Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 6ª Mensagem

Ef 1.20-23

Louvor a Deus pela Glória do Senhor Jesus Cristo

038 Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 6ª mensagem

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Você se considera uma pessoa agradecida? Com que frequência você exercita e demonstra sua gratidão? Entre as bênçãos pelas quais você agradece a Deus qual é a que mais você menciona?

Uma atitude muito bela de gratidão que pode ser vista nas cartas de Paulo, especialmente em suas orações é a sua gratidão a Deus pela Pessoa de Cristo Jesus (cf. Rm 7.25; 2Co 2.14).

Em suas orações você tem agradecido a Deus por Jesus Cristo? Por Ele ter vindo ao mundo, e assumido o seu lugar lá na cruz? Por ter chamado você ao arrependimento e à nova vida?

Nestes versos finais do cap.1 Paulo expressa o seu Louvor a Deus pela Glória do Senhor Jesus Cristo.

Ainda que estes versos (v.20-23) façam parte de todo o parágrafo (v.15-23) é importante observar que Paulo agora direciona suas palavras para a glória do Senhor Jesus Cristo pela qual ele (Paulo) louva a Deus. Podemos destacar as seguintes verdades aqui. A glória do Senhor Jesus:

1)      Reflete a Glória do Pai, v.20

Com o mesmo poder que Deus operou para nos ressuscitar espiritualmente Ele usou este mesmo poder para ressuscitar a Cristo dentre os mortos.

Essa afirmação é sobremodo importante para a Fé Cristã por três motivos: (1) ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, Deus, o Pai, estava chancelando a obra redentora de Cristo, estava dizendo aos mundos físico e espiritual que a justiça foi feita e que o sacrifício de Jesus supriu todas as exigências; (2) por pior que seja o pecador, quem o transforma é Deus com Seu divino poder; (3) temos aqui também a garantia da ressurreição final no Dia do Senhor Jesus quando os mortos em Cristo serão ressuscitados e os vivos, transformados.

Em Ef 1.14 Paulo fala do penhor da nossa salvação, a saber, o Espírito Santo. Com base no v.20 podemos dizer que o crente tem um duplo penhor que consiste no fato do Espírito Santo habitar nele e do poder de Deus em ressuscitar Jesus, pois, foi com este mesmo poder que Deus nos transformou e haverá de nos ressuscitar no Dia de Cristo.

Por ocasião da Sua oração sacerdotal o Senhor Jesus Cristo disse: “e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5). Desde antes da fundação do mundo Jesus e o Pai compartilhavam da mesma glória; ambos eram o mesmo em Sua essência e autoridade. Mas, ao executar o plano da salvação, o Filho se encarnou, esvaziando-Se da Sua glória (Fp 2.7). Quando Ele morreu, o Pai O ressuscitou, e com isso não somente estava mostrando a todos que o sacrifício de Seu Filho foi plenamente aceito por Ele (o Pai), como também estava Lhe devolvendo a glória que pertencia a Ele desde antes da fundação do mundo “…fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais”. E assim, a glória de Cristo reflete a Glória do Pai porque ambas são uma apenas.

A glória do Senhor Jesus Cristo também

2) É absoluta em todos os aspectos, v.21

Aqui, Paulo tem em vista a extensão dessa posição gloriosa de Cristo. Há aqui uma grande semelhança com Cl 1.16. Ambos os versos destacam a proeminência de Cristo sobre todos os poderes no universo. Todos os poderes, quaisquer que sejam, encontram em Cristo não só o seu começo como também o seu fim. William Hendriksen comenta o seguinte (HENDRIKSEN, 1992, p. 128):

“Considerando esta passagem à luz de Cl 2.18, bem como a presente passagem de Efésios, quando comparada com 3.10, torna-se evidente que as referências são primeiramente aos anjos”.

Havia naquela região da Ásia, mestres do erro que destacavam a posição dos anjos, conferindo-lhes poderes, nomes e ações o que acabava por contribuir para uma adoração e veneração aos mesmos (cf. HENDRIKSEN, 1992, p.128). Paulo ataca de frente esta ideia deixando claro que os anjos desobedientes e maus foram subjugados por Cristo (Cl 2.15) e estão sujeitos a Ele como Senhor (Rm 8.38; ver também 1Pe 3.22). Os anjos, sejam bons ou maus, não têm poder fora de Cristo. A extensão do Senhorio de Cristo não se limita a um tempo apenas, a este século somente “…mas também no vindouro”.

Todos os poderes, seres e autoridades que possam existir estão totalmente subordinados a Cristo. Ele está acima de todos; Ele governa absoluto no universo e no tempo. Em todas as eras (passado, presente e futuro) não houve e nem haverá jamais alguém que Lhe seja igual, nem mesmo sequer possa se aproximar Dele em glória. Sua autoridade absoluta também aponta para o fato de que todos deverão prestar-Lhe contas.

Precisamos pregar sempre a verdade do Senhorio absoluto de Cristo. Um dos momentos mais difíceis da nossa vida é quando perdemos alguém que amamos para a morte. Este momento torna-se ainda mais difícil quando nos esquecemos de que Deus é o dono de tudo o que existe, inclusive das pessoas que vivem neste mundo (Sl 24.1). Sim, Cristo é Senhor Absoluto e o nosso coração precisa saber, crer e viver essa verdade.

Por fim, a glória do Senhor Jesus Cristo

3) Glorifica a Sua Igreja, v.22,23

Duas verdade centrais encontradas nestes dois versículos que dizem respeito ao Deus Pai em relação a Cristo:

  • Todas as coisas estão debaixo dos pés de Cristo e Ele é o Senhor de tudo;
  • Deu-O como cabeça para Sua Igreja a qual é o Seu corpo

Primeiramente, a submissão total a Cristo, nos mostra Ele como o “Homem Ideal” (“o Filho do Homem” bem como “o Filho de Deus”). O Sl 8.6 alcança aqui o seu pleno cumprimento. Vejam-se também 1Co. 15.27 e Hb. 2.8.

Não devemos limitar “…todas as coisas…”  a “todas as coisas na Igreja”. Nem tampouco às coisas descritas no Sl 8.7,8 (ovelhas, bois, animais do campo, aves do céu, peixes, etc.); “…todas as coisas…” aqui abrange tudo quanto possa ser um estorvo para a esperança dos crentes em relação à glória eterna que lhes foi prometida por Cristo. A relação deste texto com o Sl 8.6-8deve ser entendida da seguinte maneira: o referido salmo mostra qual era o propósito de Deus para o homem, a saber, ser Seu vice regente na natureza, tendo absoluto domínio sobre ela. Porém, com a intromissão do pecado, o homem perdeu este posto. Cristo é o Homem Perfeito, o Único capaz de estar totalmente livre do pecado e acima de tudo. Por esta razão, em Cristo, a Igreja assume o seu lugar no universo.

Em segundo lugar vemos que Deus o pôs como “…cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja”. Cristo é a cabeça da Igreja, e esta é o Seu corpo. William Hendriksen afirma (cf. HENDRIKSEN, 1992, p. 130):

“O que se enfatiza por meio deste simbolismo de cabeça-corpo é a intimidade do vínculo, o insondável caráter do amor entre Cristo e a igreja, como está claramente indicado em 5.25-33”

Deve ser ressaltado aqui o amor de Deus e de Cristo pela Sua Igreja, e o amor desta por Ele como resposta.

Paulo diz que a Igreja “… é o Seu corpo…”. Este simbolismo (cabeça-corpo) mostra o amor de Cristo pela Sua Igreja de tal forma que Ele faz com que tudo no universo concorra para o bem dela. Até mesmo as dificuldades e problemas, retaliações e investidas do mal acabam no final de tudo exaltando o amor de Cristo por Sua Igreja, pois, nada, absolutamente nada pode impedir o amor de Cristo por ela.

Também ele diz que ela é: “…a plenitude Daquele que a tudo enche em todas as coisas”. A conclusão que a maioria dos comentaristas chegam sobre essas palavras é que Paulo está afirmando que a Igreja completa Cristo. É claro que não no tocante à Sua Divindade e Essência, mas, no que diz respeito à relação da Igreja com Cristo, ou seja, como Esposo Ele é incompleto sem a Esposa; como Videira, não se pode pensar Nele sem os ramos; como Pastor, não se pode vê-Lo sem Suas ovelhas; e assim também como Cabeça, Ele encontra sua plena expressão em Seu Corpo, a Igreja.

Em Cristo, tudo no universo é completado; Nele, todas as coisas encontram seu principio e fim. Através de Sua obra redentora e reconciliatória, Cristo é o que “…a tudo enche em todas as coisas”. A Igreja é o corpo de Cristo e Ele, que enche o Universo inteiro, está nela em toda a Sua plenitude.

Como cabeça da Sua Igreja, Cristo a glorifica. Tudo no universo corrobora para o bem-estar da Igreja (Rm 8.28,29), mas, isto só acontece porque Cristo é quem efetua este propósito. A glória da Igreja está em Cristo, e fora Dele ela perde totalmente o seu sentido e propósito. Na figura da cabeça-corpo, Cristo e a Igreja se completam. Ele como cabeça orienta e governa a Igreja; ela por sua vez, como corpo é quem O leva ao mundo, cumprindo assim o seu papel de “porta-voz” do Reino de Deus.

Implicações e Aplicações

 

1) Jesus Cristo é o Senhor.  Deus Pai glorificou a Cristo devolvendo-Lhe essa autoridade que sempre Lhe pertenceu. Você mostra essa verdade em sua vida quando obedece à Palavra de Deus.

2) Jesus Cristo é o Senhor Absoluto. Todos os seres, todas as coisas, todas as eras estão debaixo do Senhorio de Cristo. Nada foge do Seu controle e nem deixa de cumprir a Sua vontade. Quando você obedece ou desobedece à Palavra de Deus, Cristo não deixa de ser Senhor Absoluto, pois, Ele será glorificado quando suas obras foram reveladas.

3) Jesus Cristo é o Senhor Absoluto que torna plena a Igreja. Cristo deposita em Sua Igreja a Sua glória, e esta é a responsável por levá-Lo ao mundo para ser ali glorificado também. A beleza da Igreja, a sua glória e a sua vida estão em Cristo. A Igreja não deve buscar outra glória além dessa.

 

Conclusão

A glória de Cristo está na glória do Pai e a nossa glória está em Cristo.

São José dos Campos, 04/11/2012

Rev. Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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