Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 22ª Mensagem

Ef 6.10-12

A convocação para a batalha

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A gloriosa Igreja de Cristo Jesus tem como característica principal a sua vitória sobre o mal. Os nomes dados a ela dizem tudo: Igreja Militante (a que ainda está neste mundo), e Igreja Triunfante (a que já está na Glória, porém, aguardando a chegada daqueles que ainda estão na Igreja Militante). A Igreja de Cristo está numa luta, numa batalha espiritual para a qual ela deve estar plenamente preparada. Trata-se da luta que cada crente trava em sua mente e coração porque recebeu a nova natureza de Cristo, mas, ainda se depara com a velha natureza pecaminosa, com os velhos hábitos pecaminosos. Essa é a verdadeira batalha espiritual para a qual Deus nos capacita com a Sua armadura. O crente deve estar preparado para essa batalha. Essa preparação se dá pelo uso constante da plena armadura de Deus (sobre esta armadura veremos no próximo estudo). Por hora meditemos sobre A convocação para a batalha.

Em toda a sua carta aos Efésios, Paulo sempre mostrou que é a Graça de Deus que salva o pecador, que é na Graça de Deus que deve estar alicerçada a Fé. Mas, também mostrou a responsabilidade do crente mediante essa bendita Graça. O pecador não coopera com Deus em Sua conversão, pois, esta é fruto da Graça de Deus exclusivamente, porém, coopera no desenvolvimento da sua fé, através de uma vida obediente e piedosa com relação a Deus. Esta última verdade fica muito clara neste texto de Ef 6.10-10, onde o crente é convocado à batalha para a qual deve se revestir constantemente com a armadura de Deus. William Hendriksen ressalta que é o crente que deve revestir-se a si mesmo (responsabilidade do homem) com a armadura de Deus (Graça de Deus), dessa forma temos a soberania de Deus atuando junto com a responsabilidade humana, sem que uma anule a outra.

O v.10 diz: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”. A expressão “Quanto ao mais” ou “finalmente” indica que Paulo já está partindo para a conclusão da carta, mas, antes disso, quer lembrar aos efésios de que uma luta está constantemente sendo travada, não na esfera carnal e humana, mas, na espiritual (veja o v.12), e para esta luta deveriam estar preparados. Anteriormente, de 4.17 – 6.9, mostrou-lhes como deveriam ser o padrão de vida do crente, em várias esferas da vida. Mas, esse “padrão de vida” concedido pela Graça de Deus, haveria de estar num conflito constante com as forças do mal. Eis o porquê todos os crentes, toda a Igreja de Cristo deveriam estar “…fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder”.

O verbo evndunamou/sqe que está conjugado no presente do imperativo passivo, indica que a ação de ser fortalecido tanto é uma ordem (imperativo) que deve ser cumprida sem qualquer questionamento, e incessantemente (presente contínuo), porém, cabe ao crente se colocar à disposição de Deus (voz passiva), que é Quem realmente realizará esse fortalecimento “…fortalecidos no Senhor…”.

A expressão “… e na força do Seu poder…” recorda o que já foi dito do poder de Deus em Ef 1.20 e Ef 2.1, a saber, o mesmo poder que Deus exerceu em Cristo para ressuscitá-Lo dentre os mortos também usou para nos “ressuscitar” espiritualmente. Portanto, é neste poder que o crente deve confiar e deve deixar-se fortalecer.

O v.11 diz: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo”. A vida cristã não é monótona. Os que pensam que ela é monótona é bem provável que estejam sofrendo ainda como escravos nas mãos do diabo. Há uma luta sendo travada. Os crentes não podem ignorar isso. Três inimigos se levantam o tempo todo contra nós: o mundo (ideologia mundana), Satanás e a nossa velha natureza. Tudo isto está no campo espiritual.

Paulo cria na existência de um ser maligno que atua neste mundo. Além disso, ele estava falando a crentes recentemente convertidos, e que em sua vida no paganismo anteriormente nutriam temor pelos espíritos maus, como ainda é verdade entre os pagãos de hoje.

Contra essas forças malignas deveriam estar bem aparelhados, por isso, deveriam revestir-se completamente da armadura de Deus. O termo panopli,a quer dizer “armadura completa”. Com essa armadura completa (a partir do v.13 Paulo descreverá com detalhes essa armadura) os crentes estarão preparados para poderem “ficar firmes contra as ciladas do diabo”. Os métodos de Satanás são cheios de astúcia, e a Bíblia os descrevem das seguintes maneiras: confundir a mentira com a verdade de forma a parecer plausível (Gn 3.4,5,22); citar erroneamente as Escrituras (Mt 4.6); disfarçar-se em anjo de luz (2Co 11.14) e induzir seus “ministros” a fazerem o mesmo, “aparentando ser apóstolos de Cristo” (2Co 11.13); arremedar a Deus (2Ts 2.1-4,9); reforçar a crença humana de que ele não existe (At 20.22); entrar em lugares onde não se espera que entre (Mt 24.15; 2Ts 2.4); e, acima de tudo, prometer ao homem que por meio de más ações se pode obter o bem e a satisfação do seu coração (Lc 4.6,7).

Contudo, o pior dos inimigos é a nossa velha natureza que volta e meia se levanta pútrida deixando seus odores mortais. E Satanás sabe como tirar proveito dessa sua aliada.

A descrição aqui não é a de uma marcha, mas, de uma batalha em que o crente se vê constantemente envolvido; ele é um soldado da Igreja Militante, e, portanto, deve empenhar-se totalmente nesta batalha para poder ficar firme mesmo depois de ter recebido duros golpes do inimigo. Essa firmeza ele obterá somente pelo uso da armadura completa.

Por isso o v.12 diz: “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Quem numa luta pensa que seus inimigos são as pessoas, já perdeu a batalha. É certo que muitas pessoas podem ser instrumentos do maligno (2Co 11.13), como foi o caso de Balaão que ensinou os moabitas como poderiam derrotar os israelitas (Nm 25) através da prostituição com as mulheres moabitas. Mas, Satanás está por trás deles!

Os “principados” (avrca,j), as “potestades” (evxousi,aj), os “dominadores deste mundo tenebroso” (kosmokra,toraj), e “forças espirituais do mal” (pneumatika. th/j ponhri,aj) são palavras que descrevem Satanás e seus comandados atuando contra a Igreja de Cristo. As “regiões celestes” não se referem ao céu, a morada de Deus, mesmo porque isso é totalmente inconsistente, ainda que apareça em outros lugares nesta carta, como por exemplo em Ef 1.3 que indica o céu de onde descem todas as bênçãos para os crentes; Ef 1.20 onde Cristo está sentado à direita do Pai; Ef 2.6 onde os crentes estarão assentados com Cristo; Ef 3.10 onde os anjos eleitos têm sua habitação. Neste verso essas palavras ganham um outro sentido, a saber, refere-se ao reino extraterreno que está acima da terra (habitação dos homens) e abaixo dos céus (habitação de Deus), tendo o mesmo significado de Ef 2.2, o império do ar, ou seja, o império espiritual de Satanás.

De uma forma bem prática podemos dizer que, embora não vejamos Satanás por que ele é invisível, suas artimanhas são bem visíveis e, portanto, podem ser combatidas. Além disso, não podemos nunca nos esquecer que a posição de ataque é sempre da Igreja e nunca de Satanás. Embora muitas vezes somos atacados por ele e por seus aliados, eles nada mais estão fazendo do que se defender dos ataques da Igreja. Leia com atenção as palavras de Jesus em Mt 16.18.

Em nossos dias muito se fala sobre batalha espiritual e muito do que se tem dito por aí beira ao folclore e à superstição na maioria dos casos. E como sempre corremos o risco dos extremos. Fomos convocados para a batalha e por isso precisamos tomar cuidado para não cairmos nos extremos. Vejamos quais extremos:

1)      O extremo da negação

As coisas espirituais se discernem espiritualmente (1Co 2.14), logo se não tivermos esse discernimento, avaliaremos as coisas que acontecem ao nosso redor sob uma ótica fria e racional, e muito do que acontece nessa batalha contra as forças do mal foge à lógica humana. Não é difícil vermos crentes sinceros que racionalizam tudo o que acontece no campo da batalha espiritual, e o resultado disso acaba sendo um desastre. Tais crentes voltam seu foco para as pessoas e acabam criando uma indisposição nos relacionamentos. Não podemos nunca nos esquecermos de que Satanás trabalha intensamente a fim de fazer-nos acreditar que ele está inerte e totalmente desinteressado pela nossa vida espiritual. O resultado disso é que nós baixaremos a nossa “guarda” e ficaremos vulneráveis aos seus ataques astutos.

 

2)      O extremo da supervalorização

Do outro lado dessa “ponte” estão aqueles que veem Satanás em tudo. Tudo que acontece de ruim é culpa do diabo, todas as doenças, todos os transtornos e tragédias e até mesmo coisas corriqueiras que possam nos atrapalhar (como um pneu que fura quando estamos a caminho da igreja, ou a aparelhagem de som que apresenta algum problema na hora do culto), são consideradas como ações do maligno para nos atrapalhar. Então convoca-se a igreja para uma corrente de libertação e batalha espiritual, com o fim de repreender o inimigo, etc. Cristo nunca negou a influência de Satanás nas coisas ruins que acontecem, contudo, em momento algum, conferiu qualquer tipo de glória ao diabo acusando-o de estar por detrás de algum problema. A falta de conhecimento da Palavra de Deus por parte dos “evangélicos” de hoje, tem levado a igreja a ser ridicularizada na sua fé. Que Satanás é o príncipe do mal, não discordamos, mas, também conferir a ele o “mérito” de tudo o que acontece que nos pareça ser ruim, isto jamais! Outra estratégia do diabo é trabalhar o medo e o pavor pela sua pessoa nos corações dos homens; sem dúvida alguma esta escravidão é horrível.

O que Deus quer que você faça?

Como nova criatura em Cristo você está numa batalha espiritual pela posse da sua mente. Para essa batalha:

1)      Você deve se fortalecer no poder de Deus; se a batalha é espiritual você precisa do poder de Deus que é espiritual.

2)      Revestir-se de toda armadura de Deus; não deixe uma peça dessa armadura para trás.

Conclusão

Nessa luta os crentes são mais que vencedores por meio Daquele que os chama, Rm 8.37.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 10/03/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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