sua esposa, e, consequentemente, está desobedecendo a Palavra de Deus. Por isso mesmo a Palavra nos mostra que amor implica cuidado (v.29). Somos membros uns dos outros (v.30), é assim que o marido deve olhar para sua esposa. Uma vez que ele maltrata a sua esposa está atingindo a si mesmo.

v.31: não quer dizer um abandono ou desprezo, mas, sim, que a relação marido e mulher é por natureza muito mais forte que a relação pais e filhos. Infelizes são os casais que colocam os filhos antes de si próprios! Por que quando chegar a hora dos filhos deixarem o lar dos pais para formarem seus próprios lares, o vazio será terrível. Outro aspecto dessa ordem é que o homem só é reconhecido como tal a partir do momento que tiver plenas condições de assumir as responsabilidades de seu próprio lar.

O tornarem-se “uma só carne” implica na relação sexual. O que torna um homem e uma mulher um casal perante Deus é a relação sexual. Daí, qualquer forma de imoralidade é por assim dizer uma aberração aos olhos de Deus, o qual planejou o ato sexual para ser a expressão mais bela e pura de união e comunhão.

v.32: Paulo, como que num êxtase, entende que o relacionamento de Cristo com a Igreja é um grande e maravilhoso mistério. Cristo entregou-Se por uma Igreja suja, maculada, cheia de culpa, para que por meio do Seu sacrifício, e somente pelo Seu sacrifício, ela fosse transformada em gloriosa Igreja, perfeita, sem mácula, sem ruga, exuberante para a glória de Deus. Grande mistério é o amor de Deus! Por mais que meditemos, jamais esgotaremos esse mistério.

v.33: trata de um casamento monogâmico, cheio de amor e respeito. Assim sendo extraímos as seguintes lições que devemos observar na vida conjugal cristã:

 

1)      A responsabilidade de cada um

A responsabilidade da esposa para com o esposo é a de ser submissa e tratá-lo com respeito. Esta atitude da mulher revela o seu relacionamento com Cristo. Se ela não consegue ser submissa e respeitosa para com seu marido, colocará em descrédito as suas palavras quando disser que é submissa ao Senhor Jesus Cristo e O teme. Da mesma forma o marido tem como dever amar a esposa e supri-la não só nas necessidades materiais, mas também nas emocionais e conjugais. Seu carinho e afeição por ela, sua abnegação e desejo de honrá-la adornará o seu testemunho diante do mundo. Dessa forma a responsabilidade de ambos é a mesma: dar um bom testemunho.

 

2) O exemplo máximo a ser seguido

Que a mulher deve ser para com seu esposo assim como a Igreja é com o Senhor Jesus, que o marido deve ser para com a sua esposa como Cristo é para com a Igreja ficou nítido. Os conflitos na vida conjugal surgem especialmente quando um (ou ambos) perdem de vista o exemplo máximo a ser seguido, a saber, Jesus Cristo. Em Cristo a mulher tem o padrão da verdadeira submissão; em Cristo também o homem tem o padrão do verdadeiro amor.

 

3) A submissão e o amor verdadeiros

A verdadeira submissão que a esposa deve ter para com seu marido é a que é voluntária e dócil; o verdadeiro amor que o esposo deve ter para com sua esposa deve ser o sacrificial, o abnegado e altruísta. Foi dessa forma que Cristo agiu em relação ao Pai e à Sua Igreja.

 

O que Deus quer que você faça?

         

Que você seja íntegro em sua vida em família: Que você mostre dentro de seu lar que você é uma nova criatura em Cristo, que você tem a nova natureza que Cristo lhe deu, afinal, é em casa que se vê quem é realmente crente.

Que o Sl 101.2 seja a sua oração: “Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero”.

 

Conclusão

Que a glória de Cristo em Sua Igreja também seja vista em nossos casamentos.

 

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 10/02/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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