Cristo é Melhor – Parte V – Uma exposição da Carta aos Hebreus

 

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Hebreus 7

Um assunto que já apareceu por duas vezes na exposição da Carta aos Hebreus até aqui é o sacerdócio de Cristo ser segundo a ordem de Melquisedeque” (cf. 5.10; 6.20).

Quando Deus instituiu uma linhagem de sacerdotes para conduzir Seu povo na adoração ao Seu Nome, ordenou a Moisés que da tribo de Levi fosse separada a família de Arão. Todo sacerdote em Israel deveria ser descendente de Arão. Se não fosse não poderia ser sacerdote.

Agora veja o que diz o v.14: “pois é evidente que nosso Senhor procedeu da tribo de Judá, tribo à qual Moisés nunca atribuiu sacerdotes”. Aqui surge um impasse: Se Cristo era da tribo de Judá, como pode ter sido Sumo Sacerdote?

A resposta é: Jesus é sacerdote não segundo a linhagem de Arão, mas, sim, segundo a linhagem de Melquisedeque. E essa expressão aponta para A Eternidade do Sacerdócio de Cristo.

Vejamos então como em Seu sacerdócio Cristo é melhor que o sistema sacerdotal do Antigo Testamento.

1) Porque Ele é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, v.1-3

Em Gn 14 encontramos Abraão saindo em resgate de seu sobrinho Ló que fora capturado por quatro reis que venceram outros cinco reis numa batalha. Abraão ajuntou 318 homens valentes e libertou Ló. Voltando de sua vitória sobre esses reis opressores, Abraão passou na terra de Salém, e lá se encontrou com Melquisedeque que “era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Abraão lhe entregou o dízimo de tudo e adorou a Deus.

Melquisedeque é uma figura singular. Dele nada sabemos a não ser que ele da mesma forma como surge na História também desaparece. Em Hb 7.3 lemos: “…sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus) permanece sacerdote para sempre”.

Não devemos exagerar essas palavras achando que Melquisedeque foi um ser sobrenatural (talvez tenha sido!). O que o autor sagrado está mostrando aqui é que assim como houve um sacerdote de Deus que não fazia parte da linhagem de Arão (tribo de Levi) e mesmo assim era reconhecido como “sacerdote do Deus Altíssimo”, ou seja, foi instituído por Deus, da mesma forma o Senhor Jesus não necessita ser da linhagem de Levi, porque é o próprio Senhor Deus quem instituiu o Senhor Jesus como sacerdote para sempre!

E para mostrar que é Deus quem institui Seus sacerdotes, o autor de Hebreus mostra:

2) A abrangência das alianças – os levitas representados em Abraão, v.4-10

Levi, o bisneto de Abraão, de cuja tribo vinham os sacerdotes do povo de Deus não existia quando Abraão pagou dízimos a Melquisedeque. Além disso, aos levitas (descendentes de Levi) deveriam todas as outras 11 tribos de Israel pagarem dízimos para a manutenção do Tabernáculo e socorro dos necessitados.

No v.9 lemos: “E, por assim dizer, também Levi, que recebe dízimos, pagou-os na pessoa de Abraão”. Dessa forma quando Abraão pagou dízimos a Melquisedeque, os levitas (seus descendentes) estavam nele representados, “Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai, quando Melquisedeque saiu ao encontro deste” (v.10), ou seja, Levi ainda não existia quando Abraão foi abençoado por Melquisedeque.

Temos aqui dois períodos da Aliança de Deus com Seu povo: a Aliança Abraâmica (na pessoa de Abraão) e a Aliança Mosaica (na pessoa de Moisés, um levita, Êx 2.1).

Aqui temos uma verdade muito importante sobre a Aliança de Deus conosco. A Aliança que Deus fez conosco não são várias, mas, sim, uma só que se expressa em várias ocasiões e a cada nova manifestação ela reforça as promessas de Deus.

Dessa forma o escritor sagrado está preparando o seu argumento para apresentar o que ele vai mostrar agora no ápice desse capítulo:

3) A superioridade do Sacerdócio de Cristo em relação ao levítico, v.11-19

O sacerdócio de Cristo é eterno porque foi o próprio Deus quem o instituiu Sumo Sacerdote para sempre.

Nos v.11,12 o sacerdócio levítico não era perfeito. Se o sacerdócio levítico fosse perfeito, porque então teria Deus que instituir outro superior? Isso porque que o sacerdócio levítico não era perfeito, até mesmo porque os sacerdotes levitas eram pecadores e, antes de oferecerem sacrifícios pelo povo tinham de oferecer por si mesmos.

Nos v.13,14 o sacerdócio de Cristo não depende de linhagem humana. Se dependesse, então Jesus teria que ter nascido da tribo de Levi. Mas, para mostrar que o sacerdócio de Jesus é superior a qualquer outro sacerdócio, Ele foi instituído como tal pelo próprio Senhor Deus assim como fora Melquisedeque.

Nos v.15,16 vemos que o sacerdócio de Cristo é constituído pelo poder de Deus. Esses versos mostram o ponto central de todo o argumento deste capítulo. A autoridade de Cristo é Divina e por isso mesmo:

O sacerdócio de Cristo nos dá esperança superior e acesso a Deus (v.17-19). A Lei Mosaica cumpriu seu papel que era de apontar para Cristo, pois, a Lei Mosaica embora pudesse orientar-nos quanto ao que devíamos ou não fazer, nada podia fazer para nos ajudar caso viéssemos a pecar. Ela só poderia nos castigar e aplicar seus rigores a nós. Ela era forte para nos condenar, porém, fraca para nos salvar.

Mas veio o Senhor Jesus, e em Sua Nova Aliança deu-nos a garantia de que se confiarmos Nele venceremos as tentações, e também se ainda que viermos a cair seremos amparados por Ele. Mas, não só isso, Ele também nos dá livre acesso a Deus. É disso que se trata na última parte desse capítulo.

4) A perfeição do sacerdócio de Cristo, v.20-28

As seguintes verdades são destacadas aqui:

No v.20-22: Jesus é o fiador de aliança superior. Os sacerdotes levíticos eram constituídos sem juramentos, ao passo que, Jesus não. Ele foi instituído diretamente por Deus com juramento feito por Ele mesmo como nos mostra o v.21: “O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre”.

A Aliança feita no sangue de Jesus é superior, e tem como garantia o próprio sangue de Jesus diferentemente da velha aliança que era selada no sangue de bodes.

Outra verdade que se destaca neste trecho é: v.23-25: Jesus é o nosso intercessor porque Seu sacerdócio é imutável. Havia outro problema com o sacerdócio levítico além do pecado dos sacerdotes; eles também eram transitórios. Eram “impedidos pela morte de continuar” (v.23).

Mas Jesus, não! Ele “continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável” (v.24). E o resultado da imutabilidade de Seu sacerdócio é que ele é instituído eternamente por Deus, pois, “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus vivendo sempre para interceder por eles” (v.25).

Aleluia! Que maravilhoso Salvador! Que poderoso Senhor! Que Sumo Sacerdote!

Nossa salvação não está garantida por obras feitas pelas nossas mãos, mas, pelas Mãos poderosas de Cristo que a tudo sustenta, por que:

Jesus, o Filho feito sacerdote santo, inculpável, puro e eterno (v.26-28). Tenho ouvido muitos alegarem que é injusta a forma como Cristo venceu o pecado. Ele nasceu sem pecado e venceu o pecado porque é o Deus encarnado – “aí ficou fácil”, dizem.

Lembro-me aqui das palavras de C. S. Lewis sobre isso. Lewis disse que não há nada de injusto nisso. Se alguém estiver se afogando e na margem do rio alguém lançar-lhe uma corda, o que está se afogando iria dizer: “É fácil para você me salvar! Você está do lado de fora da água”? Com certeza não. Ele agarraria aquela corda e agradeceria a Deus que o seu salvador não estivesse dentro da água se afogando junto, mas, em vez disso, estar do lado de fora e tendo todas as condições de salvá-lo. Cristo não pecou. Ele era o Deus encarnado, porque para salvar os pecadores não poderia ser outro pecador (ainda que melhorado) – tinha de ser o próprio Deus encarnado e revelado aos homens.

O sacrifício de Cristo por nós foi de uma vez por todas. Eis o motivo pelo qual é errado um crente participar de missas católicas, pois, estas são em sua essência uma repetição do sacrifício de Cristo, sacrifício este que “foi de uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu” (v.27). A missa católica é, portanto, uma repetição do sacrifício de Cristo e isto é um pecado! O sacrifício de Cristo é perfeito e por isso mesmo foi único e dispensa repetições.

Enquanto a Lei Mosaica instituía como sacerdotes homens sujeitos à fraqueza, o juramento de Deus (“Tu és sacerdote para sempre” v.21) instituiu a Cristo como sacerdote que é “perfeito para sempre” (v.28).

Implicações e Aplicações

Primeira

Em quem você confia para se aproximar de Deus? Nos tempos antigos, os sacerdotes deveriam estar sempre de acordo com Deus para que não somente o povo, mas, eles próprios pudessem receber o favor de Deus. Hoje temos o Sumo Sacerdote perfeito e eterno, Jesus Cristo. Confiemos Nele!

Segunda

A Lei não perde o valor com o sacrifício de Cristo, ela encontra nele a sua finalidade. Aqueles que alegam que o amor é mais importante que a Lei estão se esquecendo que o mandamento principal da Lei é o amor a Deus e ao próximo. Não confie em você para cumprir a Lei, mas, confie em Cristo que cumpriu a Lei por você.

Terceira

O único sacrifício que nos torna aceitos por Deus é o de Cristo. É lamentável que muitos crentes sinceros ainda estão vivendo na expectativa de serem aceitos por Deus por que estão se “sacrificando” por Ele. Quando nos sacrificamos estamos insultando a Deus e dizendo que o sacrifício de Seu Filho não é suficiente.

Conclusão

Cristo é o melhor representante nosso diante de Deus.

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul, São José dos Campos, 15/04/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

 

 

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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