Cristo é Melhor – Parte IX – Uma Exposição da Carta aos Hebreus

Ouça essa mensagem através do link a seguir:

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Chegamos ao final dessa carta na qual aprendemos que Cristo é melhor. Sim, Cristo é melhor do que tudo o que pudermos fazer para agradar a Deus. Cristo é melhor do que todas as riquezas juntas. Cristo é o melhor de Deus para nós. É o bem mais precioso do nosso coração.

Como diz o hino 120 do hinário Novo Cântico: “Careço de Jesus, de Ti, meu Salvador! Somente a tua voz tem para mim valor”. Cristo deve ser o desejo do seu coração; Cristo deve ser o anseio da sua alma, Aquele por quem ela mais espera.

Por isso, nessa última mensagem da carta aos Hebreus convido você a meditar sobre: “Os anseios de um sacerdote de Cristo”. Lembre-se de que Cristo é o nosso Sumo Sacerdote, e nós, aqueles a quem Ele salvou, que foram transformados por Ele em filhos da Sua Luz, somos os Seus sacerdotes neste mundo.

A conversão bíblica é descrita como uma transformação profunda em nossa alma. É uma mudança completa em nossa vontade, pois, a partir da conversão nossa vontade passa a ser vontade de Deus. Como Paulo disse em 2Tm 2.4: Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou”. Então, como sacerdotes de Cristo, o que devemos almejar para as nossas vidas?

1) Viver condignamente da nossa vocação celeste, v.18

Essa carta tal como foi recebida por aqueles crentes de origem judaica, que viviam em conflito entre obedecer a Lei Mosaica nos mínimos detalhes (coisa que lhes era impossível) ou confiar em Cristo que cumpriu todas as exigências da Lei, com certeza trouxe-lhes desconfortos. Soma-se a isso o fato de que o escritor sagrado lhes fez várias exortações, inclusive para que eles fossem submissos aos seus líderes (coisa que para crentes problemáticos não é nada fácil, e este era o caso deles).

Tendo tudo isso em mente, o escritor sagrado então lhes diz que estava com a consciência limpa, com a certeza de dever cumprido, de ter falado aquilo que Deus lhe ordenara e, de ter as motivações corretas, a saber: “desejando em todas as coisas viver condignamente”.

Esse desejo deve estar no seu coração. Viver condignamente significa “viver dignamente com”, no nosso caso, com Cristo, com o princípio de vida apresentado pela Palavra de Deus.

Entre os desejos do seu coração está o desejo de viver de forma digna com relação à Palavra de Deus?

Como sacerdotes de Cristo devemos almejar:

2) Viver na dependência do poder de Deus e da intercessão dos irmãos, v.19

No v.18 ele pede aos irmãos que orem por ele. O autor sagrado continua: “Rogo-vos, com muito empenho, que assim façais, a fim de que eu vos seja restituído mais depressa”.

Onde estaria o escritor quando queria ser restituído àqueles irmãos? Concordamos com o Dr. Simon Kistemaker quando diz que não devemos especular sobre isso. Apenas devemos levar em consideração que aqueles irmãos entenderam perfeitamente essas palavras.

A lição que tiramos daqui é que todo bom líder sabe o quanto ele depende das orações de sua Igreja, e toda boa Igreja sabe o quanto a intercessão pelo seu líder é essencial para aprender a amá-lo e a obedecê-lo no Senhor.

Como sacerdotes de Cristo devemos almejar também:

 

3) Ver na vida de outros irmãos o aperfeiçoamento promovido por Deus, v.20,21

Esses dois versos não somente encerram em si doutrinas tão especiais como também uma beleza indizível.

“Ora, o Deus da paz”, isto descreve o caráter de Deus. Ele é Deus que foi ofendido por nós e que mesmo assim estabeleceu a paz conosco.

“…que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus…”. Quando me perguntam como é que posso ter certeza de que Deus aceitou o sacrifício de Cristo por nós, respondo que uma das principais evidências está na ressurreição de Jesus. Ao ressuscitá-Lo, Deus estava mostrando para todos que o sacrifício de Cristo foi aceito por Ele.

“…o grande Pastor das ovelhas…”. Cristo é o nosso Pastor. Só Ele pode nos levar às águas de descanso e refrigerar a nossa alma com a água da Vida e Sua sombra.

“…pelo sangue da eterna aliança…”. Ao mesmo tempo em que Ele é o nosso Pastor, Ele também é o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo por nós (Ap 13.8). Nossa salvação está embasada no sangue da eterna aliança. Aliança essa que é a mesma do princípio ao fim, mas, que em Cristo foi ampliada e completada.

Depois de mostrar todas essas verdades que sustentam a fé do crente, o autor sagrado então revela mais um desejo de seu coração: ver Deus aperfeiçoando “…em todo o bem…” aqueles irmãos para que eles cumprissem tão somente a vontade de Deus.

Mas, observe o que diz o v.21. É Deus quem nos aperfeiçoa em todo o bem, capacitando-nos a fazer a vontade Dele, e é Ele também que opera em  nós o que é agradável diante Dele, e tudo isso por meio de Jesus Cristo, e para que Cristo seja glorificado eternamente.

Em algum momento nós somos o centro desse verso? Com certeza, não! Nós somos os objetos do amor de Deus, mas, não somos um fim em nós mesmos. A nossa salvação não tem como fim principal nós mesmos, mas, tão somente Deus, do começo ao fim. Releia com atenção este verso e você verá isso claramente. Ao término dele você não dirá outra coisa senão um sonoro “Amém!”, tal como fez o autor sagrado.

Outro desejo que deve estar no coração de um sacerdote de Cristo é:

 

4) Que a humildade seja a marca principal de todo o servo de Cristo, v.22

O autor faz mais um pedido: “Rogo-vos ainda, que suporteis a presente palavra de exortação…”. Ser exortado não é fácil. Muitas vezes dói em nosso coração e algumas vezes nos leva à irritação. É por isso mesmo que o autor usa o verbo “suportar” (do grego avne,cw), ou seja, “aguentar firme”.

Sabemos que um dos principais obstáculos para ouvirmos uma exortação é a arrogância.

Temos de ser humildes quando recebermos uma exortação, especialmente, se ela partir dos lábios de um servo de Deus, comprometido com a Glória de Deus acima de tudo.

Por fim, mais um desejo que deve estar no coração de todo o sacerdote de Cristo é:

 

5) Fortalecer os vínculos fraternais compartilhando as lutas da fé cristã, v.23-25

A menção a Timóteo aqui no v.23 a aos irmãos da Itália no v.24 leva muita gente a afirmar que a carta foi escrita por Paulo. Não vamos nos aprofundar em discussões aqui sobre o assunto. Apenas lembramos que apesar desse Timóteo se identificado como “irmão Timóteo”, não é prova conclusiva para dizermos que se trata do mesmo Timóteo companheiro de Paulo. Não existiu só um Timóteo na Igreja Primitiva (ainda que na Bíblia só aparece um com esse nome e foi o companheiro de Paulo).

O que é importante a ser destacado aqui é que o escritor sagrado queria muito estar com aqueles irmãos e rever a outros. Enquanto isso compartilhava com eles suas lutas e dificuldades ministeriais (possivelmente estava preso).

O compartilhar da mesma fé, do mesmo amor, das lutas que surgem em decorrência dessa fé e amor nos aproximam, nos fortalecem, nos faz amar mais uns aos outros, e, consequentemente, glorificarmos a Cristo como o Senhor Supremo de nossa alma.

Implicações e aplicações

Podemos resumir essa mensagem da seguinte forma: o que você deseja para sua vida e o que você deseja para a Igreja.

 

Primeira implicação

O que você deseja para você? Como um sacerdote de Cristo você deseja viver de forma condigna à Palavra de Deus? Você deseja depender somente do poder de Deus?

Desista de toda sua autossuficiência. Ela só afastará você de Deus.

 

Segunda implicação

O que você deseja para a Igreja? Você confia em Deus para ver a vida de seus irmãos e de outros serem transformadas pelo poder Deus? Como você tem contribuído para que os vínculos do amor e da fé sejam fortalecidos entre os irmãos?

 

Conclusão

Se você quiser ver a sua vida e a nossa Igreja crescendo na Graça do Senhor Jesus então é necessário aceitar que não precisamos de mais nada neste mundo se tivermos a Cristo, pois, Ele é melhor.

 

São José dos Campos, 27/05/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 




 

 


About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou de Direita Conservadora.
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