Cristo e a Sua gloriosa Igreja – 8ª Mensagem

Ef 2.8-10

040 Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 8ª mensagem (Ef 2.8-10)

Estamos na mira de Deus. De forma geral, todos os seres humanos estão sob a mira de Deus. A diferença é que os eleitos de Deus estão sob Seu olhar gracioso e cheio de amor, ao passo que os demais pecadores estão sob a mira da ira de Deus.

O apóstolo Paulo vem desenvolvendo seu argumento desde o cap.1 onde ele mostrou que Deus tem Seus eleitos para serem salvos, mas, também para serem santos e irrepreensíveis. Afinal, Deus nos os predestinou somente para o céu, mas, para viverem neste mundo caído como cidadãos do céu.

Ainda que o assunto destes versos esteja totalmente ligado ao assunto do texto anterior, é importante fazermos a distinção aqui, não do assunto, mas, dos termos. No parágrafo anterior o termo principal é ressurreição, enquanto que aqui o termo principal é graça.

Na última mensagem quando estudamos Ef 2.1-7 vimos que Deus nos deu vida por meio de Cristo Jesus, pois, estávamos mortos em delitos e pecados. Tal bênção não se restringe somente aos judeus, mas, também aos gentios (os que não são judeus, a saber, todo o restante da humanidade).

Sim, os eleitos de Deus, tanto de entre os judeus quanto dos gentios, são alvos da graça de Deus. E é justamente esse o tema da nossa mensagem hoje: Somos Alvos da Graça de Deus.

Como certa vez um aluno no seminário me perguntou: “Pastor, mas, porque Deus me escolheu? Porque eu?”. Eu confesso que essa pergunta também me inquieta. E todas as vezes que eu pergunto: “Porque eu, Senhor?”, a resposta que me vem é: “Porque és Tu, Senhor”. Não foi porque eu sou bom, até mesmo porque eu não sou, pois, não há bem algum em mim sem Cristo. Fui salvo porque Deus que é amor, rico em misericórdia quis me salvar. Fui (e sou) alvo da graça e amor de Deus.

Assim sendo podemos afirmar que a nossa salvação é:

1) Dom de Deus, v.8,9

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”. Temos aqui uma aparente dificuldade. Quando Paulo diz: “…e isto não vem de vós; é dom de Deus”, está ele se referindo à graça ou à fé? O pronome demonstrativo “isto” se refere a qual das duas? Se o atribuirmos à graça, estaríamos tirando do homem qualquer responsabilidade de decisão? E se o atribuirmos à fé, estaríamos tirando de Deus todo o mérito pela nossa salvação?

O pronome demonstrativo “isto” refere-se à nossa salvação, a qual é o dom de Deus. A nossa salvação é o resultado da Graça de Deus a qual gera em nós a Fé Salvadora. Quando analisamos o texto grego, não fica dúvida. O substantivo “graça” (ca,riti) é um dativo feminino singular, enquanto que o substantivo “fé” (pi,stewj) é um genitivo feminino singular. O pronome demonstrativo “isto” (tou/to) é nominativo neutro. Como vemos não há correlação entre os termos. A única palavra que nos dá uma ligação com este pronome é o particípio “sois salvos” (sesw|sme,noi) que é um nominativo masculino, que embora não concorde com o gênero (um é neutro e o outro é masculino) nem com o número (um singular e o outro é plural), mas concordam com o caso (ambos são nominativos) e como acontece na gramática grega, o nominativo aponta o sujeito da frase.

Numa paráfrase colocamos o verso da seguinte forma: “O dom de Deus que é a salvação de vocês aconteceu pela graça Dele e através da Fé que Ele gerou em seus corações”. Dessa forma Deus é o único que merece toda a glória pela nossa salvação (porque este dom vem Dele) e somos também responsáveis diante Dele se recusarmos este presente (dom), assim como também a nossa Fé é a resposta a essa Graça, a qual (a Fé) também é dada por Deus (lembre-se de que o morto por si só não tem capacidade de crer em Deus para a salvação, a menos que o Senhor o arranque de sua cova e o capacite a crer, porém, uma vez capacitado a crer, ele é o responsável pelo que faz com sua Fé).

E o v.9 completa dizendo que a nossa salvação não vem “de obras, para que ninguém se glorie”.  Ainda bem que estas palavras seguem imediatamente o que foi dito anteriormente, do contrário, teríamos reforçada a tendência de colocarmos no homem toda a glória pela sua salvação (ainda que esta tendência não encontre respaldo bíblico algum).

Não nos esqueçamos: a nossa salvação é dom de Deus, ela vem de Deus, e uma vez que Ele nos salvou também nos deu a capacidade de crermos Nele. Mas, não pensemos que esta capacidade de crer Nele é natural em nós. Por causa do nosso pecado estávamos totalmente desprovidos de qualquer capacidade de respondermos a Ele. Mas, depois que Ele nos salvou, dotou-nos de poder para crermos e confirmarmos na promessa da nossa salvação. Porém, tomemos muito cuidado! Mesmo que pratiquemos boas obras, as únicas coisas que nos garantem diante de Deus são a Sua graça e a Fé Salvadora exclusiva no sacrifício de Jesus!

Paulo está falando tanto a judeus que confiavam nas obras decorrentes do cumprimento da Lei de Moisés, as quais não podem justificar o homem, pois, cumpri-las é o dever de todo homem, e em especial dos crentes, bem como também ele está falando aos gentios convertidos que as boas obras não produzem a salvação, antes, são fruto da salvação.

Diante de Deus ninguém tem do que se vangloriar. Se um crente praticou boas obras não fez nada mais que a obrigação; se deixou de fazê-las, prestará contas a Deus, pois, o Senhor dotou tal pessoa com condições para praticá-las. Definitivamente, temos de compreender que a nossa salvação partiu de Deus, foi realizada por Ele, e é aperfeiçoada por Ele e Nele. É o que veremos no próximo verso.

Graça e dom são palavras que nos mostram que Deus quis fazer tal coisa por nós. Trata-se do maior e mais belo presente que poderíamos receber de alguém. Ele é quem merece receber dons e presentes de nossas mãos. Mas, o que mortos espiritualmente poderiam oferecer-Lhe senão, fedor, podridão e imundícia? Ele nos salvou desse estado horrível para que: Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb 13.15).

Por fim, a nossa salvação é

2) Confirmada pela nossa obediência, v.10

“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

William Hendriksen apresenta o que ele chama de “obras reprovadas” (a salvação não é pelas obras humanas para que não haja nenhuma vanglória do homem), “obras preparadas” (Deus preparou as boas obras de antemão – mais uma vez vemos o plano de Deus sendo traçado completamente e não em fragmentos), “obras esperadas” (para que andássemos nelas) e, por fim, “obras aperfeiçoadas” (uma combinação entre as obras preparadas e as esperadas, mostrando assim o plano de Deus sendo executado obedientemente por nós). E ele então conclui: “Esta doutrina das boas obras, quando aceita pela fé, priva o homem de toda e qualquer razão para se vangloriar, mas, ao mesmo tempo, o livra de todo motivo de desespero. Glorifica a Deus” (cf. HENDRIKSEN, 2005, p.150).

As boas obras que Deus preparou para aqueles a quem quis salvar, devem ser aperfeiçoadas e embelezadas pela obediência a Deus. O verbo “andar” neste parágrafo (v.2,3 e 10) tem o sentido de comportamento, postura, conduta. Literalmente, significa “pisar em volta”, ou seja, há um ponto central ao redor do qual a nossa vida “gira”, e este ponto é a glória de Deus. Quando estudamos Ef 1.10 vimos que Cristo é o centro de tudo. Dessa forma, Ele é o centro da nossa vida, ao redor do qual nos comportamos, andamos e nos conduzimos. Isto tudo pode ser resumido numa única palavra: obediência.

 

Implicação e Aplicação

Destacamos aqui somente uma implicação (embora outras possam ser destacadas) e sua aplicação.

Falando sobre as obras que você realiza fica a pergunta: suas obras confirmam que você é um eleito e, portanto, um salvo?

 

Conclusão

Somos alvos da Graça de Deus e isso deve fazer com que Deus seja o alvo do nosso coração.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 18/11/2012

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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