Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 9ª mensagem

Ef 2.11-22

Recebidos na Família de Deus por meio da Cruz

 Cristo e a Sua gloriosa Igreja – 9ª mensagem (Ef 2.11-22)

“Todo mundo é filho de Deus”. Você concorda com essa afirmação? Bem, eu particularmente, não concordo. Como temos visto em nossa exposição da Carta aos Efésios, e em textos como Jo 1.12, filho de Deus é somente aquele que recebeu a Cristo como seu Senhor e Salvador. Quem não nasceu de novo é apenas criatura de Deus.

A todos quantos receberam a Cristo como seu único e suficiente Salvador e Senhor, foram também recebidos na Família de Deus. E este é o tema da nossa meditação nessa ocasião: Recebidos na Família de Deus por meio da Cruz.

O sacrifico do Senhor Jesus Cristo abriu-nos as portas do Reino de Deus, e, assim fomos recebidos em Sua Família, que é a Sua Gloriosa Igreja.

A Confissão de Fé de Westminster afirma no Cap.XXVI, §II: “A Igreja Visível, que também é católica ou universal, sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) consiste de todos aqueles que, pelo mundo inteiro, professam a verdadeira religião (1Co 1.2; 1Co 12.12,13; Rm 15.9-12), juntamente com seus filhos (Gn 17.7; Gl 3.7,9,14; Rm 4; At 2.39; 1Co 7.14; Mc 10.13-16); é o Reino do Senhor Jesus Cristo (Mt 13.47; Cl 1.13; Is 9.7), a casa e família de Deus (Ef 2.19), fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação (Mt 28.19; At 2.38; 1Co 12.13; Mt 26.26-28)”.

Pelo sacrifício de Cristo, judeus e gentios são um só corpo, somos a Família de Deus, por isso:

1) Em Jesus temos a Paz, v.11-14

Os crentes efésios eram gentios, e, por isso mesmo, incircuncisos. Por essa razão, os judaizantes (judeus que se diziam convertidos a Cristo, mas, que ainda sustentavam práticas do Judaísmo para conquistarem a salvação por sua própria conta) agiam com discriminação para com os crentes gentios porque estes não eram circuncidados (v.11). Paulo então lembra aos crentes efésios que a circuncisão que realmente importa é a que é feita no coração, a qual é obra do Espírito Santo, e não uma cirurgia num membro do corpo, o qual é feita “…na carne, por mãos humanas”. Essa obra do Espírito Santo no coração do pecador convertido recebe o nome de Regeneração. O coração é purificado, é retirado toda a podridão, e o crente recebe um novo coração.

No v.12, Paulo lembra-lhes de quem eles eram:

Sem Cristo: isto não quer dizer que Cristo não atentava para os efésios antes da conversão deles, mesmo porque em Ef. 1.3-14, fica bem claro que eles já estavam contados com o grupo dos escolhidos de Deus desde antes da fundação do mundo. O que Paulo está afirmando aqui é que antes da conversão deles, eles não haviam experimentado ainda esta união com Cristo. Viveram anteriormente na mais profunda e densa escuridão do pecado, totalmente afastados de Cristo.

Sem cidadania: estavam separados da comunidade de Israel. Somente os judeus tinham até então o privilégio de serem considerados povo de Deus. E por isso mesmo

Sem as alianças da promessa: até a vinda de Jesus ao mundo, os gentios não desfrutavam das bênçãos das alianças de Deus, e consequentemente, ainda eram inimigos de Deus. E por não terem as promessas de Deus realizadas em suas vidas (ainda que tudo já estivesse nos planos de Deus, a saber, a eleição deles) eles também estavam

Sem esperança:essa esperança é o resultado da promessa de Deus de ser o Deus de seu povo. Como poderiam os gentios (no caso, os efésios) terem esta esperança se não lhes tinha sido anunciada a promessa de Deus? Em vez de esperança, viviam dominados pelo medo, pela incerteza e insegurança porque estavam

Sem Deus no mundo: a palavra que Paulo usa aqui para descrevê-los é a;qeoi da qual origina-se a nossa palavra “ateu”. Não quer dizer que eles viviam abandonados por Deus, mas sim, que viviam sem qualquer conhecimento do Deus verdadeiro, assemelhando-se a marinheiros enfrentando a fúria do mar sem bússola, sem guia, num navio sem timão. Eles é que viviam afastados de Deus, e não o contrário.

Mas, “agora”, diz Paulo, uma profunda transformação foi efetuada neles: “…antes estáveis longe, fostes aproximados…”. Nos tempos do Antigo Testamento, o Templo em Jerusalém era considerado “a morada de Deus”. Dessa forma, Israel estava “perto” e consequentemente, os gentios, “longe”. Com o advento do Evangelho, os que estavam longe foram trazidos para perto. Esta frase é um eco de Is 57.19 a qual também encontramos em At. 2.39.

Esta aproximação foi efetuada por meio do “sangue de Cristo”. O pecado é a causa básica da separação entre Deus e o homem, por isso Cristo deu-se a Si mesmo a fim de aproximar os homens da presença de Deus.

Não basta dizer que Cristo trouxe a paz; é necessário afirmar categoricamente que “Ele é a nossa paz…”. Ao dizer isso, Paulo está afirmando que Jesus, tão somente Jesus, é a nossa paz. Não são os sacrifícios, os rituais (circuncisão), ou quaisquer outras coisas, mas, somente Jesus é a nossa paz. Por meio do Seu sacrifício Ele uniu as partes que estavam separadas: uniu-nos a Deus, e por isso mesmo, uniu também os judeus crentes e os gentios crentes.

A “parede da separação, a inimizade” foi destruída. Por isso mesmo

2) Em Cristo temos a liderança, v.15,16

Ao dizer que Cristo aboliu a lei dos mandamentos, Paulo não está dizendo que Cristo a tornou nula, mas, sim, que Ele cumpriu em Sua carne todas as exigências da Lei, para que nenhum judeu convertido a Ele se sentisse tentado a cumprir a Lei para ser salvo e muito menos usasse isso como pretexto para humilhar os crentes gentios a quem a Lei não foi dada. Assim, tanto os judeus convertidos a Cristo quanto os gentios crentes devem agora cumprir a Lei como expressão de amor e gratidão a Deus demonstrando o desejo de honrá-lo e bendizê-Lo com suas ações.

Assim, Cristo criou em Si mesmo “um novo homem”, uma nova humanidade (cf. Ef 4.24; Cl 3.10,11). Em Cristo todos foram feitos nova criação (v.10). Nada mais e nada menos que o Sacrifício de Cristo é exigido para que sejamos salvos.

Mas essa reconciliação efetuada por Cristo lá na cruz entre os gentios e os judeus não parou aí. Ela tinha como objetivo maior a reconciliação de todos com Deus: “e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade” que havia entre judeus e gentios e de todos estes com Deus. E por isso mesmo:

3) Em Jesus temos acesso ao Pai, v.17-19

O v.17 é uma referência a toda a obra de Cristo neste mundo. Ele estendeu a mensagem de salvação primeiramente aos judeus e depois a todos; não só as ovelhas da casa de Israel, mas, muitas outras (Jo 10.16). Tanto aos de longe quanto aos que estavam perto “evangelizou paz” isto é, proclamou a salvação e a reconciliação com Deus.

Essa unidade também se expressa “…em um Espírito…”, e garante a ambos o “…acesso ao Pai”. Nem mesmo os judeus tinham esse privilégio sem restrições. Eles necessitavam de um sacerdote como mediador. Mesmo tendo recebido os oráculos de Deus, não desfrutavam de um acesso livre à presença de Deus. Em Cristo, o judeu e o gentio têm o acesso a Deus dispensando a presença de sacerdotes, uma vez que todos agora são sacerdotes de Deus tendo Cristo como o Sumo Sacerdote sobre todos.

Se antes eles eram “estrangeiros”, agora são “concidadãos dos santos”. Agora eles têm uma pátria, a mesma Pátria Celestial dos seus irmãos judeus convertidos. Agora todos os convertidos não importando de qual etnia sejam, são “família de Deus”. E dessa forma:

4) Em Jesus somos um edifício para a glória de Deus, v.20-22

Somos o “edifício de Deus” e como tal:

Temos um fundamento: a base, o alicerce desse edifício é o mesmo em que os apóstolos e profetas de Deus edificaram: o Senhor Jesus Cristo, “a Pedra Angular”. Tanto a doutrina dos apóstolos como as profecias dos profetas do Antigo testamento apontam para Jesus. Como vimos em Ef 1.10, em Cristo tudo se converge. Ele é o centro da História, a razão de ser da Igreja.

Todas as partes se encaixam e crescem: as colunas desse edifício são os apóstolos (veja Gl 2.9) e os crentes são as pedras vivas que se encaixam umas nas outras (cf. 1Pe 2.4,5).

Este é o propósito de Deus para a Sua Igreja. Ela tem de estar devidamente encaixada em Cristo. Os membros unidos uns aos outros, crescendo em santidade e pureza diante do Senhor, sendo a habitação Dele no Espírito Santo.

Os verbos nestes versos estão conjugados de tal forma a transmitir a ideia de que a edificação da Igreja se dá constantemente e só terminará quando o último membro dessa edificação for devidamente colocado e encaixado na construção. Em outras palavras, a Igreja será totalmente concluída somente quando o último escolhido de Deus for convertido. Enquanto este dia não chega, mais e mais membros (pedras vivas 1Pe 2.5) estão sendo colocados e devidamente ajustados sobre a Grande Pedra Angular, Jesus Cristo!

Implicações e Aplicações

Na Família de Deus não pode haver:

1)      Preconceito: nem judeu nem gentio; o que Deus vê são Seus filhos que foram lavados pelo mesmo Sangue purificador;

2)      Disputa: Cristo é a Cabeça da Igreja; Ele é quem Se sacrificou para reunir-nos todos em Si; não deve haver em nós e em nossa Igreja disputa entre os membros;

3)      Soberba: Temos acesso ao Pai por causa de Cristo, e não por que há algum merecimento em nós.

4)      Individualismo: cada um de nós depende do outro para que devidamente ajustados cresçamos em tudo Naquele que é a Cabeça, Jesus Cristo, para que Deus seja glorificado em nós. O individualismo leva ao isolamento, e no isolamento não há crescimento porque não há vida. Só existe vida em Cristo, na vida em comunhão, na Igreja, na Família de Deus.

Conclusão

Só faz parte da Família de Deus quem é filho Dele por meio do sacrifício de Jesus Cristo.

A cruz de Cristo é a chave que abre para nós as portas do Edifício de Deus onde Ele habita por meio do Espírito Santo.

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 25/11/2012

­

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
This entry was posted in Mensagens expositivas em Efésios. Bookmark the permalink.

2 Responses to Cristo e a Sua Gloriosa Igreja – 9ª mensagem

  1. Belclides Martins dos Santos says:

    Graça e paz, Rev.About Olivar!
    Mensagem muito edificante.Que Deus nos ajude a vivermos verdadeiramente como família de Deus. Deus o abençoe ricamente!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *