Cristo e a Verdadeira Doutrina – 4ª Mensagem

Cristo e a Comunhão da Igreja

2Jo v.12,13

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Você saberia medir o seu amor pela Igreja de Cristo? Seria possível quantifica-lo?

Temos visto desde quando estudamos 1João que o amor por Deus é visto e constatado quando amamos os nossos irmãos em Cristo, e isso quer dizer que se eu digo que amo a Cristo, mas, não tenho prazer algum em estar com meus irmãos na fé, especialmente no culto a Deus, então algo está muito errado com as minhas concepções sobre o amor fraternal conforme a Escritura Sagrada.

Encerrando a sua segunda carta, João deixa claro que os crentes têm prazer na comunhão na qual Cristo os colocou. Não podemos nos esquecer jamais que um dos muitos benefícios da cruz de Cristo para nós foi o de nos transformar em Seu Corpo, Seu povo e isso aponta para a comunhão dos crentes. Por isso quero meditar com você sobre: Cristo e a comunhão da Igreja.

Vejamos algumas características dessa comunhão que Cristo conquistou para nós lá na cruz.

1)      Essa comunhão nos inspira ao trabalho, v.12a.

João estava no final de sua vida. Tinha de sobra motivos para parar com suas atividades ministeriais. Mas, não é assim que um grande servo de Deus pensa em terminar sua vida. Por mais cansado que estivesse, por mais fraco e debilitado, nada disso era motivo para pendurar sua espada e encerrar a sua luta. Para o servo de Deus enquanto não termina ele não para.

Além disso, quando se lembrava daqueles irmãos, do amor fraternal que nutriam uns pelos outros, João se via inspirado a continuar a escrever, e por isso mesmo disse: “Ainda tinha muitas coisas que vos escrever…”.

Você já está pensando em “pendurar sua espada”? Não pense que estou falando somente aos idosos, pois, lamentavelmente, o que tenho encontrado de jovens ou pessoas de meia idade desanimados, desinteressados e até mesmo sem qualquer perspectiva de vida, faz-me pensar que ânimo nada tem a ver com idade, mas, sim com perspectivas.

Ao pensar naqueles irmãos que precisavam dele (e ele deles) João animava-se e fazia planos para estar com aqueles irmãos. O que pessoas desanimadas e deprimidas têm em comum? Elas vivem olhando para o seu próprio umbigo. Pessoas que vivem olhando para o seu próximo, que se preocupam com aqueles que estão sob sua responsabilidade não têm tempo para se entregarem ao desânimo.

Outra característica da comunhão da Igreja é:

2) Essa comunhão gera esperança, v.12b.

O velho apóstolo alimentava em seu coração a esperança de rever aqueles irmãos e por isso disse: “pois espero ir ter convosco”. Ainda havia tinta e sua pena poderia escrever muita coisa, mas, as palavras escritas ainda que possam se perpetuar (como aconteceu com o texto sagrado), palavras ditas pessoal e oralmente vêm acompanhadas de emoção, calor humano. A entonação da voz, a expressão do semblante e até os gestos das mãos enquanto se fala ajudam na compreensão do que está sendo dito.

Crentes que valorizam a comunhão com os irmãos têm sua esperança sempre renovada no Senhor por meio da comunhão. O autor aos Hebreus afirma que é nosso dever estimularmo-nos mutuamente ao amor e às boas obras, e a forma como esse estímulo acontece se dá no ato de congregarmos, de estarmos juntos aqui louvando a Deus (Hb 10.24,25).

Vivemos na “era digital”. Um recurso criado para atingir aqueles que se encontram enclausurados em suas residências, como por exemplo, os que vivem em condomínios fechados, como podemos entrar lá e pregar-lhes o Evangelho?

Os meios de comunicação como a Internet podem nos colocar lá na sala de estar dessas pessoas. A mesma Internet proporciona aqueles cristãos que estão em países totalmente contrários ao Evangelho a possibilidade de participarem de cultos com suas igrejas as quais transmitem seus cultos.

Porém, tem crescido o número de crentes “virtuais” que por preguiça e relaxo preferem estar diante de um computador tendo uma “comunhão virtual” (se é que isso é possível) em vez de estarem junto com seus irmãos sem qualquer empecilho.

O resultado disso é um número cada vez maior de crentes bem informados teologicamente (ainda que existam muitos materiais teológicos bons na Internet), mas, espiritualmente definhados, pois, na comunhão virtual basta alguns cliques e a pessoa desliga alguém que estiver falando algo que o incomode, mas, na vida real, na comunhão real, não podemos ignorar as pessoas.

Todas as coisas têm sua finalidade. A palavra escrita como aconteceu com as Escrituras Sagradas, tem a sua importância, mas, a Palavra de Deus é para ser vivida de verdade num relacionamento com outros irmãos. Essa comunhão é importante, não o fosse e a Bíblia não nos ordenaria a cuidarmos dela.

Por fim, a última característica dessa comunhão preciosa que Cristo conquistou para nós lá na cruz do Calvário é que:

3) Essa comunhão gera completa alegria, v.12c

João encerra esta carta de forma semelhante à que começou sua primeira carta. Lá em 1Jo 1.4 ele disse: “Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa”. E aqui ele declara abrigava em seu coração o desejo de ver aqueles irmãos para conversarem a viva voz “para que a nossa alegria seja completa”.

John Stott comentando este versículo disse: “O Novo Testamento nada sabe de uma alegria perfeita fora da comunhão uns com os outros através da comunhão com o Pai e o Filho (cf. 1Jo 1.3,4)”.

Mas porque será que existem tantos crentes que pensam que podem encontrar verdadeira alegria fora da comunhão com os irmãos e com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo?

Certa irmã que se afastara da Igreja, quando questionada por seu pastor da razão do sumiço dela e de sua família dos cultos da Igreja e de outras atividades da Igreja, disse o seguinte: “Aos poucos a Igreja foi ficando desinteressante para mim. A mensagem já não me fazia mais sentido algum. De repente comecei a me envolver em passeios e outras formas de lazer aos fins de semana, e hoje, não consigo mais voltar para a Igreja”. O que essa irmã não percebeu é que por ter alimentado mais o seu coração com as coisas desse mundo do que com as coisas de Deus, seu coração está horrivelmente endurecido, apático e desinteressado pelas coisas de Deus, e quanto mais ela alimentar-se das coisas desse mundo, mais vazia e triste ela ficará. Os passeios uma hora tornar-se-ão um peso, tanto financeiro quanto espiritual, pois, por mais maravilhoso que seja conhecer lugares novos, não se compara a conhecer um pouco mais de Cristo a cada dia. Essa irmã mesmo disse: “Perdi a alegria, pastor”.

Temos que dizer como o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR!” (Sl 122.1).

A alegria que a comunhão dos irmãos promove no coração dos crentes extrapola as fronteiras de um lugar. O v.13 nos mostra que os irmãos daquela congregação onde João estava saudaram os outros irmãos de outra localidade. Cristo une e reúne na Igreja Invisível todos aqueles que são realmente filhos de Deus. Você pode encontrar alegria maior que está?

O que Deus quer que você faça?

1)      Nunca se aparte da comunhão dos irmãos. Aqueles que se apartam da comunhão dos crentes estão correndo sério risco de se revelarem falsos crentes, falsos irmãos e o fim destes será terrível.

2)      Busque a esperança e alegria na comunhão com os irmãos. Você não as encontrará em outro lugar.

Conclusão

A nossa comunhão é resultado do sangue de Cristo na cruz, logo, valorizar essa comunhão é honrar o precioso sangue de Cristo na cruz.

 

Rev. Olivar Alves Pereira

São José dos Campos, 27/10/2013

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana da Vila Pinheiro, Jacareí - SP, Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor e membro do Conselho Acadêmico do Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba (CETEVAP), São José dos Campos -SP, onde iniciou em 2020 seu Mestrado em Aconselhamento Bíblico. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador. Casado com Janaina F. S. A. Pereira e pai de Ana Cristina S. Pereira.
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