Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 1ª Mensagem

Efésios 1.1,2

 

O Chamado de Deus em Cristo aos Pecadores

Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 1ª mensagem (Ef 1.1,2)

Iniciamos hoje, com a Graça de Deus o estudo de mais uma carta do Novo Testamento: a carta de Paulo aos Efésios. Antes, se faz necessário, ainda que resumidamente, vermos alguns fatos históricos para nos ajudar a conhecer melhor os objetivos dessa carta.

A cidade de Éfeso. A cidade de Éfeso era uma importante cidade da Ásia Menor. Era muito influente na economia e na política tanto que o Império Romano a via com muito respeito. Por ser uma cidade portuária era também promíscua e depravada, pois, pessoas advindas de todas as partes do mundo com seus costumes práticas infestavam essa cidade. Uma cidade em nossos dias que equivaleria à Éfeso dos tempos de Paulo é a “maravilhosa” Rio de Janeiro. No meio dessa cidade tão depravada, tão promíscua, tão ensimesmada Deus plantara a Sua Gloriosa Igreja para ali ser um castiçal da Sua glória (Ap 2.1-7).

A Igreja de Éfeso. Quando exatamente ela foi plantada não sabemos. Só sabemos que Paulo teve uma participação muito importante na fundação daquela Igreja, e quando ele voltou-se para evangelizar a Ásia Menor, a Igreja de Éfeso tornou-se sua “base missionária”.

Quando a carta aos Efésios foi escrita? Apesar de haver muita discussão sobre o assunto, Efésios faz parte do que é conhecido como O Grupo das Epístolas da Prisão (Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom), e por isso, a ocasião da escrita foi quando Paulo estava na sua prisão domiciliar em Roma entre os anos 60 e 61 d.C. Quanto à sua situação, nesta carta encontramos afirmações do próprio apóstolo (3.1; 4.1). Esta mesma prisão é mencionada em Cl. 4.3, 10 e 18.

Tema e Propósito da Carta. Diante do que era a cidade de Éfeso, diante do que a Igreja Cristã deve ser no meio de uma sociedade decadente, diante de tudo o que Paulo expõe nesta carta, adotamos como tema para a mesma: Cristo e a Sua Gloriosa Igreja.

E o propósito dessa carta é mostrar a redentora de Cristo revelada na Sua Igreja universal. Segundo os mais respeitados comentaristas do Novo Testamento, a carta aos Efésios é o que se chama de carta circular, isto é, embora tenha sido destinada à Igreja de Éfeso, essa carta deveria ser lida nas igrejas vizinhas de Filipos e Colossos, e as cartas que foram destinadas a essas igrejas também deveriam ser lidas em Éfeso. Assim nascia a tradição das comunidades cristãs de compartilharem os escritos apostólicos o que foi sem dúvida alguma providência de Deus para que muitas cópias dos textos sagrados fossem produzidas e assim as Escrituras Sagradas fossem preservadas.

Então vamos ao texto!

Hoje veremos os v.1,2 do primeiro capítulo os quais são muito mais que a apresentação pessoal de Paulo. Eles falam sobre O Chamado de Deus em Cristo aos pecadores.

Paulo apresenta-se como “apóstolo”, ou seja, um “enviado” (é isso que significa a palavra “apóstolo”) alguém que foi comissionado por uma autoridade superior, no caso Deus. Quando estudamos Gálatas vimos a defesa que Paulo fez do seu apostolado. Embora ele não tivesse vivido com Cristo como os demais apóstolos, ele fora comissionado direta e pessoalmente por Cristo e o Evangelho que Cristo lhe revelou em nada diferia do que os demais apóstolos pregavam.

Ele então acrescenta que o seu chamado apostólico tem as seguintes características:

“…de Cristo…”. O encontro que ele tivera com o Senhor no caminho de Damasco (At 9.1-9) foi tão poderoso e transformador que lhe revelou a quem realmente ele pertencia. Ser “de Cristo” conferia a Paulo a autoridade necessária para executar sua missão.

“…por vontade de Deus…”. O “instrumento” que o transformara num crente e num apóstolo, foi a própria vontade de Deus e não a sua (como hoje se vê em tantas denominações). Dessa forma, a autoridade apostólica de Paulo é resultado da Autoridade Soberana de Deus em escolher, capacitar e designar os Seus servos.

“…aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus”. Depois de mostrar a Quem ele pertence (a Jesus Cristo), por meio do quê ele age (através da vontade de Deus), Paulo mostra a sua missão: servir ao Senhor através dos santos e fiéis. Que designação linda: santos e fiéis em Cristo. Lembremo-nos de como era a cidade de Éfeso. Esses irmãos não se deixaram levar pela “cultura” de sua cidade.

A expressão “em Cristo” é muito importante neste trecho. Além de aparecerem 4 vezes em 1.1-14 (incluindo as expressões correlatas soma o total de 11 vezes). Os efésios bem como todos os crentes são santos e fiéis não por esforço próprio, mas, única e exclusivamente pela ação da Graça de Deus revelada em Jesus Cristo. Não há santificação e nem perseverança na fé fora de Cristo. Ser santo e permanecer firme na fé requer estar “em Cristo”.

Paulo continua: “graça a vós outros e paz…”. Tudo o que o pecador precisa: a graça de Deus salvando-o do seu estado de miséria e morte espiritual, e da paz que não é ausência de problemas, mas, sim, reconciliação com Deus. É por isso que afirmamos que a paz entre Deus e o pecador é resultado da graça de Deus. Não fosse Deus vindo ao nosso encontro ainda seríamos Seus inimigos (cf. Rm 5.1-11).

Podemos dizer que estas duas palavras resumem a carta. A Graça produz a Paz. Na primeira parte da carta (Caps. 1 – 3) temos a doutrina da Graça; na segunda metade (Caps. 4 – 6) temos a Paz como resultado da Graça. Esta Paz deve ser sentida e observada em todas as áreas da nossa vida e em todos os relacionamentos porque é resultado da ação de Deus em nós. Ambas vêm “da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.          É impressionante como o mundo busca algo pelo qual possa pagar. É inconcebível para o mundo que alguém nos dê algo totalmente gratuito sem nenhum merecimento próprio. É ainda mais inconcebível receber de graça justamente o contrário do que merecíamos. Por isso mesmo o mundo não tem a paz e vive num desespero constante.

Comentando esses versículos iniciais da carta, William Hendriksen diz:

“De início Deus, por assim dizer, entra na Igreja reunida para a adoração e sopra sua bênção sobre ela. Permanece com ela durante todo o serviço de adoração, e em seguida sai, porém não da igreja, e sim, com, a igreja”.

De posse dessas informações afirmamos que Deus em Cristo chama os pecadores:

1) Para uma obra específica, v.1

É o caso de Paulo que foi chamado para ser “apóstolo de Cristo”. Posteriormente, em Ef 4.7-16, abordaremos mais detalhadamente a questão da variedade de dons dentro da Igreja. Por enquanto, vejamos apenas o caso de Paulo. Ele foi chamado para ser apóstolo, por isso sua autoridade, credibilidade e responsabilidade diante da Igreja estavam diretamente ligadas à Pessoa de Cristo. A Igreja deveria acatá-lo como autoridade instituída por Deus; deveria acreditar em suas palavras como sendo a Palavra de Deus revelada a Paulo e proclamada aos seus corações; e diante de tudo isso, Paulo deveria se portar como um enviado de Deus e como tal exercer sua função.

Seja qual for o dom que Deus tenha lhe dado quando Ele converteu você, empregue-o para a glória de Deus e para a edificação de Sua Gloriosa Igreja. Deus em Cristo também chama os pecadores

2) Para um viver santo e fiel, v.1

Agora trata-se do caso dos efésios, e extensivamente, a todos os crentes de todas as épocas. Fomos separados por Deus e para Deus; nosso viver agora não é mais nosso, mas, sim, de Cristo, e para nós, viver significa estar em Cristo (cf. Fp. 1.21).

Somos santos por meio de Cristo e também por Ele somos sustentados e por isso permanecemos fiéis. Sermos santos e fiéis é algo que Deus espera de nós, contudo, não nos impõe tamanha responsabilidade sem antes nos capacitar em Cristo. Em virtude dessa união com Cristo, o crente recebe toda benção espiritual (v.3); as bênçãos referentes à eleição divina desde antes da fundação do mundo, mostrando assim o grande amor de Deus (v.4-6); a redenção por meio do sangue (v.7-12); o selo do Espírito que produz a segurança que só um filho e herdeiro pode ter (v.13 e 14).

Por fim, Deus em Cristo chama os pecadores

3) Para desfrutarem de Sua Graça e Paz, v.2

A Graça de Deus produz a Paz que o coração do homem precisa. O pecado rompeu a comunhão que o pecador tinha com Deus; tal rompimento produziu inimizade contra Deus (Rm. 5.1-11), mas, Ele em seu infinito amor e misericórdia nos reconciliou Consigo mesmo através de Cristo.

Se você estiver buscando paz à parte da graça de Deus tenho que lhe dizer que o que você vai conseguir será apenas desespero e medo. Não há Paz desassociada da graça de Deus, pois, a verdadeira paz consiste em estar na presença de Deus sem medo de ser por Ele fulminado, e isso só é possível se você estiver “em Cristo”.

 

Implicações e Aplicações

Para quem já é salvo em Cristo:

1) Você sabe qual o dom e ministério que Deus lhe deu? Se sim, você está executando esse dom? Se não, quais pecados em seu coração precisam ser deixados de vez? Lembre-se: você responderá a Deus por sua negligência.

2) Você tem se portado com santidade e fidelidade no meio dessa geração perversa? Sua santidade e fidelidade para com Deus tem feito diferença neste mundo?

          Para quem ainda não é convertido e salvo:

1) Até quando você procurará neste mundo a paz que só Deus pode lhe dar?

2) Até quando você relutará em admitir que sem a graça de Deus você nada é? Um presente tão caro que dinheiro algum neste mundo pode pagar, só pode ser adquirido de graça.

 

Conclusão

Deus, em Cristo chama pecadores como nós para fazerem parte da Sua Gloriosa Igreja. Aleluia!

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 09/09/2012

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
This entry was posted in Mensagens expositivas em Efésios. Bookmark the permalink.

4 Responses to Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 1ª Mensagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.