Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 3ª Mensagem

Ef 1.7-12

O Louvor de Um Redimido

Parte II

Ao Filho que Executou a Vontade do Pai

Continuando o seu louvor ao Deus Supremo que o elegeu para a salvação, Paulo passa a mostrar como foi que a nossa salvação tornou-se realidade.

A nossa atenção agora é desviada do passado (“antes da fundação do mundo…”) para os dias em que Jesus esteve aqui na terra e realizou o Seu sacrifício pelos eleitos cumprindo a vontade do Pai.

A transição aqui do Pai para o Filho não é feita de forma abrupta, mas, sim, deixando bem claro que a vontade do Pai foi executada plenamente pelo Filho. O mesmo veremos nos v.13,14 quando analisarmos a obra do Espírito Santo em relação ao Pai e ao Filho. Aqui vemos Paulo dirigindo o seu louvor Ao Filho que executou a vontade do Pai.

Os v.7,8 mostram que o Senhor Jesus Cristo “pelo seu sangue”, ou seja, Seu sacrifício vicário na cruz, “temos a redenção”. O substantivo “redenção” vem do grego avpolu,trwsij que pode ser traduzido por “remissão”, cujo o sentido literal é “comprar de volta no mercado”, aludindo assim, ao tráfico de escravos no mercado de onde eles eram comprados e passavam a servir seus senhores.

Por criação e propriedade pertencemos ao Senhor Deus. Mas, quando o pecado entrou na humanidade, nos fizemos escravos do pecado e passamos a tê-lo como nosso senhor. Em Cristo, o Senhor Deus nos redimiu, nos comprou de volta no mercado do mundo, onde estávamos expostos pelo cruel senhor chamado Pecado. E o preço que Ele pagou não foi prata, nem ouro, nem qualquer moeda, mas, Seu precioso sangue (1Pe 1.19,20). Não existia outra forma dos pecadores se salvarem. Cristo nos substituiu na cruz, uma vez que para haver remissão dos pecados era necessário derramamento de sangue (Hb 9.22). Somente o sangue de alguém perfeito, santo e puro poderia expiar o pecado de todos os escolhidos, a saber, o sangue de Cristo.

Esta graça “…Deus derramou abundantemente sobre nós em toda sabedoria e prudência”. A sabedoria (sofi,a)que é o conhecimento em ação. É a habilidade para aplicar o conhecimento a fim de se conseguir os melhores resultados, capacitando a pessoa para usar os meios mais eficazes para alcançar as mais altas metas. A prudência, discernimento (fro,nhsij) que se refere a colocar sabedoria em ação. É a habilidade de discernir modos de ação com vistas ao resultado desejado (cf. RR. p. 387). Indica a escolha do melhor modo de agir.

Naqueles tempos, o Gnosticismo se intitulava a verdadeira sabedoria capaz de dar ao homem o pleno conhecimento. Paulo refuta o Gnosticismo de forma precisa e esplêndida na sua carta aos Colossenses. Contudo, não somente nesta epístola, mas, em outras, como aqui em Efésios. Ele mostra que a verdadeira sabedoria e discernimento advêm somente da Graça de Deus a qual Ele “…derramou abundantemente sobre nós…”, ou seja, fez transbordar, derramar.

O v.9 vem nos dizer que Deus se agradou, teve prazer em nos revelar “o mistério da sua vontade”. William Hendriksen comentando esse verso lembra que (Comentário de Efésios, 1992, p.108):

Nos dias de Paulo, certos cultos obrigavam a seus devotos a fazerem ‘tremendos juramentos’ no sentido                                                     de não revelarem seus segredos aos não iniciados. Ainda hoje há seitas que exigem que seus membros façam solenes promessas similares sob pena de horríveis castigos caso fracassem em guardá-las. Foi da vontade do Pai que o mais sublime segredo fosse publicado aos quatro ventos, e que penetrasse profundamente nos corações dos seus. O plano de Deus para a salvação portanto, devia ser dado a conhecer para que pudesse ser aceito pela fé, porquanto é pela fé que os homens são salvos.

Assim é o Evangelho de Cristo: luz para os gentios (Lc 2.32), uma candeia que tem de ficar sobre o velador e não debaixo da cama (Mt 5.15).

Quanto ao “mistério da Sua vontade” quando lemos o v.10 temos uma explicação do que vem a ser isto. O mistério, a vontade prazerosa (ou beneplácito) e o propósito do Pai formam uma unidade.

E qual o propósito do Pai aqui neste texto revelado em sabedoria e prudência? Mostrar que em Cristo a História encontra o seu sentido. É isso o que Paulo quis dizer com “…de fazer convergir nele a plenitude dos tempos…”, pois, Nele (Cristo) todos os tempos, fatos, e acontecimentos se reúnem, convergem. Ele (Jesus) é o centro da História; sem Ele a História não somente ficaria sem sentido como também nem mesmo existiria.

A plenitude dos tempos aponta para o momento exato da História em que o Salvador deveria vir, o momento pré-estabelecido por Deus.

Em Cristo todas as coisas se reúnem “…tanto as do céu como as da terra” apontando assim para a Sua autoridade suprema. Veremos de forma mais ampla esta verdade nos v.20-22 deste capítulo. Por enquanto vejamos o significado do verbo avnakefalaiw,sasqai “fazer convergir nele”, que significa: encabeçar,  reunir sob uma única cabeça; resumir, colocar debaixo de um só. A ideia do verbo é a da unidade conseguida em meio à diversidade.

O v.11 vemos que em Cristo “…fomos também feitos herança…”, ou seja, todas as bênçãos descritas desde o v.3, as quais se referem não somente ao passado, mas, também as do futuro (o direito à glória futura). Fomos feitos herdeiros do Seu reino. Dessa forma o propósito de Deus abrange o passado, o presente e o futuro, e assim, em Cristo, tudo se converge.

A forma como Deus executa o Seu propósito é eficazmente (evnergou/ntoj), ou seja, de forma poderosa, não encontrando nada que possa deter a Sua livre vontade. O propósito de Deus se realiza eficazmente em todas as coisas, cumprindo assim a vontade de Deus. Isto nos mostra que tudo acontece segundo a vontade de Deus; tal verdade é tremendamente confortante para nós.

Por fim, o v.12 vem nos mostrar que os salvos em Cristo são como “troféus” que mostram a vitória do Senhor sobre o pecado e o mal. É na Igreja de Cristo que Deus revela a Sua glória, pois,  ela é a noiva do Senhor, a qual é adornada com a salvação, santidade e pureza (Ef 5.25-27).

Paulo conclui: “…nós, os que de antemão esperamos em Cristo”, ou seja, a obra de Cristo já foi realizada, contudo, ainda resta o Dia em que Ele voltará para buscar a sua Igreja. E a garantia de que tal dia acontecerá é o Espírito Santo em nossos corações, como o penhor que o Senhor Jesus nos deu (v.13,14). Em outras palavras, o que Paulo está dizendo aqui é: “nós que fomos alcançados pela Graça de Deus desde então temos a nossa esperança centralizada em Cristo”. Veremos isto com mais detalhes nos próximos versos. Por hora destacamos as seguintes

Deus revelou à Sua Igreja a Sua excelsa Graça por meio de Jesus. Sendo assim, em Cristo temos:

 

1) Completa libertação do julgo do pecado, v.7

O pecado que nos escravizava e dominava já não mais impera sobre nós. Cristo por meio do Seu sangue lá na cruz resgatou-nos das trevas para o Pai, e remiu-nos (adquiriu-nos de novo) pagando o preço de todas as nossas transgressões.

Dessa forma, estamos livres. Mas, esta liberdade não quer dizer um estado de vida onde não temos de prestar contas a ninguém. Fomos libertos por Cristo e para Cristo. Não servimos mais à carne, mas, sim, ao Senhor Jesus.

 

2) Completa sabedoria e discernimento decorrentes do propósito de Deus (v.8 e 9)

Os gregos almejavam e cultuavam a sabedoria, bem como o fizeram outros povos e filosofias. Mas, somente o Evangelho de Cristo é a sabedoria máxima. O Evangelho é o poder de Deus (Rm. 1.17) e por isso é insuperável em sua

sabedoria. É o mistério de Deus que não deve ficar escondido, antes, deve ser proclamado assim como o Senhor no-lo proclamou. Ao mergulharmos nas verdades do Evangelho descobrimos a perfeição de Deus, planejando e executando os Seus propósitos.

 

3) Completa certeza de Sua soberania e cumprimento de Suas promessas (v.10 e 11)

A História não tem sentido se interpretada sem a Pessoa de Cristo. Nele, tudo encontra o seu ponto de partida; Ele é a origem de tudo (Cl 1.15-19); sem Ele, o universo se desintegra. Ele é o Cabeça de todas as coisas. Por esta razão podemos confiar plenamente Nele. Nenhuma de Suas promessas cairá por terra. Ele, contudo, faz questão de nos provar a Sua fidelidade, pois, ao prometer voltar para buscar a Sua Igreja, deu-nos como garantia o Espírito Santo. Por isso podemos esperar firmemente Nele.

Implicações e Aplicações

 

1) Fomos libertos por Cristo e para Cristo. A verdadeira liberdade está em servir ao Verdadeiro Senhor. 

2) O Evangelho de Cristo é a Verdade Absoluta. É a Verdade que nos liberta, e o Evangelho de Cristo é o conhecimento e a sabedoria.

3) A História é o palco da fidelidade de Deus. Deus revela a Sua fidelidade na História. Ele promete, Ele cumpre.

 

Conclusão

Cristo deve ser louvado por Sua Noiva, a Igreja, porque Ele pagou o preço do seu resgate. A nossa redenção é realidade!

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 07/10/2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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