Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 7ª Mensagem

Ef 2.1-7

Somos Ressurretos em Cristo

039 Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 7ª mensagem

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Uma das verdades mais urgentes que todo crente deve aprender em sua jornada de fé é o que o Senhor Jesus disse em Jo 15.5: “… sem mim nada podeis fazer”. O quanto antes o crente aprender e crer nessa verdade ele conseguirá vencer em sua luta contra o pecado e viverá para a glória de Deus.

No presente trecho da carta (2.1 – 3.13) Paulo passa a mostrar a nossa condição de existência e vida em Cristo. Neste trecho ele trata especialmente da condição dos gentios (os não judeus) em Cristo. Mostrando que sem Cristo nosso estado era de morte espiritual, completamente incapacitados e até mesmo inconscientes da nossa miséria espiritual, fomos ressuscitados espiritualmente por Cristo porque fomos alvos da Graça de Deus, com a qual Ele nos constituiu Sua família e também embaixadores do Seu reino. Assim, Cristo nos transportou da morte para a Vida, das trevas para a Luz, da condenação para a Glória.

Pela Graça de Deus somos ressurretos em Cristo.

Falando sobre a nossa ressurreição espiritual podemos afirmar que:

1)      Ela é totalmente necessária, v.1-3

A nossa situação era: “Ele vos deu vida estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”. No texto grego não aparece neste versículo as palavras “Ele vos deu vida”. Lá, Paulo começa dizendo: “E estando vós mortos em vossos delitos e pecados”. A intenção de Paulo era mostrar a desgraça e ruína em que se encontravam os efésios depois de ter falado sobre a glória de Cristo (1.20-23) contrastando assim a miséria do homem e a Glória de Cristo, a única solução para quem está morto espiritualmente.

As palavras “delitos e pecados” trazem consigo a ideia de errar o alvo, desviar-se do caminho. O pecado em todas as suas formas é um desvio do homem com respeito à vontade de Deus. É o homem assumindo o controle de sua vida e em seguida, perdendo todo o controle da mesma por fazer as coisas conforme a inclinação da carne. Este desvio do homem levou-o à morte, que aqui no texto refere-se à morte espiritual, ou seja, a separação, o rompimento da comunhão com Deus, comunhão esta que Deus projetou para o homem quando o criou, mas, que este acabou trocando quando decidiu pecar. Essa morte espiritual trouxe sérias implicações: rompimento da comunhão com Deus, perda do livre-arbítrio (o pecado passou a ser o senhor do homem), e por isso há a necessidade de um Mediador perfeito.

Não estamos dizendo que o ímpio seja incapaz de fazer coisas boas. Essas coisas boas que o homem natural (sem Cristo) faz nada mais são do que o que chamamos de “humanidade”, um “gesto humano”, e nada mais. Porém, em relação às boas obras para salvação o homem natural se encontra totalmente incapacitado de realizá-las.

No v.2 Paulo vai mais a fundo em mostrar como era a nossa vida antes de Cristo nos regenerar e salvar: nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”; este é o retrato do coração do homem sem Cristo. Ele é:

  • escravo do pecado: nos pecados o homem sem Cristo conduz seu coração;
  • escravo do mundo: ou seja, é a ideologia desse mundo que rege o seu coração; suas ideias são repetições das ideias do mundo;
  • escravo de Satanás: o qual tem como objetivo levar os corações a desobedecerem a Deus.

O que Paulo está mostrando aqui é que o homem natural age em conformidade com a vontade do diabo; dessa forma, Satanás não é o culpado sozinho pelos pecados cometidos, pois o homem também o é. Lembre-se que Satanás opera “nos filhos da desobediência” valendo-se da ideologia mundana.

Antes que alguém pense que Paulo está aqui a fazer acusações dos pecados dos alheios e se esquivando de sua própria culpa, ele muda do “vós” para o “nós”: “Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. Definitivamente essa é a condição de todo ser humano. A honestidade com que Paulo trata do assunto demonstra não só a sua sinceridade, mas, também a capacidade dada por Deus ao homem de anular qualquer complexo de superioridade típico de um coração ímpio.

Desde que o homem rompeu sua comunhão com Deus entrando assim no chamado estado de morte espiritual, a necessidade do restabelecimento dessa comunhão (ressurreição espiritual) se fez presente. Como poderia o morto sair de sua própria cova, se nem mesmo sequer podia dar-se conta de que estava morto? O estilo de vida (ou seria de morte?) que cada qual levava acentuava a degradação e a apatia em que se encontrava em relação a Deus. Por tudo isso, a nossa ressurreição espiritual se faz totalmente necessária.

Além disso, a nossa ressurreição espiritual

2) É somente fruto da misericórdia, graça e amor de Deus, v.4,5

Paulo em seu pensamento segue um “fluxo e refluxo”, ou seja, ele fala da Glória de Deus, e depois mostra a miséria do homem, para voltar novamente a falar sobre a Glória de Deus.

Apesar de todo o pecado e depravação total do homem, Deus teve misericórdia deste. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou” (v.4).

A misericórdia e o amor de Deus são sinônimos. Tentar explicá-los é não somente uma tarefa difícil, mas, impossível. Não há palavras, expressões e definições que apontem com exatidão o significado deste amor por nós. Por meio de Sua Graça e Amor Deus nos vivifica e nos capacita a vivermos de forma santa e irrepreensível perante Ele.

No v.5 lemos: e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos”. As nossas transgressões nos levaram à morte espiritual (rompimento da comunhão com Deus e degradação moral), mas, Deus, por Sua misericórdia, amor e graça nos trouxe à vida (regeneração espiritual e comunhão com Ele) juntamente com Cristo.

O final deste versículo (“pela graça sois salvos”) é uma lembrança a todos nós de que não merecemos a salvação, não merecemos uma gota da rica misericórdia de Deus; se a recebemos é por Graça somente.

Que isto está claro no texto não há o que discutir. Contudo, devemos sempre lembrar que somente um Deus que é rico em misericórdia e de grande amor poderia fazer o que foi feito por nós, isso porque nossa condição não poderia ser resolvida de outra forma, a não ser por uma misericórdia tão rica e por um amor tão grande. Quando afirmamos que Cristo é o nosso Único Salvador, devemos lembrar que isso não quer dizer apenas que nós não devemos repartir com outros deuses a glória Dele, mas que, não se pode repartir a Sua glória por que ela é única; só Deus é como Ele é; somente Ele poderia nos salvar, pois, só Ele tem todo esse amor, misericórdia e graça para que com poder supremo pudesse nos salvar.

Por fim, ressaltamos que a nossa ressurreição espiritual

3) É testemunha do poder de Deus, v.6,7

É maravilhoso vermos o que o Espírito Santo pode fazer com a mente de uma pessoa. O pensamento de Paulo flui com uma leveza que nos impressiona, e ao mesmo tempo mergulha numa profundidade que nos deixa extasiados. O contraste que Paulo apresenta nestes versos com o “outrora” e o “agora” é completo. Veja:

Outrora, estávamos mortos em nossas transgressões e pecados; agora, estamos vivos e ressurretos juntamente com o Cristo ressurreto, ou seja, tão certo como Cristo está vivo nos céus estamos nós vivos espiritualmente.

Outrora, éramos escravos daquele que opera na esfera espiritual, Satanás; agora, estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais, ou seja, antes vegetávamos nas garras de Satanás, no seu campo de atuação, mas, agora em Cristo, assumimos a posição de regentes com Ele sob o universo, tanto físico, quanto espiritual. Há de se lembrar que aqui Paulo não está afirmando que já aconteceu este nosso assumir os tronos ao lado de Cristo, mesmo porque isto está reservado para a Eternidade quando Cristo vier buscar a Sua Igreja. Antes, Paulo está vislumbrando esta verdade como se ela tivesse acontecido de fato. Em outras palavras, isso é tão verdadeiro e garantido a nós, que Paulo trata do assunto como se já tivesse acontecido literalmente. Assim deve ser a nossa esperança. Ela deve expressar não só uma aceitação das promessas de Deus, mas, acima de tudo, plena convicção de que elas serão executadas por Ele no tempo certo e estipulado por Ele mesmo.

Ainda mostrando o contraste entre o outrora e o agora no pensamento de Paulo neste trecho, podemos ver que outrora, a condição de morte espiritual era deprimente, degradante e aviltante, mas, agora, nossa condição em Cristo mostra “… a suprema riqueza da Sua graça em bondade para conosco, em Cristo Jesus”. Por isso Paulo diz “…onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm. 5.20).

Ao nos ressuscitar juntamente com Cristo, ao nos fazer assentar com Ele nos lugares celestiais, Deus assim o fez para mostrar a todas as gerações, e em especial, no Dia da Volta de Cristo, a suprema riqueza da Sua Graça. Todos não somente verão como devem ver desde já a obra maravilhosa que o Senhor Deus realizou em nós por meio da Sua Graça. Somos apenas os instrumentos que Deus usa para mostrar a Sua Graça, por isso mesmo, a honra e a glória devem ser creditadas somente a Deus. A nós pertence a alegria, a felicidade e a paz resultantes dessa maravilhosa obra, a saber, a nossa ressurreição espiritual, o nosso restabelecimento diante de Deus em comunhão com Ele.

Implicações e Aplicações

Este trecho da carta pode ser resumido em três palavras: outrora, agora e aurora.

1) Outrora éramos mortos espiritualmente: nada havia em nós que pudesse mudar essa situação. Somente pela Graça de Deus é que pudemos sair dessa deplorável condição espiritual, e

2) Agora estamos vivos espiritualmente: Cristo entregou a Sua vida para que pudéssemos ressuscitar espiritualmente, e por isso na

3) Aurora celeste reinaremos com Ele eternamente: e a certeza dessa promessa pode ser desfrutada desde já como se ela já estivesse acontecendo.

Diante dessas implicações e aplicações podemos afirmar que o crente não tem motivo algum para viver esmorecido diante das lutas dessa vida. O que éramos, o que somos e o que seremos dá à nossa vida o verdadeiro sentido de ser.

Conclusão

Nas palavras de John Newton: “Eu não sou quem eu deveria ser. Eu não sou quem eu quero ser. Eu não sou o que eu espero ser. Contudo, eu não sou o que eu costumava ser. E, pela graça de Deus, sou o que sou”.

 

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 11 de novembro de 2012


About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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