Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 20ª Mensagem

Ef 6.1-4

O Relacionamento Entre Filhos e Pais

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Dando uma volta nas livrarias você constatará que um dos assuntos que mais rendem livros é criação de filhos. Alguns livros falam coisas úteis, outros, só ensinam coisas erradas. Alguns são tradicionais em seus ensinamentos, outros, liberais; alguns se baseiam no pensamento de grandes pedagogos e educadores, outros, são novos tentando fazer seu nome. No meio desse pluralismo o que devemos fazer? Não devemos ficar desesperados, pois, nós temos a verdade como instrução, temos a Palavra de Deus.

Continuando o assunto sobre a nova vida em Cristo no que diz respeito aos laços familiares, Paulo prossegue falando agora sobre O relacionamento entre filhos e pais.

O v.1 diz: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”. É importante fazer uma comparação com Ex 20.12; 21.15-17; Lv 20.9; Dt 5.16; 21.8; Pv 1.8; 6.20; 30.17; Ml 1.6; Mt 15.4-6; 19.19; Mc7.10-13; 10.19; Lc 18.20 e Cl 3.20. O apóstolo presumia que entre os que leriam esta epístola na igreja de Éfeso estavam as crianças. O substantivo filhos vem do grego te,knon (te,kna – plural) e significa primeiramente “crianças”. No contexto bíblico as crianças sempre fizeram parte do povo de Deus, integrando-se assim ao Pacto de Deus com Seu povo (Gn 17.7; At 2.38,39), e Jesus as ama (Mc 10.13-16).

Ele dirige a elas uma palavra de caráter exortativo tanto quanto o fez com os adultos. Isto demonstra que as crianças têm o mesmo valor que os adultos diante de Deus, e seus privilégios e deveres devem ser observados tanto quanto os dos adultos.

Tal obediência deve ser “…no Senhor…” e Paulo acrescenta que “…isto é justo”, a saber essa obediência das crianças aos pais, é vista como um ato de justiça diante de Deus. Comentando este verso, Willian Hendriksen diz: “A atitude correta do filho ao obedecer a seus pais deve ser, portanto esta: Devo obedecer a meus pais porque o Senhor me ordena que assim o faça. O que ele diz é justo pela simples razão de ser Ele quem o diz! É Ele quem determina o que é justo e o que é injusto. Por isso, quando desobedeço a meus pais, estou desobedecendo e contrariando a Deus mesmo”.

Vivemos dias difíceis em que crianças não só desobedecem a seus pais, como os desrespeitam e batem de frente com eles. Adultos falam com as crianças como se crianças fossem com voz infantil enquanto crianças falam com os adultos como se adultos fossem, só que com falta de educação e com agressividade. O respeito aos pais não existe.

Filhos, se vocês querem ser felizes, sejam obedientes a Deus! Vejam o que dizem os próximos versos.

Os v.2,3 dizem: “Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra”. Citando o quinto mandamento, Paulo lembra que este é o “primeiro mandamento com promessa”.

O ato de honrar é mais do que algo externo, ou seja, algo feito para que as pessoas vejam. “Honrar” traz consigo a intensidade do amor, o desejo de promover a alegria dos pais e a satisfação destes. A obediência calcada no medo, no egoísmo, no interesse pessoal, não é a obediência que Deus quer de seus filhos a Ele e aos pais.

A obediência a pais piedosos traz bênção para a vida dos filhos. O inverso também é verdade. Quando um filho desobedece a seu pai que é temente a Deus trará sobre si terríveis consequências. Uma “… longa vida sobre a terra” não quer dizer somente muitos anos de vida, mas, sim, bons anos vividos. Sabe-se que muitos filhos rebeldes e contumazes em relação a seus pais, têm tido uma vida longa, enquanto filhos exemplares e amorosos têm a vida encurtada por conta de algum infortúnio. Como explicar aparente contradição? Cremos que as palavras do Sl 73 são a resposta para tais contradições. Um filho obediente pode sofrer algum infortúnio em sua vida, mas, de forma alguma isso lhe será atribuído por desonra e vergonha, pelo contrário, dele falarão como um justo que passou por uma provação, mas, que foi sustentado por Deus. Quanto aos que procedem perversamente e mesmo assim vivem muito, basta reparar no fim que terão e aí qualquer aparente contradição deixará de existir.

Com relação a pais ímpios, como fica a obediência dos filhos? Os filhos devem continuar obedecendo e honrando-os, pois, antes de tudo sua obediência é a Deus. Porém, quando esses pais estão impondo algo que é contrário à Palavra de Deus, os filhos deverão deixar bem claro, com todo o respeito, que não os obedecerão, porque a obediência a Deus é primordial.

No v.4 voltando-se para os pais, Paulo diz: “E vós, pais não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”.

Da mesma forma que os filhos devem obedecer aos pais “no Senhor” os pais por sua vez, devem criá-los “no Senhor”.

Quanto ao substantivo “pais” temos uma diferença entre o que aparece no v.1, a saber, o substantivo “pais”. No v.1, o substantivo “pais” vem do grego goneu/sin (no singular goneu,j), referindo-se a “pai e mãe” como fica claro no v.2. Já aqui no v.4 “pais” vem do grego pate,rej (singular path,r) referindo-se aos homens como pais. Porque essa distinção? Possivelmente porque o apóstolo vê nos pais (homens) a responsabilidade principal no que diz respeito à educação dos filhos.

A responsabilidade maior da educação das crianças é do pai e a mãe, o auxilia nesta tarefa. O problema é que muitos pais são relapsos e deixam essa tarefa totalmente para as mães. Isso além de ser desobediência à Palavra traz uma terrível sobrecarga à mulher.

O verso fala que os pais podem levar seus filhos à ira. Atitudes como: excesso de proteção, favoritismo, desestímulo, sendo irado em seu comportamento e exigir do filho mansidão, negligência, mau uso das palavras (palavrões, blasfêmias, conversas torpes, etc), estabelecer padrões impossíveis que nem os pais atingem.

Um texto correlato a esse é Cl 3.21: “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados”. Muitas vezes os pais transferem para os filhos as suas expectativas frustradas as quais nunca foram sonhadas pelos filhos e isto resultará num desânimo por parte dos filhos, pois, por mais que se esforcem nunca atingirão os padrões estabelecidos por seus pais. Daí todo o cuidado deve ser tomado para que os filhos aprendam a viver e a vencer as dificuldades da vida. Não está sendo proposto aqui deixar os filhos ao seu bel prazer, sem normas, sem regras, sem até mesmo porque este verso fala sobre dois elementos fundamentais na criação de filhos: disciplina e admoestação.

Para não cometerem nenhum erro que possa levar a tal desânimo, os pais precisam criar seus filhos “…na disciplina e na admoestação do Senhor”.

Disciplina (paidei,a) ações que educam. Uma vida indisciplinada e desregrada traz sérios prejuízos não só para a pessoa como para a sociedade. Criar filhos significa também prepará-los para serem cidadãos de bem que contribuam para uma sociedade melhor. Juntamente com a disciplina vem a admoestação, aconselhamento (nouqesi,a) palavras que orientam. Não somente o ato de repreender mediante um desvio de comportamento, mas também de ensinar aproveitando as oportunidades (Dt 6.1-9), através do bom exemplo especialmente por meio da Palavra de Deus. Tudo isso “no Senhor”, ou seja, de acordo com a vontade de Deus em Cristo Jesus.

A combinação de disciplina com admoestação deve ser feita à luz da Palavra de Deus. Somente nela encontramos as instruções para uma vida verdadeiramente feliz. No relacionamento entre pais e filhos de acordo com a nova vida em Cristo:

1) Não há espaço para negligência dos pais, v.1 e 4

Paulo ensinou e orientou as crianças da mesma forma que fez com os adultos. Isto deve servir de lição para todos quantos se acham responsáveis pela vida de pequeninos. Guardadas as devidas proporções e limites da criança, não podemos ser negligentes na educação delas, especialmente no que diz respeito às coisas de Deus.

Três verdades sobre as nossas crianças: (1) as crianças fazem parte do Pacto de Deus conosco tanto quanto os adultos. Que aqueles que negligenciam a educação cristã devida às crianças, o batismo infantil que é o selo da aliança de Deus com Seu povo, e até mesmo o participarem do culto público, abandonem o quanto antes tal pecado. Não podemos nos descuidar daqueles de quem Cristo disse: “…dos tais é o reino dos céus…” (Mt 19.14); (2) eles não são nossos, mas, sim, de Deus; (3) eles são pecadores desde o ventre materno. Se nos lembrarmos disso não seremos relapsos com a educação, disciplina e orientação que devemos dar a eles. Não perderemos a chance de mostrar-lhes que eles existem para a glória de Deus, e, que, portanto, só serão felizes de verdade quando viverem para a glória de Deus. E essa é a  nossa principal tarefa como pais. Se mostrarmos para os nossos filhos como ficarem ricos e cultos, não teremos lhes mostrado como serem felizes. Mas, se mostrarmos-lhes que a vida deles só terá sentido se vivida para Deus, então teremos cumprido nosso papel como pais.

2) Não há espaço para a negligência dos filhos, v.2,3

Filhos, vocês podem questionar seus pais, mas, nunca, desobedece-los quando eles estiverem lhes dando uma ordem na Palavra de Deus. Seus pais foram colocados em sua vida por Deus como autoridade. Se a ordem que eles estão lhes dando é uma norma de sua família, ainda é possível alguma negociação, como por exemplo, a hora de chegar em casa no fim de semana; mas, em se tradando de princípios bíblicos, não discutam ou questionem, mas, tão somente obedeçam.

Agradeça a Deus o privilégio de ter pais crentes. Eles errarão com você, mas, o coração deles sempre estará voltado para Deus, e Deus os abençoará.

O que Deus quer que você faça?

 Se você é pai/mãe:

1)      Crie seus filhos para Deus. Mostre-lhes que o alvo da vida deles é supremo, é eterno, e que nada neste mundo poderá torna-los plenos;

2)    Crie seus filhos na Palavra de Deus. Não busque em outros lugares aquilo que só pode ser encontrado na Palavra de Deus. Ela é o manual para nossas vidas.

Se você é filho:

1)      Tenha sempre o Senhor Jesus em vista. Só assim você conseguirá obedecer a seus pais como Deus ordena.

2)      Honre seus pais com obediência amorosa. Não os obedeça por medo ou interessado em receber algo deles, mas, porque Deus assim requer de você. Qualidade de vida é quando se vive para a glória de Deus.

 

Conclusão

 Filhos do Pai Celeste são bons filhos e pais neste mundo.

Rev.Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 24/02/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
This entry was posted in Mensagens expositivas em Efésios. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.