Cristo é Melhor – Parte VI – Uma Exposição da Carta aos Hebreus

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Hebreus 8.1 – 10.18

Uma vez que o Senhor Jesus Cristo é Sumo Sacerdote Eterno instituído diretamente por Deus à semelhança de Melquisedeque de Salém, e por isso mesmo Seu sacerdócio não depende de instituição humana, ou seja, Ele não precisava ser da descendência de Levi como eram os demais sacerdotes de Israel, diz o Hb 8.6 que: “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas”. Este versículo é a chave para entendermos todo este trecho de 8.1 – 10.18. Portanto, meditemos hoje sobre: “Cristo, o Mediador da Nova Aliança”.

E uma pergunta então surge aqui e tem de ser respondida: O que Ele faz nessa Nova Aliança?

1) A Nova Aliança supera a primeira, 8.1-13

Temos enfatizado com os irmãos que a Aliança de Deus conosco é uma só e não várias como muitos pensam. Porém, essa Aliança de Deus conosco tem várias manifestações e momentos nos quais ela é ampliada confirmando as promessas feitas nos momentos anteriores. É por isso que o v.13 diz: “Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer”. A Nova Aliança feita no sangue de Jesus cumpriu todas as promessas e exigências feitas anteriormente, e, por esta razão, ela é superior.

O adjetivo “Nova” no grego é kainh.n (kaino,j) e aponta para alguma coisa que já existia, mas, que, agora apresenta-se como algo que é novo em sua natureza, forma e qualidade. A Nova Aliança é a mesma Aliança do Antigo Testamento só que agora apresenta-se com nova forma.

Mas, que forma é essa? No sangue de Jesus, pois, na Antiga aliança era o sangue de animais imperfeitos oferecidos por sacerdotes imperfeitos em favor de pecadores imperfeitos. Por isso mesmo, a Nova Aliança supera a primeira Aliança:

Nos v.1,2 porque o nosso Sumo Sacerdote está à destra de Deus. E essa verdade é a essência de tudo o que foi dito até aqui nesta carta!

Nos v.3-5 porque Cristo é a realização das promessas da Antiga Aliança. Os sacerdotes da Antiga Aliança ofereciam sacrifícios imperfeitos, num tabernáculo (que ainda que tenha sido dado por Deus a Moisés todas as descrições do mesmo) era imperfeito. Porém, agora Cristo está no Tabernáculo Celeste intercedendo por nós porque Seu sacrifício (Ele mesmo) pode nos garantir diante de Deus. Todo o Tabernáculo de Moisés apontava para Jesus Cristo em todos os detalhes. E por isso mesmo:

Nos v.6-13 porque Cristo é a base da Nova Aliança, podemos ficar confiantes quanto à nossa salvação e remissão dos nossos pecados.

O ministério (a obra de Salvação) de Cristo é muito mais excelente (v.6,7), se comparada ao sacerdócio levítico, porque é o cumprimento das “superiores promessas”. E que superiores promessas são essas?

– a promessa de uma Nova Aliança inquebrável (v.8);

– a promessa de conversão genuína na mente e no coração, onde a Lei de Deus seria inscrita para sempre (v.10);

– a promessa do conhecimento de Deus ser revelado de forma clara, pessoal e abrangente (v.11);

– a promessa de perdão eficaz e pleno, onde os pecados não mais serão trazidos à tona (v.12).

2) Os contrastes das duas Alianças, 9.1-10

Os seguintes contrastes entre a Antiga e a Nova Aliança são destacados aqui:

Nos v.1-5 vemos que o que era oferecido diante de Deus na Antiga Aliança: coisas consagradas. Nestes versos temos uma descrição resumida dos utensílios dentro do Tabernáculo de Moisés. E faremos como o autor sagrado aqui fez: “Dessas coisas, todavia, não falaremos, agora, pormenorizadamente”, pois, o objetivo do autor sagrado aqui não era descrever esses utensílios, mas, sim, mostrar como tudo isso se contrasta com o que Cristo fez.

Nos v.6,7 vemos que na Antiga Aliança, vários sacerdotes eram necessários; na Nova, só Jesus. Muitos sacerdotes faziam o serviço sagrado na Antiga Aliança, e o sumo sacerdote, uma vez por ano, entrava no Santo dos Santos, e, enquanto ele oferecia sacrifícios pelo povo, também fazia por si mesmo. Na Nova Aliança, o nosso Sumo Sacerdote Jesus Cristo, ofereceu de uma vez por todas o Seu sacrifício por nós e por isso mesmo:

Vemos nos v.8-10 que o que é oferecido a Deus na Nova Aliança: vidas consagradas. Quais são os dons (ofertas) que Deus requer hoje de seu povo? Vidas aperfeiçoadas pelo sacrifício de Cristo (v.9).

Enquanto a Antiga Aliança tentava aperfeiçoar os ofertantes, na Nova Aliança eles são aperfeiçoados por Cristo. É disso que trata o último ponto dessa mensagem:

3) A Nova Aliança é feita no sangue de Cristo, 9.11 – 10.18

Em 9.11-14 vemos o tabernáculo em que Cristo derramou Seu sangue como propiciação é eterno. O tabernáculo de Moisés e tudo o que nele havia era transitório ao passo que o de Cristo é eterno, a saber, Ele próprio. Cristo é o Tabernáculo, o Sacrifício, o Sumo Sacerdote, a Aliança e o Mediador dessa Aliança. Mesmo com toda a limitação e imperfeição da Antiga Aliança os pecadores eram santificados, o que se dirá da Nova Aliança no sangue de Jesus? O sangue de Cristo purifica a nossa consciência do pecado que nos leva à morte, a fim de podermos servir ao Deus vivo. Cristo nos vivifica para servirmos como sacrifícios vivos ao Deus vivo e eterno.

Em 9.15-22 vemos que o testamento que Cristo deixou é um só e foi santificado com Seu próprio sangue. É o que já dissemos sobre a Aliança de Deus ser uma só embora se manifeste de formas diversas no decorrer dos tempos.

O autor sagrado aponta para o fato de que para usufruirmos do testamento (aliança) foi necessário que o Testador (Jesus) morresse, porque um testamento só tem força legal com a morte do testador.

Nos v.18,19, encontramos a explicação para o batismo. Reportando a Moisés quando ele tomou o sangue do sacrifício e misturou-o na água e com um chumaço de lã escarlate e um ramo de hissopo aspergiu sobre o povo para purificá-lo. Temos aqui a base para o batismo cristão. O batismo com água deve ser ministrado àquele que recebeu o Sangue de Cristo, isto é, entregou-se a ele pela fé e recebeu sobre si os benefícios descritos nos v.20-22.

Em 9.23-28 destacamos que o sacrifício de Cristo é único, eterno e suficiente. Todas as coisas que existiam no tabernáculo de Moisés eram figuras da obra de Cristo (cf. v.23). O sacrifício de Cristo foi realizado no Santuário Celeste e não no que é feito por mãos humanas como fora o de Moisés (v.24,5). Por esse mesmo motivo, o Sacrifício Dele é superior, único e não se repete mais (v.26-28). Eis o motivo pelo qual temos asseverado que o crente em Cristo Jesus não deve participar de uma missa católica por ser esta uma repetição do Sacrifício de Cristo. Missa não é culto!

Ainda cabe aqui uma observação contra outra heresia pregada por muitos: a reencarnação. Admitimos que não é este o foco do v.27, porém, o mesmo nos dá uma afirmação clara sobre o estado da pessoa depois da morte: “…aos homens está determinado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo”. Não se deixe levar por essa mentira da reencarnação.

Em 10.1-10, vemos um “diálogo” no céu que nos trouxe salvação. A Lei de Deus é perfeita e preciosa. Porém, ela só poderia salvar o pecador se este a cumprisse totalmente. Mas, quem poderia cumpri-la total e constantemente? Ninguém. Um diálogo no céu mudou tudo. Jesus disse ao Pai: “Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo me formaste; não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado”. Então Cristo Se dispõe e diz:

“Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade” (v.7). Cristo Se dispôs a fazer a vontade do Pai e por isso mesmo é que o v.10 diz: “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas”. Aleluia!

Esse diálogo divino aconteceu na eternidade, mesmo antes do homem pecar, mesmo antes dele ter sido criado. Nada pegou Deus desprevenido. Tudo transcorreu da forma como Ele havia determinado.

Em 10.11-18 voltamos a um assunto crucial nesta carta: Cristo concluiu Sua obra de uma vez por todas. No sistema sacerdotal do Antigo Testamento, os sacerdotes tinham de oferecer sacrifícios constantemente pelo povo porque os sacrifícios que eles ofereciam eram limitados e imperfeitos. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados (…) Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (v.12,14).

E como é essa santificação que Deus promove em nosso coração por meio do Sacrifício de Jesus? E a resposta é: na Nova Aliança que Ele fez através do sangue de Jesus. Esta Nova Aliança tem como característica duas grandes bênçãos que já vimos anteriormente: obediência sincera à Lei e perdão eficaz e completo (v.16,17). E onde (ou em quem) os pecados foram redimidos por um sacrifício tão poderoso, não resta mais nenhum sacrifício a ser oferecido.

Implicação e Aplicação

Poderíamos destacar várias implicações do que foi dito aqui. Contudo, ressaltaremos apenas uma: em quem você tem confiado para receber a salvação eterna e o perdão dos pecados?

Lembre-se de que não há sacrifício melhor do que o de Cristo, simplesmente pelo fato de que o sacrifício Dele é o único aceito por Deus e que é capaz de atrair a misericórdia de Deus sobre sua vida. Cristo é o Mediador da Nova Aliança porque somente Ele é capaz de o ser.

Não busque outros mediadores, pois, além de ser um insulto ao sacrifício santo e puro de Cristo, é perda de tempo confiar em quem necessita de um mediador tanto quanto você.

Conclusão

Cristo é melhor do que tudo o que eu posso fazer para agradar a Deus.

Mensagem proclamada na Igreja Presbiteriana no Jardim Sul em São José dos Campos, 22/04/2012

Rev.Olivar Alves Pereira

About Olivar Alves Pereira

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Teólogo, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, professor de Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea, Ética e História Bíblica, História e Teologia da Igreja, Educação Cristã e Teologia Sistemática, Sociologia e Ensino Religioso em seminários e escolas na região do Vale do Paraíba, também escreveu lições para a revista de EBD para os adultos da Editora Cristã Evangélica. É associado à Associação Brasileira de Conselheiros Bíblicos - ABCB. Na Política sou Conservador.
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2 Responses to Cristo é Melhor – Parte VI – Uma Exposição da Carta aos Hebreus

  1. marina says:

    graça e paz!!
    Saudades Pastor Olivar, td em ordem com o senhor, Janaína e Ana Cristina?? espero que sim.
    Uma vez mais tive a satisfação em ler artigo tão profundo e enriquecedor, que o NOSSO DEUS ETERNO continue abençoando-o neste ministério maravilhoso.
    abçs de Marina e Marcos

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